Faz pouco menos de um mês que voltei de uma temporada na Disney World. Fui com a família. Certamente, existem centenas de outros destinos que eu preferiria visitar antes de ir para a Disney. Ainda mais porque já tinha ido duas vezes. Mas o objetivo da viagem era gerar um bonding familiar. E o centro das preocupações era a Nina, minha filha de dois anos e meio.
Levei um caderninho onde eu anotei várias coisas que observei e percebi e que acho que deveria dividir com os leitores do nosso blog. É realmente bastante coisa. Por isso, vou dividir em diversos posts que vou começar a espalhar a partir de hoje, formando o Report Disney Completo. Eles serão todos linkados entre si, para facilitar a vida de todo mundo.
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O primeiro tema que vou abordar é “O poder de um ‘bom dia’”.
Isso sempre acontece quando vou aos Estados Unidos: me impressiono com a delicadeza e simpatia das pessoas, gente estranha, no sentido de eu não conhecer, que sai me cumprimentando na rua.
A gente gosta de alimentar o estereótipo dos americanos como povo frio, sem calor humano, contrapondo a toda a nossa malemolência tropical. Mas a real é que, nesse sentido, acho os americanos muito mais afáveis, cordiais e simpáticos. Uma olhada um pouco mais extensa, de 2 ou 3 segundos, já é rebatida com um sorriso e complementada por um “Hi”, ou um “Good morning” ou um “How are you?”. Às vezes é até uma simples balançada de cabeça. Mas na maioria das vezes se estabelece um contato verbal, que torna aquela relação momentânea mais amistosa. Facilita a conversa e o entendimento.
Nas filas da Disney, era muito fácil estabelecer uma conversação superficial com os vizinhos de fila. E olhem que não estou falando de azaração. Como disse, minha viagem era totalmente de cunho familiar. Então, essa troca de gentilezas sociais acontecia com todo o tipo de gente: crianças, pais de família, velhinhas, negrões de 2 metros de altura com aquele estilo de jogador de basquete mal-encarado, adolescentes. E, claro, meninas bonitas.
Imagino que o clima de férias, de resort onde “wishes come true” favorece tudo isso.
O que eu não consigo entender é por que a gente não consegue estabelecer esse tipo de cordialidade tão superficial e simples no Brasil. Aqui em Porto Alegre, a gente estufa o peito para dizer que somos a Europa brasileira, que somos uma cidade bastante educada, culta, civilizada. Mas a gente não consegue estabelecer o nível mais superficial de educação e civilidade com os desconhecidos nas ruas. E olha que em Porto Alegre todo mundo conhece quase todo mundo.
Já até escrevi isso num outro post, chamado Quebrando o Gelix.
Por que as pessoas desconfiam tanto de quando a gente dá um “oi” sem conhecer?
Por que qualquer sorriso é percebido como malicioso e com segunda intenções?
Por que a gente ainda finge que não vê as pessoas?
Todo mundo quer ser querido pelos amigos.
Então, quem sabe a gente não começa sendo querido pelos desconhecidos?
Eu vou seguir dando bom dia, mesmo sem ser respondido.
É a minha parte que estou fazendo pela sustentabilidade social.
26 Comentários
13 de novembro de 2008 às 16:31
Bah!
Não vou dizer que concordo plenamente porque estaria sendo hipócrita. Eu concordo, mas não faço.
Talvez por isso seja interpretada como arrogante ou antipática por muitas pessoas. Eu vejo mais como um pouco de timidez, hábito e comodismo.
Muito comodismo na real. Ah! Se o fulano não me der oi, eu tb não vou dar. E aí passa pela cabeça uma série de coisas do tipo: será que aquela guria lembra que foi minha colega na 3ª série, ou aquele cara sabe que somos colegas, será que o vizino vai com a minha cara? Era tão mais fácil dizer: oi, bom dia ou qualquer outra coisa em vez de ficar pensando um monte de besteiras, mas acabo muitas vezes não falando nada.
Que vergonha. :S
13 de novembro de 2008 às 21:43
No Brasil parece ser 8 ou 80, é escolher viver entre um estado atrasado com gnt bacana ou um estado organizado com gnt fria. Infelizmente eu tenho q pagar minhas contas logo preciso morar em um lugar onde sei q as coisas tenham maior propensão a funcionar.
Estou a mais de dois anos em um processo contra uma empresa paulista q me deu calote, gostava de mto de SP até ser vitima disso. Infelizmente tbm aonde tem gnt bacana tbm tem gnt metida a reizinho do Brasil.
