Polêmica.

2 de setembro de 2009

Tirem suas próprias conclusões. A parte que fala da DDB começa aos 2:30.

37 Comentários | Categoria: Perestroika


Sábado foi um dia especial. Daqueles que a gente olha para o espelho e fica com orgulho de si mesmo.

Foi o último dia do curso de poker. E que dia.

Às 7h30 eu estava de pé, me deslocando para o aerporto para pegar o Alexandre Gomes - jogador de poker profissional, membro do Team Poker Stars Pro e vencedor de dois braceletes: um do WSOP e um do WPT.

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Para você, que não está muito familiarizado com o mundo do poker, vale contextualizar: o Alexandre Gomes não é qualquer um. Ele é o melhor jogador de poker do país. Não existe nenhum brasileiro no mundo que jogue poker tão bem quanto esse cara.

É como se chamássemos o Ivo Pitanguy para dar uma aula sobre cirurgia plástica. Ou o Oscar Niemeyer num curso de arquitetura. Ou a Gisele Bündchen para uma aula sobre modelo.

Entenderam o nível da coisa?

Inclusive, os números falam por si. Há pouco tempo, o Alexandre bateu um grande torneio e ganhou um prêmio de mais de US$ 1.000.000,00.

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Aproveitei e gravei com o Alê um depoimento que vai para o documentário de poker que estamos fazendo (em breve maiores informações). E, obviamente, aproveitei para pegar um recadinho institucional.

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O dia começou com uma palestra do cara. Além de um ótimo conteúdo, o Alê demonstrou ser uma pessoa sensacional.

E a essa altura, eu já imagino o que você deve estar pensando. Deve estar parecendo aquele discurso oficial, aquela politicagem padrão. Ele é um grande profissional, mas também um grande caráter.

Juro que não é blá blá blá. O Alexandre é REALMENTE um cara muito, mas muito legal.

Me arrisco a dizer que, dos convidados dos nossos cursos (pelo menos, dos que eu tive um contato por mais tempo), o Alexandre foi a figura mais simpática e querida. E olha que a gente já recebeu muito pessoal gente fina por aqui.

Talvez seja até meio sem noção dizer isso assim, abertamente, no blog da Perestroika. Mas por outro lado, talvez esse comentário comprove que o parágrafo acima não é balela.

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Depois da aula, fizemos um break para almoço e, às 14h, começamos o nosso torneio no Ypiranga Texas Club.

Foram cinco horas de um campeonato intenso. Afinal, o aluno melhor colocado ganhava um pacote para o LAPT (Latin American Poker Tour, avaliado em mais ou menos US$ 6.000,00). Era o momento de todo mundo colocar os aprendizados em prática. Agressividade, paciência, concentração e tudo mais que faz um bom jogador.

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Uma coisa bem legal é que colocamos quatro figuras externas para participar do torneio. O Alexandre Gomes, o Diego Brunelli (coordenador do curso), o Giovanni Davids (professor) e eu - que jogo só de forma amadora, mas aproveitei a situação para curtir.

Foi bacana porque isso mudou completamente a dinâmica do campeonato. Primeiro, porque sortearam os nossos quatro lugares, de forma que poderíamos cair os quatro na mesma mesa. Segundo, porque nós não estávamos disputando a vaga - apenas um prêmio paralelo. E por fim, porque qualquer aluno que eliminasse um de nós quatro ganhava, na hora, R$ 100,00 de bounty.

Obviamente que ninguém arriscaria US$ 6.000,00 jogando agressivamente em cima do Alê, do Diego ou do Giovanni. Então, começaram a me atacar. E aí, tive que me concentrar muito para não fazer fiasco.

Admito: não cheguei longe porque joguei bem. Saí vencedor em momentos onde não era favorito (principalmente aquele J7 x T7 contra o Saymon, com os dois trincados e com meu T salvador no turn).

Também tive uma certa coragem (talvez inconsequência) para dar alguns calls perigosos, justamente porque eu tinha menos a perder e podia correr mais riscos.

Obviamente, também tive bastante paciência. Afinal, o Alexandre Gomes jogou na minha esquerda por cerca de 1h30. Nessa parte do torneio, não teve jeito: tive que ser bem tight. Não é uma boa ideia ficar vendo flop, fora de posição, contra o chip leader. Ainda mais, quando o cara é Pokerstars Team Pro.

No final das contas, consegui chegar em terceiro lugar. E levando em conta o prêmio, e os dois caras que ficaram na minha frente, foi um ótimo resultado. Meu melhor ITM (in the money) em MTT (multi table tournament).

