Arquivo de junho de 2009
Como você quer ficar rico se não conhece os Backyardigans?
30 de junho de 2009Se você não tem filhos, nem sobrinhos, nem irmão ou primos temporões (temporãos?), nem afilhados, nem criança pequena na família, é muito provável que você não conheça os Backyardigans.
Backyardigans é um desenho animado para crianças que passa no Discovery Kids, canal 45 da Net. Trata-se de uma turma de 5 animais. Todos eles são vizinhos. O argumento é bem simples: eles se encontram no quintal (Backyard) para brincar. E lá, a imaginação deles transforma o quintal em barco de pirata, deserto, floresta, ilha deserta, antigo Egito, etc. E após cada aventura, eles voltam para casa para lanchar.
Abaixo, a trilha de abertura numa vinheta promocional:
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Mais do que um desenho animado, os Backyardigans são uma franquia de entretenimento infantil. Só a minha filha tem 12 DVD’s, um jogo de memória, 5 quebra-cabeças, a coleção completa dos 5 personagens em pelúcia, adesivos, máscaras e mais algumas coisas que eu não lembro agora.
Além disso, tem muitos brinquedos, jogos, roupas, roupa para cama, kit aniversário (já fui em uns 15 aniversários com o tema Backyardigans).
E, claro, tem a peça de teatro.
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Domingo, levei a minha filha para assistir os Backyardigans no Bourbon Country. Além da minha filha, minha mulher e eu, o meu grupo tinha 9 pessoas. E lá encontrei o Eduardo Santos, diretor da Loop Reclame e diretor de programação da Pop Rock. Fui lá dar um oi para a Manu e pro Gustavo, filhinho dos dois, e aproveitei para trocar uma ideia com ele. E comentamos sobre como o teatro estava cheio.
Lotado, a propósito. Não tinha uma cadeira sobrando. E só no domingo, teve 2 sessões-extras. Cálculo rápido: o Bourbon Country tem, calculando por baixo, 2.000 lugares. O ingresso mais barato era R$ 50. Considerando que todos tenham pago o valor mais barato (não é verdade, tem muitos lugares bem mais caro), temos um total de R$100.000,00 . Vezes 3, dá uma arrecadação total de R$ 300.000,00, só no domingo - sem considerar quinta, sexta e sábado.
É muita grana!
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Desde que a minha filha nasceu, tenho entrado em contato com a indústria do entretenimento infantil. Livros, jogos, DVD’s, CD’s, personagens, etc. Pais gastam dinheiro com seus filhos. E em muitas ocasiões, como num teatro, por exemplo, nunca é uma venda isolada. É no mínimo, dois ingressos, porque os filhos não vão sozinhos.
E com o olhar crítico, de quem entende de produção criativa, eu noto que a qualidade do que é consumido pelas crianças não está próxima a qualidade produtiva do dia a dia de uma agência de propaganda por exemplo.
Vamos combinar: o Backyardigans que é um dos maiores fenômenos mundiais, que tem uma produção relativamente complexa do desenho animado, teve falhas grotescas na produção do espetáculo. Pô, vamos combinar, até eu consigo desenhar um personagem deles.
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O filtro das crianças é mais baixo. O critério delas é mais baixo. Já tinha conversado com o Tiago que eu tenho a sensação que eu conseguiria escrever um livro infantil da mesma qualidade que a maioria dos que eu já comprei para a Nina, minha filha, em uma tarde.
Para comprovar, clique aqui e veja a transcrição que eu fiz de TODO o texto de um livro que ela tem, chamado Lagarta na Primavera, Borboleta no Verão.
Eu não sei quanto existe de técnica por trás de tudo isso. Talvez tenha uma parte muito complicada, de entender o que gera apelo para as crianças. De ser didático. De ter uma preocupação com a mensagem. Talvez tenha muita ciência por trás. Mas eu confesso que ainda não identifiquei que ciência é essa. Minha percepção é de que existe aí um mercado bem grande, que movimenta muito dinheiro e que poderia remunerar designers, diretores de arte, redatores, produtores gráficos, animadores, produtores de áudio.
Mas precisa, acima de tudo, de um empreendedor a frente de tudo isso. Muitos desenhos animados nacionais estão surgindo. O Peixonauta, As Princesas do Mar e uma série de desenhos e personagens tupiniquins estão surgindo, com espaço no Discovery Kids.
