Arquivo de outubro de 2008
Gurizão-tiozinho.
31 de outubro de 2008Fui convidado pela ESPM para participar da 3a. Noite de Prêmios, que rolou ontem lá no Juvenil. Para quem não conhece, esse evento é uma espécie de Salãozinho da Propaganda, apenas para consumo interno.
Quem lê isso talvez imagine um encontro meio amador, sem muita pompa. Com canapés requentados, champagne quente e discusos intermináveis.
Muito pelo contrário.
Os caras capricharam. Além do visual impecável, estavam presentes vários empresários grandões, além de figuras representativas do mercado publicitário. Não há como negar que foi de encher os olhos. Ao mesmo tempo, não posso negar que tenho uma divergência filosófica por causa do objetivo do evento. Mas outro dia eu falo sobre isso.
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Antes do evento em si, rolou um coquetel só para os VIPs. Por algum motivo, eu fui convidado para essa boca. E fiquei lá, bebendo ao lado do Jorge Gerdau e do Ricardo Vontobel.
Já tive a oportunidade de participar de encontros desse tipo em vários oportunidades. Mas foi minha estréia como empresário.
É foda. Porque nesse tipo de situação, a gente é forçado a ser um businessman. É isso que as pessoas esperam de você. Cumprimentos, tapinhas nas costas e conversas sobre o mundo dos negócios. Marcar almoços que nunca vão acontecer. Demonstrar interesse por coisas nem tão interessantes assim. Basicamente, exercitar o relacionamento e ampliar a network.
Enfim: trabalho.
Essa é a regra do jogo. E como eu sou novato, não vou ser louco de me aventurar. Sigo o passo da maioria.
Por outro lado, eu sou um cara novo. Recém fiz 29 anos. Falo palavrão pra caralho. Falo gírias pra caralho. Uso jeans e tênis. E faço atrocidades com o meu cabelo. Para piorar a situação, sou diretor de um Centro de Criatividade.
Ou seja: um gurizão.
As pessoas esperaram de mim uma postura inovadora, ousada e criativa. A Perestroika tem uma responsabilidade nesse sentido. Eu, como embaixador do negócio, não posso (e felizmente não posso) usar sapato caramelo, por exemplo.
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Esse é o tipo de coisa que acontece com todo mundo, na medida em que vai subindo na profissão. É o que eu chamo de Gurizão-tiozinho. Porque a gente não consegue negar a nossa personalidade contestadora. Mas precisa se enquadrar, vez por outra, ao ambiente corporativo.
Se você não quer ser visto simplesmente como um estagiário com potencial, se você quer ganhar respeito dos Diretores da empresa, leve em consideração isso. As pessoas esperam que você seja um Gurizão, mas um Gurizão-tiozinho.
E aí, o que se faz numa hora dessas?
A minha saída foi ir de terno e sapato. Mas, marrentinho, com a gravata pra dentro da camisa, inspirado num trendsetter com que eu conversei esses dias.
Hoje é sexta-feira. E tem Balalaika.
31 de outubro de 2008SER ASSISTENTE DE ARTE É UM SACO
30 de outubro de 2008*Por Eduardo Petersen.
Antes de mudar para os Estados Unidos, meu último emprego em Porto Alegre foi como assistente de arte na Escala, onde trabalhei por quase 2 anos. Isso já faz um tempo, mas acredito que as reponsabilidades não tenham mudado muito. Na época, todos assistentes estavam na mesma situação que eu. A gente passava o dia procurando imagens, adaptava layout vertical para formato horizontal, cortava os dedos montando material para apresentação de campanha, se intoxicava com cola spray e de noite ia para a faculdade. Eventualmente se perdia uma aula ou outra, mas sabendo administrar o tempo dava pra sobreviver.
Não sei do resto da galera, mas eu curtia muito meu trabalho. Achava a agência do caralho e tive muita sorte de trabalhar com um diretor de arte afú. Ele tinha paciência pra me ensinar as barbadas dos softwares, me motivava o tempo inteiro pra fazer propostas e sempre que eu tava liberado me chamava pra fazer brain junto com a dupla. Claro que nem tudo era uma maravilha. Sempre vai ter aquele sábado que tu planeja ir para um bar com os amigos e tomar cerveja até o sol nascer, mas que vai ser adiado porque o cliente não aprovou a campanha apresentada sexta-feira às 4 da tarde. Levando tudo isso em consideração acho que foi um período super produtivo pra mim pois aprendi muita coisa.