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O grande vencedor da vaga do LAPT foi o Rafael Oliveira. Na mão decisiva, o Carlos Garbin deu all in pré-flop de cerca de 17.000. O Alexandre só pagou - o que foi estranho, já que ele tinha sido bem agressivo na reta final. O Rafael foldou e eu, no BB, acordei com AQs. Não deu outra: empurrei as minhas 60.000 fichas, torcendo para que o Alê saísse fora.

Ele pensou, pensou, pensou e pagou: 66. Mas quando viu as nossas cartas (o Garbin tinha KT - ou algo parecido), ele não ficou muito esperançoso. Somados, nós dois tínhamos muitos outs.

Talvez esteja justamente aí a beleza desse esporte. Já no flop, virou o número da besta: 666. E com essa trinca e a double elimination, o Rafael garantiu a vaga.

Depois disso, até rolou o heads up. E diga-se de passagem, um heads up de alto nível. Mas a essa altura, o Alexandre deveria ter, sei lá, chutando: 15 vezes mais fichas que o seu adversário.

Mesmo jogando o fino, mesmo dobrando algumas vezes, não teve jeito. Deu a lógica.

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O clima estava realmente muito legal. Apesar de ter um grande prêmio em disputa e, com isso, haver uma competição natural, tudo aconteceu na mais alta camaradagem.

Óbvio que ninguém sai feliz de uma eliminação. Ainda mais, quando o que está em jogo é uma vaga desse tamanho. Mas depois, de cabeça fria, o pessoal sempre vinha falar comigo, agradecer a oportunidade e elogiar a organização.

Fiquei muito feliz com isso. Aconteceu exatamente como eu imaginava nos meus planos mais otimistas. Acredito que não poderia ter sido melhor.

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Esse projeto, apesar de ter dado muuuuuuuuuuuuuuito trabalho - e, em alguns momentos, me tirar o sono -, foi uma das coisas mais legais que eu já fiz na Perestroika.

Na real, foi uma das coisas mais legais que eu já fiz na vida. Teve uma parte de realização pessoal que, na boa: não tem preço.

Além disso, teve uma vitória do empreendedorismo criativo muito legal. Porque se vocês forem analisar do ponto de vista comercial, era um projeto bastante ousado.

1) A Perestroika, como empresa, não tinha nenhuma representatividade no mundo do Poker.

2) O Pokerstars.net não nos conhecia e só comprou o projeto porque acreditou que a nossa tecnologia de educação era realmente uma expertise que traria benefícios para a marca.

3) O mercado de poker, apesar da nítida expansão no Estado, ainda não está absolutamente consolidado. O RS ainda tem muito poucos jogadores profissionais. E entre os amadores, pouca gente está disposta a fazer investimento - mesmo sabendo que esse investimento voltaria rapidinho.

4) O poker - mesmo já sendo considerado por muitos especialistas como o quarto esporte nos EUA, mesmo tendo 60 milhões de americanos praticando regularmente, mesmo sendo considerado um esporte no mundo inteiro, mesmo com laudos técnicos da perícia brasileira comprovando que é um jogo de habilidade - ainda sofre um certo preconceito. E, para um negócio respeitado como o nosso, isso é sempre um risco.

Mas depois de ouvir a galera dizendo coisas tipo “recupei o investimento muito rápido” ou “paguei o curso antes mesmo de terminar o módulo cash game”. Quando eu vejo um aluno vir de Belo Horiozonte toda semana. Quando eu vejo um aluno vir de Florianópolis toda semana. Quando eu vejo três alunos que se mudaram do Paraná para Porto Alegre, só para fazer o curso: aí arrepia.

E dá aquela sensação de dever cumprido.

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Se você foi aluno, pode ver o Flickr da Perestroika com todas fotos do campeonato. Clique aqui.

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Queria, mais uma vez, agradecer ao nosso patrocinador: o Pokerstars.net, maior site do mundo.

Também, queria dar um alô especial à CardplayerBrasil, que fará uma reportagem especial sobre o torneio do final do curso.

Um abraço ao pessoal do Ypiranga, que nos recebeu de portas abertas desde o início do projeto.

Quase ia esquecendo: ao Tio Max e o RS Poker, parceiros na divulgação do projeto.

Ao André Akkari e ao Alexandre Gomes, que foram sensacionais e encontraram um espaço na agenda para dividir o seu conhecimento com a gente.

Ao pessoal da retaguarda aqui da Perestroika, que sempre vai lá e faz - e vai lá e faz bem feito.

Ao Giovanni Davids, jogador brilhante e parceirão que eu só conheci por causa do curso.

Ao Diego Brunelli, que acreditou na ideia desde o primeiro dia. E coordenou com maestria esse grande projeto.

E aos alunos, que fizeram desse projeto um case de dimensões internacionais.

Valeu, galera.

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