Talvez fazer desenhos animados seja a ponta mais complicada de todas desse universo. Mas livros e personagens está ao alcance de quase qualquer um. Então, pense se você está na profissão para brilhar nos anuário e nas premiações ou para sustentar uma vida digna. Quem sabe, não tem um mercado rico bem aqui, do seu lado, com pouca gente atuando com uma qualidade excepcional.
Talvez tudo o que você precise para entender isso e se arriscar numa nova vida seja conhecer os Backyardigans.
Talvez, tudo o que você precise é ter um filho.
Criando linguagem.
29 de junho de 2009Não sei se é por influência da Perestroika, que procura mostrar linguagens diferentes, discutir o analógico x digital, e não se apegar a modismos. Ou se foi o inverso: os alunos que nos procuram já têm uma certa “Video Native Culture”.
Na real, acho que é uma soma dos dois. E essa soma, na última turma de criação, gerou muitos vídeos legais. E quando eu digo legais, são legais MESMO. Repare: vários trabalhos são difíceis de executar, mesmo para um profissional experiente.
Senti, além de orgulho, aquela inevitável inveja branca.
Por isso, resolvi fazer um post para dividir com vocês esses vídeos. São mais três trabalhos, que se somam ao “Pitaco” da Laura krebs, ao “Referências” da Gabi Tarantino, ao “Vai Dar Merda” do Facco e do Pinho, e a muitos outros.
Esses vídeos, quando vistos todos juntos, parecem ter uma certa estética própria. Que, sabe-se lá: um dia pode até virar uma “estética Perestroika”. Mas isso ainda vai demorar a acontecer (se é que um dia vai acontecer).
Por enquanto, vamos curtir os vídeos.
Releitura do comercial Inspire-se. Autor: Tommy Santas.
Releitura do comercial OLK, feito com ketchup. Autor: Paulo Moraes.
Quitanda Perestroika. Autor: Adriano Brodbeck.
QUITANDA PERESTROIKA from Adriano Brodbeck on Vimeo.
O Michael morreu. O curso de poker nasceu.
26 de junho de 2009Eu gosto de imaginar que poucas escolas no Brasil ensinam Design, Futebol como Negócio, Comportamento do Consumidor e Arquitetura da Informação. Que raras instituições de ensino teriam peito para lançar um curso chamado Mthfckr. E que nenhuma (pelo menos até hoje) teria farinha no saco para ter no seu portfólio um curso de Poker Texas Hold’em.
Lançar um projeto assim demonstra muito mais do que um caráter subversivo. Demonstra uma alta sintonia com o que está hypando no mundo.
Você sabia que poker já é considerado o quarto esporte nos Estados Unidos por muitos especialistas? Pois anote aí: estima-se que cerca de 60 milhões de americanos jogam poker regularmente. O gelo do hockey perdeu o seu posto para o feltro verde das cartas.
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Eu gosto de imaginar que tudo isso que está orbitando ao redor da Perestroika não é por acaso. É, num micro-cosmo, uma pequena revolução. Uma chacoalhada, que ainda passa desapercebida pela maioria. Mas que já criou identificação com muita, muita gente.
Na quarta-feira, quando lançamos o curso de Poker, deu para perceber direitinho isso. O clima estava fantástico, a integração foi imediata e a galera adorou a aula. Muita gente veio falar comigo para elogiar a nossa sede, mas principalmente para cumprimentar a nossa coragem.
A Comunidade Perestroika ganhou mais 35 adeptos.
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Eu gosto de imaginar que a Perestroika é uma Escola com “E” maiúsculo. Que está gerando um jeito de pensar, de produzir conteúdo e que tem inovação no seu DNA. Não na sua plaquinha de “Missão, Valores e Visão”.
Falando em inovação, já vou dar o teaser: nosso próximo projeto é justamente um projeto ligado à Inovação. A palavrinha da moda dos engravatados vai virar curso na Perestroika. Com a coordenação de especialistas no assunto e orientação do cara que dá palestras para na Cerimônia de entrega do Prêmio Nobel.
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E só para fechar: esta foi, sem dúvida, uma semana interessante. Na terça-feira, para o Mthfckr, o Israel, veio falar de Advertainment. Uma aula de videogames, ministrada não por um interessado no assunto. Mas por um cada que está criando jogos para Olympikus, Axe e Gillete (para ver o trabalho dos caras, clique aqui).
