John Kao.

Assumir a Perestroika full-time não chegou a ser uma decisão difícil, é verdade. Mas também não foi a decisão mais fácil da minha vida. Sempre rola aquele momento de colocar tudo na balança e ver para que lado pesa.

Uma das coisas que mais me influenciou foi saber que, controlando a minha agenda, eu teria oportunidade de aumentar a minha rede de contatos e conhecer mais pessoas interessantes.

E não há como negar. Nos últimos meses, eu vivi praticamente um intensivo na minha network. Só de quarta para cá, eu tive oportunidade de conversar com três figuras que, trancado dentro de uma agência, eu certamente nunca conheceria.

O primeiro foi o Marcelo Ferla, jornalista de várias revistas fodásticas (como a Rolling Stone e a National Geopraphic) e professor do nosso curso de Som.

Sempre me falaram muito bem do Ferla. Mas os dois encontros que tivemos foram muito acima de qualquer expectativa otimista. O Marcelo tem um papo profundo sem ser boring. Além de uma enciclopédia ambulante, ele tem pontos-de-vista sobre a vida simplesmente geniais.

Ainda na quarta, eu e o Felipe pegamos no hotel o Gabriel Shalom, americano, vivendo atualmente em Berlim. O nosso convidado especial do Consumer Beat.

O Gabriel é designer por formação, artista, cineasta e um mega-cabeção. Demos uma volta pela cidade, conversamos bastante sobre tudo, especialmente sobre a forma como ele vê o mundo daqui pra frente.

Depois da aula, nos cruzamos de novo na festa do curso e falamos um pouco mais. Mas prefiro parar por aqui. O Gabriel merece um post exclusivo. Até porque, gravamos parte da nossa discussão sobre o futuro e queremos dividir com vocês.

Mas, sem dúvida, de todas as pessoas que eu conheci de agosto pra cá, o mais cavalo foi o Mr. John Kao.

Para definir o John Kao, vou repetir aqui um comentário que ouvi direto da boca do cara: “em algumas semanas, estarei palestrando na cerimônia de entrega do Prêmio Nobel”. Sacou? Os vencedores do Nobel estarão sentadinhos, ouvindo esse cara falar.

O John Kao é uma das maiores autoridades do mundo em Inovação. Ele já escreveu dois livros que simplesmente revolucionaram o setor. “Jamming” e “Innovation Nation”. É consultor de boa parte das maiores empresas e celebridades do mundo. Já foi professor em Harvard e no MIT.

O hobby do Mr. Kao é tocar piano. Não sei se ele é bom ou não. O que eu sei é que ele já se apresentou algumas vezes junto com o Frank Zappa. Nada mal para um hobby.

Ele é daquelas figuras que, se fosse inglês, certamente seria condecorado Sir. (Se você quiser ver o perfil do John Kao no Wiki, clique aqui.)

Imaginando que a gente possa se tornar uma referência como centro de Criatividade e Inovação, eu não perdi a chance de entender um pouco mais sobre o assunto. Aproveitei e contei a história da Perestroika. Para minha surpresa, ouvi alguns conselhos valiosos. Todos de graça.

***

Mas meu objetivo aqui não é falar sobre essas pessoas. O meu objetivo é só lembrar de um conceito que não tem nada de inédito.

A vida está lá fora. As pessoas interessantes estão lá fora. E você só vai conhecê-las se organizar a sua vida para isso. Do contrário, continuará convivendo com as mesmas pessoas que você vê todos os dias.

Mesmo que sejam caras bacanas, ainda assim é um círculo vicioso. Agora, se você está submerso num ambiente com muita gente medíocre, cuidado. Muito cuidado.

***

E aí, você vai me perguntar: Como eu sei se estou cercado de gente interessante ou não?

O critério que eu uso, nesses casos, é a famosa frase do Dick Corrigan.

“Pessoas brilhantes falam sobre idéias.
Pessoas medíocres falam sobre coisas.
Pessoas pequenas falam sobre outras pessoas.”

Não invista o seu tempo convivendo com as pessoas erradas. Com quem não merece o seu tempo. Com quem não tem nada para dizer além de fofocas e comentários sobre o clima.

Se você vai passar 8h por dia, lado-a-lado com alguém durante os próximos meses/anos, é melhor que seja alguém que acrescente alguma coisa. Não acha?

Lembre-se: você é o dono da sua vida.

O mundo está cheio de caras legais como você. O problema é que, se você continuar preso dentro do escritório, nunca vai saber o que eles têm para dizer.

E aí, vai ser uma perda para os dois lados. Além de você não conhecê-los, eles não vão conhecer você.

Postado em 16 de novembro de 2008 às 21:37
Arquivado na categoria: Perestroika
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11 Comentários

Rafael

Já que esse post fala sobre idéias e sobre pessoas, posso considerá-lo um post pequeno-brilhante?

Gabi Gomes

Importante ter lido isso. Me fez ter ainda mais certeza de que algumas decisões que tomei nos últimos tempos foram, realmente, acertadas.

Nunca pensei diferente, mas, às vezes, essas preciosidades a gente esquece - talvez, culpa desse vício a que te referes.

Ficou tão bom, Tiago, que desconfio que até quem julga não precisar ler isso vai sentir como se precisasse, sim.

Valeu!
bj

Gabriel

Ah, então deve ser por isso que tu abandono a galera sábado. Saquei!

Haishdiuashdsuai!

Tiago

Eu sou contra despedidas. :)

Lets

É, acho que devo seguir o conselho que o Obama deu pra irmã mais nova dele: não leia sites de fofoca…

Larissa

John Kao é casca. Ele é considerado o Mr. Creativity. Tive oportunidade de entrevistar ele semana passada para o Congresso que ele veio participar. Mto bom. bj

TH

Esse John Kao, como o próprio nome diz, não existe!

Mario(não pergunte...)

Levando pro mundo corporativo, é mais ou menos como aquela: contrate gente menor que você e terá uma equipe de anões…
Gostei do Japa, apesar dele reler(com criatividade) conceitos que estão aí há algum tempo.

Augusto

Há cinco meses atrás eu fiz isso. Não me arrependo, em 150 dias eu passei por alguns estados, muitas cidades, feiras, reuniões com presidentes, diretores, conheci, inovadores, gênios, empreendedores bilionários, e entrei na Perestroika, mas eu poderia não ter feito nada disso e estar “confortável” na minha mesmice.
Resumindo, vai lá faz, ou como o Instituto Endeavor resolveu chamar Bota pra fazer.

Abs

Carmencita Job

Aprendemos pela dor, ou pelo amor. Por isso que resolvi mudar o meu destino, e seguir o que me dá Tesão de verdade!!
Vivendo uma vida óbvia e com uma certa “segurança” me deparei com um desconforto e uma inadequação; Que meu caminho, não estava sendo trilhado por minhas vontades e, sim, por um destino que me dava uma “FELICIDADE descartável” e que fazia de meus dias todos iguais… Foi então. que percebi, que, tudo dependia de minhas escolhas mais profundas..
Foi quando eu me perguntei, - Qual é o meu tesão de vida?
Isso fez toda a diferença no meu caminhar, e vc ai qual o seu tesão de Vida?

Alice in Wonderland

é complicado encontrar pessoas desse nível, prefiro conversar com os cachorros.

Although the doors of perception is open.

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