O cu doce de Salvador Dali.

29 de novembro de 2007

Acho que a publicidade, às vezes, tem um discurso um pouco hipócrita. A gente fica falando “da busca pelo novo” quando, na verdade, nada, ou praticamente nada do que a gente faz, é realmente inédito. E sinceramente, não vejo nenhum problema nisso. A única coisa que me incomoda mesmo é ficarmos fazendo de conta que o nosso negócio é mais inovador do que realmente é.

Explico.

Vejam só esses dois exemplos. O primeiro vídeo foi criado por um fã do Daft Punk, que pegou a música “Harder, Better, Faster, Stronger” e fez um clip caseiro, todo analógico, e muito legal.

Na seqüência, veio um segundo clip, criado por duas meninas, em cima da mesma música, da mesma linguagem, dos mesmos recursos analógicos - mas de uma forma diferente (contribuição do nosso aluno Pinky Demutti).

Mesmo conhecendo a primeira versão, e mesmo percebendo elementos comuns, não há como não gostar do segundo vídeo. E por que isso acontece?

Lá em 1500 e pouco, um tal de Giuseppe Arcimboldo inventou os primeiros princípios do Surrealismo. Eram pinturas muitíssimo estranhas para os padrões estéticos da época. Na verdade, o Surrealismo só foi surgir como movimento muitos anos depois.

Fico pensando se o Salvador Dali, que pegou esses mesmos princípios e potencializou, que levou ao limite mais fantástico da imaginação, ficasse de cu doce. “Ah, isso já foi visto. Temos que pensar em algo totalmente novo”. E nunca materializasse os quadros que todos nós admiramos.

Acho que existe na propaganda um certo purismo exagerado atrás do novo. Pra mim, a questão não é o ponto de partida. É o ponto de chegada. Se você conseguir agregar elementos novos a algo antigo, feito. Como nos clips do Daft Punk acima.

Certa vez li e nunca vou mais esquecer. “Saber copiar também é inovação”.

Mas claro, tudo sempre dentro do bom senso.

4 Comentários | Categoria: Perestroika


Deus existe.

27 de novembro de 2007

22 Comentários | Categoria: Perestroika


Há uma semana, aconteceu no MIT (Massachusetts Institute of Technology, provavelmente o maior centro de tecnologia e inovação do mundo) a segunda edição do Futures of Entertainment. É um puta evento que, como o próprio nome diz, discute o futuro do entretenimento, mas também da publicidade, internet, mobile media, cultura pop, pesquisa de consumo e das chamadas ferramentas de mídia social.

Entre os vários fodalhões que participaram, estavam lá: Jesse Alexander (produtor e escritor da série Heroes), Mark Davis, (Social Media Guru do Yahoo), Jeff Gómez (CEO da Starlight Runner Entertainment, estúdio que criou o comercial Happiness Factory da Coca-Cola), e muitos outros figurões.

Ironicamente, as palestras aconteceram num momento muito importante para a indústria norte-americana. Exatamente durante a greve dos roteiristas, que estão reclamando sobre direitos autorais na venda de DVDs e downloads. Tudo isso só reforçou a discussão de quanto a internet, o celular e o iTunes estão reformulando o modelo de negócios de mídia e conteúdo.

Em função do evento, nos últimos dias, um dos nossos professores esteve em contato direto com o Doutor em Convergência de Mídias do MIT, Sam Ford. No meio da conversa, o Doutor recebeu o link com um trabalho dos nossos alunos. O Pitaco da Laura, vídeo criado para a disciplina do Felipe que fala exatamente sobre convergência de mídias.

Vejam só a resposta emocionada do cara.

É isso aí. Um dos cabeções do MIT pagou pau afu pro vídeo. Nessa hora, dá vontade de levantar um cartaz dizendo “a gente já sabia”. Tanto que o Pitaco da Laura foi um dos dois vencedores do Prêmio Boris Yeltsin do semestre passado.

Quem imaginaria que, com apenas 9 meses de vida, a Perestroika já estaria sendo falada dentro do MIT, hein?

Parabéns, Laura. E vamos rever o vídeo, porque ele merece.

P.S.: Em breve, esperamos receber um email da NASA elogiando o Golpe do Facco.

12 Comentários | Categoria: Perestroika


Mico Leão Dourado

21 de novembro de 2007

Eu sempre achei que sempre houve um bucado de histeria em volta do assunto ecologia. Veja bem, não tenho nada contra a ecologia. Desde que ela fica na dela e não me incomode. Tipo, não quero que as árvores se fodam, que as calotas derretam, que as aves marinhas fiquem cobertas de óleo. Não quero que ninguém sofra e tals.