Na quarta, o Pokerstars: Pokerstars.net + Perestroika, o primeiro curso de Poker regular do Brasil, patrocinado pela maior empresa de Poker do mundo, começou.
Agora, Diego “vgreen22″ Brunelli e Giovanni “Tr3cool” Davids (que embarcou ontem para Vegas para disputar a WSOP, a Copa do Mundo de poker) estão imortalizados na nossa parede em branco.
Shuffle up and deal!
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Para os alunos do curso de Poker: aqui vocês conseguem baixar as tabelas e alguns vídeos que falamos na última quarta. E não se esqueçam: nossa próxima aula é sexta-feira, dia 03/07, às 20h.
Clique aqui para baixar o último vídeo da aula, com as mãos 22 e JTs.
Fábio Haag na Perestroika
23 de junho de 2009Na quinta-feira passada, a Perestroika teve o grande prazer de receber o Fábio Haag para ministrar uma aula do curso LiveDesign. O Fábio é designer de tipos (fontes) da Dalton Maag, um dos melhores e mais conceituados estúdios de tipografia do mundo, com sede e Londres.
Na aula, Fábio abordou teorias de forma prática quanto à seleção e uso de fontes, além de algumas noções básicas do desenho de letras. Eu já tinha repassado a aula com o Fábio e com a Carol D’ávila - coordenadora do LiveDesign - alguns dias antes e já dava para ver que tinha muito conteúdo interessante e que a aula tinha tudo para ser muito massa.
Mas não foi muito massa. FOI DUCARALHO! E posso dizer isso com bastante convicção, sem medo de parecer discurso pronto, puxando a brasa para a nossa sardinha ou dourando a pílula. As palmas que rolaram no fim da aula não eram protocolares. Os olhos e o sorriso no canto da boca dos alunos não mentiam: aquelas 2 horas e meia de conteúdo tinham sido muito esclarecedoras. Tenho bastante convicção que qualquer aluno que assistiu a aula pode confirmar tudo o que estou dizendo.
Isso tudo já seria o suficiente para escrever esse post.
Porém, tem mais a se falar do Fábio. Ele não é apenas um excelente profissional, um cara com domínio profundo do conteúdo e com alta capacidade de organizar isso didaticamente, o que faz dele um ótimo professor. Acima de tudo isso, é um cara muito gente boa.
A gente já falou algumas vezes aqui no blog que uma das melhores coisas de se trabalhar aqui na Perestroika é que a gente acaba conhecendo muita gente du caralho, que agrega muito não somente profissionalmente, mas pra vida. O Fábio é um desses caras que vale a pena conhecer.
Um cara simples, acessível e descomplicado, apesar de fodalhão. Um cara que quer agregar. Que quer conhecer os alunos, que quer preparar uma aula porque sabe que vai aprender com ela, que gosta de conversar sobre outros assuntos, que quer beber de outras fontes, que está pela experiência, sabendo que “a vida é a melhor referência”. Já na primeira conversa que com o Fábio, o Tiago e eu sentimos aquele “click” que diz “olha a conexão aí. esse cara tem tudo a ver com vocês”.
Tanto que a gente conversou num dia e no outro ele já tinha descolado junto a Dalto Maag uma temporada de 3 meses em Londres para um de nossos alunos. (Para ver quem vai ganhar, acompanhe o blog do projeto)
Então é mais ou menos isso aí. Ganhamos não apenas mais um novo professor, não apenas mais uma aula ducaralho, não apenas mais uma assinatura na nossa Parede em Branco, não apenas mais uma empresa associada para o Projeto GoPro! Ganhamos tudo isso, sim. Mas melhor que tudo isso, ganhamos mais um amigo. E certamente mais coisas legais vão nascer dessa amizade.
Feito Fábio. Seja bem-vindo à Perestroika, Camarada.
Abraços,
Felipe
Copa Perestroika: clube a clube.
20 de junho de 2009No blog da Copa Perestroika, você pode ver os vídeos editados com os melhores momentos dos times.
A cada dia, colocamos as fotos e os vídeos de um time, que fica na capa do blog. Para ver quem já apareceu, é só clicar no “old entries”. Quem ainda não apareceu, é só ficar espero: o vídeo do seu time deve ser publicado em breve.
