“O consumidor é outro. Com a globalização, com a internet, ele agora está muito melhor informado”.
“A propaganda mudou. Não basta mais fazer um anúncio, um filme de TV.”
“Não existe mais redator ou diretor de arte. Agora somos todos criadores.”
Está cheio de gente por aí com discurso na ponta da língua, cheio de pompa, mas que só diz o óbvio. Aqui, no blog da Perestroika, eu às vezes me pego escrevendo um post que é só cliché. Sempre que isso acontece, deleto tudo e começo do zero. Vocês, queridos leitores, não merecem perder o seu tempo lendo coisas que todo mundo já disse.
Tem gente que chama esses caras de charlatões. Outros, de picaretas. Eu chamo dos polióbvios. Falam muito e não dizem nada.
Quem acompanha o blog da Perestroika desde o início, vai lembrar que, nos primeiros posts, a gente não tinha uma linha editorial. Era uma colcha de retalhos, um “canal de notícias de propaganda”. Mas sem a agilidade de um Brainstorm 9, por exemplo.
Até que um consultor nos deu a dica. “Vocês são pessoas com opiniões interessantes. Digam o que vocês pensam e muita gente vai querer ouvir”.
Foi nesse momento que eu vi: é muito difícil ter opinião própria. E quando eu digo opinião própria, é própria MESMO. Não é ouvir de alguém e replicar num outro grupo de amigos. É associar dados e, a partir daí, formular uma teoria, uma tese, um ponto de vista.
Não tenho a pretensão de ter uma tese original para tudo. Agora, eu acho muito chato ser um polióbvio. E muito mais chato agüentar os polióbvios. Seja em futebol, política, propaganda.
Meu conselho: fuja de quem só diz o que todo mundo diz. Essas pessoas acrescentam muito pouco. Elas não erram, justamente porque vão junto com a maré. É um papo morno. Bege.
Busque gente que PROCESSA informação.
Saudades do Paulo Francis.
7 Comentários
2 de outubro de 2008 às 9:24
Eu tive esse pensamento esses dias ao comparar diversos posts de diversos blogs no Google Reader.
E fora vocês, só o blog do Mini do Conector (vocês devem conhecer, da Escala) e o Luli que trazem divagações e opiniões realmente originais e construtivas. (em português)
Mas pode ser que eu não saiba procurar direito também.
2 de outubro de 2008 às 9:28
Sendo assim fugiremos desse blog, pois esse já foi o “conselho” da vez a décadas atrás. Todo vídeo de auto-ajuda, palestras, pessoinhas antenadas que julgam ter opnião dizem isso. Nada disso que é dito é dito atoa… é baseado em experiências reais, mas tbm não existe regra e sim recomendações… quer dizer que na maioria das vezes isso acontece. A impressão é que seu blog foi “hackeado”, pois não casa com as outras “reflexões”.
2 de outubro de 2008 às 10:05
Douglas, ao publicar esse texto eu tinha certeza que alguém se manifestaria dizendo que “este post é uma obviedade”.
E quer saber? Esse post é uma obviedade. Mas justamente por ser uma obviedade é que ele não é óbvio (na minha opinião). Isso foi proposital. Foi forma. Foi auto-referência. Foi um molho.
É a mesma coisa que eu escrever um texto sobre bom humor, resmungando da vida e reclamando de tudo. Há uma puta ironia no texto que, ao meu ver, você não percebeu.
Tudo o que eu escrevo, particularmente, tem layers, camadas mais rasas e mais profundas. E eu procuro forçar o leitor a entender todas elas.
É possível que a culpa tenha sido minha. Que eu não tenha me feito claro. Agora, a intenção está ali.
Além disso, acho legal levar em conta algumas coisas:
1) Você pode dizer o óbvio de uma maneira diferente, e impactar as pessoas de uma maneira diferente. Acho do caralho quem consegue fazer isso com simplicidade e competência. E não ser só mais um discursando no meio da multidão.
2) É evidente que o nosso blog não é 100% inovador. É evidente que tem opiniões que já foram ditas. No próprio post, se você ler com atenção, está escrito isso. “Não tenho a pretensão de ter uma tese original para tudo. Agora, eu acho muito chato ser um polióbvio. E muito mais chato agüentar os polióbvios. Seja em futebol, política, propaganda.” Ao mesmo tempo, tenho certeza que temos várias informações aqui que são opiniões diferentes da maioria.
De qualquer forma, valeu pela contribuição. E se alguma opinião foi ofensiva, me desculpe. Minha intenção não era agredir.
Mas isso eu nem precisava ter tido. É óbvio, né? ![]()
2 de outubro de 2008 às 12:34
Gostei do post, e o mais importante: ele é necessário. Pois algumas vezes, nós conhecemos as obviedades, mas deixamos passar. O que causa uma estagnação.
Então acho muito bom alguém chegar e dizer: “Vocês não notaram o elefante branco na sala?”
É o óbvio necessário.
3 de outubro de 2008 às 9:35
Hummmm, tudo pensando, msg´s sublimnares. Clap Clap Clap!!!
Vc não havia ofendido ninguém, mas agora ofende a inteligência de alguns leitores utilizando tantos argumentos pra não explicar nada. Não é o número de argumentos que lhe dá a razão.
Me parece que a grande maioria dos donos de blog´s adoram as vaquinhas de presépio, concordando com tudo, elogiando, escrevendo “show, parabéns” “é exatamente isso que eu penso”. Engraçado que tudo isso vai beeem contrao o que vc publicou nesse texto. Esse blog é para criar tietes ou pra refletir? Escrever de maneira elegante para “rebaixar” não é nada sútil, mas isso vc já sabe. :O)
Acho que não venho mais aqui, sono… abraços e boa sorte!!!
3 de outubro de 2008 às 15:52
Douglas, eu realmente não te entendi o teu ponto. Até escrevi que “É possível que a culpa tenha sido minha. Que eu não tenha me feito claro. Agora, a intenção está ali.”
Pô, mais mea culpa que isso?
Se tu não entendeu, falha minha. Porque se tu não entendeu, é bem possível que mais gente não tenha entendido.
Agora, o recurso foi proposital, sim. Por sinal, não é de hoje. Dá uma olhada no post: http://www.perestroika.com.br/2008/01/28/quando-a-historia-e-contada-de-tras-para-frente/
Tu vai ver que é uma forma recorrente. É a forma em favor do conteúdo. Usei isso durante anos quando era redator e já várias vezes como “blogueiro”. Acho que torna mais rica a mensagem.
Se tu não gostou, é do jogo.
Mas valeu pela crítica, meu velho. SÉRIO. É sempre importante ter alguém colocando em xeque o que se faz.
O concordismo emburrece tanto quanto os polióbvios.

1 de outubro de 2008 às 23:13
Contrariando um pouco o que foi dito sobe reapresentar uma informaçao em diferentes grupos, cito um pedaço do discurso de um publicitário baiano que nao teve tanto sucesso na propaganda:
“…chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansear, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar…”
E isso serve para aqueles que pegam tudo pronto e remodelam ou que repassam por ser mais fácil que criar.
Abraço!