Arquivo de fevereiro de 2008
Quando nada é tudo o que se tem a dizer.
29 de fevereiro de 2008Uma das coisas mais óbvias - e muitas vezes ignorada por nós publicitários - é que um bom produto, por si só, já é uma marca.
Certamente daí que saiu a máxima a melhor propaganda que existe é o boca-a-boca.
Na verdade, a melhor propaganda existe é fazer um bom produto. Se ele for verdadeiramente bom, naturalmente vai gerar o boca-a-boca espontâneo.
Foi a partir desse pensamento que surgiu um tipo de propaganda aparentemente comum, mas extremamente eficiente. A chamada propaganda demonstrativa. Que simplesmente mostra o produto em ação - e isso já nos convence a comprá-lo.
Um clássico.
Um clássico moderno.
Mas existem empresas que levam isso ainda mais a fundo, e nem se preocupam muito em anunciar na mídia tradicional. Investem essa grana, por exemplo, no ponto-de-venda. Para que o cliente se sinta à vontade e tenha uma experiência inesquecível. Investem em serviço: um funcionário bem pago trabalha mais e melhor do que um que ganha salário mínimo.
Acho que, dentro de umas, a Perestroika trabalha um pouco em cima dessa filosofia. Pode parecer contraditório, mas a gente quase não anuncia na mídia tradicional. A gente cacifa no nosso produto. Se as nossas aulas forem boas, elas naturalmente vão virar assunto nos corredos das universidades. Vira pauta de programas que falam de propaganda. E aí, mission accomplished.
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(ATUALIZADO ÀS 15H57)
Falando nisso: essa semana, demos uma entrevista para a TVCom. Ao que tudo indica, a reportagem vai ao ar na próxima sexta, dia 7/3, às 22h. Inclusive enviamos vários trabalhos das turmas 1 e 2 para Lu Adams. Não existe garantia nenhuma, mas é possível que um ou outro apareça durante a reportagem.
Então, já fiquem espertos. Sexta que vem, nada de happy hour, nada de BBB. Todo mundo ligado no 36.
Um banquinho e uma estagiária
29 de fevereiro de 2008Essa não é necessariamente o segundo passo para construir uma sede. Mas no nosso caso, foi.
Se você vai receber alunos na sua nova sede, que ainda não está pronta - pelo contrário, as obras estão apenas começando - ou pela simples possibilidade de ter que receber fornecedores para fazer orçamentos e/ou acompanhar a obra, é fundamental que exista lá uma cadeira.
A Majda - funcionária número 1 da Perestroika - sofreu em silêncio ao longo de duas semanas, sentando-se no chão, escorando-se nas paredes e inventando novas formas de se acomodar. Mas os problemas acabaram. Agora, Majda senta-se e reina sozinha na nova sede da Perestroika.
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Para acompanhar todas as dicas da Cartilha da Obra, clique no tag “Obra” no menu ali na direita. Ou aqui embaixo.
CARTILHA DA OBRA - PARTE 1
27 de fevereiro de 2008Um dos conceitos exaustivamente discutidos e estimulados na Perestroika é o EMPREENDEDORISMO CRIATIVO. Isso significa, entre outras coisas, que nossos alunos no futuro utilizem a sua criatividade não só na propaganda, mas para tirar velhos projetos empoeirados da gaveta e colocar em prática. O famoso “Foi lá e fez”.
Se isso der certo, em pouco tempo, teremos muitos Camaradas Perestroika alugando e montando as suas próprias sedes.
Como uma das propostas da Perestroika é sempre instrumentalizar a nossa comunidade de alunos, aqui vão algumas dicas do que estamos aprendendo com a montagem e instalação da nossa nova sede. Guardem essas dicas. Serão valiosas no futuro.
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A primeira coisa que você precisar instalar na sua nova sede é luz. Marceneiro, gesseiro, o cara da fiação, todos eles vão precisar de luz para trabalhar. Até porque obra sempre tem que ser de noite.
Para instalar a luz, você vai precisar ligar para a CEEE.
Mas antes de instalar a luz, vem a primeira surpresa, é preciso ter o disjuntor.
Então, já previna-se, primeiro o disjuntor, depois a CEEE.