O interessante é que foi só a pouco tempo que me dei conta que não pensava assim na época. Na verdade, eu achava uma merda perder fim de semana, ficar até tarde na agência ou olhar sites de banco de imagem até sair sangue dos olhos. Como que a minha opinião mudou?
Bom, mudou quando comecei a trabalhar aqui. Logo nas primeiras semanas fiquei impressionado como a qualidade dos anúncios apresentados para o cliente é inferior a do Brasil. Aquela coisa de layout caprichado com referências legais não existe aqui. Nego pega imagem do Getty Images e toca um título em cima, sem muita frescura, com marca d’água e tudo. Ficava me perguntando: será que o diretor de arte não tem acesso a imagens em alta resolução? A dupla virou noite e não teve tempo pra caprichar mais? Talvez seja a 5ª apresentação e eles já estejam de saco cheio? Ao contrário, eles tem acesso à várias ferramentas e os prazos são bem maiores que aí. Com o passar do tempo me dei conta que falta técnica mesmo e tentei entender o porquê.
A formação da maioria dos diretores de arte americanos é bem diferente. A faculdade daqui não prepara para o mercado, ela dá uma idéia geral do que é propaganda. Quando o cara sai do colégio aqui ele pode entrar na faculdade sem ter a mínima noção do que quer fazer da vida. Funciona assim: tu faz as matérias básicas para todos cursos e depois tu vai escolhendo as cadeiras que mais te interessam. Na teoria é muito bonito, mas o resultado nem tanto. Nego sai da faculdade perdido e sem saber exatamente o que fazer. É nesse ponto que surge uma luz no fim do túnel e entram em cena as Portfolio Schools (Miami Ad School, VCU Brandcenter, etc.). Lá tu pode realmente te especializar na profissão que escolher dentro do mercado publicitário. Os cursos são muito legais e eu realmente acho que preparam melhores profissionais. O grande problema é que na maioria das agências não existe a etapa do assistente, e aí mais uma vez o coitado cai de pára-quedas e tem que sair fazendo campanha sem supervisão de ninguém.
Ser assistente é cansativo, mas realmente penso que apesar de ser tortura para muitos, essa etapa do aprendizado é extremamente necessária. Acredito que independente de onde o cara for trabalhar, vai chegar uma hora que ele vai mudar de opinião. Assim como eu mudei.
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*Eduardo Petersen, o Dado, é Diretor de Arte na DDB New York.
Wasuuuuuup agaaaaaaaaain.
29 de outubro de 2008Entrou no ar uma nova versão do clássico Wasuuuuuup. Se você ainda não viu, clique aqui.
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Para quem não sabe, Wasuuuuup foi uma lendária campanha da Budweiser, sucesso de crítica, público e vendas.
Vou postar alguns aqui, mas o ideal é entrar no Youtube e procurar todos. São vários comerciais. E várias sátiras.
Dica do Rafael Duarte.
Comentários sobre os comentários.
28 de outubro de 2008Por algum motivo sobrenatural, vários comentários estão sendo deletados automaticamente pelo nosso antispam. Então, não pensem que é censura. Não é. ![]()
O golpe baixo da TV.
28 de outubro de 2008Existem muitos golpes baixos na propaganda. E boa parte deles já está no senso comum dos criativos. Cachorrinho, nenê, paródia, músicas emotivas com crianças cantando, dublagens, velhinhos muito loucos, e por aí vai.
Eu sempre tive como postura fugir dessas fórmulas. E nem o argumento de que “mas isso é adequado ao cliente” servia para me fazer relaxar. Porque eu sempre acreditei que existiam saídas igualmente adequadas, mas um pouco mais criativas.
Claro que, nem sempre a gente ganha. Às vezes a gente se mata fazendo um negócio legal. E, no final das contas, sai no jornal um anúncio com um velhinho muito louco, segurando um nenê nos braços e um cachorrinho na coleira.
