Ontem foi dia do designer.
Só fui saber disso porque recebi um spam da revista publisher me parabenizando.
Aqui no Gad, silêncio.
Na lista de ex-colegas da Oz, silêncio.
Fiquei muito em dúvida se passava adiante a parabenização. Será que era, mesmo? Meu colega Jonas confirmou, me mandando um cartaz da Icograda - ok, it’s official.

Imediatamente mandei um faceiro “feliz dia do designer” pra todos os gadianos.
E comecei a receber parabéns de volta - de arquitetos. Curioso, eles não se enxergavam como designers. E isso me causou estranheza.

Explico.
Lá pela metade da década de 90 eu saía - fresquinha de tudo - da Fabico e encontrava no Gad a certeza do que eu seria na vida: designer. Nessa empolgação, indo morar do outro lado do mundo e conversando com o querido colega Claudio Strüssmann, aprendia que o design podia ser muito mais que aquelas peças gráficas. Que o design podia ser um jeito de interferir positivamente no jeito como as coisas são feitas no mundo. Um jeito de pensar.
E lá me fui pro Japão me achando uma pessoa muito relevante pro mundo, sendo designer.

Corta pra 2004, dez anos de andanças pelo mundo, de volta ao Gad. Encontro um ambiente em que todos são assumidamente chamados de designers. Todos, o pessoal do administrativo, os atendimentos, os redatores, e eu enxerguei isso como uma tangibilização daquela idéia mais global do design.

O tempo passou, o Gad mudou, não se chama mais Gad Design. Agora o Gad é uma holding de várias empresas focadas em suas áreas de atuação - o que comercialmente pode ser muito acertado, mas do ponto de vista interno, de como os projetos eram desenvolvidos com um espírito de equipe multidisciplinar, acho que houve uma perda grande. O design, que era tanto, agora parece ser o termo mais desgastado e desprovido de valor da face da terra.

Até que nesse ano (2008) é contratado Charles Bezerra pra cuidar da empresa de inovação do Gad, o recém-lançado Gad’Innovation. O Charles é um especialista em inovação que transita entre o mundo das pesquisas e das filosofias e também das grandes corporações. Um pensador do design inserido no mercado. Lançou um livro chamado “o designer humilde”, que fala justamente da missão primeira do design: resolver problemas, sair de uma situação imposta para uma situação escolhida. Opa! Eu também acho isso! Fiquei feliz.

Hoje eu estou aqui, junto com o Gustavo e a Carol, tentando passar um pouco da minha experiência pra vocês, tentando despertar em vocês um profissional empolgado, apaixonado, cheio de boas perspectivas. Um profissional de design - com orgulho.

Como nos velhos tempos.
Ou como nos novos tempos.

Pra concluir, esse dia fez algumas coisas legais virem à tona a respeito do tema. Uma delas foi mandada pela querida Paula Gomes, e outra pelo colega de SP Casemiro Moraes. Paula enviou um texto feito de perguntas criados pelo designer e autor de design alemão Markus Frelzl - e Casemiro repassou um manifesto bem-humorado feito pelos alunos da Univali. Enjoy!

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O que significa Cultura do Design?
56 questões descompromissadas ao Deus do Design

Porque não existe um Quarteto de Design? • Porque não existe um fomento nacional ao design? • Porque as pessoas são mais atingidas pelo cinema do que pelo design? • Os designers querem apenas ganhar dinheiro, os cineastas não? • Os designers são escravos da indústria? • Porque não existe um imposto compulsório para os designers? • Porque os simpósios de design são tão detestáveis? • O design é mais comércio do que cultura? • Como podemos fazer um frio produto da indústria nos falar ao coração? • O design tem uma função educativa? • É um diletantismo do consumo querer possuir coisas belas? • O design serve à auto-afirmação? • Coisas belas nos provêm felicidade duradoura? • Design precisa ser sempre bom? • Um objeto pode ser uma expressão de nossa sociedade? • Porque o design acredita não necessitar de uma teoria? • Porque qualquer um pode se chamar de designer? • A necessidade social do design é um romantismo social irrealista? • O design pode ser político? • O design tem que ser ético? • O bom design é democrático? • Pode se decidir democraticamente sobre o design? • Precisamos de designers estrelas? • Somente os projetos produzidos têm valor? • Os melhores projetos acabam engavetados? • O que faz um designer ter sucesso? • A inteligência prejudica o sucesso do design? • Um bom designer pode ser superficial? • Os designers não sabem ler? • Porque querem os designer sempre reinventar as coisas? • Porque os designers não admitem ser inspirados por outros projetos? • O sampling só existe na música? • As citações só existem na literatura? • Porque os designers lidam tão mal com o passado e a tradição? • Os designers se interessam por sua própria história? • Há designers no Congresso Nacional? • São os designers advogados do consumidor ao invés de agentes da indústria? • A economia impulsiona o design ou o design impulsiona a economia? • Porque os designers se tornaram tão apolíticos? • Os designers ouvem o marketing? Como conseguiram os publicitários se afirmar como criativos, quando eles servem mais ao comércio que os designers? • Como os criadores de tendências se tornaram tão importantes? • Devem os designers ser tão livres como os artistas? • Porque os designers acreditam que devem argumentar com termos do marketing? • Porque o significado econômico do designer deve ser mais importante do que o social? • Porque a divulgação sobre design é tão ruim? • Porque não há programas sobre design na televisão? • Quem é a Maria Gabriela do design? • Quando o design perdeu a sua relevância? • Que idiota criou os termos Designer Babies e Designer Drugs? • Porque as instituições do design fazem tão pouco pela imagem do design? • Porque acreditamos que o design tenha que ser limitado em relação às fronteiras das outras disciplinas? • O design pode ser uma tendência cultural autônoma? • Como, em um grupo tão pequeno, não se consegue concordar com alguns ideais? • Pode o design transformar a sociedade? • Quando se inicia o século do design?

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Postado em 6 de novembro de 2008 às 11:59
Arquivado na categoria: Perestroika
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7 Comentários

maurício porto

Nossa! Que legal e catártico isso, ainda mais para mim que estou mergulhando no design desde o início do curso. Olha, sou da época em que ainda existia o ‘programador visual’, me lembro dos tempos de Rio, tinha uma colega de agência que fazia faculdade na EDI, de desenho industrial (o design de hj). Por mais que estejam meio nebulosas as definições e febris as crises, digo que o design se destaca dia após dia e conquista muito respeito. E eu, publicitário e d.a., já tô querendo pular o muro para o lado do design. Me gusta!

William Mallet

5 de novembro é meu aniverário tb.

Karen

E do Aloísio Magalhães - daí a data.

Valkiria

Sim, dia 5 é o nosso DIA D!!!!! mas infelizmente, quase niguém sabe e quase niguém se lembra, justamente por nós pouco nos valorizamos. Muito pouco! Temos de aprender com nossos amigos publicitários e marketeiros a jogar um pouco mais de confete sobre nós mesmos, e sairmos dessa postura um tanto quanto “tímida”…Bjs e parabéns p todos os Designers.. ainda q atrasado.

William Mallet

Vou repetir:

5 de novembro é meu aniversário!
E eu sou redator!

By the way: não existe dia do publicitário. Muito menos do redator.

Santiago

William o dia do Publicitário existe e é dia 1º de Fevereiro. :D

William Mallet

É??? Afudê!
Vamos fazer uma festa! Fevereiro tá logo ali!

(Esse post era só desculpa pra fazer uma festa. Mas como o povo ficou acanhado e não deu essa idéia antes, eu mesmo chuto o balde)

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