Para compra e instalação do disjuntor, fale com o Mauro. Fone:84244659.
Para ativar a CEEE, ligue 08007212333.
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The Big Old Idea
26 de fevereiro de 2008Big Idea é a palavra da moda da propaganda.
Agora, não basta mais se ter uma simples IDEA. Ela precisa ser BIG.
Sempre vi com certo receio essa terminologia. Não porque eu seja contra Big Ideas. Mas só porque, ao meu ver, essa não é exatamente uma novidade.
Desde que eu entrei na propaganda, cansei de ouvir idéias que foram maiores do que um simples anúncio. Lembro perfeitamente das tirinhas de Bib’s, criadas de forma maravilhosa pela Escala. Eu era recém um projeto de projeto de publicitário. E já me divertia com as tirinhas no Segundo Caderno da Zero Hora. Um espaço até então marginalizado: entre os quadrinhos e a agenda de filmes em cartaz. Não poderia ser mais adequado. Ótimo tanto como idéia de mídia quanto de criação.
OK, mas aí você pode dizer que isso não é BIG IDEA. É apenas ADVERTAINMENT.
Bom, então vamos lembrar dos comerciais antológicos de Rider. Aqueles clipes grandiosos, que iam muito além dos 30″. Sempre com um hit na trilha sonora. Paralamas, Lulu Santos, Barão Vermelho, ih. Teve de tudo. Teve tanta música bacana que até virou um CD da própria Rider.
E isso, é Big Idea?
Ah, mas de certo você deve estar pensando: “ora, um simples CD não chega a ser uma Big Idea. É só uma variante primitiva da atual CROSSMEDIA”.
Tá bom, tá bom. Mas que tal esses caras aqui?
Tenho certeza que você lembra das pessoas se acotovelando nos supermercados em busca dos mamíferos de pelúcia. A sua irmãzinha queria um. A sua namorada queria um. A sua mãe queria um. Uma campanha que virou produto, e um produto que virou dinheiro extra para a Parmalat. Isso tudo aconteceu em 1997, quando o termo “Big Idea” nem tinha chegado no Brasil.
Então, essa campanha é ou não é?
E o que falar de uma votação popular para escolher o novo Casal Unibanco, o primeiro comercial interativo da história?
E o gesto universal de “número 1″ da Brahma? Tão forte que foi repetido pelos jogadores (alguns por querer, outros sem querer) na final da Copa de 94?
Eu sei que a propaganda mudou. Só tomo cuidado para não ser levado pela onda sem, pelo menos, fazer o saudável exercício da reflexão. Sempre vai ter algum marketeiro querendo embalar o velho de um jeito novo, para colocar num powerpoint e ganhar dinheiro em cima disso.
Mas não há como negar: a propaganda atual está produzindo inúmeras Big Ideas. Talvez o próprio termo Big Idea seja uma delas.
Afinal, o que é o Ironman Perestroika?
26 de fevereiro de 2008Pista número 1:
Revisa Veja de 09/01/08. Sessão Saúde.
The Most Amazing Videos
25 de fevereiro de 2008No último dia de aula do semestre passado, eu dei um tema: criar um vídeo para o Blog. Lembram disso?
Eu, pelo menos, não esqueci.
Exatamente por ser o último dia de aula, a apresentação dos trabalhos destaque ficou prejudicada. Então, resolvi resgatar os que eu mais curti e postar aqui no Blog.
De Guilherme Grossi.
Adoro este vídeo. 1) Ele é todo analógico. 2) Ele brinca e se diverte com essa estrutura analógica. 3) Ele coloca de forma muito bacana várias mandamentos do curso.
De Marcelo Jung.
Ótima execução. Enquadramento interessantíssimo e áudio muito bem acabado.
De Ana Rovati.
Poesia pura em cima de um dos maiores ícones da Perestroika.
De Maurício Antunes.
Tudo sempre pode ser feito de várias maneiras diferentes.
De Amaralina Xavier.
Uma ingenuidade típica da Amaralina com homenagens a nós quatro.
De Gabriela Oliveira.
Mexendo em alguns detalhes, essa idéia poderia virar um comercial oficial da Perestroika.
