Há um ano, exatamente um ano, eu decidi que era hora de assumir a Perestroika.
21 de maio de 2008. Quarta-feira. 15h.
Eu ainda era redator de agência. Naquela semana, comecei o dia com uma pauta especialmente lotada.
Segunda, às 9h, a minha mesa já tinha trabalho suficiente para me ocupar até sexta.
Mas eu não arrepiei. E fiz pior: realizei o sonho de todo o coordenador de pauta. Comecei a pedir mais pits. Queria adiantar tudo o que pudesse ser adiantado. Queria que os briefings em cima da mesa formassem uma pilha constrangedora. Expliquei os meus motivos e fui prontamente atendido.
Não fiz alarde. Sentei, coloquei meus fones e trabalhei, quietinho. Nada de e-mail, nada de conversinha de corredor, nada de xixi. Fui derrubando pit a pit, job a job, como um triturador de papel.
Tinha um foco. Queria na quarta-feira, 15h30, estar livre para ver a final da Champions League. Não queria ninguém pedindo refação, alteração, pit de última hora. Eu queria ver o jogo. Eu ia ver o jogo. Tinha me preparado para o pior dos cenários.
Mas numa agência de propangada, o pior sempre pode ficar pior. E dez minutos antes de começar a transmissão, surgiu o maldito trabalho pára-quedas.
E caiu no meu colo.
Não dá para dizer que foi culpa de ninguém. Foi uma daquelas situações extraordinárias. Uma bronca improrrogável, que, naquele momento, só eu poderia matar.
Apesar de entender a urgência, eu fiquei muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito de cara.
Matei o pit, e tive vontade de matar uns três ou quatro.
Só que antes de cometer um homicídio - ou um suicídio -, naquele momento, eu respirei fundo. E vi que ficar irritado não ia mudar nada.
Iam aparecer outros trabalhos furando a pauta. Não ia ser o primeiro nem o último. Eu estava fadado a perder outras Champions League, outros aniversários de amigos, outras jantas de Dia dos Namorados.
Naquela quarta-feira, às 15h, eu prometi para mim mesmo:
“Eu preciso de um emprego onde eu tenha controle da minha vida. Onde eu tenha controle da minha pauta. Onde eu possa parar tudo para ver a final da Champions League. Eu preciso ir para a Perestroika.”
E foi ali que eu comecei a organizar a minha transição.
Claro que eu já tinha o plano em mente. Não foi uma porra-louquice da minha parte, uma atitude de guri.
Mas a gente sabe que o Homem é um animal ritualístico e que precisa símbolos para as passagens da vida. Neste caso, foi a Champions League.
***
Por toda essa simbologia, eu conversei com o Felipe e, a partir de agora, a Perestroika instituiu no seu calendário oficial o DIA MUNDIAL DA PERESTROIKA PARAR DE TRABALHAR E VER A FINAL DA CHAMPIONS.
Significa dizer que na próxima quarta de tarde, eu, o Felipe, o Gasparetto, o Jean, a Marina e o Nando Viana não vamos trabalhar. Vamos para a minha casa, comer um churrasco, tomar um trago e ver a final dos sonhos dos amantes do futebol.
A nossa pauta é uma só: Manchester x Barcelona.
***
Se você nos segue no Twitter, já deve ter visto que nós vamos cobrir o jogo (e deve ter visto mais umas coisinhas por lá). Então, se você estiver no trampo e pintar um pit pára-quedas, a gente faz a mão e conta para você o que está acontecendo. É só nos seguir nesse perfil do Twitter.
Isso se nós não estivermos muito bêbados.
(P.S.: Para quem não gosta de futebol, a Champions é a Libertadores da América da Europa. Alguns consideram o jogo mais importante do ano. Mais importante que o Mundial Interclubes. Mais importante que final de Copa do Mundo.)
11 Comentários
22 de maio de 2009 às 0:56
bah, posso ir tb?
EU QUERO VER A FINAL NA TUA CASA E DE TARDE! ai, amei! ainda não faz um ano que minha vida mudou completamente… mas quase. e sim, eu tenho controle dela!
