Ainda não terminei o meu report da Europa e já começo um novo: o Report Las Vegas. Tenho que aproveitar que está tudo fresquinho para contar esse últimos dez dias fora-de-série.
Antes de qualquer coisa: se você tem condições, faça uma viagem assim. Recomendo para qualquer ser humano. Mas faça antes dos 40, porque é preciso energia e fígado saudável.
Então: reúna nove amigos dos tempos de colégio e vá para Las Vegas. No nosso caso, a escolha foi barbada. Nós adoramos poker e nos reunimos toda segunda-feira para jogar.
Mas mesmo que você odeie cartas, roletas e caça-níqueis, ainda assim Las Vegas deve ser a sua escolha. Porque o cassino é só uma das infinitivas opções que você encontra por lá.
O mais legal de Las Vegas é que você, mesmo que você queira, não tem opções muito culturais durante o dia. Não tem museu. Não tem ponto turístico. Não tem parque. Não tem aquela neura europeia de que “tenho que ir no Louvre”. Foda-se. Las Vegas é entretenimento na veia. O America’s Playground, como dizem por lá.
É beber, fazer festa, jogar, ver um show, jogar de novo, comprar, fazer festa, dormir um pouquinho, ir para a piscina, beber mais, comprar mais, torrar uns dólares na roleta, beber de novo. E assim vai.
Você só dorme se quiser. Os cassinos não têm janelas. Então, você perde completamente a noção do tempo, se é dia, se é noite. Era comum no nosso grupo a gente acordar tipo 4h30 da manhã, e partir para a jogatina.
À noite, você tem trezentos mil shows. Musicais, stand-up, música, mágica e algumas bizarrices. Mas tudo, tudo é muito bom. Veja só esse ventríloco, chamado Terry Fator, que recém havia assinado um contrato de US$ 1.000.000,00 com o Mirage.
Dos shows, o meu preferido foi o Blue Man Group. É o suprassumo de criatividade. Se você ainda não viu, e tiver oportunidade, veja. É um espetáculo tem todos os aspectos: som, luz, humor e interação.
Fui também no show do Criss Angel, organizado pelo Cirque du Soleil. Aquele cara meio emo, que faz street magic, como o David Blane. Achei bacana, mas nada que me impressionasse. Na real, nem os vídeos do Youtube dele me chamam muito a atenção.
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E a pergunta que todo mundo me faz: e o poker? Ganhou? Perdeu? Ficou milionário?
Bom, vamos por partes.
Chegamos em Vegas e encontramos alguns amigos que já estavam por lá. Começamos a beber para comemorar, obviamente. Ali pelas 18h, já estávamos longe. Obviamente que começou uma pilha coletiva e fomos todos para a Poker Room do Mirage, hotel onde estávamos hospedados.
(Nessa parte aqui do post, vou descrever as mãos com bastante detalhes, para quem joga poker entender as nuances das jogadas. Se você não entende nada do jogo, e quer entender melhor a descrição de mãos, clique aqui ou aqui. Vale lembrar, também, que eu sou apenas um amador que tenho o poker como hobby).
DIA 1:
Logo na minha segunda mão, saio com KK em early position. Saio disparando e ninguém paga. Em seguida, vem um KTo e vou até o river, fazendo uma boa value bet que o cara dá call. Então, eu totalmente bêbado, subi num pedestal e pensei. “Estou jogando muito. Agora vou bailar”.
Foi o suficiente para eu começar a devolver todas as fichas. Primeiro, num blefe ridículo. Depois, em alguns calls sem nenhum sentido. Foi nessa hora que eu me dei conta que a mesa era MUITO boa. Sem dúvida, tinham um ou dois profissionais ali, só de olho na minha grana.
Por fim, dei um limp no UTG com AQ, esperando um raise, e fui pago por quatro jogadores. O flop veio QTT. Betei, o cara me aumentou e, mesmo sabendo que estava perdendo para trinca, dei call e todo o resto das minhas fichas.
Existe um ditado no poker que diz: Se você não encontrar o pato da mesa em 15 minutos, você é o pato. Naquele dia, eu era o legítimo pato metido a ganso.
SALDO DO PRIMEIRO DIA: - US$ 150,00
DIA 2:
Decidi ficar dois dias sem jogar, para recuperar a minha melhor forma e aprender com os meus erros.
Sento novamente no Mirage e, já na segunda mão (de novo!), venho com 88 em early position. Aumento e um cara parecedíssimo com o Daniel Craig me paga. Vamos até o river e ele me mostra um AA. Impossível esquivar. Só nessa mão, perco cerca de US$ 125,00.