13 de novembro de 2008 às 22:38
“A gente gosta de alimentar o estereótipo dos americanos como povo frio”
Depois de ter conhecido pessoalmente americanos e ver q eles não tem nda a ver com os arquetipos descritos pela esquerda, é ironico pensar q na “Europa brasileira” a esquerda ferrenha não se ligou no fato q comunismo só existe na America do Sul, em outros países ja perceberam q essa fobia ao capitalismo, outras culturas ou até aos americanos é total perda de tempo, basta ver a China.
Isso é só para elucidar o fato q existem mtas conclusões de superioridade gaucha baseadas apenas em mitos. A União Europeia em si não tem nda de comunista como o RS não deve ter mais nda de Europeu…
14 de novembro de 2008 às 7:38
É verdade, no meu prédio eu tento ser uma pessoa super educada e civilizada, dou bom dia para uma senhora a mais de 2 anos que mora ao lado do prédio, não sei nem o nome dela, mas é aquele bom dia gostoso, vale a pena, deixa a gente feliz, mas vejo que a maioria das pessoas de classe A e B não se relacionam com seus vizinho ou estranhos. Agora que estou fazendo uma grande pesquisa da Classe “C” principalemente no RS e Grande Poa, é que vejo realmente a diferença entre cordialidade das pessoas de uma mesma classe, cara, na classe “C” as pessoas chegam a cuidar dos filhos do visinho, as pessoas se ajudam, trocam experiências e principalemente (essa para nós publicitários) recomendam produtos ou serviços e, do mesmo modo, não recomendam.
É sempre ótimo chegar na Super de Manhã e ler os textos do Felipe e do Tiago. Parabéns.
14 de novembro de 2008 às 7:52
Fato.
Falando levando em consideração BH, as coisas nao sao diferentes. Mineiro que é como “come queto” ou sei la mais o que não é tão simpatico nessas situações. Acho que la o pessoal é muito reservado e quando voce da um oi ou apenas balanca a cabeca eles ficam desconfiados ou ja querem saber logo quem voce é, de onde veio e o que faz da vida.
O post, denovo, como tantos outros, me faz parar e pensar que ainda tenho muito que evoluir.
Preciso praticar mais esse contato-instantaneo. O miojo da educação.
Bom dia ae geeraaaal!
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14 de novembro de 2008 às 9:11
Educados, cultos e civilizados? Nós, Porto Alegrenses? Só nas nossas cabeças, meu velho. Essa imagem não resiste a nenhum passeio rápido além das fronteiras.
O mais divertido dar um bom dia super-simpático pra um carrancudo ou pra alguém que não espera. As pessoas ficam sem reação.
Boa sexta-feira a todos.
14 de novembro de 2008 às 9:21
Gente! Nadavê com o post, mas vcs sabiam que vai ter um stand-up com o Rafinha Bastos dia 29/11 aqui em Porto no teatro da AMRIGS? Olha a concorrência!
14 de novembro de 2008 às 10:17
Opa, já ando fazendo minha parte!
Pena que umas caras feias, fechadas e sisudas, desestimulem. Mas continuarei.
BUNDINHA, povo!
14 de novembro de 2008 às 10:20
Aliás, concordo com o Gabriel Britto.
Tenho teorias sobre o povo porto alegrense. Mas prefiro não compartilhar para não ser deportada. Depois de 5 anos morando aqui algumas impressões desagradáveis continuam.
But, bom dia!
14 de novembro de 2008 às 13:30
Olha, não conheço o Felipe, mas provavelmente deve ter um rosto amigável ou um tom de voz Tranqüilizante ou hipnótico. Falo isso por que minhas experiências com conversas triviais ou cumprimentos a desconhecidos invariavelmente foram frustradas, ignoradas ou soavam como “O que você tem com isso?!” ou ainda “vá cuidar da sua vida!”.
Mesmo que as pessoas não tenham dito estas frases, pareciam deixar claro que as diriam se caso houvesse uma nova tentativa de interação.
Sei lá… Talvez eu não seja um rostinho bonito, ou minha voz não tenha um tom tão agradavél, mas prometo não desistir. Um dia ainda causarei uma boa primeira impressão.
Se um dia um cara estranho (ou esquisito) lhe der um “bom dia” ou um “olá” por favor, sorria e responda, pois talvez eu esteja realmente precisando algum tipo de aprovação.
