Você costuma ver seus amigos com frequência? Pois devia. Cada vez mais, as pesquisas indicam que um dos principais fatores para a longevidade é uma boa rede de camaradas.
Eu vejo meus amigos do colégio toda semana. Quer dizer: até começar o curso de futebol, eu via eles toda semana. Agora, os encontros têm sido mais esporádicos. Mas, ainda assim, é muito raro eu ficar quinze sem falar com a galera.
Sempre tomo esse cuidado. Porque a gente começa a trabalhar, depois forma família, daí ganha mais responsabilidades, fica sem tempo pra nada. E os amigos sempre saem da pauta. Tudo vira prioridade, menos ver o pessoal.
Acho isso uma insanidade. Pô, se os caras são REALMENTE seus amigos, pouquíssimas coisas devem ser mais divertidas do que passar um tempo com eles. Talvez aí que esteja a questão principal: você já parou para pensar quem são os seus brothers, aqueles amigos de verdade?
Porque essa relação se confunde muito, principalmente no ambiente de trabalho. Às vezes, você fica muito amigo de alguém enquanto convive com essa pessoa diariamente. Aí, troca de emprego e nunca mais fala com o cara. Será que ele é seu amigo? Ou a amizade é apenas circunstancial?
Por isso que eu digo: happy hour com a galera do trampo é legal pra caralho. Mas veja até onde esses caras são amigos por conveniência, por comodidade. E até onde são amigões do peito.
É comum a gente ouvir o cara dizer “esse cara é meu grande amigo!”. Mas há quanto tempo vocês não se falam? Há quanto tempo vocês não saem para trocar uma ideia? Tem gente que diz isso mas não tem nem o número do cara na agenda do celular. Pô, será que ele é realmente seu amigo?
Acho que as boas amizades são fundamentais para uma vida saudável. Desde a adolescência, sempre criei mecanismos para não perder o contato com os caras. Antes eram as noites e as viagens pra praia. Numa época, era o futebol. Depois, vieram os campeonatos de Winning Eleven. Ultimamente tem sido o poker. E mais recentemente, até a própria Perestroika virou ponto de encontro, já que vários amigos estão fazendo curso por aqui.
É muito complicado manter a pauta social. Eu, por exemplo, gostaria de ver com mais frequência muita gente que gosto. Mas nem sempre dá. Por isso acho tão importante não perder contato com os caras que são meus irmãos. Esses sim, eu não posso deixar de lado.
Não concordo muito com esse papo de que “amizade de verdade resiste à falta de convivência”. Acho que amizade é um lance que o cara tem que cultivar, tem que regar toda hora. Ou murcha.
Me parece que esse é o melhor jeito de deixar os caras sempre por perto. Crie uma rotina com a gurizada. Crie um compromisso semanal, ou quinzenal. Porque “vamos almoçar semana que vem” é pedir para empurrar o encontro com a barriga.
Descubra quem são os seus amigos e conviva com eles. Na melhor das hipóteses, você vive melhor.
Na pior das hipóteses, você vive mais.
***
Falando em amigos, esse semestre pintou um trabalho muito legal de um aluno chamado Ricardo Dullius, mais conhecido como Romeu. Arrepiou a galera e serviu para indicá-lo ao Prêmio Boris Yeltsin.
É isso aí, Romeu. Vamos compartilhar felicidade com o mundo.
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21 Comentários
14 de agosto de 2009 às 17:09
É, o poker e algumas cervejadas ajudam. Tem gente que acho absurdo que minha turma de colégio ainda tenha contato. Talvez nem todos, mas muitos ainda convivem e, de vez em quando, do nada, alguém consegue reunir ‘todo mundo’ (claro, às vezes é impossível fechar uma data) em um churrasco.
Acredito, sim, que amizade sobrevive à não-convivência, mas o ideal é isso: manter os encontros, os velhos e novos costumes (futebol, jantas, happy hour, o que for).
Uma coisa que funcionou foi ouvir tantos adultos dizendo que “essa amizade de vocês é tão bonita, pena que quando acaba o colégio vai evanescendo”. Po, adolescente adora contrariar! E que bom que muitos conseguem.
Aliás, se esse Ricardo Dullius ler aqui: tu não é parente do Eduardo ou Daniel Dullius, do Anchieta?
