Sempre acreditei que o humor brasileiro (pelo menos, o humor da TV brasileira) é ditado por um ou dois grupos. De tempos em tempos, surge alguém para reinventar o nosso humor, abandonando os rótulos desgastados e trazendo referências fresh para a comédia nacional.
Muitas vezes, esses grupos não são bem compreendidos. Mas olhando para trás, a história não deixa dúvidas sobre a sua importância.
Não é difícil lembrar do Chico Anysio, Os Trapalhões, Viva o Gordo, TV Pirata e Casseta & Planeta. Dinastias bem definidas e significantes. Cada um na sua época.
Nos últimos tempos, o grupo que eu vinha acompanhando de perto era a galera do Hermes e Renato. Na minha opinião, eles, junto com os caras do Pânico, vinham ditando o ritmo da comédia nacional.
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Sempre fui fã do humor do H&R. Eles conseguem pegar espécies desgastadas de humor (como a dublagem) e dar uma nova roupagem. Por sinal, o que eu mais admiro no Hermes e Renato é essa renovação que eles imprimem de temporada para temporada. Sempre vem coisa nova.
O Hermes e Renato surgiu de forma totalmente amadora. Satirizavam as pornochanchadas, misturando piadas inocentes a palavrões de cinco em cinco segundos. Conseguiram, com isso, criar uma personalidade. E cativar um público latente.
Depois, eles migraram para os personagens: Joselito, Boça, Massacration e por aí vai. Figuras que a gente vê no dia-a-dia, e que nunca tinham sido retratadas na TV brasileira.
Mais tarde, foram para a sátira às novelas. Mais um formato velho, mas que ficou legal na visão do Hermes e Renato. O Sinhá Boça é o caso mais emblemático. Rendeu uma temporada inteira.
Quando as piadas começaram a ficar batidas, eles incorporaram o mendigo Gil Brother Awey. Que com as suas improvisações, simplesmente roubava qualquer cena.
E, por fim, o Tela Class, que imortalizou o grupo como fenômeno do Youtube.
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Há menos de um mês, começou a temporada nova do Hermes e Renato. E, pelo menos para mim, ficou bem claro: a fonte secou.
Depois de anos de reinvenção, os caras não encontraram um modelo que os sustente.
Se antes eles conseguiam pegar tipos de humor desgastados e reinvetá-los, dessa vez eu acho que eles se perderam na curva.
Acompanhando os comments nos vídeos do Youtube, dá para ver que a galera também não gostou. A crítica maior é justamente à produção.
Antes trash, como proposta.
Agora, que grana não parece faltar, faltou sal.
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Também acho que o Pânico acusou o golpe. Sou fã dos caras, mas não consigo perceber nada de novo.
Neste final de semana, por exemplo, eles simplesmente se aproveitaram de um mesmo recurso que já tinham usado há séculos: usar o personagem Silvio Santos (interpretado pelo Ceará) falando com o verdadeiro Silvio.
É engraçado? Claro. Mas é sintomático.
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Fiquei pensando o que pode estar causando essa mudança. E acho que uma das causas prováveis é a ascensão do Stand Up Comedy no Brasil.
Rafinha Bastos e Danilo Gentili já são cerebridades na rede. Não por acaso, migraram para o CQC.
Você consegue ligar os pontos? Eu consigo.
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Mas, afinal: o que a Perestroika tem a ver com isso?
Bom, tem a ver que, no próximo sabado, estréia a Balalaika. A primeira casa de comédia do RS.
Quem tem interesse em ver os nossos shows, seja aluno, ex-aluno ou até pessoas de fora, entre em contato pelo balalaika@perestroika.com.br.
Preparem os carrinhos.
9 Comentários
21 de outubro de 2008 às 15:12
Oi Nancy,
Pelo jeito, tu não vi as alterações ortográficas brasileiras. Surge agora se escreve assim: surgue.
21 de outubro de 2008 às 15:29
E, sim, dá pra ligar os pontos perfeitamente. Ainda mais agora que se tem outras referências que não só a própria TV pra comparar.
21 de outubro de 2008 às 21:05
Hermes e Renato é muito afude! Acompanhei tudo deles, desde o início, concordo que essa nova temporada está deixando a desejar, mas me mijei rindo da cozinha do brother e da propaganda do max20.. uhaehueauhaeuhuhae
Apesar de não ser o que a gente esperava, ainda está na frente do Casseta, Toma la da ca, e os humores da globo..
21 de outubro de 2008 às 21:34
Ainda defendo o Hermes e Renato.. Me lembro de outras temporadas com alguns momentos sem graça, mas mesmo assim sempre tiveram esquetes históricas.
Reconheço que tem momentos que não eles nao estão tão inspirados, mas dizer que a fonte secou, acho muito forte.
Vida longa ao Hermes & Renato!
21 de outubro de 2008 às 22:17
Vida longa ao Hermes & Renato! [2]
Falando em humorísticos, eu queria MUITO assistir a essa palestra: http://www.bemparana.com.br/index.php?n=85002&t=cqc-e-panico-na-tv-finalmente-se-encontram
E que venha a Balalaika!
24 de outubro de 2008 às 13:14
Sei que estou sendo chata, mas…
“Rafinha Bastos e Danilo Gentili já são cerebridades na rede. Não por acaso, migraram para o CQC.
Você consegue ligar os pontos? Eu consigo.”
Ligue os pontos:
c.
e.
L.
e.
b.
r.
i.
d.
a.
d.
e.
s.
:o)

21 de outubro de 2008 às 14:01
“(…). De tempos em tempos, surgue alguém (…)”
surgue?!
não, né?!
:o)