*Por Marcelo Firpo.

Você se lembra do mercado gaúcho de propaganda em 2003? Eu lembro. Era igual ao de 2002. E ao de 2001. E ao de 2000. Nada de muito interessante acontecia, pelo menos para os jovens profissionais de criação. As agências tocavam as suas vidas, ganhavam e perdiam contas, iam bem ou mal no Salão da Propaganda e no Colunistas, demitiam e contratavam pessoas. Aí aconteceu uma coisa diferente. Um grupo de amigos começou a debater os rumos do negócio e de suas carreiras, e estes caras chegaram à conclusão de que poderiam se unir pelo bem comum do mercado todo. Nascia o CJC, capitaneado inicialmente pelo Charles Cruz e pelo Tiago Russell. Apesar de na época não fazer parte da diretoria, eu participei do primeiro evento do Clube como palestrante, uma mesa-redonda com vários diretores de criação do mercado, na sede da ADVB. Aos poucos fui me aproximando do Clube e foi crescendo a minha admiração por aqueles guris que de forma voluntária organizavam palestras, eventos e concursos, sempre com o objetivo de fomentar o debate e amadurecer os conceitos do mercado. No final do primeiro ano houve um momento de crise, o Clube estava sobrecarregado de atividades, e a instituição se questionava sobre a sua própria continuidade. Participei deste debate, na sede da DCS, e me lembro de ter posto muita pilha para que o Charles e o Tiago seguissem tocando o CJC, o que de fato acabou ocorrendo. Um bom tempo depois disso, mesmo sem integrar nenhuma das diretorias, acabei sendo convidado pelo Charles para assumir a presidência. Montamos uma nova equipe e começamos um trabalho que agora está completando três anos.

Ao longo deste tempo todo, promovemos dezenas de palestras e mesas-redondas, com nomes conhecidos e respeitados do mercado. Trouxemos o Jesse Stolak, diretor de marketing da Nike para a América Latina; ouvimos do Rony Rodrigues um belo relato sobre a história da criação da Box 1824 e aprendemos com o Erh Ray a como conciliar o lado empresário e o lado criativo, para ficar em apenas três exemplos de eventos realizados. Na parte de concursos, fizemos três edições do Young Creatives nesta gestão, mandando quatro criativos a Cannes com o apoio valioso dos nossos patrocinadores ARP, Estação Elétrica, ESPM, Impresul e Cápsula. Com o apoio da Technológica e da Zee reformulamos o nosso site, que agora apresenta portfólios online para a consulta de todo o mercado. Tivemos a felicidade de ver que dois dos profissionais que indicamos para Publicitário do Ano foram efetivamente eleitos.

Poderia escrever linhas e mais linhas sobre as coisas que fizemos ao longo desta gestão e encher o texto de números, mas prefiro me concentrar numa coisa só, mais subjetiva e que engloba também o trabalho e sobretudo a iniciativa da gestão anterior: de alguma forma, o CJC fez o nosso mercado ficar melhor. Não quero soar pretensioso nem esquecer que o Clube faz parte de um contexto maior de inovação do negócio da comunicação como um todo, mas gosto de pensar que o nosso exemplo, o ambiente de debate que construímos e os conteúdos que trouxemos ajudaram a criar e a desenvolver este novo momento.

Duvida? A ARP é hoje uma entidade bem mais ativa e respeitada do que quando começamos. Hoje existe um Grupo de Planejamento no nosso estado. E uma associação de empresas digitais. E um Clube de Criação na Serra Gaúcha. Uma onda de empreendedorismo varreu o mercado nos últimos anos, de novas agências a novos modelos de negócio, e aqui eu citaria dois entre vários exemplos: a Aquiris, empresa de games experience do Israel e evidentemente a Perestroika do Felipe, Márcio, Rafa e Tiago. Pode ser pretensão, eu sei, mas vejo a sementinha do CJC em cada uma destas iniciativas.

Ok, Firpo, mas se o Clube foi essa coisa tão legal pro mercado, por que ele está em vias de terminar?