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Acredito que em todas as áreas acontece a mesma coisa. Peguemos como exemplo um restaurante. Um buffet pode servir arroz, feijão e carne todos os dias. Não é criativo, mas é adequado. É vendedor. Não podemos condená-lo por essa decisão.
Ao mesmo tempo, é fácil perceber que existem outras alternativas igualmente adequadas. Igualmente vendedoras. E muito mais criativas.
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Na televisão, também acho que a tônica se repete.
Os caras que comandam a grade devem criar os novos programas a partir de um briefing, um público, uma verba e assim por diante. E certo que, de vez em quando, deve rolar um papo meio:
“Tá, quem sabe a gente não monta um programa só com um monte de gostosas? Tipo aquele Fantasia do SBT? Mas nem precisa das brincadeiras. O que a galera quer é ver as gostosas”.
Assim nascem as doenças da TV.
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Eu me prestei a ver um programa inteiro do Studio Pampa. E ainda obriguei a minha mulher a ver junto, para não tirar conclusões sozinho.
Não há como negar que as minas são gostosas. Umas mais charmosas, outras mais barangas, é verdade. Mas o programa não faz sentido nenhum.
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Entendo que alguém que queira simplesmente ver um bando de gostosas. Que não esteja atrás de conteúdo. Entendo perfeitamente e acho justo que exista público para isso.
Agora, o que eu não entendo é: por que essa pessoa não entra num site de putaria? Convenhamos: dá para encontrar coisa bem melhor, em mais quantidade e com muito menos roupa na internet.
Juro que não entendo.
A não ser que a grande diversão aí seja ouvir as pérolas das apresentadoras.
Balalaika: estréia muito foda.
26 de outubro de 2008Sempre que a Perestroika estréia algum novo projeto, a história se repete. Invariavelemente, sou bem crítico.
Se é um novo curso, mesmo que os alunos saiam embasbacados, eu me sinto um pouco frustrado. Sempre acho que poderia ter sido melhor.
Se é uma palestra, e o público curte afu, não me consigo abrir aquele sorriso de satisfação. Sempre acontece uma coisinha que me faz pensar “putz, poderia ter sido perfeito”.
Acho esse sentimento bom por um lado, porque não me faz relaxar com os bons resultados. Mas péssimo por outro. Não curto os momentos de sucesso como deveria.
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No último sábado, estreiou a Balalaika, o Núcleo de Humor e Comédia da Perestroika. A primeira casa de Stand Up Comedy do Rio Grande do Sul.
E a estréia foi tão boa, tão boa, que até essa minha exigência se rendeu.
Sério, gente. Foi muito foda. Uma hora e meia de comédia de altíssimo nível.
O Felipe, o Leo e o Nando me fizeram perder o fôlego. Arrancaram risadas, gargalhadas e muitas palmas. Nem a minha previsão mais otimista poderia imaginar algo assim.
No final, muita gente veio nos cumprimentar pelo projeto e pela qualidade do show. O que me deixou muito feliz. Mas o que me deixou feliz mesmo foi saber que, dessa vez, até eu, até o chato de plantão, não teve o que falar.
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Sinceramente, não consigo imaginar um programa melhor para um sábado, às 20h, em Porto Alegre. Quem é casado, não tem muitas opções. Só ir no show já é um puta evento. Mas ir no show e depois sair para jantar vira um programaço.
Quem está começando a sair com alguém, tem a oportunidade de impressionar a companhia. Certamente é uma experiência única. O cara já ganha muitos pontos só com o convite. Imagina depois.
Quem é solteiro, se diverte pra caralho. E já começa a beber ali mesmo. Já vai aquecendo pra noite. Bobeia, ainda encontra alguém na platéia pra trocar uma idéia.
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Então: se você quer ir nos shows da Balalaika, mande um email para balalaika@perestroika.com.br. Não precisa ser aluno. Na real, nem precisa nos conhecer. Agora está liberado para todo mundo.
Se você quer levar um (ou mais) acompanhante(s), coloque no email. A partir daí, a gente encaixa você na agenda. Só é legal lembrar que nós já temos uma lista bem grande. Então, não rateie.
Em breve, o pessoal que já está na nossa lista será informado sobre os selecionados para o segundo show.