Mas tem gente que exagera muito.

Desde os primórdios da vida sobre a terra, muito animal já foi extinto. Já teve mais espécies extintas do que a soma de todas as que existem sobre a terra hoje. Fora os dinossauros, os mamutes e o homem-de-neandertal, tem uma pá de bixo que já era. E tá, estamos aí, vivendo numa boa. Ninguém morreu por causa disso, né? Fora quem morreu.

Mas tá. Tu tá aí, lendo o post, com certeza bem melhor que se ainda tivessem dinossauros na banda. A extinção é uma forma de evolução, eu diria. As galinhas, por exemplo, acho que já não precisamos mais dela. Já temos formas de carne mais evoluida. E esse negócio de querer ficar salvando todo mundo é não é muito natural. Talvez não seja nem muito ecológico.

Falando sério: o mico-leão dourado não vai fazer TANTA falta assim, né? Tem bastante macaco de diversos tipos pra cobrir por ele.

Alguém consegue me explicar por que tanta preocupação com os miquinhos?

15 Comentários | Categoria: Perestroika


Novo professor.

21 de novembro de 2007

A partir de sábado que vem, a Perestroika tem um novo professor.

9 Comentários | Categoria: Perestroika


HOJE FUI AO CENTRO

19 de novembro de 2007

Tirei esses 3 primeiros dias da semana para organizar a minha pauta da vida pessoal. Marcar médicos, pagar impostos, arrumar o DVD player. Coisas que - vocês vão ver em pouco tempo, a gente nunca tem tempo para fazer. E daí uma das coisaas que eu tinha que fazer era no centro. Fazia bastante tempo que eu não ia ao centro.

Foi um saco, por causa do trânsito, que tava muito foda. E mais o problemas de estacionar no centro, que é bem foda. E mais caminhar no centro. E ficar meio em dúvida se a Marechal José Inácio é quantas antes da Otávio Rocha ou se é mais pro lado da Dr. Flores.

Mas eu vivi uma cena que foi ducaralho lá no prédio da Galeria Malcom. Na hora que aconteceu, pensei “É isso que eu vou postar hoje”. Uma típica cena de piada da vida real, que, inclusive, faz parte do conteúdo da minha aula do Módulo 2. Sensacional.

E hoje era meu dia de postar. Tinha que postar até a meia-noite.

Mas no fim, tinha tanta coisa na minha pauta pessoal, que acabei chegando tarde em casa. Bem cansado. E essa história precisa ser contada com calma. Com inspiração. Com detalhes. E logo que eu entrei no computador, fiquei trocando uma idéia com o Guile e com o Michel e com a Gabi Elias por MSN, tirando algumas dúvidas deles sobre questões da Perestroika, e, quando me dei conta, já tinha passado da meia-noite.

Então, peço a todos desculpas por não ter postado no prazo que eu tinha como compromisso. Foi realmente foda meu dia. Mas amanhã mesmo vou escrever a história do centro como ela merece ser contada e vocês vão ver que valeu a pena esperar.

Abraço,
Felipe

***************

Senhoras e senhores,

E assim terminamos a aula de hoje. Uma demonstração prática de que o método da Abordagem Sincera, quando usada com técnica, realmente é capaz de sensibilizar o cliente. E transferir a reunião.

Obrigado
A direção de Perestroika.

7 Comentários | Categoria: Perestroika


Construção de personagens

18 de novembro de 2007

Um dos assuntos que eu mais tenho estudado nas últimas semanas, e que tem boas chances de aparecer nos novos projetos da Perestroika, é construção de personagens. Coincidência ou não, recebi por email um texto do Fernando Meirelles falando exatamente sobre isso.

A dica foi do Guilherme Rech, indicado da Turma 1, que viu no Blog do Ensaio Sobre a Cegueira:
http://blogdeblindness.blogspot.com. Por sinal, o Blog em si já é uma dica ainda melhor que o próprio post.

Pra quem não sabe, Ensaio Sobre a Cegueira é uma adaptação do best-seller do Saramago que vai para o cinema pelas mãos do Fernando Meirelles.

Post 8: Sobre Esmalte, Maconha e Lance de Dados.

Durante um ensaio, o Gael (García Bernal) andava vendado por um corredor cheio de lixo cenográfico quando pisou num tubinho circular. Abaixou-se, pegou o volume sob seus pés e sem saber do que se tratava, desrosqueou a tampinha e cheirou. Era esmalte. Teve um impulso de passar na unha, mas se conteve. Esta pequena experiência casual modificou a linha de seu personagem e, com isso, o filme todo.