Abaixo, o Clube de Regatas: galerinha que se puxou no campo e no extra-campo.
Por que não?
18 de junho de 2009Por J.P. Flores
Por que não? Essa pergunta tem me ocorrido há algum tempo a cada momento em que a idéia de fazer algo é confrontada com um questionamento em relação à sua objetividade, e ela ganha mais importância quando o questionamento contrário vem de outra pessoa. Às vezes chega a ser irritante quando se ouve aquele ‘Por quê?’ ou ‘Para que?’ que soa não curioso, mas crítico e, muitas vezes, burro.
Existem incontáveis razões que nos levam a decidir por determinadas atitudes e experimentalismos, como certamente também há um equivalente em número indefinido de motivos para que não os realizemos; a idéia de rachar o crânio de uma pessoa com uma pedra para testar a dureza da pedra, por exemplo, é facilmente debatida pela noção de respeito à integridade física de outrem. Por outro lado, se eu decidir agora me embrenhar de bermuda e chinelo pelos matagais da serra gaúcha, às vésperas do inverno, apenas para desafiar a e aumentar minha resistência ao frio, não há motivos reais e irreparáveis para não o fazer.
Recentemente percebi que a pergunta se estende além de ímpetos que testemunhei ou executei pessoalmente, servindo também para (tentar) explicar a um ouvinte uma atividade alheia. No caso, um amigo me falava sobre experimentos realizados com macacos para descobrir o alcance de sua capacidade de comunicação. O assunto veio à pauta porque discutíamos linguagem e idiomas. Meu amigo mencionou uma experiência na qual um macaco explicou, por gestos, sua história até o encontro com os que o estudavam; o momento em que estava em seu meio natural, a chegada dos homens que o capturariam, as armas que estes carregavam, a captura em si, etc. Sempre que discutíamos algum exemplo do tipo, o figurante que inconvenientemente sentara ao meu lado àquela mesa de bar perguntava: “E pra que ficar estudando animais, essas criaturas inferiores a nós?”. “E por que não estudá-las?”, eu respondia, “Por que não aprender algo?”.
Era inútil tentar explicar as possíveis futuras aplicações que um estudo desse tipo teria para a compreensão de nosso próprio sistema linguístico a alguém que espera que dois amigos sentados em uma mesa de bar interrompam sua conversa para discutir Paulo Coelho. Em nota: não estou sugerindo que ler ou criticar Paulo Coelho seja totalmente inválido, mas a maior parte dos entusiastas de literatura já sabe que ele não é, técnica e criativamente, um grande escritor. A maioria também sabe que nem o pretende ser, tornando qualquer discussão nesse sentido um mero passatempo, se tanto. O que talvez apenas alguns poucos saibam é que quem perde tempo criticando-o apaixonadamente com certeza tem muito menos coisas interessantes a dizer do que o próprio autor. Mas deixemos esse ‘parênteses’ de lado para voltar ao foco.
Sempre fui adepto do conhecimento pelo conhecimento. Acho louvável estudar uma língua estrangeira sem qualquer intenção presente de trabalhar com ela ou visitar uma região em que é idioma comum para ter mais chances de não ser ludibriado por um comerciante qualquer sedento pelo sangue de carniça do turista desavisado, assim como acho válido passar horas lendo artigos de física ou matemática mesmo que só se esteja procurando informações básicas sobre hádrons ou sequência de Finobacci. De fato, às vezes peço para alguns amigos que me enviem seus artigos de Mestrado, independente da área acadêmica deles. Por serem bons amigos, já não molestam minha paciência perguntando o porquê disso.
Tudo leva a algum lugar ou se liga alguma futura criação, de uma forma ou de outra. A experiência que tu tem ao pegar carona com estranhos em uma kombi ou o conhecimento que tu adquire estudando autores famosos da literatura histórico-jornalística, o gosto desagradável na garganta ao tomar uma cerveja logo depois de se entupir de doces, enfim, tudo que vivências ao fazer algo serve, no mínimo, para ser alojado no subconsciente e fazer parte de ti e, portanto, de tudo que vieres a enfrentar ou fazer. Quando olhamos o mundo por fora ou pensamos atemporalmente, nada é realmente desnecessário: tudo resultado em algo mais.