De Gustavo Panichi.
Produção impecável. E ainda usa um bonitão como protagonista. Daí é golpe baixo.
Propaganda enganosa ao contrário.
24 de fevereiro de 2008Boa parte dass mulheres mente a idade. É propaganda enganosa, mas já virou uma convenção social aceitável.
Agora, o que eu nunca consegui entender é: por que elas mentem PARA BAIXO, e não PARA CIMA? Isso só detona o produto. É como se elas usassem a propaganda ao contrário.
Ex: Uma sessentona, com corpinho de 55, diz que tem 40 anos. O cara pensa: “ela parece quinze anos mais velha. Está acabada.”
Ex2: Uma sessentona, com corpinho de 55, diz que tem 70. O cara pensa: “ela parece quinze anos mais nova. Está inteiraça.”
Faz sentido? Ou eu tô louco?
Viva a mosca.
24 de fevereiro de 2008Eu estava há duas semanas na agência. Era meu primeiro trabalho grande na DCS. E se pensarmos que eu nunca tinha me envolvido com uma verba desse tamanho, até dá pra dizer que era o primeiro trabalho grande da minha carreira.
Sabia que tínhamos que chegar numa idéia poderosa, atemporal, capaz de fazer diferença na história da marca.
Era um trabalho grande, mas tinha que terminar como um grande trabalho.
Foi então que, depois de vários brains, surgiu a mosca. Desde o primeiro momento, sempre acreditei muito na idéia. Era um roteiro que tinha tudo para render um bom filme. Ação, humor, esporte, suspense, uso inusitado de personalidade, desempenho. Estava tudo ali e tudo funcionando muito bem.
Claro, eu também tinha noção de que não era o maior comercial da história da propaganda. Mas era o maior comercial da minha história. E isso já era muito.
Desde que foi aprovado pelo cliente, eu já pensava na campanha do ano seguinte. Já pensava na Mosca II. Eu realmente acreditava que a personagem era carismática o suficiente para merecer uma seqüência.
Depois de muita discussão - e de mais de mil sinopses de roteiros - a mosca sobreviveu. Meio aos trancos e barrancos, com histórias curiosas que poucos conhecem.
Por exemplo: no Mosca II, a primeira decisão foi inverter o papel do protagonista. Ele passaria de perseguidor a perseguido. Mas como a mosca não era um bicho muito amedrontador, a substituímos por uma abelha.
O curioso é que, até o último momento, até horas antes da apresentação, o filme não tinha mosca. Não tinha mosca! Mas como acreditávamos no personagem, conseguimos encontrar uma solução para encaixá-la no final do roteiro, de forma que tudo ficasse amarradinho. Hoje, olhando o comercial, parece que foi criado do fim para o início. Mas foi exatamente o contrário.
Então, pela terceiro ano seguido, de novo aos trancos e barrancos, conseguimos emplacar a mosca mais uma vez.
Fico muito feliz de ver a saga com um terceiro episódio. Me sinto ajudando a construir (junto com todas as pessoas que participam desse processo: Rafa, Márcio e todos os outros co-criadores) um momento importante da marca. Me sinto um publicitário de verdade. Que faz propaganda de verdade, para uma empresa de verdade e com resultados de verdade.
Propaganda é soma. Se nós conseguimos agregar coisas boas com a mosca, por que jogar tudo no lixo e tentar outra vez, com outro apelo, com outra abordagem? Que pode, inclusive, não dar certo? Quantas campanhas famosas são feitas assim, com continuidade? Comerciais que foram sucesso e que, por isso, tiveram seqüências para aproveitar o recall positivo?
Sempre ouvi que “a Guiness construiu uma marca porque diz a mesma coisa há décadas. O The Economist construiu uma marca porque diz a mesma coisa há décadas”. Aí, na hora que nós temos de dar continuidade, não seguimos a receita que tanto idolatramos.
Felizmente, conseguimos escapar dos inseticidas e dos mata-moscas. Ela está aí, para continuar incomodando o nosso protagonista. E, se der tudo certo, para continuar incomodando a concorrência.
A propaganda do futuro já existe.
