Arquivo de abril de 2008
Ninguém falou que ia ser fácil.
8 de abril de 2008Quando eu entrei nessa, eu sabia que ia ser foda.
Durante muito tempo, deu para encarar na boa. Mas com o passar do tempo a gente vai ficando cansado, estressado.
Já tô num ponto que tô de saco cheio.
É difícil ter que lidar com essas frustrações diárias. Fornecedores irresponsáveis, gente que vive chegando atrasado, reuniões intermináveis para combinar uma coisa e que depois não é nada efetivada. É brabo ter que lidar todos os dias com gente sem comprometimento com prazos, com o trabalho, com o resultado final das peças.
A gente passa um tempo planejando, concebendo, criando. E aí, chega na hora de executar, de produzir mesmo, a idéia acaba saindo toda guenza.
Fora as pessoas que chegam olham e ficam dando pitaco. “Acho que ia ficar melhor assim.” “Mas por que não botou mais cor aqui?” “Tá faltando luz!” “Muito escuro.”
O verdadeiro problema é que a gente tá sempre dependendo de outras pessoas. E aí, meu irmão, é difícil de administrar porque errar é humano. Mas olha, errar tanto assim, é desumano. Pelo menos comigo, que acabo ficando nervoso, com gastrite, pensando que das duas uma: ou não vai ficar bom ou não vai ficar pronto no tempo.
Propaganda? Ah, me desculpe, caro leitor.
Mas, dessa vez, estou falando da obra da nossa sede.
Paul Arden
7 de abril de 2008Saiu no CCSP um texto muito legal falando do Paul Arden, autor do “It´s not how good you are…” e o “Whatever you think…”. Duas leituras realmente imperdíveis e muito inspiradoras. Indico de olhos fechados.
Dica da Bárbara Bastos, nossa ex-aluna.
Aproveitem.
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Anselmo Ramos num tributo a Paul Arden - CCSP
Para muita gente no mercado brasileiro o nome Paul Arden pode não dizer muita coisa.
Mas para mim diz muita. E eu me sinto na obrigação de compartilhar com vocês o que eu estou sentindo agora.
Estou profundamente triste. Descobri aqui em Londres, no meio de um set de filmagem, que o Paul Arden tinha falecido.
O fato de eu estar em Londres quando ouvi a notícia fez a notícia ficar ainda mais triste.
Vocês podem ler mais sobre o Paul Arden na Creativity Online, na Creative Review e em outros sites e blogs.
O que eu gostaria de contar aqui foi a minha experiência pessoal com ele, que marcou profundamente a minha carreira.
Eu tive a sorte de filmar com o Paul Arden em 1996, quando estava trabalhando na Young & Rubicam / Madrid. Na época eu fazia dupla com o Cassio Moron, da Loducca.
Nós tínhamos acabado de ganhar a conta da Heineken e estávamos buscando diretores para filmar uma campanha regional para a Europa.
A produtora Tesaurus indicou um criativo inglês que estava começando a dirigir chamado Paul Arden.
Gostamos do rolo, do papo, do Director’s Treatment, e acabamos optando por ele.
Já tinha ouvido algumas histórias sobre o Paul Arden. Que ele foi diretor de criação mundial da Saatchi&Saatchi. Que ele tinha feito aquele comercial famoso da British Airways com milhares de pessoas formando um rosto e aquela campanha clássica de Silk Cut. Que ele era perfeccionista, gênio, louco.
Mas eu não tinha a menor idéia de como era o Paul Arden. Eu esperava qualquer coisa menos um senhor com óculos de aro grosso, terno de risca de giz e lenço na lapela.
No meio da reunião de pré-produção, quando o cliente questionou sua escolha de casting (ele só trouxe uma opção para cada papel), ele simplesmente levantou-se, desculpou-se de uma maneira “polite”, disse que nesse caso preferia não fazer o projeto e retirou-se diante do olhar atônito de todos.
O atendimento teve que literalmente sair correndo atrás dele e trazê-lo de volta, prometendo que o cliente ia acatar sua recomendação.
No roteiro do comercial “Lobo”, o Lobo Mau corria atrás da Chapeuzinho Vermelho.
O Paul sugeriu que o Lobo Mau andasse de muleta. Ninguém entendeu porquê.
Mas o Paul insistia.
Apesar de eu não entender a razão por trás dessa sugestão aparentemente sem sentido, acabei concordando. Parte porque eu já estava achando ele muito mais criativo aos 55 anos do que eu aos 26, e parte porque simplesmente eu não tinha inglês para discordar de qualquer coisa.
