Esses dias, veio aqui na Perestroika um cara que se apresentou como fotógrafo. Perguntei se ele tirava fotos jornalísticas ou publicitárias. Ele respondeu: “Nenhum dos dois. Eu só tiro uma fotos”.
Fiquei pensando sobre o limite entre o hobby e a profissão. Um cara que “só tira fotos” pode se entitular um fotógrafo? Qual é a linha que separa esses dois universos?
Por essa lógica, se eu pegar a minha câmera digital e começar a disparar fotos a esmo, também posso me considerar fotógrafo, né? Afinal de contas, eu também “só tiro uma fotos”.
Acho que esse mesmo debate vale para várias outras atividades. Poeta, músico, escritor e por aí vai. Só porque o cara escreve poemas ele vira poeta? Só porque o cara sabe tocar um instrumento ele virou músico? E se eu canto no chuveiro, já posso me considerar um cantor?
Onde está o limite?
Na minha opinião, um fotógrafo (ou um poeta, ou um músico, e por aí vai) só é um fotógrafo quando passa por um checklist de três itens:
a) Ele ganha dinheiro suficiente para viver dessa atividade
b) É reconhecido por bons profissionais da área
c) Já participou de alguma mostra/exposição e/ou já teve algum trabalho publicado
Cada um tem o seu critério e você pode discordar radicalmente de mim. A discussão parece infinita nessas atividades, que não dependem de diplomas, e que abrem margem para que qualquer se auto-proclame um “profissional da área”.
Veja o caso dos jornalistas. Você já pensou: qualquer blogueiro é um jornalista em potencial, correto? E aí? Quem vai decidir quem está do lado de cá e quem está do lado de lá? Quem é sério e quem é aventureiro? Quem escreve texto jornalístico e quem “só escreve uns textos”?
Difícil, não?
O meu sentimento mais primitivo me induz a ser a favor da cassação do diploma de Jornal. Sou um liberal de carteirinha, odeio protecionismo e acredito que o mercado se auto-regula sempre. (Evidente que essa regra não funciona para todo mundo. Não quero chegar na emergência de um hospital e ser atendido por um veterinário. Mas no caso específico de Jornal, acho que a decisão foi correta.)
Agora é assim: quem é bom, sobrevive. Quem é ruim, vai para a banha.
Eu tenho muitos amigos jornalistas. Eu fiz várias cadeiras junto com jornalistas. E tudo o que eu sei, li e vivi sobre esse assunto me leva a crer que a faculdade de jornalismo não é tudo isso. Não instrumentaliza um profissional suficientemente, ao ponto que ele seja o único apto a exercer essa atividade.
Porque não sei se você se deu conta, mas a discussão não é se a universidade é útil ou não. A discussão é: será que só quem se formou pode ser jornalista?
Até hoje, ninguém conseguiu me dar um bom motivo para que eu mude de opinião. Se você tem, eu quero ouvi-lo. Quero mesmo. Por favor: deixe o seu comentário. Vou ler com todo o carinho do mundo. Estou predisposto a mudar de opinião. E, no fundo, no fundo, até quero mudar de opinião.
Tiago.
P.S.: Se ninguém deixar comentário, das duas uma. Ou todo mundo concorda comigo. Ou está todo mundo cagando para os meus posts.