21 de fevereiro de 2008Vejam que ANIMAL a estratégia da Volks para o lançamento do novo Fox. Dica bárbara da Bárbara Bastos, nossa ex-eterna-aluna.
Entretenimento, relacionamento, conceito, tudo.
E o que isso tem a ver com o post de ontem?
É que numa vida tão corrida, pra mim, o grande, gigante, desafio das marcas é fazer o consumidor entregar um pouco do tempo dele para os produtos e serviços que trabalhamos.
A Volks conseguiu. E alguém teve essa idéia.
Você já pensou fora da bolha hoje?
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Para o lançamento do novo Fox, a Volkswagen convidou vinte e um artistas da área do design gráfico, urbano e ilustração, para transformarem, criarem o Hotel Fox, no centro de Copenhagen, no maior hotel criativo e com um novo jeito de viver do mundo.
São 61 quartos e cada um tem um tema, uma individualidade do artista.
Os quartos vão do funny, mangás até detalhes mais rebuscados.Lá a gente pode encontrar flores, contos de fada, monstros amigáveis e muito mais.
http://www.hotelfox.dk/
O grande inimigo da inovação
20 de fevereiro de 2008Se tem coisa que qualquer neguinho que queira trabalhar com atividade pensante, criativa e inovadora precisa é tempo.
É fundamental ter tempo pra se envolver em todo o negócio da propaganda (no caso do mercado publicitário, óbvio), ler os jornais e revistas do setor, conferir o post do blog da Perestroika, acessar o BlueBus ou Brainstorm 9, passar o olho numa Archive, devorar um anuário, conferir a última campanha da Levis no YouTube, ver o DVDs da Shots com as apostas de Leão para Cannes.
Precisamos, sim, ter tempo para isso. Ok.
Deveria entrar na pauta de trabalho, inclusive.
Só que a página inicial do Safari (tá bom, Felipe, Firefox) de qualquer cara que pretenda fazer alguma coisa original na vida deveria dizer: tempo livre, tempo livre, tempo livre, tempo livre, nunca esqueça, tempo livre.
E este post é sobre isso.
Precisamos ter tempo pra passear com o cachorro. Pra ir no cinema ou passar a noite beijando. Pra almoçar na casa da vó no final de semana e rir o tio bêbado caindo na piscina. Ouvir muita música, ir a um museu ou exposição de fotos. Praticar uma luta ou esporte.
Precisamos ter tempo pra tomar um chimarrão na praça, pra jogar bola e para o churrasco semanal com os amigos que só falam de mulher e cerveja. Tudo isso é produtivo pra caramba, não se engane. Nem se culpe por isso.
É ótimo passar uma noite toda num bar e descobrir o sol nascendo, ir pra praia na quinta-feira, do nada, enquanto todo mundo está se quebrando na cidade. Como é bom quando nos pegamos conversando com o guarda da esquina ou com o gordo do ônibus como se não tivessemos mais nada pra fazer. Papo com taxista é rico e pensar que imagem uma nuvem está formando no céu também é um passatempo digno de quem não tem compromisso com mais ninguém que não consigo mesmo.
Dedique tempo a isso.
Pois são essas coisas que um dia virarão idéia. Está tudo na sua vida, na forma como você enxerga e processa isso. Quanto mais rico você for, mais valioso, exclusivo e único será o que sai de dentro de você.
Sem falar que fazemos propaganda para todos os tipos de pessoa e não apenas publicitários. Isso quer dizer o taxista, a sua vô, o guarda e até o seu tio. Sim, aquele bebum, ao menos cerveja garanto que consome.
Então além de estar abrindo a cabeça para novos insights, você também está estudando o brasileiro.
Sim, porque só quem cresceu e se deu bem mesmo com a correria dos executivos das empresas e publicitários e essa “vida para o trabalho” foram as empresas de pesquisas. Porque agora precisamos deles para nos trazer informações da rua, insights e referências.
Então, gurizada do barulho, uma coisa é bombar trabalhando, se mostrar sempre a disposição pra ajudar, entender que existem fases e fases, se esforçar de verdade e tal, e outra, bem diferente, é achar esse é o caminho pra ser punk. Isso faz parte, mas cuidado: você está empobrecendo.