E Balalaika neles.
A maior frustração da minha vida.
23 de outubro de 2008Foda, muito foda.
http://televisao.uol.com.br/ultnot/2008/10/23/ult4244u1724.jhtm
A fila anda.
21 de outubro de 2008Sempre acreditei que o humor brasileiro (pelo menos, o humor da TV brasileira) é ditado por um ou dois grupos. De tempos em tempos, surge alguém para reinventar o nosso humor, abandonando os rótulos desgastados e trazendo referências fresh para a comédia nacional.
Muitas vezes, esses grupos não são bem compreendidos. Mas olhando para trás, a história não deixa dúvidas sobre a sua importância.
Não é difícil lembrar do Chico Anysio, Os Trapalhões, Viva o Gordo, TV Pirata e Casseta & Planeta. Dinastias bem definidas e significantes. Cada um na sua época.
Nos últimos tempos, o grupo que eu vinha acompanhando de perto era a galera do Hermes e Renato. Na minha opinião, eles, junto com os caras do Pânico, vinham ditando o ritmo da comédia nacional.
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Sempre fui fã do humor do H&R. Eles conseguem pegar espécies desgastadas de humor (como a dublagem) e dar uma nova roupagem. Por sinal, o que eu mais admiro no Hermes e Renato é essa renovação que eles imprimem de temporada para temporada. Sempre vem coisa nova.
O Hermes e Renato surgiu de forma totalmente amadora. Satirizavam as pornochanchadas, misturando piadas inocentes a palavrões de cinco em cinco segundos. Conseguiram, com isso, criar uma personalidade. E cativar um público latente.
Depois, eles migraram para os personagens: Joselito, Boça, Massacration e por aí vai. Figuras que a gente vê no dia-a-dia, e que nunca tinham sido retratadas na TV brasileira.
Mais tarde, foram para a sátira às novelas. Mais um formato velho, mas que ficou legal na visão do Hermes e Renato. O Sinhá Boça é o caso mais emblemático. Rendeu uma temporada inteira.
Quando as piadas começaram a ficar batidas, eles incorporaram o mendigo Gil Brother Awey. Que com as suas improvisações, simplesmente roubava qualquer cena.
E, por fim, o Tela Class, que imortalizou o grupo como fenômeno do Youtube.
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Há menos de um mês, começou a temporada nova do Hermes e Renato. E, pelo menos para mim, ficou bem claro: a fonte secou.
Depois de anos de reinvenção, os caras não encontraram um modelo que os sustente.
Se antes eles conseguiam pegar tipos de humor desgastados e reinvetá-los, dessa vez eu acho que eles se perderam na curva.
Acompanhando os comments nos vídeos do Youtube, dá para ver que a galera também não gostou. A crítica maior é justamente à produção.
Antes trash, como proposta.
Agora, que grana não parece faltar, faltou sal.
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Também acho que o Pânico acusou o golpe. Sou fã dos caras, mas não consigo perceber nada de novo.
Neste final de semana, por exemplo, eles simplesmente se aproveitaram de um mesmo recurso que já tinham usado há séculos: usar o personagem Silvio Santos (interpretado pelo Ceará) falando com o verdadeiro Silvio.
É engraçado? Claro. Mas é sintomático.
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Fiquei pensando o que pode estar causando essa mudança. E acho que uma das causas prováveis é a ascensão do Stand Up Comedy no Brasil.
Rafinha Bastos e Danilo Gentili já são cerebridades na rede. Não por acaso, migraram para o CQC.
Você consegue ligar os pontos? Eu consigo.
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Mas, afinal: o que a Perestroika tem a ver com isso?
Bom, tem a ver que, no próximo sabado, estréia a Balalaika. A primeira casa de comédia do RS.
Quem tem interesse em ver os nossos shows, seja aluno, ex-aluno ou até pessoas de fora, entre em contato pelo balalaika@perestroika.com.br.
Preparem os carrinhos.
Comments.
21 de outubro de 2008Por algum motivo bizarro, estamos recebendo muito mais Spam do que o normal. E na hora de deletá-los, às vezes alguns comentários dos usuários também vão para a banha.
Então, não tenha constrangimento de reenviar o seu coment caso ele não apareça.


