Se você não tem filhos, nem sobrinhos, nem irmão ou primos temporões (temporãos?), nem afilhados, nem criança pequena na família, é muito provável que você não conheça os Backyardigans.

Backyardigans é um desenho animado para crianças que passa no Discovery Kids, canal 45 da Net. Trata-se de uma turma de 5 animais. Todos eles são vizinhos. O argumento é bem simples: eles se encontram no quintal (Backyard) para brincar. E lá, a imaginação deles transforma o quintal em barco de pirata, deserto, floresta, ilha deserta, antigo Egito, etc. E após cada aventura, eles voltam para casa para lanchar.

Abaixo, a trilha de abertura numa vinheta promocional:

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Mais do que um desenho animado, os Backyardigans são uma franquia de entretenimento infantil. Só a minha filha tem 12 DVD’s, um jogo de memória, 5 quebra-cabeças, a coleção completa dos 5 personagens em pelúcia, adesivos, máscaras e mais algumas coisas que eu não lembro agora.

Além disso, tem muitos brinquedos, jogos, roupas, roupa para cama, kit aniversário (já fui em uns 15 aniversários com o tema Backyardigans).

E, claro, tem a peça de teatro.

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Domingo, levei a minha filha para assistir os Backyardigans no Bourbon Country. Além da minha filha, minha mulher e eu, o meu grupo tinha 9 pessoas. E lá encontrei o Eduardo Santos, diretor da Loop Reclame e diretor de programação da Pop Rock. Fui lá dar um oi para a Manu e pro Gustavo, filhinho dos dois, e aproveitei para trocar uma ideia com ele. E comentamos sobre como o teatro estava cheio.

Lotado, a propósito. Não tinha uma cadeira sobrando. E só no domingo, teve 2 sessões-extras. Cálculo rápido: o Bourbon Country tem, calculando por baixo, 2.000 lugares. O ingresso mais barato era R$ 50. Considerando que todos tenham pago o valor mais barato (não é verdade, tem muitos lugares bem mais caro), temos um total de R$100.000,00 . Vezes 3, dá uma arrecadação total de R$ 300.000,00, só no domingo - sem considerar quinta, sexta e sábado.

É muita grana!

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Desde que a minha filha nasceu, tenho entrado em contato com a indústria do entretenimento infantil. Livros, jogos, DVD’s, CD’s, personagens, etc. Pais gastam dinheiro com seus filhos. E em muitas ocasiões, como num teatro, por exemplo, nunca é uma venda isolada. É no mínimo, dois ingressos, porque os filhos não vão sozinhos.

E com o olhar crítico, de quem entende de produção criativa, eu noto que a qualidade do que é consumido pelas crianças não está próxima a qualidade produtiva do dia a dia de uma agência de propaganda por exemplo.

Vamos combinar: o Backyardigans que é um dos maiores fenômenos mundiais, que tem uma produção relativamente complexa do desenho animado, teve falhas grotescas na produção do espetáculo. Pô, vamos combinar, até eu consigo desenhar um personagem deles.

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O filtro das crianças é mais baixo. O critério delas é mais baixo. Já tinha conversado com o Tiago que eu tenho a sensação que eu conseguiria escrever um livro infantil da mesma qualidade que a maioria dos que eu já comprei para a Nina, minha filha, em uma tarde.

Para comprovar, clique aqui e veja a transcrição que eu fiz de TODO o texto de um livro que ela tem, chamado Lagarta na Primavera, Borboleta no Verão.

Eu não sei quanto existe de técnica por trás de tudo isso. Talvez tenha uma parte muito complicada, de entender o que gera apelo para as crianças. De ser didático. De ter uma preocupação com a mensagem. Talvez tenha muita ciência por trás. Mas eu confesso que ainda não identifiquei que ciência é essa. Minha percepção é de que existe aí um mercado bem grande, que movimenta muito dinheiro e que poderia remunerar designers, diretores de arte, redatores, produtores gráficos, animadores, produtores de áudio.

Mas precisa, acima de tudo, de um empreendedor a frente de tudo isso. Muitos desenhos animados nacionais estão surgindo. O Peixonauta, As Princesas do Mar e uma série de desenhos e personagens tupiniquins estão surgindo, com espaço no Discovery Kids.

Talvez fazer desenhos animados seja a ponta mais complicada de todas desse universo. Mas livros e personagens está ao alcance de quase qualquer um. Então, pense se você está na profissão para brilhar nos anuário e nas premiações ou para sustentar uma vida digna. Quem sabe, não tem um mercado rico bem aqui, do seu lado, com pouca gente atuando com uma qualidade excepcional.

