Alguém aí já viu o novo 007? O “Quantum of Solaris?”.
Eu também não. Até fui no cinema, mas dormi durante o filme.
É impressionante como eu tenho cochilado no cinema. Sério. Um pouco porque essa rotina de dono tem exigido muitas horas-extras. Um pouco porque os filmes estão cada vez mais chatos e parecidos.
Nada surpreende.
OK, você vai dizer filmes de ação sempre são iguais. Mas pô, não é um filme de ação: é o James Bond. O agente duplo-zero. O cara que tem licença para matar. O neguinho que dirige os melhores carros, tem os melhores relógios e passa a piroca em todas as gostosas.
A projeção do incosciente coletivo masculino mais poderosa que o cinema já conseguiu criar.
***
Eu não sei, mas eu acho que houve uma pasteurização no segmento de ação. Está tudo igual ao seriado 24h. Veja o exemplo do Identidade Bourne. Veja o 007. C’est tout la même chose.
E quanto a TV começa a influenciar o cinema, e não o contrário, eu me assusto. Não porque sou fã da sétima arte (definitivamente, não sou um cinéfilo). Mas porque a televisão tem outro ritmo de produção, outra estética, outra necessidade comercial.
Sinto um pouco o que já aconteceu na propaganda nos últimos anos. A onda do “lavadinho paulista”, que viciou os diretores de propaganda brasileiros, e tornou todos os comerciais com a mesma fotografia alaranjada. Ou a “enceradinha paulista”, que deixou todos os tratamentos de imagem do mesmo jeito, todos com a mesma pele. Seja num anúncio de moda, seja num outdoor de carro, seja num flyer do Gruta.
***
Eu aceito que o James Bond seja agora um cara mais humano. Um agente que tropeça durante a perseguição. Um cara que lacrimeja (chorar já seria demais). Tudo bem.
Mas assim, gente. Ele é Bond. Ele é o cara que mergulha, chega na festa, abre o traje de mergulho e está com um black-tie por baixo. Sequinho, impecável. Não dá para misturá-lo com Jack Bouer e Jason Bourne. Que, por melhor que sejam, são apenas Jack Bauer e Jason Bourne.
James Bond é inconfundível. Mas hoje ele se confunde em meio a nuvens passageiras. Aquele sotaque, aquela elegância, até aquele jeito meio machista não podem sucumbir ao tempo.
Ele é Bond, James Bond.
10 Comentários
25 de novembro de 2008 às 16:47
Em verdade, a verdade é que che è tutto la stessa cosa. Também é muito igual, em verdade, o pessoal do tipo intelectualizado do Brasil escrever frases em outros idiomas. Mas para ser realmente um intelectual: faça a citação em françês, é a senha. Porém se for um sujeito boêmio e romântico, como eu, o melhor é usar o italiano; enquanto constrói imagens mentais do filme “zorba, o grego”.
Mas , de fato, é fato que james bond não muda. Digo mais: nunca vai mudar. Ele é um esteriótipo ou um arquétipo - como Deus, anterior aos tempos.
A necessidade individual obriga-me a falar em outro possível tipo de homem , andarilho da humildade(se for possível) e duma complexidade( que a estes é inerente). O FILME é “Zorba, o grego”, o homem que enquadra-se nesse tipo é tão complexo que o filme apresenta duas personas pra falar de um tipo de alma masculina.
No mais, fora as críticas que fiz, o que a mim é inerente, eu gostei do blog
Parabéns and amorê
26 de novembro de 2008 às 10:48
Cuidado aí: falar da enceradinha paulista em Porto Alegre é bater na maioria dos seus próprios amigos.
26 de novembro de 2008 às 10:54
Hehehe. Mas eu não estou batendo em ninguém, não. A “enceradinha paulista” é uma ferramenta estética maravilhosa. Só não dá pra vulgarizar, né? Senão fica tudo com a mesma cara, com o mesmo tratamento. Até porque, se as marcas expressam personalidades diferentes, não parece contraditório usar sempre o mesmo recurso?
Vida longa à enceradinha paulista. Só use com moderação.
tg
26 de novembro de 2008 às 10:58
José Rodrigo, valeu o comentário. O blog é aberto a comentário justamente para ouvir críticas. O eterno concordismo é muito chato, não?
Abraço.
tg
26 de novembro de 2008 às 15:19
não são críticas construtivas, nem destrutivas; são puramentes vaidosas
27 de novembro de 2008 às 9:17
Já fui mais fã de 007. Concordo que hoje em dia está tudo muito parecido em termos de ação. Mas para quem já leu a obra do escritor inglês Ian Fleming (criador do 007), sabe que esses 2 últimos filmes são os mais fiéis aos livros. Na época, de lançamento dos livros, década de 50 e 60, o cinema não poderia ser tão violento nem tão sem ética, ainda mais ele sendo um agente inglês. Dai então tivemos Sean Connery, George Lazenby (esse fez um e caiu fora, sem talento), Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e agora Daniel Craig.
A semelhança entre os filmes, é no fato que os diretores e suas equipes, beberam da fonte de Ian Fleming, ou seja Born é agente, jack é agente, e muitos outros que nem vale a pena citar. Todos agentes de um serviço secreto e coisa e tal.
Para mim, o primeiro e único agente secreto é 007. O resto é fita copiada.
Valeu

25 de novembro de 2008 às 14:25
Jack Bauer, James Bond, Jason Bourne. Isso tá me cheirando a propaganda subliminar do whisky J&B. CPI neles!