Você pode achar o Pânico na TV qualquer coisa. Bom, ruim, chato, brilhante ou simplesmente mais uma onda passageira.
Agora, é inegável que os caras têm uma grande capacidade em criar bordões, massificar dancinhas e criar hábitos que caem no gosto do povo.
Dois são bem conhecidos: a inconfundível Dança do Siri. Que incomodou - e muito - a vida dos repórteres da Globo.
E as Sandálias da Humildade, que enfernizaram a vida de várias celebridades. E trouxeram uma polêmica: Daniella Cicarelli tem realmente 6 dedos num dos pés?
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Atualmente, a “plataforma de humor” do Pânico é o Zina. Talvez você não esteja reconhecendo o nome. Mas provavelmente conhece o cara: ele é o corinthiano que popularizou o grito: “Ronaldo!”.
Pois bem: depois de cair no gosto da galera, a equipe do Pânico foi atrás do cara. Começou a fazer reportagens semanais mostrando a simplicidade do seu dia-a-dia. E começou a ter números cavalares de audiência.
Resultado? Zina foi contratado como funcionário da RedeTV!, ganhou uma casa do presidente da emissora e um quadro junto com os humoristas Sabrina Sato e Alfinete.
Mas o grande momento do cara foi conhecer o seu ídolo ao vivo. E o Pânico deu um jeito de colocar, frente a frente, criador e a criatura.
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É bem evidente que o humor do Zina vemjustamente da sua incapacidade mental. Ele tem dificuldade para pronunciar palavras fáceis, para memorizar tarefas simples e - não raramente - parece ter um certo “apagão”.
Mas, convenhamos: o cara, que era um Zé Ninguém, virou uma celebridade, ganhou um trampo na televisão, uma nova morada e o privilégio de desfilar ao lado da gostosa da Sabrina todas as semanas. Jogou bola com um dos maiores jogadores de todos os tempos. E, em troca disso, estava apenas sendo ele mesmo. Parecia uma boa oportunidade, uma chance de ouro, não?
Mais ou menos.
Algumas semanas depois, Zina foi preso por porte de cocaína. E aí, o Pânico levou ao ar uma reportagem bastante polêmica, que afirmava: Zina sofre de esquizofrenia. O cara, para conseguir conviver em sociedade (como eu falei: é bem fáceil perceber que ele é pancadinha), toma 12 comprimidos por dia.
E aí, o Pânico teve que fazer uma retratação meio taba-buraco, mostrando “como eles eram legais com a comunidade da Xurupita” (bairro onde Zina mora). Que estavam do lado do Zina. Que iam ajudar na sua recuperação. Etc, etc, etc.
E eu, que sempre me mijava de rir com as reportagens dele, comecei a pensar. O Pânico está mudando a vida dele para melhor ou para pior?
Porque, porra: uma coisa é explorar uma pessoa que tem condições de se defender. Se, por exemplo, a Carla Perez, ou a Luciana Gimenez, ou uma ex-BBB quer ser explorada como “a gostosa burra” na televisão, tudo bem. Problema delas.
Agora, com um neguinho doente, a coisa é mais complicada.
Lembram quando o Faustão colocou o Latininho ao vivo? Pois é: fiquei pensando se isso não é um “Latininho” disfarçado. Como a doença dele é mental, e não física, talvez fique mais fácil pra gente fazer de conta que está tudo bem.


Eu realmente não sei o que pensar a respeito. Eu adorava os quadros do Zina. Rolava de rir. E achava o máximo quando o Pânico ficava em primeiro lugar no Ibope e agradecia o apoio da Comunidade da Xurupita.
Mas será que isso tá certo? Não sou muito de puritanismos e sentimentos de culpa. Acho que humor não respeita muitas regras. Agora, tudo tem um limite, não?
Por favor, opinem. Deixem seus comments. Topa participar?
Topo. Topo. Por que não? Vâmo cair pra dentro.
12 Comentários
29 de novembro de 2009 às 21:46
Cara, acho que são duas discussões diferentes. Uma é: é bonito isso? É ético explorar doença ou sequela (pra mim ele parece ser sequelado da cola) de um cara pra ganhar audiência? Isso é uma discussão. Que eu realmente não tenho opinião. Meu lado politicamente correto tende a perder essa briga pro meu lado “foda-se”, mas agora, de pronto, não sei.
Outra discussão é o título desse post. Sem dúvida a vida do Zina mudou pra melhor. Se tão explorando a incapacidade dele e fazendo o cara pagar vale pro Brasil todo, isso são outros 500. Ele tá super feliz e com uma vida muito melhor, com certeza. A única merda é se um dia perder a graça e o Pânico largar ele, deixá-lo afundar na merda, sem estrutura nenhuma. Mas por enquanto, pelo Zina acho que tá tudo ótimo sim.
E, na boa, os caras da edição do pânico são os mais geniais do programa. Quase todos esses bordões e febres nacionais são obras de insights muito matreiro deles, que poderiam tranquilamente ter passado batidos, hehe.
30 de novembro de 2009 às 10:49
Difícil, né … Pra Sabrina Sato, que tem um QI parecido com o do Zina, deu certo. Tá namorando um deputado federal…
30 de novembro de 2009 às 13:12
A doença foi até para São Paulo, curso de POKER na VIP deste mês, parabéns.(sei que não tem nada a ver com o post, mas foi só um elogio)
30 de novembro de 2009 às 15:53
Eu gosto muito do Pânico na TV.
Mas creio que o pessoal estava se tornando muito repetitivo, e o humor estava ficando meio cansativo.