Convidei o Gael para fazer o papel do Rei da Camarata 3 porque imaginei que ser ia mais surpreendente um vilão boa pinta, com cara de garotão inofensivo. Já haviam me dito que ele é um ator que costuma interferir bastante na criação de seus personagens e essa foi mais uma razão para chama-lo. Gosto de ouvir idéias alheias e as uso sempre. Quando a gente coloca fichas no inesperado, ele acontece. Paguei para ver.

O Gael chegou no Canadá só em nossa terceira semana de filmagens, e foi no seu primeiro dia de ensaio que ele pisou no tal vidrinho. Ao cheirar o esmalte, pensou que o mesmo poderia acontecer com seu personagem e, portanto, o Rei da Camarata 3 poderia perfeitamente estar com as unhas pintadas na cena onde promove uma orgia com as mulheres das outras camaratas. Achei a idéia meio esquisita, mas dei corda. Não queria cortar a onda dele no nosso primeiro dia de trabalho. Quando a Micheline, maquiadora, soube disso veio me perguntar se eu queria mesmo pintar as unhas dele de vermelho. Minimizei:
“A cena é escura, nem vai dar para ver direito. Allons y*”
(* “Vamos nessa”, em francês. Ela é de Quebec)

Para que o personagem não fosse confundido como uma drag-queen em potencial, ou para que o espectador não achasse que estivesse assistindo a “Má Educação-II” ao ver o mexicano com as unhas pintadas, antes de rodar a primeira cena do Rei pedi que ele encontrasse o esmalte por acaso, enquanto falava seu texto. A idéia era fazer o uso do esmalte parecer mais acidental e menos intencional. Só que ele foi muito mais longe e fez metade da cena mais concentrado no esmalte do que em seu texto. Achou o frasco, pegou, abriu, cheirou, passou o esmalte em cada unha, assoprou, esbarrou no vidrinho que caiu no chão, saiu procurando. Ia falando com os outros personagens completamente distraído, interessado apenas no esmalte. A cada tomada, ele acrescentava mais algum detalhe desta historinha paralela. O resultado ficou muito engraçado. O vilão cruel ficou parecendo um trapalhão que havia fumado três baseados, alheio ao sofrimento que estava provocando ao seu redor. Um cara mais irresponsável do que perverso e talvez por isso mesmo até mais assustador. Gostamos do resultado.

Uma vez encontrado este tom, resolvemos fazer as outras cenas do Rei na mesma direção. Com isso esse vilão meio xéu-bléu-bléu acabou virando o personagem mais cômico do filme. O espectador deverá detestá-lo por suas atitudes mas, ao mesmo tempo, poderá ter alguma simpatia pelo seu tom de moleque descompromissado. Humor é sempre um golpe baixo. Difícil resistir.

E foi assim que aquele pequeno incidente no corredor funcionou como um gatilho para que o Gael inventasse seu personagem. O tom encontrado trouxe oxigênio para a história e abriu um viés que não estava nem no roteiro e nem na minha cabeça no início das filmagens.

Lição do dia:
Criação é assim. Como um lance de dados, jamais abolirá o acaso.

5 Comentários | Categoria: Perestroika


Objetivos Turma 2

14 de novembro de 2007

12 Comentários | Categoria: Perestroika


Director’s Label

14 de novembro de 2007

Todos vocês já ouviram falaram de um tal de Michel Gondry. E muitos de vocês talvez tenham ouvido falar do selo Director’s Label, que reuniu os trabalhos do próprio Gondry, do Spike Jonze e do Cris Cunningham num DVD muito bacana. Uma excelente fonte de referência.

Pois o volume 2 já está à venda. Assim como o Silvio Santos, eu não vi, mas recomendo.

Nessa segunda edição, os diretores escolhidos foram Mark Romanek, Anton Corbijn e Stéphane Sednaoui. Além do multipremiado Jonathan Glazer, um verdadeiro ícone da propaganda moderna. Foi ele quem dirigiu o Sony Bravia das tintas (já postado nesse blog) e alguns dos comerciais mais memoráveis da última década.

1 Comentário | Categoria: Perestroika


Vai tomá no cu, filho da puta!

13 de novembro de 2007

Rafael Tronquini, aluno da segunda turma da Perestroika é um dos 4 finalistas nacionais do VW Route. E tá mandando bem. No projeto e na entrevista. Parabéns, Tronquini.

http://www.portal3.com.br/_noticias/2007/11/02/not_12-11_4.htm

9 Comentários | Categoria: Perestroika