22 de maio de 2009 às 11:21
Cara no horário deste jogo eu também estava dentro da agência. Mas por opção.
Estava em Buenos Aires e agendei uma visita à Madre, umas das agências que mais admiro. Em um dia lá com os caras aprendi muita coisa e saí com uma nova visão sobre o meu trabalho – e sobre os argentinos também.
Acompanhei de relance o jogo enquanto dois caras da agência assistiam, torcendo muito pelo United por causa do Tevez – e por causa de um anúncio sequencial que eles publicariam no Olé! um dia depois sobre ele.
Com certeza, perdi um jogão. Mas valeu deveras a pena.
Abraços
22 de maio de 2009 às 14:59
Uma coisa é certa: ninguém vai morrer, o mundo não vai deixar de girar e a economia mundial não vai ficar pior do que ja está porque por uma tarde vocês vão deixar de atender telefone, responder e-mails e “apagar incêndios” pra ver um jogo de futebol.
Mas essa tarde de folga vendo jogo de futebol, comendo churrasco e tomando cerveja certamente vai contribuir pra que vocês comecem o outro dia com muito mais gás e muito mais vontade de atender telefones, responder e-mails e “apagar incêndios”.
Se todas as empresas pensassem e agissem assim, teriam funcionários muito mais felizes e produtivos.
Bom jogo! Aproveitem a tarde e sintam-se felizes porque vocês PODEM fazer isso.
22 de maio de 2009 às 19:20
bah, me convidem pro churras! não tenho controle total da minha vida, mas uns 98%… quarta que vem tá dominado! hahaha
mas sério, fiquei MUITO nervoso quando o anderson foi pra bola… imagina se o guri erra? vi o guri crescer aqui na azenha, parecia eu torcendo pro meu filho. HAHAHA!
e além do mais, recomendo a todos os gremistas que assistam atentamente a essa partida, não pelo anderson, mas pra analizar nosso adversário no mundial em dezembro. vai a dica pro autuori.
23 de maio de 2009 às 1:40
será que o Cristiano Ronaldo vai amarelar de novo?
acho que o Messi vai acabar com o jogo…
e olha esse jogo é uma bela inspiração pra próxima copa perestroika…
23 de maio de 2009 às 18:47
Lu, obrigado pelos elogios.
E sabe que não fizemos isso para “parecermos uma empresa legal”. Claro, se o pessoal nos achar legal por isso, ótimo. Mas o objetivo é realmente colocar em prática a filosofia que a gente defende na teoria. Respeitamos e admiramos os nossos funcionários e achamos que eles merecem esse tipo de carinho.
tg
26 de maio de 2009 às 12:13
Pertencer. Ter controle. Se permitir sem culpa.
Parece fácil falar, mas na prática muito mas muito difícil… com o nosso dia-a dia agitado por tudo que parece acontecer sem ao menos pedir licença.
Sou uma lutadora da disciplina diária, todo dia:
- Ler poesia
- Olhar o céu
- Ouvir música
- pesquisar coisas das quais curto
- fazer um final de tarde
Isso se faz completar…
Que bom saber que tem mais gente neste time, vivendo com mais liberdade e se permitindo a VIVER mais de acordo com o que acredita!
Que venham os incêndios, pois com certeza temos muito gás para apagar!
26 de maio de 2009 às 14:08
Cara!!!
é exatamente isso que eu estou construindo
todo meu foco e planejamento é em busca do controle da minha vida. Sei que é muito difícil fazer isso e sei que são poucos os que conseguem
mas estou certo também, que por ter um objetivo traçado, posso realiza-lo mais facilmente.
Da-lhe Barça!!!
Tricolor campeão em Dubai contra eles
hahahaha
=D



21 de maio de 2009 às 22:41
Estava pensando nisso hoje.
Dizem que semana que vem vai ser uma semana sossegada pra nós, mas não sei se vai dar pra ver o jogo inteiro.
Já começo a combinar pra poder assistir pelo menos o 2º tempo ou boa parte dele dentro da agência.
Bom churras pra vocês e bom jogo pra todo mundo que gosta de futebol!