24 Comentários
6 de julho de 2009 às 21:24
Acho que o único lado ruim é pelo lado do mercado, vejo isso com os djs aqui do sul, onde cada dia brotam 10 formados em qualquer cursinho sem o mínimo feeling e consciência. Isso acaba tirando o trabalho de gente que leva a parada a sério e dedica um bom tempo pra isso, mas como disseram, os bons sempre se sobressaem e vão ficando com o tempo. Mas também vejo pelo lado de que tudo é arte, o cara pode fazer uma exposição com uns rabiscos que fez no caderno durante a aula, pode fazer um show com uma banda de garagem que não toca muito bem, pode tirar fotos com uma câmera digital… Mas quem diz que é ruim ou bom? Profissional ou não? Que seja… É uma questão complicada, ao mesmo tempo que todo mundo tem direito de fazer e oferecer seu trabalho/hobby, tem gente que perde mercado com isso. Não sei o que acho…
6 de julho de 2009 às 22:43
Acho que concordo com muita coisa. O lance do diploma de jornalista nem tem muito o que ser discutido, mas faço minhas as palavras de Liv Brandão, arriscando ainda ser acusado de apropriação indébita:
“Por isso tudo, acho uma tremenda besteira o argumento de quem acha que estudou quatro anos pra nada, parece mais discurso de quem comprou um título em vez de querer se especializar (…)
Daqui pra frente, que a faculdade valha como um complemento pra formação. Quem quiser faz, quem achar que não precisa, ok. Se é bom ou não, o mercado vai dizer.”
http://gotoheaven.com.br/blog/
Abraço!
E esse “P.S.” ficou muito ‘carente’. Chantagem emocional pras pessoas comentarem?
Bom, se funciona, não há motivo pra criticar.
7 de julho de 2009 às 2:15
Acho que os cursos da área de humanas, ao contrário das exatas, têm muito do feeling. Hoje qualquer um conclui uma faculdade, mas o mercado é quem vai dizer se ele é ou não (um bom) profissional.
Não acho legal comparar profissões. Cada uma tem suas peculiaridades. Mas no caso da medicina, é óbvio que, devido a sua complexidade, para trabalhar num hospital um médico sempre vai precisar de um diploma. Mas curandeiros, espíritas, macumbeiros e benzedeiras sempre existiram. E vão continuar existindo enquanto houver doenças das quais os médicos não consigam tratar.
A comparação pode parecer bizarra, mas assim como o curandeiro encontra espaço nos casos onde a medicina não resolve, o blogueiro encontra seu espaço quando o jornalista não cumpre sua função com a sociedade.
A velha guarda dos jornalistas está passando por uma situação mto parecida com a da Igreja Católica Romana quando Lutero questionou a autoridade do Papa. Muita cabeça rolou, mas a revolução já estava plantada.
Hoje, até a Igreja Católica já lançou o Padre Marcelo Rossi. Está mais do que na hora do jornalismo se reinventar e se adaptar a sua nova realidade.
7 de julho de 2009 às 3:03
Discordo do teu item B (É reconhecido por bons profissionais da área). Cara, se eu resolver ser pintor e todos os artistas do meio acharem minhas telas um lixo, mas vender como água, sim, eu sou um pintor. O Oliviero Toscani, fotógrafo italiano que fazia as peças da Benetton, foi avacalhado pelo Petit numa entrevista na TVE, mas pra mim é um baita profissional. Se o Nunes for podre, nenhum colega de profissão o admirá-lo, mas o Grêmio resolver pagar pra ele jogar, sim, ele é um jogador de futebol.
Quanto ao diploma, a mesma discussão é válida pra publicidade. E uma vez, discutindo isso com meu pai (formado em direito e educação física), eu (formado em publicidade), veja que irnonia, dizia que achava balela essa história de diploma. Se tem quem ouça o Paulo Santana, que ele seja feliz como jornalista, mesmo sem diploma (nem sei se é o caso dele). Se o Duda Mendonça tem quem o contrate, que ele seja feliz como publicitário, mesmo sem o diploma. Eu era muito ferrenho à teoria do “fodam-se essas burocracias”.
Mas aí meu pai disse algo que já me deixou mais na dúvida e sem uma certeza definitiva. Ele disse que o diploma serve pra, digamos, ajustar o nível de nossos colegas. Publicitários e jornalistas entram nos lares e nas vidas das pessoas. Não é bem assim “se alguém paga, se alguém gosta, foda-se”. São profissões que precisam de certa responsabilidade. Talvez os cursos não sejam tão necessários pra formar profissionais melhores: nesse caso sim, foda-se, o mercado se auto-regula. Mas talvez seja importante pra formar profissionais mais corretos, mais cientes de seus papéis junto à sociedade. Mais cientes de suas responsabilidades, deveres, direitos e consequências de seus atos.