Resultados, portanto, são inerentes a qualquer tipo de atitude, seja ela calculada ou improvisada arbitrariamente, como cutucar um amigo e dizer: “Vamos filmar?”. Aliás, se ele responder “Vamos!” antes de perguntar “Filmar o quê?”, ótimo: tens aí uma ótima dupla de criação. O resultado, no caso, foi uma viagem bate-e-volta a Tapes, algumas cervejas e muitas, muitas risadas; nossas e dos amigos que, ao assistirem, se sentiram também compelidos a fazer passeios do tipo, planejando de última hora e durante o trajeto.
O que quero dizer em exemplos pessoais que aos outros talvez pareçam sem importância é que em tudo que se faz sem questionar tiranamente, isto é, sem que censuremos a nós mesmos, há um produto interessante, seja pro mundo, seja pra quem está realizando uma idéia, ou a quem interessar possa.
Imagine o que tu poderia fazer com um orçamento de milhões para viajar pelo mundo, financiar instituições filantrópicas, filmar um curta, etc. Imagine o que poderia fazer com meia dúzia de pilas no bolso. Garanto que é mais fácil pensar em tudo o que pode fazer com isso do que com o que não pode. Basta ter imaginação e vontade.
Kombis dirigidas por estranhos potencialmente perigosos, moradores de uma pequena cidade te vislumbrando com curiosidade e receio, pessoas assistindo a um vídeo caseiro improvisado achando que foi feito com um roteiro e boa atuação; pequenas diversões em uma sequência que começou com um simples “vamos” e não sofreu o terrível corte do “…mas por quê?”.
Ação e reação, simplesmente. O que quer que alguém faça, pareça bom ou ruim, é no mínimo o precursor de algo. Então se aquela voz na tua cabeça ou o amigo censor te perguntar o motivo de tua idéia inusitada ou apenas inconsequente em primeira instância, corrija com a simples retórica: “Por que não?” e não deixe que a ideia fracasse antes mesmo de começar. Em suma, vai lá e faz.
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O texto acima foi escrito por J.P. Flores, aluno da turma de Criação 1: Quebrando a Matrix. O J.P. é um grande cara e tem passado inúmeras noites em claro nos últimos anos, tomando Eisenbahn, fumando Marlboro e, principalmente, escrevendo. Agora, está atrás de alguma editora para apresentar seu trabalho. Quem sabe não sai um livrinho dele em breve?
Paulo Autuori na Perestroika.
16 de junho de 2009Tá, esse post não tem ideia. É só pra dizer que o Paulo Autuori esteve ontem na Perestroika, falando para o curso Kick Off. E foi bem legal. (Nos comentários eu discorro mais sobre o assunto.)
O novo criador.
16 de junho de 2009Muitos falam que “mudou o perfil do criador publicitário”. Mas eu não sei, não. Eu acho que o que fazia o bom criador de antigamente continua fazendo o bom criador da atualidade.
Características como curiosidade, informação, bom humor, cultura, desapego, dedicação, entre outras, continuam sendo o combustível de boas ideias. Sejam elas na TV, no rádio, na internet, num saco de pão, numa comunidade do Facebook ou dentro de um boeiro.
A maior prova disso, na minha opinião, é que os grandes criadores das “novas mídias” são pessoas que também tinham uma grande capacidade criativa nas “velhas mídias”. Já reparou nisso? Se você olhar para os caras que mais ousavam no offline, hoje muitos deles estão fora das agências tradicionais.
Caras como o Leo Prestes, o Fabiano Goldoni, o Israel Mendes, o Pedro Perurena, o Vinícius Malinoski, o Márcio Callage e o Felipe Anghinoni. Todos eles tinham portfólios sênior ainda bem jovens. E, não por acaso, o Leo Prestes foi parar na W3, o Fabiano na Fox de Buenos Aires, o Pedro se mandou para a Live, o Malinoski virou DC na Cubo, o Israel montou a Aquiris, o Márcio se bandeou para a Olympikus e o Felipe assumiu a Perestroika.
Não por acaso, o Leo criava zines na faculdade. O Fabiano fazia video-flyers muito antes do Youtube se popularizar. O Israel tinha um dos maiores blogs de Winning Eleven do Brasil. O Malinoski e o Perurena tocavam juntos numa banda. O Márcio organizou o maior FICA da história. O Felipe já escrevia textos de comédia antes do Rafinha Bastos aparecer.