Talvez tudo o que você precise para entender isso e se arriscar numa nova vida seja conhecer os Backyardigans.

Talvez, tudo o que você precise é ter um filho.

Postado em 30 de junho de 2009 às 10:19
Arquivado na categoria: Perestroika
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19 Comentários

santiago

Eu quase tive um uma vez.
Foi por pouco.

Acho que parei de ver desenho
quando comecei a ir em festas,
lá pelos 14 anos.

Gostava do Du, Dudu e Edu e do Dexter.

Abras!

J.P. "Coiote"

Escrever um livro infantil, e falo isso como um leigo, mas observador, parece ser uma tarefa um tanto difícil. A meu ver, o desejo de escrever um é como o sonho de um excelente escritor de televisão em escrever um romance épico; uma provável utopia, se for levado como possível.
Enfim, envolve alguma técnica, creio, e o mesmo é válido para desenhos animados, especialmente os contínuos. Por mais que alguém queira, não basta desenhar um animal gracioso com trejeitos humanóides, repetir uma base de roteiro contando uma história divertida e diferente a cada episódio. Até basta se a idéia é um passatempo, mas existem cuidados especiais, nos quais pedagogos e lingüístas* podem ser uma excelente consultoria, quando levamos em consideração a vulnerabilidade cognitiva do infante.
Por mais que não gostemos, até mesmo os Teletubbies têm seu valor, embora o programa seja produzido para uma faixa etária que, ao meu ver, devia ficar longe da televisão.

[*o trema FICA.]

Ah, excelente conselho ao final do texto. Por ora, passo adiante, e curto os sobrinhos um pouco. Tenho assistido Backyardigans com o mais velho e ele assiste Simpsons comigo. O menor fica longe da tevê - por enquanto.

PS: LAZYTOWN; parece uma forma de instigar nas crianças o gosto por esportes e a aversão ao ócio, mas, sinceramente, irrita um pouco.

Clarissa Corrêa

Parece que o teatro do Bourbon Country tem capacidade para 1.200 lugares.

Os Backyardigans são um amor, eu adoro!

Olha, vou te dizer que escrever um livro infantil não é tão simples assim. Falar é fácil quando a gente tá de fora, como observador. Na hora de meter a mão na massa - ou a mão na caneta - a coisa não é bem assim. Conheço muitos autores de livros infantis e sei bem o que eles passam.

Beijos!
Dá um beijo na boneca da Nina, que guria bem linda!

Lucas von M.B. Silveira

Próximo post do Felipe vai ser “Plante uma Árvore”. Esse foi basicamente “Faça um Filho e Escreva um Livro”. Hehehe.

Já pensei a mesma coisa. Escrever livros infantis deve ser muito fácil. As histórias que eu invento ao vivo para crianças (como minha afilhada) fazem o maior sucesso. E o público infantil não é sínico, não mente. Então fazem sucesso MESMO.

Eu fazia histórias infantis quando eu era criança. Fazia até as ilustrações, grampeava e tudo mais. EU adorava as histórias, mas só meus pais viam. Faltou mostrar pro público infantil pra ver se tinha futuro, hehe. Algumas eu chupava trechos de programas que eu via na TVE. Hahaha! Nem lembrava mais disso. Que beleza!

Clarissa Corrêa

É verdade, as crianças não são cínicas. Estamos cheios de escritores por aqui! :)

William Mallet

Pelo que entendi, esse Backyardigans é uma espécie de Muppet Babies do século XXI?

J.P. "Coiote"

É parecido, mesmo, mas eu pessoalmente prefiro os Muppets.

igor

Caras,

Talvez escrever livros infantis seja mesmo como dar um tapa num cego. Monteiro Lobato, Ziraldo, Mário Quintana, Ruth Rocha e até o Jorge Furtado (com sua versão de Alice), são apenas alguns dos exemplos de que qualquer um pode fazê-lo.

Porém, pra escrever livros infantis, há que ter algum cuidado com a língua portuguesa. Afinal, teoricamente, estes livros devem servir de alguma forma ao aprendizado da molecada.

Então, amigo Lucas, sem querer duvidar da qualidade e originalidade da sua obra para o público infantil,antes de se lançar nesse universo milionário, pelo amor de Deus, escreva CÍNICO.

Abraço!