Eu nunca tinha pensado por esse lado, e hoje em dia não sei o que acho. Confesso que tendo ainda a achar que “foda-se”. Quem não quiser diploma deve ter o mesmo direito de trabalhar, foda-se. Mas já não sou tão ferrenho assim.
Eu tenho meu negócio próprio, que já foi maior, mas ainda tenho. No auge dessa minha empreitada, cheguei a pensar: “porra, gastei uns 50.000 reais na ESPM. Seria mais interessante ter investido essa grana no meu negócio”. Nesse ponto já mudei de opinião, já acho que não. Algumas coisinhas que aprendi ali, que na hora pareciam balela até, hoje me entram mais ao natural na mente. Fora colegas e professores que o cara conhece, etc.
Enfim, recomendo que todos se formem.
É, escrevi uma bíblia e não deixei clara minha opinião. Eu sei. Foda-se.
7 de julho de 2009 às 3:05
Ainda faço um comentário maior que o próprio post. Acho que não foi dessa vez ainda, mas já dá pra gerar uma dúvida.
Hahaha!
7 de julho de 2009 às 9:37
Em alguns casos, o diploma é o emprego. Se algum jornal te contrata, é porque considera que tu é um bom jornalista e tem todos os supostos pré-requisitos que um jornalista deve ter.
Simples.
7 de julho de 2009 às 11:23
Acho que se tu não estás estudando
é mais difícil de conseguir começar em algum lugar.
E com um diploma na mão e sem experiência
(universitária que seja) isso é quase impossível.
Ou vocês conhecem algum lugar (que não seja concurso) que efetivou alguém por ter um diploma de jornalista ou publicitário?
Hoje em dia ser estagiário é tão barato
para as empresas que tu só vai ser efetivado
se realmente for insubstituível.
E vamos combinar, ninguém é insubstituível.
Como vocês acham que seria caso vocês não tivessem
feito (ou ainda fazendo) uma faculdade?
7 de julho de 2009 às 13:51
João:
1) Eu estava falando da parte mais artística. Fotógrafos, poetas, escritores, por aí vai. Aqueles três pontos valiam para esse tipo de profissão “mais livre”. Depois, peguei o gancho e falei de jornalistas. Mas com outro enfoque.
Agora, em nenhum momento eu citei publicitários. Essa foi uma leitura tua. De qualquer forma, vou comentar em cima do que tu falou.
A) Eu disse “dinheiro suficiente para viver dessa atividade”. Não disse “dinheiro suficiente para viver bem”. Com quanto se vive? R$300,00? R$500,00? R$1.000,00? Aí é outro post.
Na MINHA opinião, um cara que se diz poeta/escritor e não ganha nada por isso, está vivendo de fantasia. Claro, você pode dizer: “mas o Van Gogh morreu e só vendeu um quadro”. Bom, daí é a exceção, não a regra.
B) Evidente que o criador da Fundo de Quintal Propaganda também é um publicitário. Desde que o trabalho dele seja respeitado por outros colegas de profissão. No caso da Fundo Quintal Propaganda, ele não precisa ser respeitado pela Escala ou DCS. Ele pode ser respeitado por agências/profissionais do mesmo porte.
Agora, vamos supor que um cara que compre um Mac e passe a fazer os anúncios para a empresa de um amigo. O trampo do cara é um lixão, e ninguém no mundo respeita o seu trabalho. Isso torna ele publicitário? Na MINHA opinião, não. É um cara que acha que está fazendo propaganda, mas não está.
C) Ora, se a Fundo de Quintal Endomarketing produzir um cartaz e esse cartaz for colado no lugar que estava previsto (seja lá onde for), isso é um trabalho publicado. Por que não seria?
Abraços.
tg
P.S.: Eu entendi que você não concorda comigo. Mas não ficou claro pra mim: qual é a sua opinião?