Mas o cliente tinha: “E por quê exatamente o Lobo Mau precisa andar de muleta?” O Paul ficou alguns segundos em silêncio. Depois disse: “Não tenho nenhuma resposta lógica. Mas por que não”?
O Lobo ficou de muleta.
Mais tarde, quando o Paul descobriu que o cliente tinha reprovado o filme “Adão e Eva” da campanha, ele ligou indignado: “Como assim o cliente reprovou “Adão e Eva”? Era o melhor. Posso ligar para o cliente direto”?
Alguns dias antes da filmagem, chegamos em Londres e fomos para o estúdio dar uma olhada nos cenários.
Depois de mostrar pra gente os três cenários dos filmes aprovados, o Paul fez um gesto de “follow me” e abriu umas cortinas no fundo do estúdio. Lá estava o cenário prontinho, o Eden, a árvore, a serpente mecânica, Adão, Eva, as folhas de parreira. “Assim que o cliente for embora, vocês ficam mais um dia e filmamos.”
No final o cliente continuou não gostando da idéia e o filme nunca foi veiculado. Mas não importa. O ponto é: esse tipo de paixão cega e contagiante é cada vez mais rara em nossa profissão.
Nos quatro dias de filmagem, tudo que eu tinha ouvido falar de Paul Arden ficou confirmado. Perfeccionista, gênio, louco.
No final de semana, fomos convidados para conhecer a sua “cottage house” no English Countryside. Parecia uma casinha de conto de fadas.
Toni, a mulher do Paul, cozinhou algo tipicamente inglês e passamos a tarde conversando. Joguei xadrez com o Paul. E ganhei, coisa que o deixou profundamente irritado (isso não significa que eu jogo bem, apenas que ele jogava mal).
Algum tempo depois, quando estava pensando em sair da Espanha, mandei meu trabalho para o Paul dar uma olhada. Em uma semana ele enviou uma longa carta escrita à mão com caneta tinteiro, comentando peça por peça. Tinha um ou outro “brilliant” e muitos “rubbish”.
Mais tarde, eu mudei para os Estados Unidos e perdemos contato.
Eu acompanhava de longe as notícias. Soube que ele montou a Arden Sutherland-Dodd. Que ele começou uma galeria de fotos chamada Arden and Anstruther. Que ele escreveu “It’s Not How Good You Are, It’s How Good You Want To Be” e “Whatever You Think, Think The Opposite”. Dois livros que eu considero leitura obrigatória para qualquer pessoa apaixonada por publicidade e pela vida.
São livros obviamente escritos por um diretor de arte e por isso mesmo tão simples e diretos.
E há pouco tempo o Paul lançou seu terceiro livro “God Explained In A Taxi Ride”. Acabei de ler este último aqui no hotel antes de escrever este texto.
É engraçado o Paul escrever um livro sobre Deus um pouco antes de falecer.
No livro, Paul termina dizendo “I believe in God”. E na próxima página: “But if you don’t believe in God, this is the end”.
Seja onde for que o Paul estiver, ele vai continuar sendo perfeccionista, gênio, louco.
No céu, ele vai criticar as formas das nuvens. No inferno, ele vai achar defeito no fogo.
Precisamos de mais pessoas genuinamente brilhantes e apaixonadas pelo que fazem. Precisamos desesperadamente de mais Paul Ardens.
Muito obrigado, Paul, por tudo que você me ensinou. Por me fazer pensar, cada vez que crio alguma coisa, “e se eu colocar uma muleta?”.
Anselmo Ramos, vice-presidente nacional de criação da Ogilvy & Mather
Perottoni: o Czar da Perestroika de casa nova.
4 de abril de 2008Talvez nem todo mundo saiba, mas a Perestroika tem, desde o fim do ano passado, um correspondente internacional. Um Czar lá no Velho Continente.
Esse correspondente fica em contato direto, nos abastecendo de informações do Exterior e, de vez em quando, contribuindo para o Blog. Além de muitas outras coisas que a gente pretende colocar em prática em breve.
O nome do nosso Czar em Londres é Fernando Perottoni. Um diretor de arte fantástico que foi dupla do Márcio e depois trabalhou comigo na DCS antes de ir para a Inglaterra. Lá, ele participou do programa da West Herts, foi um dos destaques e conseguiu um estágio na St. Luke’s.
Já ouviram falar do livro “A Empresa Criativa”? Já ouviram falar de um tal de Andy Law? Pois é, é dessa St. Luke’s que o livro fala.
