A lenda do sapo cor de rosa.

30 de abril de 2008

Não sei bem onde surgiu, mas de tempos em tempos ele aparece nas agências

SAPO COR-DE-ROSA

O diretor de arte chegou às 10h30min. óculos escuros, cabelo
molhado. A menina do atendimento, desesperada, já estava na criação cobrando os anúncios.
- Pelo amor de Deus! O cliente viaja hoje a  tarde e quer ver os
layouts pra poder mostrar para o diretor internacional que vai ter uma reunião
com a coordenação da américa latina e eu vou me ferrar porque todo mundo tira o corpo fora!

O diretor de arte não tinha ainda achado “aquela sacada gráfica, entende?”
- Pelo amor de Deus! Pelo amor de Deus! Pelo amor de Deus!

Sem tirar os óculos nem dizer palavra, o diretor de arte senta na frente do
computador, pensando: “Que saco, só um mês de prazo, o redator fez os títulos
à duas semanas, assim não dá pra trabalhar.”

Quinze minutos depois, os layouts estão saindo da impressora. O redator vê os anúncios
e comenta:

- Por que um sapo cor-de-rosa?
- Sei lá, é uma imagem bonita, instigante… - diz o jovem diretor de arte.
- Mas o anúncio é de eletrodoméstico. Que é que tem a ver?

O diretor de arte não queria entregar que não pensou em nada e que aquele sapo
era a única imagem que tinha no arquivo do computador, mas não deu tempo de
inventar uma justificativa.

- Daqui esse troço que eu tô com pressa.
No caminho do cliente, no carro, o diretor de atendimento vê pela primeira vez
os anúncios pra poder dizer na reunião que tinha acompanhado o processo
criativo todo, inclusive direcionado a criação para não perder o foco da
campanha e dar destaque ao sapo cor-de-rosa. Sapo cor-de-rosa?

- Que merda faz esse sapo cor-de-rosa aqui nesse anúncio!?
- Sei lá foi a criação que fez eu não sei de nada só cobrei os caras.
O diretor de atendimento não podia jogar fora o anúncio, era o único em que o
título fazia uma vaga mençãoo ao produto. Teve que pensar em uma saída.

Chegaram ao cliente, que era uma imensa multinacional. Estão na sala de reunião
com toda a equipe de marketing da empresa. O diretor de atendimento, uma velha
raposa, apresenta o layout do sapo rosa falando da necessidade de um property
para a marca e a importancia do impacto que a comunicaçao deve ter junto às
donas de casa, que uma imagem altamente diferenciada não permite a indiferença
do público alvo e que um sapo, com certeza, sensibiliza a donas de casa de
qualquer classe, e que o fato de ele ser rosa (uma cor altamente ligada ao
universo feminino) anularia toda a imagem negativa do sapo em questão. Seja o
que Deus quiser.
O diretor de marketing da multi ouviu tudo sem mudar a expressão de jogador de
poquer. Houve aquela pausa que prenuncia hecatombes.
- O que voces acham? - perguntou o chefão de marketing para seus comparsas.
As respostas vieram pela ordem crescente na hierarquia local:
- Um pouco estranho.
- Bem estranho.
- Estranho é apelido.
- É sem dúvida a coisa mais estranha do mundo.
- Uma merda.
- Eu até que gostei do sapo cor-de-rosa - disse o chefão de marketing.
As mudanças de opiniao seguiram a ordem decrescente.
- Uma merda que pode dar certo.
- Sem duvida é a coisa mais estranha do mundo é porque tem algo de
especial.
- Especial é apelido.
- Bem especial.
- Ainda acho um pouco estranho - disse o mais baixo na hierarquia que, por
manter sempre sua opiniao, foi despedido alguns meses depois.
No final, valeu democraticamente a lei do mais forte. E o diretor de
atendimento voltou para a agencia pensando porque raios o chefão do marketing
gostou do sapo cor-de-rosa.
“Será que a idéia é boa? Não, não, impossíel sair coisa boa da criação.
por que o chefão gostou? Na verdade eu é que sou um puta vendedor. Eu sou
foda.”
Na verdade, o chefão de marketing não sabia porque raios tinha aprovado aquele
anúncio do sapo cor-de-rosa. Ele estava divagando sobre sua casa de campo,
pensando como era gostosa aquela menina da agencia que fala rápido, não prestou
muita atençao no que o cara da agencia falava. Mas, para falar tanto, ele devia
estar falando coisas importantes. Não pegava bem passar por ignorante na frente
de seus subalternos.
E agora o chefão de marketing está num avião, levando numa pasta branca de
papel-cartão um sapo cor-de-rosa, que deve ser apresentado para um chefe que é
mais chefe que ele.
“Vou ter que enrolar os gringos”, pensou.
A reuniao com o pessoal da América Latina começou com um clima tenso. Nenhum dos diretores de marketing dos vários países onde a empresa atuava tinha um
trabalho decente para mostrar. Quando o diretor de marketing do Brasil mostrou
o anúncio do sapo cor-de-rosa foi um alívio geral. Todo mundo começou a apoiar
a idéia do brasileiro, pelo menos assim ninguém precisa justificar o próprio fracasso.