7 de julho de 2009 às 13:52
O problema é que, nessas áreas que são convergentes com o meio artístico, a subjetividade sempre acaba saliente.
Profissionalmente falando, aos olhos de outros, esse cara pode não ser visto como um fotógrafo (ou jornalista).
Muitas vezes, o que eu vejo são pessoas recalcadas com medo de perder pra alguém que não fez prova de togas.
7 de julho de 2009 às 13:55
Santiago:
Não sei se eu te entendi. Mas do que eu entendi, tu tá dizendo que a faculdade é útil e essencial no início de carreira. É isso?
Bom, eu tenho certeza que a facul ajuda. Tanto que eu escrevi ali: “Porque não sei se você se deu conta, mas a discussão não é se a universidade é útil ou não. A discussão é: será que só quem se formou pode ser jornalista?”
Eu realmente acho que o foco da discussão é este, e não se a faculdade ajuda ou não. Tudo ajuda, né?
Abraços.
tg
7 de julho de 2009 às 14:00
Lucas:
Concordo em parte com teu pai. Concordo que qualquer profissão que se comunique com as massas têm que ter noção da sua responsabilidade.
Agora, eu realmente não acredito que o modelo atual de universidade de Jornalismo faça isso. Então, das duas, uma. Ou ajeitam a faculdade para que ela comece a instrumentalizar os alunos, ou deixem o diploma de lado. Porque do jeito que está, é uma mentirinha. Uns fazem de conta que ensinam, outros fazem de conta de aprendem.
Além disso, existem muitos bons jornalistas que que não têm diploma, e têm essa responsabilidade que o teu pai citoou. O que significa dizer que não é a facul que determina quem tem ética/seriedade e quem não têm.
Abraços.
tg
7 de julho de 2009 às 14:04
André:
Bah, isso sim eu concordo. Existe um recalque muito grande nesse sentido. Quando, na verdade, deveria ser o contrário. Um cara que teve menos “recursos” e chegou lá deveria ser louvado.
Abraços.
tg
7 de julho de 2009 às 14:27
Sim, eu escrevi aquilo porque acredito que sim,
só quem se formou deveria ser jornalista.
É foda tu investir 50 mil reais + alguns anos da tua vida em algo que de repente pode não servir pra nada.
O diploma não é apenas um papel dizendo que tu és formado, é uma garantia (pelo menos deveria ser) de que tu entendes e sabes exercer (de forma profissional) a função de jornalista, por exemplo.
O diploma sendo obrigatório nivelaria conteúdo, salários, experiências, qualidade, etc. Sem contar que seria uma “recompensa” por anos de investimento e dedicação.
Mas, como sabemos, alguns dos melhores profissionais do mercado da comunicação nunca pisaram em uma faculdade.
Abraço!
7 de julho de 2009 às 14:29
Santiago:
Mas tu, SINCERAMENTE, acha que a faculdade de comunicação faz toda essa diferença? Eu acho que não.
tg
7 de julho de 2009 às 14:59
Cara, depende muito da faculdade e do aluno.
Eu ainda acredito que a faculdade não mostra o que realmente é o mercado. Não existe tanto as pressões, os prazos e as responsabilidades do dia-a-dia.
Todos nós sabemos que 80% das pessoas estão lá ou por obrigação ou para não ficar paradas.
Eu, SINCERAMENTE, acho que as faculdades não fazem tanto a diferença, mas de qualquer maneira fazem alguma diferença.
Hoje em dia algumas faculdades já perceberam que para mostrar aos alunos como é o mercado, realmente, precisam trazer pessoas do mercado para ensinar.
E se nessa nova “fase” universitária o aluno souber aproveitar, ele tem um baita diferencial, tem contato de pessoas do mercado, tem a oportunidade de fazer trabalhos (muitas vezes mais legais) que talvez não fizesse no mercado, etc.
A chance tá ali pra todos, tem que saber aproveitar ou não.