Abraço. #SaudadesPerestroika.
14 de agosto de 2009 às 17:15
E aproveite agora, porque como bem dizia um ícone do punk, Johnny Thunders,
You can’t put your arms around a memory.
14 de agosto de 2009 às 18:50
Adorei e me identifico muito com post e vídeo do grande e talentoso Ricardinho. Eu costumava ver muito futebol, hoje, a televisão está mais para um abajur e os protagonistas são os jogadores que realmente devem ser valorizados.
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15 de agosto de 2009 às 2:44
Acho que tu te contradiz um pouco no post. (Sim, sou muito chato).
Primeiro tu duvida de quando dizem que “aquele cara é meu grande amigo”, mas na verdade os malucos mal se vêem. Nessa parte eu discordo. Tem amigo do tempo de colégio que raramente vejo e eram “irmãos” na época. Outros tantos continuam sendo até hoje (lá se vão 6 anos que saí do colégio).
Não sei explicar porque alguns simplesmente sumiram da minha rotina. Talvez por irem em outras noites, talvez por serem colorados (e eu gremista), talvez por morarem longe, e, tudo isso somado ao amadorismo de ambas as partes (porque somos “guris”, burros). Não fizemos essa manutenção sugerida por ti. Simplesmente acabou o colégio e paramos de nos ver.
MAS são caras que se eu encontro amanhã, depois de 1 ano sem ver, parece que vi ontem. Estamos nos encontrando meio que direto nesses últimos anos: volta e meia um vagabundo se forma na faculdade agora. Parece que nos vemos diariamente ainda, parece que nada mudou. É meio nisso que discordo de ti. Acho que trata-se sim de grandes amigos ainda. Mais afastados, mas ainda grandes amigos.
E aí que vem a tua contradição, ao meu ver (e com essa parte concordo): as amizades têm que ser regadas. Se a gente não marcar um futebol, uma cervejada, um sei lá o que, vamos fatalmente nos afastar.
E outra coisa, pra mim não existe amigos por conveniência. Existem amigos, ponto. Teus melhores amigos, teus “brothers” mesmo, são teus bruxos porque cruzaram teu caminho. Ou no colégio, ou na tua rua, faculdade, seja onde for. Se tivessem nascido no Paquistão tu nem conheceria. Se eu tivesse sido teu colega de colégio, poderíamos ser melhores amigos hoje. Acho que um colega de trabalho, por exemplo, é mais um caso de encontro da vida. Pode ser uma amizade tão foda quanto os de infância, ou tão superficial quanto às que temos com pessoas que conhecemos há MUITOS anos.
Já fiz amigos em fila de banheiro que senti na hora “bah, se esse cara tivesse sido meu colega, seríamos grandes amigos”. Vocês nunca sentiram isso? A vida é uma grande “conveniência”, encontros e desencontros.
Cabe a nós regar pro lado que quisermos. Mas as sementes estão por todos os lados, ao meu ver.
17 de agosto de 2009 às 11:49
“Amigos de Conveniência” é um assunto delicado. Merecia um post único.
17 de agosto de 2009 às 18:33
tá animal o video.
muito irado mesmo.
tá bem do caralho.
lance irado mesmo.
extremamente lega.
somos nós, insano.
abraço
18 de agosto de 2009 às 3:21
Eu ainda acho que a melhor maneira de atestar a força de uma amizade é ficar um longo período sem ver a pessoa: se as coisas continuam como antes, se ainda parece que foi ontem a última vez que se viram, se ainda rola cumplicidade e todos se sentem à vontade… aí sim existe uma amizade sólida. Mas lógico, que ela só existe por um dia ter sido regada a base de muita convivência, junções, confissões, jantas, festas, desculpas esfarrapadas só para se estar junto, etc e tal.
Ótimo vídeo, aliás.
18 de agosto de 2009 às 18:17
Hey J.P.,
Bah cara não conheço esses Dullius não. Mas devem ser gente boa pra caralho.
Aloha
20 de agosto de 2009 às 16:58
boooooom post!
amigos de verdade conto numa mão só!
um salve ao rapaz do colete salva-vidas!
=*

14 de agosto de 2009 às 14:27
Bah, quero ver todo mundo agora!!!
Ricardinho o video ta muito bom, ainda mais pra quem conhece os figuras!!!