- Me gusta mucho el sapo rosado.
- Sin duda tenemos un simbol.
O coordenador de marketing para toda a América Latina, o big-boss de todo mundo
ali, não falava bem castelhano.
O big-boss dos cucarachas, como secretamente se autodenominava o coordenador de
marketing para toda a América Latina, telefonou para a matriz no dia seguinte
dizendo que havia unanimidade em torno de um conceito - desenvolvido pelo
marketing de Buenos Aires, ou serão de Caracas? I don’t know, só sei que é de
um lugar do Brazil.
O anuncio do sapo cor-de-rosa e o big-boss dos cucarachas estavam a caminho da
matriz, em Atlanta.
O chefão estava tranquilo em relaçao ao sapo. Todos os diretores de marketing
da América Latina haviam feito reports provando a viabilidade da estranha
personagem anfíbia. Que os reports foram feitos para agradar a ele, o
big-boss, ninguém contou. Nos reports havia números, e números fazem até um
Sapo cor-de-rosa existir.
O coordenador de marketing para toda a América Latina entrou as 8h na sala do
seu chefe, que estava reunido com toda a presidência da grande empresa
multinacional de eletrodomésticos. Debaixo do braço, um sapo cor-de-rosa.

Reunião de portas fechadas.
Ás 8h05min a secretária escutou alguém gritar na sala:
- What hell is’t?
Passaram-se seis meses. O diretor de arte chegou as 11h. Óculos escuros,
cabelo molhado. A menina do atendimento havia deixado um grosso fichario na
mesa da dupla de criaçãoo. Na capa do fichário lia-se: The Pink Frog.
No fichário havia todas as normas de utilizaçãoo do Pink Frog. O tipo de sapo
que deve ser utilizado, qual a tonalidade do cor-de-rosa, as melhores posições
em que deve ser fotografado, a proporção que deve ter o sapo, perdão, o Pink
Frog, em relação o ao formato do anuncio. Havia até a recomendaçao de que se
usassem sapos vivos e que se pintasse o sapo por computador para evitar
problemas com os ecologistas. O sapo foi completamente dissecado em duzentas páginas.
Por conta do sapo cor-de-rosa, muita gente foi promovida, tanto no cliente
quanto na agencia.
- Puxa que legal eu sempre quis ser diretora de contas e mandar nesses babacas!
Todo mundo se deu bem, menos o diretor de arte. Parece que o cliente pediu a cabeça
dele porque ele não seguiu as normas de aplicação do Pink Frog, e colocou em
risco a seriedade do marketing do cliente.

23 Comentários | Categoria: Perestroika


Next level.

29 de abril de 2008

Tem uns comerciais que não dá pra dizer nada. Tem que só admirar.

Esse aqui é dirigido pelo Guy Ritchie. Não deve ter saído barato, mas vale cada centavo do cachê do cara.

Sei lá, já falei muito.

5 Comentários | Categoria: Perestroika


Desventuras em Série

28 de abril de 2008

Alguém já viu este filme?
Se já viu, tomara que tenha esperado até o final. A melhor parte são os créditos finais.
Como na aula mostrei para vocês várias aberturas, agora vai um final com uma direção de arte tão legal que dá raiva.
Olhem sempre com o olho prestando atenção na profundidade, movimento de câmera e enquadramento.

Alguém lembra de algum comercial que tenha usado essa linguagem como referência?
Quem lembrar e mandar pra mim ganha um prêmio.
Se tiverem dificuldade, mando umas pistas depois.

12 Comentários | Categoria: Perestroika


Como é bom ter um blog.

25 de abril de 2008

3 Comentários | Categoria: Perestroika


Vamos manter o cinturão.

25 de abril de 2008

A gurizada da Perestroika é foda.

Já teve trabalho elogiado pelo MIT, o maior centro de criatividade e inovação do mundo.

Já teve aluno que começou a trabalhar diretamente com a Nike, com direito a reunião com os cabeções americanos em inglês.

E ano passado, teve o Rafael Troquini. Um cara inteligente, disciplinado e que, curiosamente, antes da Perestroika, não falava palavrão.

Ele foi o vencedor do concurso nacional VW Route. Ganhou, nada mais nada menos, que um carro zero Km.

Depois do carango, o Tronquini ganhou fama, mulheres e conheceu o castelo de Caras. E foi de lá que ele nos escreveu dando a dica:

“E aí, seus filhos da puta! Ó: o concurso cultural VW Route está começando na próxima semana. É foda, mas o prêmio é do caralho. Qualquer estudante universitário pode participar. Independente se estuda nessa ou naquela universidade. Manda um alô para aqueles putos da Perestroika. E manda esses cuzões participarem. Valeu?”