É como fazer perestroika. São 35 alunos e podem ser 35 indicados mas quantos, de fato, são?
Poucos aproveitam. Poucos tem vontade/capacidade.
PS: Percebe-se que eu não sei mais me expressar.
Vou treinar mais. haha!
Abras!
7 de julho de 2009 às 16:05
Eu acho faculdade muito importante. MAS, me formei na ESPM, onde a o curso durou 5 anos e é bem conceituado. Tive cadeiras que eram muito iguais a outras. Tinham cadeiras que eram uma remontagem de cadeiras anteriores, com uma cereja a mais.
Os 4 P’s do Marketing devo ter visto numas 10 cadeiras.
É importante, mas acho que o investimento é muito caro. Não vale tudo isso. Mas não temos escolha, ou tu faz isso ou fica sem nada. (Ou faz a Perestroika, ráá! Hehe).
Tudo que eu aprendi na ESPM, em 5 anos, juro que poderiam ter me ensinado em 2. E cobrando menos.
7 de julho de 2009 às 16:38
sobre o foco: será que só quem se formou pode ser jornalista? acredito que deveríamos lembrar que a tal lei (de só é jornalista quem tem diploma) foi instituída em regime militar, para que nem todos pudessem expressar suas opiniões. após a constituição de 88 temos garantida nossa liberdade de expressão (sendo que muitos lutaram por isto, e muitos eram jornalistas, sim jornalistas, pelo livre pensamento) e agora ela foi destituída. Já era hora.
Então, concordo com as opiniões de que não, não há necessidade de se ter diploma para exercer variáveis profissões, mas sim, há necessidade de conhecimento. Na faculdade não há lições de ética moral e escambau a quatro (não digo disciplinas, mas sim conhecimentos verdadeiros sobre). Ou tu tem ética ou não. Não é porque tu é formado em jornalismo que tu vai escrever bem ou mal, tu tens um diploma e o diploma apenas demostra que tu estudou e se especializou para tal… Mas tu se faz jornalista, tua veia artistica te faz artista, o teu sentido aguçado e o teu sangue quente te fazem querer ouras coisas, que não é um diploma que vai provar que tu é ou não.
Acredito também que a faculdade cumpre um lance de nivelamento, mas se tu quer mesmo saber sobre, ou ser alguma coisa, que não medíocre, tu deve exercitar e correr atrás de outros níveis, o diploma (e a muito tempo já escuto isso no mercado de trabalho) não garante mais o pão na casa de ninguém. Se tu tem um diploma, beleza, faz um quadro. Mas e o que tu sabe? O que tu fez na vida, quem tu conheceu, leu, escutou, tagarelou… vale, e vale mais. Nunca em uma entrevista de emprego nem numa contratação tive que mostrar meu diploma (até pq ainda não o tenho), tenho vários colegas de agência, que sem o tal diploma, sabem mais do que eu, que sou universitária. E não me sinto desmerecida por fazer faculdade de PP, eu busco a graduação, não pelo diploma.
Viva a liberdade de expressão e ao conhecimento, que não esta descrito em uma folha timbrada, mas sim em nossas incansáveis buscas.
ps: também não quero ser atendida por um veterinário. haha
7 de julho de 2009 às 16:51
resumindo é o seguinte: acho que como o negócio está do jeito que está, com internet e tudo mais, os músicos, fotógrafos, poetas e artistas em geral, podem sim oferecer o seu trabalho profissionalmente. cabe a nós decidirmos se queremos fazer nossas atividades como um hobby, ou para um publico bem seleto que curta as mesmas coisas que você, ou fazer algo mais de massa e também botar a cara sujeito a tudo para ganhar grana com isso. é algo que temos que aceitar, que quando se esmeramos em algo complexo e pode vir qualquer feijão com arroz roubar nosso lugar. infelizmente reconhecimento muitas vezes não é dinheiro.