14 de novembro de 2008 às 13:34
Olha, sendo brutalmente honesto, eu tenho pavor de puxar papo na fila, cumprimentar vizinhos no elevador ou conversar com o cara que sentou do meu lado no estádio. Parece que estão invadindo a minha bolha. Curto a individualidade.
tg
14 de novembro de 2008 às 14:30
Eu também não curto puxar papo com estranhos, Tiago. Odeio quando taxistas resolvem me tratar como o amigão de infância deles. Mas um “bom dia” no elevador ou no hall do prédio e um “obrigado” quando alguém segura o portão aberto são fundamentais. Pena que não sejam muito utilizados pelo nosso povo.
14 de novembro de 2008 às 21:18
BOM FINAL DE SEMANA A TODOS. Rsrsrsrsrrs
Segue link em várias línguas: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cumprimento
15 de novembro de 2008 às 8:51
Fora da bolha, com certeza.
Não precisa tratar todo mundo como íntimo, mas não custa nada ser legal.
=D
15 de novembro de 2008 às 10:04
Perfeito. “Bom dia”, “Obrigado”, “Tudo bem?” são mais que palavrinhas mágicas. Eu realmente acho legal. Mas a partir daí, essa “intimidade instantânea” me incomoda.
tg
15 de novembro de 2008 às 17:50
acredito que tenha muito a ver com o “wishes come true” da Disney, mas tb sou contra o estereótipo que temos dos americanos…
eu muitas deixo de me comunicar, pois já levei muito carão e fiquei na defensiva, mas acho super revigorante quando me provam o contrário
ontem mesmo, fui no apolinário, ali na cidade baixa, e o cara que tava pegando os nomes pra colocar nas comandas foi muito simpático, pois, ainda por cima, tinha um amigo meu que não queria entrar lá e ficava perguntado se não tinha outro apolinário no fim da rua, e o cara era tão educado que até disse o nome do outro bar e apontou a direção… super prestativo
resultado: ficamos ali mesmo, e ainda fizemos umas piadas envolvendo o nome do meu outro amigo, que era erasmo (não o carlos) e que se ele quisesse fechar o bar, meu amigo poderia começar a cantar.
16 de novembro de 2008 às 11:54
Achei muito legal o seu comentário sobre o “BOM DIA”. Também concordo que, poderíamos, sim, ser mais amistosos, queridos, gentis e, por que não dizer, sutis? Moro em Floripa, e aqui todos se conhecem e são amigos de “oi”, daí, uma bela contradição; as pessoas se conhecem se comprimentam e não conseguem estabelecer uma relação de amizade, algo verdadeiro ou mesmo dar continuidade… Sou de Porto e, sinto que aí as pessoas constroem laços e isso torna o ser humano mais inteiro e completo, já que fazemos parte de uma sociedade onde temos por necessidade as relações. Beijão adorei teu post!
17 de novembro de 2008 às 8:46
Felipe, tu ja leu o livro:
Nos Bastidores da Disney, do Tom Connellan?
Muitas das coisas que tu viu acontecer por lá, são explicadas nesse livro. E é bem sobre isso o que tu falou, das pequenas coisas mais simples que fazer um diferencial.
Abraço!
17 de novembro de 2008 às 15:20
COISA QUE MAIS ME IRRITA É GENTE QUE ENTRA NO MESMO ELEVADOR QUE TU E NÃO CUMPRIMENTA! caralho, é um cubículo, custa dar bom dia? é o mínimo de educação.
não quero o extremo americano do “how are you doing today?”, que se escuta em todos os recintos que se entra… acho às vezes bem forçado. mas um bom dia, por favor! cordialidade, educação, solidariedade… falta!


13 de novembro de 2008 às 15:37
Concordo plenamente. Não sei se é porque minha família está espalhada pelo Brasil, ou porque já tive que mudar de cidades várias vezes, ou se já viejei um pouco, mas eu sinto a mesma coisa. Em Porto Alegre quase “todo mundo se conhece” e rola essa frescurinha básica. Em prol da tua campanha pela sustentabilidade social, vou ressaltar um vizinho meu que super aderiu ao movimento. O Luis, um senhorzinho coisa querida, recém se mudou e até está dando palpite na obra lá em casa. Acho que ele é o único que conversa no elevador. Olha que eu moro em prédio. O resto todo é mudo. A proprósito, bom dia Felipe