Valeu, Tronquini.

Agora é com vocês, galera. Temos que manter o cinturão.

Quer saber mais sobre o concurso? Clique aqui.

8 Comentários | Categoria: Perestroika


Adivinhem que dia é hoje?

25 de abril de 2008

É sexta-feira! Aproveitem, mas não se esqueçam que amanhã tem aula.

Nenhum comentário | Categoria: Perestroika


O preço da fama.

24 de abril de 2008

A fama traz muitas vantagens, mas também costuma cobrar um preço. Seja com as celebridades, que são infernizados 24h pelos papparazzi. Seja com as empresas e suas marcas, que viram alvo de protestos, passeatas - e do Michael Moore.

Faz todo o sentido. Quanto mais famoso é o alvo da sátira, maior a repercussão que o assunto ganha. E se a questão é justamente ser ouvido, nada mais lógico.

Quando alguém decide avacalhar com o cigarro, é muito mais legal atacar o Homem Marlboro, ícone-maior da indústria tabagista. E não um cigarro qualquer, que ninguém conhece.

Parece que quem está pagando o pato dessa vez é a Unilever. Vejam o viral da Dove e, em seguida, a dura crítica que ela está enfrentando.

Dica da Jennifer Heemann.

2 Comentários | Categoria: Perestroika


The communication business.

23 de abril de 2008

Dica de Daniel Simon.

2 Comentários | Categoria: Perestroika


Left Right Project

23 de abril de 2008

Pelo visto, a impressão que eu tinha sobre os tênis dourados (quem viu meus posts sobre a Europa sabe do que eu estou falando) realmente vai pegar. Saquem a ação criada pela Adidas nos EUA. Só reforçou o meu sentimento que essa Moda Alladin está realmente bombando.

Nenhum comentário | Categoria: Perestroika


Uma das coisas mais legais da Perestroika é a relação que a gente tem com os alunos. Sem dúvida, é uma proximidade muito diferente do normal. Pelo menos, muito diferente de tudo o que eu vivenciei como aluno. Seja no colégio, na universidade, quando fiz intercâmbio ou até na Miami Ad School.

A gente curte pra caralho isso, se sente feliz por ser importante para os alunos e pelos vários papéis que a gente acaba assumindo nessa relação.

Por um lado, nós somos professores - ou facilitadores, como preferimos chamar. A gente procura explicar a técnica, o processo, os atalhos, as dicas, mostrando o que a gente acha que funciona e o que normalmente não funciona.

De outro, a gente serve como provocadores. Para provocar a curiosidade, sugerir novas soluções, fomentar o pensamento lateral e a busca de respostas para perguntas que ainda não existem.

Mas vários alunos nos procuram para pedir conselhos sobre a profissão e a vida. Meio naquela pilha Sr. Miyagi.

O que eu faço, isso ou aquilo?

O que é melhor, este ou aquele outro?

Para onde eu vou, para cá ou para lá?

A famosa PERGUNTA DE UM MILHÃO DE DÓLARES.

Na teoria, a vida é muito simples. A gente só precisa saber duas coisas.

1) O que a gente quer.
2) O que a gente vai fazer para conseguir aquilo que se quer.

Um tanto óbvio, não?

Óbvio o caralho. Na prática, a gente sabe que não é bem assim.

Às vezes, a gente já está contratado, mas pinta uma proposta de estágio num lugar muito legal. E fica dias e dias se remoendo para saber o que fazer.

Em outras, bate aquele desespero. Pedalo a faculdade para apostar no trabalho ou invisto no curso e vejo o que acontece depois?

Tem horas que a gente se vê numa encruzilhada. Não sabe se se dedica à vida pessoal ou à vida profissional. Especialmente quando se tem vários amigos que fazem Direito ou Adminitração e sabem do trabalho às 17h30.

Porra, é isso mesmo que eu quero fazer nos próximos 30 anos?

Vou para São Paulo ou fico aqui em Porto Alegre?

Será que eu sou criativo mesmo ou sou uma farsa?

Em meio a tudo isso, há uma boa e uma má notícia.

A má notícia é que, desde que a Humanidade é Humanidade, essa é a pergunta mais difícil que existe. Porque só você tem a resposta.

A boa é que, como o próprio nome sugere, essa é uma pergunta de 1 milhão de dólares. Se você responder, e responder certo, nada mais segura você. O 1 milhão de dólares - seja em dinheiro, seja em outro tipo de recompensa - é inevitável. Você pode largar o psiquiatra e viver a vida numa boa.

O grande problema é que, diferente do Show do Milhão, essa pergunta não dá pra pular. A gente infelizmente (ou felizmente) tem que enfrentar isso de frente. Porque só assim a gente sabe o que é melhor: isso ou aquilo, ir pra lá ou pra cá.

Então, valendo 1 milhão de dólares: qual é a sua resposta?

12 Comentários | Categoria: Perestroika