7 de julho de 2009 às 22:13
Meus,
Não consegui formar a minha opinião. Porque a discussão levantou bons argumentos para todos os lados. Adorei ler tudo isso. Textos muito bons, articulados e, graça a Deus, que não cabem em 140 caracteres.
Grande participação do Santiago e do João.
Quem é vc João?
Vou ler mais e tentar formatar melhor a minha visão para comentar aqui. Mas gostaria muito de que o nosso blog mantivesse esse tipo de posts e comments. Estou bem feliz mesmo.
abrass,
Felipe
8 de julho de 2009 às 10:31
Entrando um pouco tardiamente na discussão, um dado que pode ser relevante:
Todos os meus colegas de facu que se formaram em jornal (com excessão da mulherada mais jeitosa), não estão trabalhando na área. Eram caras extremamente inteligentes e capazes, daqueles que tu convive e pensa: “putz, esse merda vai dar certo em qualquer coisa que fizer”, e que não vingaram na profissão.
- Um fez concurso público e trabalha no Banco do Brasil.
- Um na área de internet, webdesign se não me engano.
- Um abriu uma padaria americana, o Priscilas (é perto do Israelita - se não conhecem, não sabem o que tão perdendo).
- Um metido com um lance evangélico.
Não sei exatamente o que é preciso pra se tornar um jornalista. Talvez tentar aparecer no programa do Caco Barcelos seja um dos caminhos, mas a faculdade com certeza não é.
Abs.
Diego
19 de julho de 2009 às 20:37
Oi gente
Tem uma questão que talvez poucos levaram em consideração nesse papo. A Comunicação Social é uma ciência. As profissões ligadas à comunicação surgiram de um processo histórico e sociológico de transmissão comunicacional um-todos e, posteriormente, todos-todos (internet).
Após ter feito mestrado, consigo entender melhor qual a importância, sim, de existirem cursos de comunicação. A questão é que, na maioria dos cursos, a grade curricular ainda não achou um meio interessante de unir teoria e prática de um modo interessante e útil.
Acho que é importante sim ter um diploma, não para “dizer que é publicitário”, por exemplo, mas para ter uma formação responsável e consciente do que é ser um comunicólogo. Afinal, qual é o meu papel na sociedade. Será que é apenas de criar logomarquinhas e trocar por alguns reais?
Acho importante um diploma para que a profissão de publicitário, rp e jornalismo não vire sinônimo de profissão oba oba.
Sempre escutei pessoas da nossa área dizendo que o publicitário é pouco valorizado por outras áreas (áreas estas que nos contratam).
Será que não dar importância para o “cursar” de uma faculdade não seria uma forma a mais de enfraquecer o respeito por nossa profissão e deixar que tudo escancare de vez aos olhos de outras profissões?
Abs

6 de julho de 2009 às 20:46
Eu concordo.
e vou mais. acho que a maioria das profissões podem ser exercidas sem a obrigatoriedade do certificado de conclusão do curso. a gente vive em tempos de troca de informação e busca pela mesma. canso de ver amigos meus que sabem tudo sobre carros, ou sabem tudo sobre moda, tecnologia, entretenimento, enfim. claro. nao sei se o que eles sabem é suficiente para liderar grandes grupos de pessoas a fim de gerar lucro. mas este é um grande começo. A verdade, pra mim, é que o instinto profissional está na alma das pessoas. Elas sempre tem algo que se identificam mais do que outras. Um amigo meu, médico hoje em dia, me contou que quando ele era menor e jogava bola, e um dos outros garotos se machucava, ele parava o jogo e ia ajudar o amigo, fazia curativo e tudo mais. isso com 10 11 anos. ou seja. ser médico era uma questão de tempo, claro, estudo, e um certificado. mas o que importa eh que nada impede as pessoas de fazerem o que querem. nada.
vai lá e faz. tem nego na publicidade que nem é formado e ja ocupa grandes cargos em grandes agencias. Na historia, existem grandes joranlistas que tambem não foram formados. pq você nao pode ser o proximo?