Porque hoje ele já não é mais tão necessário. Ele significou renovação num momento em que o mercado estava sedento por isso, mas talvez agora seja a hora de passar o bastão. Existe também uma questão interna: com o passar do tempo, os jovens criativos da diretoria já não são mais tão jovens assim, foram amadurecendo profissionalmente, galgando posições e recebendo mais e mais responsabilidades dentro das suas agências. Isso teve um impacto profundo no funcionamento do Clube. Não é hora de ficar chorando as pitangas, mas nos últimos tempos diversos dos nossos diretores precisaram se licenciar, porque não estavam mais conseguindo conciliar as atividades voluntárias do CJC com a correria remunerada do dia-a-dia. Nossa equipe se reduziu dramaticamente, e a reposição foi bastante complicada. Pessoalmente, não tinha a intenção de ficar mais do que dois mandatos como presidente, mas aceitei o terceiro porque ninguém mais se apresentou, nem de dentro do Clube, nem de fora. E eu procurei, podem ter certeza.

Então a situação é a seguinte: temos um Clube que teve até aqui uma bela trajetória, mas que está se questionando sobre a sua continuidade. E este momento coincide com o nosso período de eleições. O estatuto não me permite seguir à frente do CJC, ninguém da diretoria atual tem como projeto assumir a presidência e até o momento ninguém de fora manifestou o interesse em formar uma chapa e concorrer.

Estamos abrindo um prazo de três semanas para que uma nova chapa se apresente para assumir o CJC. É um bom prazo para reunir uma equipe e discutir um projeto sério de renovação. Resta saber se alguém vai se interessar por este briefing, que eu pessoalmente acho do caralho: uma marca que precisa urgentemente ser reinventada.

*Marcelo Firpo é presidente do CJC e diretor de criação da Novacentro.

***

Recebi este email do Firpo, como muitos do mercado. Acredito que esse é um cutucão, principalmente na nova geração. Eu, o Felipe e o Márcio estivemos no embrião do CJC. Fomos da primeira diretoria. Eu, Tiago, estive na linha de frente por 2 anos, se não me engano. Tenho certeza que existe muito de CJC na Perestroika.

E concordo com o Firpo: chegou a hora de uma nova geração assumir essa responsabilidade.

Já falei com algumas pessoas. Com outras, ainda não tive tempo. Mas se você quer fazer algo relevante por si e pelo mercado, pense seriamente em assumir o CJC. É algo que vai mudar a sua vida e vai mudar a vida das pessoas ao seu redor.

Faça coisas interessantes e coisas interessantes acontecerão para você.

Postado em 1 de outubro de 2008 às 12:19
Arquivado na categoria: Perestroika
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2 Comentários

carolzinha

hahahahaha…gente, eu tava postando o e-mail no padrão iogurte quando abri o blog de vocês…No 5º semestre da faculdade descobri o clube e virei sócia. Era ridículo o valor pra estudante, coisa que qualquer um consegue pagar, então toda a semana comecei a receber email informando vagas e eventos. Já quis ir em muitos espremedores, mas confesso que era assustador pra mim, só tinha “gente grande” - tanto no sentido de talentosos, mas também mais velhos. Não tinha colegas sócios e a maioria até desconhecia o cjc. Nunca apresentaram pras turmas, nem cartazes lá na pucrs e acho que isso distanciou o clube da geração que deveria acabar assumindo.
É uma proposta super legal e o cjc teria muita utilidade pra quem tá começando - e justamente, nós que deveríamos ter o interesse e correr pra manter o cjc ativo e bombando.

Tiago

Na verdade, o objetivo do CJC nunca foi o de se aproximar dos jovens como estudantes, mas sim dos jovens como publicitários. Explico: os jovens já inseridos no mercado de trabalho. A idéia sempre foi o de estimular debates que formassem critérios e idéias mais maduras. Como diz o Firpo na carta, talvez ele tenha servido para amadurecer outras idéias - não só relacionadas à propaganda. Mas é uma pena que, ao fazer isso, ele tenha doado a principal energia que ajudou a produzir.

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