Porque pessoas criativas não precisam da propaganda tradicional para mostrar a sua criatividade. Na verdade, elas nem precisam da propaganda para mostrar a sua criatividade. Pessoas criativas são criativas em qualquer plataforma. Na TV, no jornal, no Twitter, numa tela em branco, numa jogada de futebol, na maneira de contar uma piada ou montando um negócio.
Portanto, o que eu defendo é que o “novo criador” não tem nada de novo. O que mudou foi a forma como o consumidor consome as mídias. E, por isso, ele foi forçado a usar novos canais para as suas ideias.
Apenas isso.
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O Young Creative de 2009, na minha opinião, foi uma grande prova desse ponto de vista. Com muita justica, o Patrick Matzembacher, redator da DCS, foi eleito o cara.
E foi eleito o cara não porque ele tem “ideias legais para novas mídias”. Mas porque ele tem boas ideias, independente das mídias.
Ele foi eleito o cara porque é tão curioso, bem informado, engraçado, culto e dedicado quanto eram os grandes criadores da DPZ na década de 80.
Ele foi eleito o cara porque não fez simplesmente um portfólio, mas foi além. Criou uma abertura especial para o seu DVD, com o bom humor típico do Patrick.
Ele foi eleito o cara porque, muito antes de criar propaganda, ele já manifestava a sua criatividade em outras plataformas. Como o curta-metragem Hugo, onde assumia o papel de um zumbi faminto.
Portanto, a minha dica é: não se preocupe em ser “um novo criador”. Se preocupe em ser, apenas, um criador. Um cara do caralho. Um cara interessante.
Suas ideias vão aparecer naturalmente.
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Pedi para que o Patrick me enviasse os seus trabalhos e fiz questão de publicar aqui no blog. Aí está o sarrafo para quem quer disputar em 2010.
Aproveitem.
Assinado (atendendo a pedidos): Tiago.
Intro
Ação Claro que é Rock
Untitled from Jean Philippe Rosier on Vimeo.
Ação Hellbabes
Rotina em chamas
Jingle Claro
Spot STIHL
Finaleira.
Untitled from Jean Philippe Rosier on Vimeo.
Será?
10 de junho de 2009É possível questionar novamente o capitalismo?
Não é estranho ver o maior representante do liberalismo, O Estado Americano, entrar para salvar a GM?
Se meu avô estivesse vivo, estaria dandos gargalhadas altas agora e dizendo: “Colosso! Maravilha!” Sim, vô, o Obama estatizou um dos ícones da América e parece que é sócio da Fiat na Crysler também.
Dizem que o Chaves andou fazendo piada com o Fidel sobre isso.
Mas pensem bem:
No meio disso tudo, ninguém para para questionar o sistema. A língua portuguesa muda de tempo em tempo, mas o sistema permanece.
Estou longe de pregar a ditadura. Longe de falar de esquerda ou direita. Meu pensamento livre está um layer acima:
Democracia permite que questione o jeito formal de democracia? Não se fala disso.
A política do jeito que é não está radicalmente atrasada? A tecnologia que temos hoje não permitiria um outro tipo de representatividade do povo?
Eu adoraria votar mais, se fosse uma senha por computador ou urnas eletrônicas espalhadas por armazéns: onde tem Coca-Cola ou caixa eletrônico poderia ter uma.
E aí, que me chamassem pra votar mais.
O mundo girou. Não preciso mais de representantes votando todas questões por mim. Algumas mais relevantes, respondo eu, direto. Sem conchavos, esquemas, compra de votos. Nada disso.
Somos sócios do Brasil. 4 meses do meu ano vão para o Estado, em impostos. E tá na cara que não estão usando bem o dinheiro.
Bom, isso aqui não é um blog político então fico por aqui. Mas é um blog de ideias. E hoje pensei nisso e coloquei no papel. Meio ingênuo, sim.
Mas eu reclamava que o modelo das agências de propaganda não mudam desde os anos 50.
Só que tem coisa mais atrasada que impactaria mais do que qualquer campanha no sucesso das empresas e na nossa vida mesmo.
Festworking
8 de junho de 2009Aqui na Perestroika, a gente sempre fala, insiste mesmo, é até chato às vezes, sobre o poder do relacionamento. O que se poderia chamar (e de fato, se chama em muitos lugares) de networking. Networking acaba passando uma percepção muito formal, profissional. Rede de contatos, né?