Com o Amaury Dumbo, e o Zina, acho que os caras deram um suspiro.
Com o Zina então, nem se fala. Foi realmente um sucesso a participação dele. E, assim como a maioria do povo, eu tb curtia muito o “poeta de uma palavra só”.
Eu só acho que o Pânico falhou, e muito, ao tentar se defender das acusações de que não sabia de nada.
Porra, só um idiota não vê que o cara tem problemas mentais, e a equipe do Pânico sabia disso muito bem.
Mas, convenientemente, só foram abordar isto depois que aconteceu o rolo do Zina com a Policia.
Dae rolou aquele programa de defesa do Pânico ao Zina, em que um dos roteiristas do Programa afirmava que o Zina era “um comediante nato, com facilidade de criar bordões como ninguém”.
Ah, peraí né? Ai é querer abusar muito da inteligência do público.
Eu gosto do Pânico quando eles vestem a camisa do politicamente incorreto, da anarquia.
Quando eles querem dar uma de corretos, cristãos, “do bem”, eu acho que eles se perdem e com isso, perdem a identidade deles…
Abs, Marcelo.
30 de novembro de 2009 às 16:48
Eu não olho o Pãnico pq não tenho paciência, prefiro ver as melhores partes resumidas no Youtube. E sempre que posso, procuro a famosa cena: “RONALDO”
Eu acho que, por enquanto, a vida do cara mudou pra melhor.
Porra, casa, emprego, trabalhar com a Sabrina, conhecer Ronaldo. Vai ser MUITO difícil tudo isso acontecer com qualquer um de nós. E o pior é saber que ele tem um QI muito menor que o nosso.
O foda mesmo será se a Rede TV mandar ele pro inferno, aí sim vai pegar mal, nem pro Zina, mas pra emissora.
E convenhamos, o Pânico na TV é sem noção, não adiante. É apelação, é zueira e sacanagem, isso que gera audiência e enche o bolso deles.
Aposto que ele tá se divertinho e ganhando bem mais do que a gente. Se não tá se divertindo, pelo menos tá ganhando, se também não tá ganhando… é, daí ele tá fodido!
Abraço
Henrique Schelp
30 de novembro de 2009 às 17:16
Pode ser que eu esteja sendo deveras ingênuo, mas acredito que toda exploração do Zina seja uma exploração “amiga”, do tipo: não rio de ti, rio contigo.
Se o mudar a vida para pior é por causa da humilhação de se expor como um “macaquinho”, não acho que seja isso que torne a vida dele pior. Acredito que ele há muito tempo já era “atração” na Xurupita. Claro que agora tomou proporções gigantescas. Ao mesmo tempo que muitos ridicularizam ele, muitos passaram a idolatrar o Zina.
Ganhou aprovação social com quem acha bacana seu jeitinho Kazcola de ser.
Se o argumento seria terem pego ele com cocaína. Aí eu nem entro no mérito da questão, pra mim ele não começou agora. Esse toma kiboa desde que saiu da maternidade.
O cara é pancada, não existe dúvida sobre isso. Concordo que talvez ele não seja consciente do “papel” que está fazendo. Mas quando um tchê desses ganharia tanta fama, dinheiro e oportunidades se não fosse pelo Pânico?
30 de novembro de 2009 às 23:57
Sinceramente, assim que percebi que o cara era pancado mesmo, que tem uma capacidade intelectual baixa, vi que eles exploravam inescrupulosamente a imagem do cara.
Eles simplesmente fazem pilhéria de toda essa infantilidade dele (cap. mental baixa). Eles mostram o cara como um brinquedo, um bobo da corte deles, um produto engraçado que eles exibem para fazer todos rirem.
Não é um humano com sentimentos, é um produto em que todos vêem que ele é meio pancado, baixa intelectualidade, menos ele, o próprio Zina. O coitado se acha “o famoso” e apenas pressente que estão zoando com a cara dele, fazendo-o de otário.
1 de dezembro de 2009 às 19:12
Pra melhor.
Tem gente que ganha fama por suas virtudes, como jogar bem, falar bem, imitar bem. Tem outras pessoas que fazem o caminho inverso, e conseguem ela por seus problemas. E ainda assim acredito que haja mérito nisso.
Em BH temos o Magela que é um comediante cego, e o Caquinho Big Dog, que é paralítico. Em Curitiba tem o Claudinho Castro que é anão (o mesmo que fez a dança do quadrado). E por aí vai! O Zina por sua vez tem sua deficiência, e isso gera comicidade. Nada de humilhante. Nada de exploração. So ganhando uma grana honesta com uma característica que ele possui, e surfando na onda do que ta rolando. Mesmo ele talvez não tendo tanta consciência disso.
Pra vocês deixo o Josh Blue. Um dos meus preferidos no assunto “rir da minha própria desgraça.” http://www.youtube.com/watch?v=d0kA6ZwIA9s
Abração

29 de novembro de 2009 às 20:46
Puts…muito bom poder ler isso e ver que eu não sou a única a pensar que isso tudo é um absurdo.
Eu não vou ser hipócrita em dizer que nunca ri das reportagens, mas tudo tem limite.
A gente sabe o quanto a tv apela para obter audiência, mas acabamos chegando a um ponto onde devemos rever algumas coisas.
Seria legal se o seu filho excepcional se apresentasse no Pânico pq ele é engraçadinho?
Grana não é tudo. Acho muito mais bacana ser um Gugu, Huck e um Netinho da vida e ajudar as pessoas dando grana, casa e roupas do que se aproveitar de uma situação.
Acredito que a chave de qualquer problema social está no velho e bom “se coloque no lugar de tal pessoa”.