Dezesseis dias de puro ócio. Nunca uma empresa me deu tanta moleza. Foi bom. Foi excelente. Foi, na verdade, mais do que justo.

A gente, na propaganda, trabalha muito. E as empresas em geral não valorizam isso. Agem com a indiferença de quem pode dizer: “Não está gostando? É só pedir as contas. Tem um monte de gente louco pelo seu emprego.”

Infelizmente o mundo corporativo e capitalista é assim. E felizmente, o mundo socialista da Perestroika é diferente.

Quando a gente montou a nossa empresa, uma coisa que ficou clara era a nossa política pessoal. A gente não queria o sucesso a qualquer custo. A gente acredita um jeito menos frio e menos preocupado com o lado direito da tabela do Excel.

Não sei se, daqui um tempo, eu vou mudar de opinião. Mas é fato que, hoje em dia, na medida do possível, a gente tem conseguido implantar a Política de Bem-estar Perestroika.

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No fundo, ela não tem nada de novo. A gente quer dar qualidade de vida para todo o nosso quadro de funcionários. Que atualmente são três: eu, o Felipe e o Gasparetto.

Veja a foto acima. É o nosso estagiário, detonando no Guitar Hero, em pleno expediente. Nós trouxemos o videogame para dentro da empresa e, todos os dias, damos umas paradinhas para relaxar.

Enquanto ele não estiver atrapalhando o rendimento, o Playstation continua firme.

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Eu sei que, falando assim, o nosso videogame diário pode até parecer mais uma atitude desesperada do “falso glamour da propaganda”. Mas acredite: não é.

Para quem não sabe, o “falso glamour da propaganda” é um jeito de pensar que algumas empresas da Comunicação ainda tentam implantar. Elas vão lá, compram um fliperama, uma mesa de sinuca, como se dissessem: “Olha como somos legais. Olha como pensamos no bem do pessoal”.

O problema é que, na prática, não existe uma política clara para o público interno. E a galera se fode trabalhando. Os funcionários não conseguem usufruir de nada. Pior: o ambiente fica tão contaminado que, quando alguém está mais livre e chega perto da mesa de sinuca, todo mundo já olha torto.

Então, na maioria das vezes, o fliper e a sinuca viram um misancene.

Claro que não dá para generalizar. Algumas agências têm políticas internas fantásticas. E é possível que algumas delas tenham fliperamas e mesas de sinuca. Mas comigo nunca foi assim. Em todas as empresas que eu trabalhei, isso sempre ficou só na intenção.

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Na Perestroika, é exatamente o contrário. É uma filosofia que vem de cima para baixo. A gente acredita e coloca em prática.

Evidente que a rotina da Perestroika não é isenta de correria. A gente trabalha, e trabalha muito. Minha carga horária como Diretor é muito maior do que era quando Redator.

O Gasparetto também se fode. E de vez em quando, se fode legal. Mas no final do ano, a gente não vira e dá um tapinha nas costas. Dá um puta presente. Mais caro que qualquer lembrança que eu tenha ganhado nos meus antigos empregos.

No caso do Gasparetto, a Política do Bem-Estar Perestroika foi ainda mais longe. Ele é sócio de um dos nossos negócios. Quanto mais lucro dá, mais ele ganha. Uma forma meritocrática de engordar a grana no final do mês. (Não sei dizer com detalhes, mas é possível que em alguns meses ele tenha dobrado o salário só com essa barbada.)

Isso tudo para um estagiário com apenas 4 meses de casa.

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E a Política do Bem-estar Perestroika não poderia terminar o ano com menos que dezesseis dias de férias coletivas. Em condições normais, soariam como um exagero. Mas para a gente, era a hora de fechar com chave de ouro.

Aproveitei e fiz um monte de coisa inútil. Comi, dormi, vi TV, comprei DVDs, coloquei as leituras em dia.

Mas também fiz umas coisas bem legais. Organizei minhas férias de fevereiro, namorei bastante, fui para a praia com meus amigos, invadi uma festa no Reveillón, comecei a escrever um livro e joguei muito poker.

Por sinal, essas quatro noites de jogo pagaram todas as outras coisas (inúteis e legais) que fiz nesse período. Nada mal para um hobby, né?

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E sabe o que é mais legal disso tudo? Até agora, essa Política do Bem-estar Perestroika tem que se mostrado impressionantemente produtiva.

O lado direito do nosso Excel confirma. O que é ótimo. E felizmente, não é tudo.

Postado em 4 de janeiro de 2009 às 22:34
Arquivado na categoria: Perestroika
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2 Comentários

Rafa de Paula

Chegou a hora de começar o ano.
Confesso também que o fato de fazer nada foi totalmente produtivo para mim. Esse ano me puxei em um monte de coisa e eu tambem acredito que eu merecia essas ferias.
A diferenca da minha e da sua é que eu nao escrevi e nem comecei um livro e nem ganhei essa bolada toda.
Vou pensar seriamente no curso de poker.

Abraços.
Otimo ano e boa semana ae para voces!
;)

Gabriel Britto

Tomara que alguns diretores de empresas leiam isso.

Um belo 2009 pra vocês.

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