Em seguida, vem um KK, eu aumento e seis pagam. É minha chance de recuperar toda grana. Uma mulher à minha esquerda, que ia jogar a última mão, flopa o nuts, entra de all-in e me diz “Go away”.
Deu. Fico short stack e totalmente abalado. “Eu sou um merda. Eu não jogo nada. Não sei o que eu vim fazer em Las Vegas”.
SALDO DO SEGUNDO DIA: - US$ 350,00
DIA 3:
No dia seguinte, antes de sairmos para noite, eu e um amigo decidimos ir para a roleta. Percebemos que o zero não batia há horas e fomos para o gambling total. Separamos US$ 100,00, 5 rodadas de US$ 10,00 para cada. Era apostar no zero e rezar.
Na primeira rodada, eu aposto, meu amigo se atrapalha e não coloca as fichas na mesa. Nada.
Na segunda rodada, vamos os dois ao mesmo tempo. Nada.
Na terceira rodada, vamos nós dois novamente. Na minha mesa, bate o zero.
Com certeza, esse foi um dos momentos mais do caralho da viagem. Saímos gritando alucinados pelo cassino, com cerca de 100 pessoas nos observando perplexas. Foi um escândalo tão grande que muitos devem ter imaginado que tínhamos ficado milionários. Que nada: ganhamos apenas US$ 180,00. Só que a dealer se enganou e me deu uma fichinha de US$ 100,00 a mais.
Ou seja: eu ganhei na roleta e ainda roubei do cassino. E estou vivo.
SALDO DO TERCEIRO DIA: - US$ 235,00
DIA 4:
Alguns amigos no dia anterior haviam jogado no Venetian e feito um bom dinheiro. Decidi apostar por lá e ver se eu começava a reverter a onda negativa.
Sentei na mesa e, na segunda mão (de novo!!!!!) venho com JJ. Eu nem tinha fichas. Aumento e ninguém paga. Não demorou muito para eu perceber que estava numa mesa boa, com vários jogadores previsíveis e nenhum loose-agressive. Comecei a impor meu jogo com muito trash talking e fazer jogadas bastante agressivas. Não perdi praticamente nenhum pot. Dei folds disciplinados e saí da mesa com uma boa grana. Mas o mais importante: recuperei a confiança.
No final, dois americanos disseram para mim: “Man, you’re a very good player”. Agradeci, mas não fiquei me achando como no dia 1. Ainda precisava recuperar a bufunfa do dia 1 e só tinha domingo.
SALDO DO QUARTO DIA: - US$ 145,00
DIA 5:
Fui para o último dia seguro e acreditando na virada. Voltei ao Venetian e sentei numa mesa muito difícil. Ali, sem dúvida nenhuma, havia dois ou mais jogadores profissionais. Fiquei uma hora sem jogar uma única mão, só observando. Meu primeiro movimento foi um bom blefe e, a partir daí, a maré mudou.
Dei um excelente 3-bet no UTG+1, forçando um JJ a foldar (eu também tinha JJ). Depois puxei uns US$ 100,00 num AK que bateu no flop AK. Em seguida, meu QTs no SB estava dominado contra um KQ no pré-flop. Bateu Q no flop, me dando duas pontas. E K no river, que me dava o straight. Quando ele me pagou no turn, sabia que ele só poderia ter AQ ou KQ. Então atolei e ele pagou.
Nessa mesa, enfrentei o melhor jogador da minha vida. Um carequinha, metido a marrento, que saiu da mesa com mais de US$ 1.000,00.
Fui para o cashier, e a grande notícia.
SALDO DO QUINTO DIA: + US$ 125,00
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Galera, acho que era mais ou menos isso. É evidente que eu aproveitei a viagem para fazer vários contatos para o PokerStars (curso de Poker) e agilizar algumas coisas para o projeto. Mas Vegas é tão legal, tão legal, que até trabalhar fica divertido por lá.
Por sinal, já queria aproveitar para parabenizar o Diego Brunelli (vgreen22), nosso coordenador de poker, que teve um bom resultado nos últimos dias, fazendo a final table do 3+R do PokerStars. (Ele me pediu para não colocar no blog porque não acha o resultado lá grandes coisas, mas eu vou botar assim mesmo.)
Clique aqui e veja.
Beijos, abraços.
Tiago.
5 Comentários
4 de abril de 2009 às 18:42
Eu realmente não tenho palavras para descrever o que foi essa viagem para Vegas. Foi simplesmente SENSACIONALLLLL.



3 de abril de 2009 às 4:40
Tiago,
Nunca mais aumenta 88 em early num ring game de low stakes. E pára de beber quando tu for jogar. Vai te render uma grana filha da puta.