Há um tempo, o Beto Callage me contou um estudo interessante. (Se eu não me engano, está no livro Felicidade, do Eduardo Gianetti, mas eu posso estar completamente errado. Por sinal, eu não também não lembro muito bem do estudo - mas lembro da moral da história.)
As pessoas pesquisadas tinham que escolher entre dois cenários. Você prefere ganhar um salário de R$ 1.000, assim como todos os outros funcionários da empresa? Ou você prefere ganhar um salário de R$ 1.500, enquanto todos os seus colegas de trabalho ganham R$ 2.000?
Para minha surpresa, o estudo apontou que a maioria das pessoas optava pelo cenário um. O que significa dizer que: as pessoas preferem ganhar menos em termos absolutos - desde que, na comparação com colegas de profissão, estejam ganhando mais.
Acho que esse raciocínio pequeno move muita gente. E é o grande motivo pelo qual Colorados e Gremistas estão satisfeitos com o que aconteceu durante a semana.
Pesquisando informalmente, captei o seguinte discurso dos torcedores do Inter: “Entre perder a Copa do Brasil e a Libertadores, prejuízo maior para o Grêmio. Além disso, quem ri por último, ri melhor”.
Já os gremistas estão dizendo: “Eu não levava muita fé no Grêmio. Meu medo era o Inter ser campeão e a gente ficar chupando dedo. O tombo deles foi muito maior.”
Claro, cada torcedor tem a sua visão. Mas dá para perceber que existe um consenso entre as pessoas que gostam de futebol. Está todo mundo feliz. Ou alegre. Ou, no mínimo, aliviado.
Eu aprendi com um grande redator: olhe para frente, não olhe para o lado. Enquanto a gente fica torcendo pelo insucesso alheio, a gente não luta pelo próprio sucesso. E fica todo mundo se nivelando pela mediocridade.
Essa noite não consegui dormir por causa de tanta bomba que estourou na minha janela. A mesma coisa deve ter acontecido na quarta (não ouvi porque estava no jogo). Eu só me pergunto: quanto dos R$ 1.000 esses caras gastaram com foguete?
9 Comentários
3 de julho de 2009 às 21:26
E, aliás, acho que o Rio Grande inteiro está triste. Infelicidade alheia não traz felicidade própria, e sim, uma impressão de felicidade. Se todos os padres morrem, menos um, esse continuará não sendo Deus.
4 de julho de 2009 às 19:42
Que engraçado. Um cara me disse hoje que “o post que está na capa da Perestroika é muito gremista”.
Enfim.
tg
5 de julho de 2009 às 0:19
na verdade, é um post realista. é ótimo que ainda existam pessoas que enxerguem a situação dessa forma. sejam eles gremistas ou colorados.
5 de julho de 2009 às 14:28
Eu concordo em genêro número e grau. E acho RÍDICULO. Lógico que não tava tri afim de que grêmio ganhasse, mas não mudou em nada meu sentimento de pesar pelo inter, o fato do rival ter se dado mal também, esse nivelamento por baixo é patético.
5 de julho de 2009 às 14:42
É exatamente isso que passa na cabeça de torcedores e dos jogadores…
Essa semana tava cheirando que os dois iam perder!
6 de julho de 2009 às 1:13
É Tiago, mas quando um ganha algo, o outro se supera e vai ganhar outro título maior. Se um constrói um estádio o outro quer mais, se um tem 100 mil sócios o outro quer mais.
Talvez a felicidade que tu viu, na verdade é apenas um sentimento de aceitação mútua, que é dependente da derrota alheia.
Estaríamos mais felizes se os dois tivessem vencido, mas o futebol é o que é, porque é assim.
A bola que não entrou, o penalti que não foi, e a alegria que é tristeza, fazem desse esporte o mais popular do mundo.

3 de julho de 2009 às 18:01
O pior é que é verdade. Principalmente quando tu utilizaste a palavra ALÍVIO. Não to feliz. To puto da cara com o Grêmio de ontem.
Mas ia ser um inferno se isso tivesse ocorrido num cenário de Inter Campeão da Copa do Brasil. E a recíproca é verdadeira.
Só que, se o Inter tivesse ganho, acho que o torcedor presente no Olímpico ontem ia entrar no estádio com uma faca entre os dentes, fuzil nas costas e rosto pintado. Com a derrota vermelha, senti um estádio mais conformado após o segundo gol cruzeirense. Isso sim é lamentável.