A partir do meu post de ontem, o Márcio Fritzen, parceiro (e se tudo der certo, futuro Czar) da Perestroika, resolveu dar a sua contribuição. O Márcio é um redator do cacete, premiado com Leões em Cannes e que não conseguiu ficar indiferente à situação.
***
Tiago, li o seu texto sobre o brilhante Tomás Lorente.
E comecei a pensar aqui…
Concordo com muita coisa que você escreveu. A vida é sim feita de escolhas, apostas, renúncias, etc.
Inclusive a vida publicitária.
Só não sei se certas escolhas, estão tão atreladas a outras. Explico: você trabalhar em agências
que te exigem muito não é 100% sinônimo de uma vida sem qualidade.
Acho que é igual quando você se casa com uma pessoa ciumenta.
Todo mundo te fala: “Ela é ciumenta”. “Ela é possessiva”.
E você sabe, no fundo, que realmente ela é ciumenta e possessiva.
Você já ganhou e vai ganhar até alguns beliscões dela.
Mas mesmo assim você tenta mudá-la. Ou pelo menos tenta fazê-la ser diferente com você.
Digo tudo isso, porque trabalho em uma agência que exige muito, mas muito mesmo. A Dm9DDB.
Já estamos juntos há quase 4 anos. E hoje ela entende que na minha vida deve existir espaço para tudo e para todos.
Família, amigos, pelada na terça-feira, choppinho na sexta, projetos paralelos, etc.
Assim, vivemos bem, muito bem. Quando ela mais precisa de mim, sou o melhor dos companheiros.
E quando estou muito estressado, eu peço um “tempo”. Não é exatamente um “tempo”, afinal, ela sabe que eu vou voltar.
É quando saio de férias.
Quando volto, estamos em lua de mel. Porque estou com saudades e cheio de tesão.
Enfim, só queria registrar que existe vida dentro e fora de uma agência workaholic. É só você ser também um lifeaholic.
Para fechar, um título memorável do mestre Marcelo Aragão para Citibank:
Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça: vírgulas significam pausas.
Resume tudo, não?
Abraço e saúde para todos nós.
Márcio Fritzen – Criação
7 Comentários
6 de julho de 2009 às 14:43
Cara, eu li esse texto algumas vezes com a certeza de que não concordava com ele desde o começo. Mas só agora consegui racionalizar o porquê.
Viver é mais do que ter direito ao choppinho na sexta. É mais do que suportar a namorada ciumenta na esperança de que ela mude. (Até porque entrar em uma relação difícil na esperança de que a pessoa melhore é um erro que até Hollywood já ensinou a não cometer). É mais do tirar férias no fim do ano.
Porque durante todos os outros dias do ano (contando os feriados e fins de semana) a outra parte da relação vai estar em cima, mandando mensagens, ligando, aparecendo em momentos inconvenientes e cansando até o mais zen dos publicitários.
Ninguém reclama da nossa profissão em vão: ela é exigente, impaciente, ciumenta e possessiva. Quem entrou nessa tinha uma vaga idéia de como seria e, infelizmente, se apaixonou no processo.
Mas isso não quer dizer que tenha que continuar assim: na relação do profissional com a profissão é só o publicitário que cede. É só o jogo de domingo que é cancelado, o cinema de quinta ou o sono de segunda.
E do lado da agência? Os 30 dias de férias? Acho que não, isso não passa de um direito.
O que não é direito é exigir 100% do tempo todos os outros dias.
Resumindo: a vida não pode ser só uma vírgula no meio do trabalho.
7 de julho de 2009 às 12:15
Olá, Rech. Li o seu comentário. Não sei se, mesmo lendo algumas vezes o meu texto, você entendeu
o que eu quis dizer. Ou talvez a minha metáfora da namorada não tenha sido boa!
Viver com certeza é mais do que um choppinho na sexta.
Até porque senão eu estaria no AA.
Justamente por isso escrevi: família, amigos, pelada na terça-feira, choppinho na sexta, projetos paralelos, etc.
Discordo de quando você fala que na relação do profissional com a profissão é só o publicitário que cede.
Não sei onde você trabalha ou onde você já trabalhou para pensar assim.
Eu trabalho numa agência onde depois da sexta, vem a sétima e a oitava. Uma agência que foi Agency Of The Year em Cannes esse ano porque durante 2008 e 2009 exigiu pra caramba.
Mas ao mesmo tempo, essa mesma agência, é extremamente generosa e compreensiva.
Recompensa a todos das mais diferentes formas, dando tempo, aumentos, férias não descontadas, viagens, cursos.
Se a sua agência exige 100% do seu tempo em todos os outros dias também, desculpe a sinceridade, mas o que você ainda faz nela?
E quando você diz que ninguém reclama em vão, eu tenho minhas dúvidas.
Não estou dizendo que é o seu caso.
Mas trabalhei com muita gente ao longo da minha carreira que vivia reclamando. Que devaria trabalhar em algum 0800.
Se lamentando. Se agência puxava muito, achava ruim. Se a agência era tranqüila, reclamava que nada acontecia.
Quanto ao título final (Trabalhe, trabalhe, trabalhe.), não sei - novamente -, se você ententeu o contexto.
Tudo começou porque falávamos de um criativo brilhante que viveu intensamente, sem pausas, e faleceu de uma forma abrupta.
Aliás, no último Propaganda e Marketing tem um texto incrível que o Carlos Domingos escreveu para o Tomás. Emocionante mesmo. Quem puder, por favor, leia.
Enfim, o que fica pra mim é: não existem verdades absolutas, modelos de vida, agências santas, profissionais perfeitos, seres humanos satisfeitos e textos que saem ilsesos.
Um abraço,
Márcio Fritzen.
29 de outubro de 2009 às 18:26
Sou sua fã também pelo seu jeito de se expressar. Já diziam pensadores como o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau e o físico Albert Einstein, que o sentido da vida é “amar, ajudar e prestar serviços aos demais”. É preciso desfrutar a vida enquanto for possível.
27 de abril de 2010 às 12:11
Perfeito? Eu diria: BRAVO!
Adoro ler as palavras quando estão em perfeita harmonia! Gosto de ler seu blog por isso. Há uma leitura fácil, como em alguns livros de fácil leitura.
Continue com o trabalho brilhante! E me chame se houver vagas na DM9DDB. - Claro, aproveitarei a deixa né!
Abs

3 de julho de 2009 às 13:51
Nem te chamar mais de gordinho eu posso, Fritzen… Prova que o teu texto é verdadeiro. Bj pra ti, meu irmão.