Então: acabei de receber um email do Perottoni com boas novas. Ele foi contratado pela TBWA/London. Uma agência com contas do calibre de Apple, Playstation, Absolut Vodka, Adidas, McDonalds, Nivea, Nissan, Whiskas, etc, etc, etc, etc.
É impossível evitar o meu Do caraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaalho!
Então, toda a Comunidade Perestroika parabeniza o nosso parceiro. O Perottoni é mais um exemplo de quem foi lá e fez.
Acho que também vale registrar que, de certa forma, isso tudo justifica a dificuldade do Perottoni contribuir com o Blog nos últimos três meses. Uma negociação desse tipo exige muito mais do que meia dúzia de JPGs por email.
Quem quiser conhecer mais os trabalhos dos caras, e invejar um pouquinho o novo emprego do nosso Czar londrinho, é só entrar em www.tbwa-london.com.
Filme novo de Dijean
3 de abril de 2008As meninas estão cada vez mais espertas. Mais ácidas, mais tudo.
Elas seduzem, usam e se aproveitam cada vez mais dos meninos.
Esse trabalho é um belo exemplo de planejamento e criação trabalhando juntas,
e o resultado ficou bem bacana.
Nas aulas entrarei mais nos detalhes do case completo.
Sou suspeito, porque estou na ficha, mas preciso dizer que adorei o filme.
Nunca tinha filmado com animais, é uma experiência bem legal.
Espero que gostem.
Impressoes de Barcelona
2 de abril de 2008Tomei o cuidado de nao colocar “Impressoes da Espanha” no titulo porque Barcelona fica na Catalunha. E a Catalunha, definitivamente, nao eh Espanha. Nem para eles (que odeiam quando os chamamos de espanhois), nem para nos, forasteiros.
Existem muitas diferencas gritantes entre esses dois universos. E nao me refiro apenas a lingua, mas tambem a culinaria e aos costumes mais coloquiais. Aqui, por exemplo, eles odeiam touradas e flamenco.
Eh mais ou menos o que os caras do Pampa-gaucho quiseram ser um dia. Soh que Barcelona estah a anos luz de Porto Alegre.
Pois bem: foi um final com chave de ouro. O sol voltou a aparecer e ateh consegui andar de camiseta.
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Acho meio pleonastico ficar falando de Gaudi, o arquiteto que deu o tom e a cara da cidade. Mas ele merece todos o meu deslumbramento. Acho que a Igreja da Sagrada Familia deve ser, ao lado do Exercito de Terracota, a coisa mais impressionante que eu jah vi.
Na Sagrada Familia, vi todo o projeto do Gaudi, todas as maquetes e as inspiracoes do cara. Absolutamente TUDO o que a gente fala em aula. As inspiracoes, o planejamento, a ousadia, o trabalho que dah. Vou escrever um post falando disso na volta.
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Barcelona eh bem moderninha e uma cidade perfeita para quem quer comprar coisas cool. Eu dei banda em varias lojinhas metidas e confirmei um pouco daquela tese que eu tinha sobre o dourado.
Alem disso, a moda skate, a influencia hip hop e os tenis bolachudos tomaram conta de todas as prateleiras. Ainda sobrevivem as sapatilhas da Vans.
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Uma das coisas mais legais que eu fiz em Barcelona foi ir ao Zoologico. Como eh engracado isso, neh? Viajar eh tao do caralho que a gente se forca a fazer programas para todas as idades. E descobre nessas experiencias um prazer que a rotina e o dia-a-dia cristalizam.
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Peguei emprestado com um amigo um guia todo cool de Barcelona. Como curadoria eh importante, neh? Sempre eh bom ter alguem que saiba mais que a gente para nos dar dicas. Seja o que for.
Acho que esse eh o grande sucesso dos Blogs, e, no caso, do Blog da Perestroika.
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Mas o grande acontecimento de Barcelona, e da viagem, foi o jantar no PLA, talvez o restaurante mais hypado da cidade. Fui lah, fiz a preza com a patroa, mandei brasa num rango animal. E tudo sem culpa, porque eu tinha um otimo motivo.
Foi lah que eu pedi ela em casamento.
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Bom, era isso, gente. Na volta, com as fotos, organizo as ideias e faco uns posts cabecoes.
Agora me deem licenca, porque eu acabei de descobrir que a Central e Intercambio marcou meu voo errado. Que saudades do Brasil!
Beijos, abracos.
tg