Quando a gente fala “relacionamento” o negócio ganha um viés mais humano. Mais quente. Mais interessante. Networking gera contatos. Relacionamento gera vínculos.
Na real, no fundo, o que toda marca quer é gerar vínculos com o seu público. Porque o vínculo é o que legitima o consumidor assistir a um comercial de TV, por exemplo, e decidir que vai comprar o produto. A Perestroika não é muito diferente disso. A gente também quer criar vínculo com os nossos clientes. Com os nossos alunos.
Isso não significa que fazemos tudo de caso pensado, estrategicamente pensado, só para colher os frutos disso. O vínculo que sempre tentamos construir com nossos alunos é legítimo. É ser próximo. É ser amigo. É ser íntimo. Por isso, a gente sempre fala da tal da Comunidade Perestroika. Muita gente nos pergunta o que é essa Comunidade Perestroika, se é uma espécie de clube de fidelidade. Do tipo, quantos mais cursos você fizer, mais desconto você tem.
Não é nada disso. Quer dizer, pode até ser que tenha um pouco disso. Mas o princípio é bem maior. E, ao mesmo tempo, bem mais singelo. A Comunidade Perestroika é a rede de vínculos que a gente tenta formar, aproximando as pessoas que a gente conhece, mas que não se conhecem entre si. É como convidar grupos de amigos de diferentes rodas sociais para ir jantar na tua casa.
Toda essa introdução é só para dizer que sábado teve happy-hour de integração das nossas duas turmas do curso de criação, Quenbrando a Matrix. O evento rolou logo depois da aula de sábado, lá no Zelig, com cerveja à vontade. Com conversas à vontade. Com camaradagem à vontade.
Essa não foi somente uma oportunidade para os alunos se conhecerem melhor, mas também da gente estar mais próximo deles. Da gente estar acessível a eles.
Falamos sobre dúvidas profissionais.
Falamos sobre questões existenciais.
Falamos sobre referências.
Falamos merda.
E no final de tudo isso, tenho certeza que foi uma grande noite para todos os que estiveram presentes.O clima estava animal. Superdivertido. Superleve. Foi muito legal conversar com todo mundo que eu conversei lá. Foi ótimo criar esse vínculos com pessoas que até então eram meus alunos, e que hoje já estão bem mais perto de serem meus amigos.
Alguns destaques da noite:
• A transformação do Roberto Bresolin em Beto Prezolin, mandando ver no tiroteio, e quase garantindo o Prêmio Destemido, dando aula de marketing para quem quisesse aprender. E aí, Beto, rolou o chimas no Parção?
• O Romeu totalmente fora de controla e a sua incrível história do roubo do colete salva-vidas do avião.
• O grande encontro do JP, nosso alunos escritor que pensou em cabular a festa para ir escrever, com o Piva, cujo grande amigo é filho do dono de uma das maiores editoras do RS.
• O JP de terno e gravata, ensinando todo mundo como é que se toma uísque.
• O Tomás abordando as diferenças de técnicas na montagem do cubo mágico.
• As novas e obscuras e divertidíssimas histórias de vida do Diegão de São Borja. Obviamente a maioria delas censuradas para a hora da aula.
• O Renato Ortiz e seu incrível truque do palito de dente saltitante.
• JP e Lucas Aita dando seus primeiros passos na comédia Stand Up. Quem sabe não estreiam num open-mic da Balalaika?
• O sangue no olho da galera de Pelotas (Roberta, Maurício, Zeca e Marcus), que mesmo com mais 4 horas de viagem pela frente fizeram questão de prestigiar o evento.
• O Guto de pijama por baixo do moleton (que tava aberto).
• O novo casal que surgiu no cantinho do cigarro. (Lembrem-se, a Perestroika está louca para apadrinhar os gêmeos).
• O episódio do blazer com cueca (mas esse é só para quem ficou até o fim).
• A leva de 100 cevas que sustentou a galera durante toda a noite.
• O filé a parmegiana do Zelig que mata a pau.
Certamente, tem mais que eu não me lembro agora.
Até porque, não deu para lembrar de tudo (hehe).
Enfim, gurizada. Valeu a presença. Foi preza.
Abrass a todos a até a próxima.











