Com o final do ano, chegam as principais premiações do nosso mercado.
Primeiro, o Colunistas. Um evento mais tradicional, com a sua relevância, mas que perdeu espaço nos últimos anos.
Em seguida, a Semana da Comunicação (o “Salão da Propaganda”, como eu ainda insisto em chamar). O grande encontro da nossa publicidade.
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Não quero discutir mais uma vez a necessidade ou não de festivais e premiações (esse papo já está mais do que desgastado). Na real, queria apenas tentar dar uma contribuição bem prática, que pode mudar a nossa vida para melhor. Pelo menos, é assim que eu vejo.
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Há alguns anos, eu resolvi escrever um desabafo. O título era “A competição e a cooperação”. Mandei por e-mail para alguns amigos, meio que para mobilizar a galera. Quando vi, circulou por várias agências. Talvez você tenha lido. (Se não, clique aqui.)
Relendo o texto hoje, eu consigo entender quais eram os meus objetivos. Mas não sei se ficou claro para todo mundo.
Em termos práticos, eu queria questionar a validade os prêmios dos Profissionais do Ano (Atendimento do Ano, RTVC do Ano, Diretor de Cena do Ano, Produtor Gráfico do Ano, Diretor de Arte do Ano, etc). E também os empresariais, como o de Agência do Ano.
Pense comigo: no que isso agrega ao mercado? Quem ganha no final das contas?
Vamos pegar como exemplo os últimos Redatores do Ano. Caras como o Reginaldo Pujol, o Fabiano Goldoni, o Ricardo Soletti e o Juliano Faermann ganharam respeito e admiração do mercado pelos seus trabalhos. Pelas suas campanhas memoráveis. Pelos seus filmes inesquecíveis. Foram anos e anos de peças maduras.
Eles não viraram figurões por causa do título de Redator do Ano. Eles viraram por causa das suas biografias.
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Aí, você pode dizer que o Redator do Ano é uma distinção, um reconhecimento ao trabalho daquela pesso naquele ano.
É um argumento válido.
Mas na prática, esse título é quase sempre decidido em poucos pontos. Às vezes, por causa de um único Bronze.
E se Fulano ficou um Bronze na frente de Ciclano, legal. Mas convenhamos: é só um Bronze.
Só um Bronze. Numa competição onde os critérios de avaliação são subjetivos e mudam radicalmente de agência para agência.
Só um Bronze. Num júri que invariavelmente conta com alguém mais inexperiente, que nem sempre tem biografia para avaliar os trabalhos inscritos.
Só um Bronze. Onde uma peça muito legal, mas mal posicionada no local de julgamento, pode simplesmente não entrar no shortlist.
Só um Bronze. Onde as pessoas não competem em condições iguais, pois alguns trabalham em estruturas mais propícias ao prêmio, enquanto outros não.
Portanto, me parece injusto que se crie um gap tão grande entre um e outro.
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Mas daí, você vai me perguntar: e quando Ciclano ganha com uma boa vantagem do segundo colocado? Não merece um troféu por isso?
Eu, sinceramente, acho que não. Porque no dia da premiação, quando entregam os Bronzes, as Pratas, os Ouros e os Grand Prix, fica bem evidente quando alguém mata a pau.
Esse reconhecimento é mais do que suficiente.
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Já vivi os dois lados da moeda. Portanto, me sinto bem a vontade para falar.
Em 2006, fui eleito Redator do Ano com uma certa vantagem para os outros dois finalistas. E o que isso significa na prática? Que eu era muito melhor que todo mundo? Claro que não. Eu teria que ser muito desconectado da realidade para acreditar nisso. Tive uma boa temporada. Só.
Em 2007, fiquei na segunda posição, três pontos atrás do Soletti. O que isso significa? Nada. Que eu tive novamente uma boa temporada (não tão boa quanto o Soletti, mas boa). Só.
O mais curioso é que se ele não tivesse levado o Grand Prix que levou, ou eu tivesse emplacado um Grand Prix que deixei de ganhar, a premiação mudaria. E talvez, a opinião de alguns deslumbradinhos por prêmio também.
Agora, pense comigo: isso ia mudar alguma coisa nas nossas vidas? Eu me tornaria melhor ganhando o título de novo? O Soletti ficaria pior por causa disso? Aquele Grand Prix (que talvez tenha sido decidido pelo jurado inexperiente citado acima) mudou o quê?
Acredito que nada. Porque a opinião que tinham do Soletti não pode mudar por causa de um troféu. Assim como a opinião que tinham de mim não pode mudar por causa de um troféu perdido.
Ou até pode. Mas daí o cara é muito babaca.
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Com relação aos prêmios, eu acho que é um pouco diferente. Porque num festival de propaganda, você vê vários trabalhos de outras agências. Trabalhos que você não conheceria se não houvesse o festival.
Então, se alguém passa em branco determinado ano, e ganha muitos prêmios no festival seguinte, não me parece errado mudar a opinião sobre determinada pessoa. Pode ser um indicativo de que essa pessoa evoluiu. Pode ser um indicativo que essa pessoa só precisava de boas oportunidades. Pode ser um indicativo que essa pessoa se encontrou com a nova dupla.
Na minha opinião, um bom ano, com volume de peças, com consistência criativa, pode sim mudar seu status dentro do mercado. Porque criar várias campanhas bacanas não é circunstancial.
Diferente do troféu para este ou para aquele, que pode ser.
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Todo esse raciocínio também serve para os Prêmios Empresariais. E na disputa da Agência do Ano, a distorção fica mais evidente. Quem nunca ouviu alguma história “do jurado que votou mal numa peça concorrente pensando no título de Agência do Ano”?
Eu já ouvi várias. De vários lados diferentes, envolvendo as mais diferentes agências e os mais diferentes profissionais. Onde há fumaça, há fogo.
Em resumo: na minha opinião, Redator do Ano e Diretor de Arte do Ano não deveriam existir. Assim como o título de Agência do Ano só serve para influenciar (e mal influenciar) quem julga.
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Fiz questão de linkar aquele texto antigo (ele é de 2005) para que não me acusem de mudar de interesse ao longo da história. A minha contrariedade aos Prêmios do Ano é bem anterior a 2006 (ano em que me dei bem como Redator) e a 2008 (ano em que a Perestroika é vencedora do Destaque do Ano).
E fiz questão de publicar hoje, dia em que começam as festividades do nosso mercado. Porque com o assunto em pauta, e com todas as atenções voltadas para nós mesmos, talvez seja o melhor momento para discutirmos o assunto.
2 Comentários
13 de novembro de 2008 às 9:23
falando por cima, acho que o prêmio é uma forma de formalizar o reconhecimento. Vejo muito isso no skate, gente que treina só para levantar grana e fama em campeonatos e fazem o que os juízes e o público gostam; muitas vezes param de evoluir e ficam naquela mesma só pra agradar à todos, esquecendo até a diversão que envolve tudo. Na publicidade a mesma coisa, não vejo sentido em ficar fazendo peças só pra ganhar os vários prêmios que têm por aí. É muito mais foda aquele reconhecimento pessoal e de ver que os outros estão gostando do teu trabalho.

13 de novembro de 2008 às 9:13
que bom ler isso! pq. esse nosso mercadinho, cheio de vaidades, valoriza pra caralho os premios. e na real, não muda em nada a vida da gente. o que muda é o dia-a-dia suado, os novos e velhos profissionais que nos dão contribuições, é a experiência. E viva a humildade, que não se deve perder nunca!