J.P. "Coiote"

“Dois idiotas sentados cada qual no seu barril”, da Ruth Rocha, é excelente. Ilustrações bacanas do Jaguar. Ou será que gosto por algum motivo nostálgico? Os únicos livros específicos que lembro da infância são esse e “As mentiras de Paulinho”.

E vamos refrasear: escrever um BOM livro infantil PROVAVELMENTE não é tão fácil.
Até porque escrever livros adultos também pode parecer fácil, se levarmos em conta os autores que o fazem.

Clarissa Corrêa

Eu tentei ser sutil. A técnica de reescrever a palavra certa em geral dá resultado. Mas o Igor deu o tapa no cego. E foi com tudo. ;)

admin

Eu gostei muito do Nadistas e Tudistas. Mas a última vez que eu li foi em…1987.

Levando este pequeno detalhe, eu talvez tenha outra opinião hoje. :)

tg

Dian Paiani

Caras, a dois meses venho pesquisando sobre esse mercado, sou um apaixonado por ilustração e animação e algum tempo venho abrindo caminho para um projeto nessa linha e agora me deparo com esse post… foi pra mim, eu sei disso!
Abraço!

ike

Comprei uma barraca dos Backyardigans pro meu afilhado. Foi o suficiente pra ser considerado o melhor dindo do mundo.

Lucas von M.B. Silveira

porra, gente.. não sejam hirônicos comigo.. :p

falha nostra.

J.P. "Coiote"

Pois não é o único, embora pra mim seja realmente um ‘desejo distante’, quase utópico. Ou algo pro futuro. Pior que já me deparei com oficina de criação de histórias infantis em algum momento. É preciso aprender algo na área, senão daqui a pouco estaremos ensinando as crianças a fazerem humor cáustico e violento desde cedo, estilo ‘Family Guy’.

Eduardo Escobar

Então!Minha opinião:

Escrever um livro infantil não é tão fácil assim!
Estou convivendo diariamente com uma escritora, que dirigiu ao público infantil o seu foco.
Falo da minha irmã, (que já trabalhou com cinema, com o Jorge, Giba e cia) e o que eu tenho observado é que o processo de “empatia” para que haja a conexão com o mundo infantil é bem mais complexo do que se imagina.

Uma coisa é ter um lampejo aliado a vontade de escrever, outra é conseguir entender qual o processo que se deve considerar e realizar para que se alcance a tal empatia.

Fazer a regressão, colocar-se no lugar do público alvo e entender a cognição infantil não é tão simples assim.
Como um bom projeto, deve-se contar com uma boa, experiente e interdisciplinar equipe, ou seja, cada um na sua.
O escritor lança o “fio condutor” da história, ambiente, o universo; Eis que entra o posicionamento de um pedagogo e um profissional da psicologia, orientando o escritor para que o objetivo de comunicação seja alcançado, e por aí vai…
Enfim, é realmente un universo à parte, estou gostando muito de conviver com isso, e sempre que posso, tento interagir!

Ás vezes olhamos para um livro infantil e nos parece tão fácil fazer isso!
É a mesma percepção que tenho quando vejo um Kelly Slater surfar, um Tony Hawk andar de skate ou um Michael Jackson dançando…

Abraços!

Myrela

Minha mãe e o meu padrasto compraram o dvd do backyardigans,assim por um acaso para ver se meu irmão gostava…E não é que ele gostou.Hoje ele é um dos fãs do backyardigans, ele é facinado pelo backyardigans.

Abraçoss !!!!!!!!!!!!!

Paula

Sou agente de licenciamento de personagens e represento os Backyardigans. posso lhes garantir que este é um mercado extremamente promissor. As crianças amam os personagens e querem seus produtos, mas há um grande investimento por parte dos criadores/proprietarios dos personagens. Existe todo um processo até chegar lá. mas vale a pena quando vc consegue.
Para vcs terem uma idéia já temos mais de 100 produtos licenciados com os personagens e vamos bater este ano um valor BEM alto em royalties (que serão repassados a Nickelodeon - dona da marca).
Para os que são criativos e tem paciencia e perseverança os resultados podem ser muito bons!
Boa sorte!

Deliene

Estava buscando imagens desses personagens tão coloridos para uma encomenda quando achei seu blog.
Tenho um filho de 1 ano e meio, sobrinha de 3 anos, sobrinhos postiços da mesma idade do meu filho e é fato: ELES AMAM!
É só tocar a tal músiquinha para olharem para TV, começarem a contar (ou a dançar).
Eu não compro nada deles mas nem precisa. Meu filho ganha mochila, boneco, DVD… haha

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