A indústria criativa

31 de janeiro de 2010

*Por Leo Prestes.

Adorei aquela discussão de alguns posts atrás sobre São Paulo. Foi bom ouvir os argumentos de quem escolheu outras cidades para viver. Saí dali com opiniões um pouco diferentes sobre esse negócio de ir ou ficar.

Mas os argumentos a favor de Porto Alegre não me fizeram muito bem. Porque ninguém ali parece ter escolhido Porto Alegre para morar por causa do trabalho. Todos falam em amigos, família, time de futebol. Mas, com o mercado, quase ninguém está feliz.

Resumindo: Porto Alegre não é atraente para quem quer ser criativo. Não desenvolve o mercado porque perde as melhores cabeças. E deixa de criar novas cabeças porque o mercado está pouco desenvolvido.

E isso me lembrou uma entrevista que li tempos atrás na FFW Mag com um político chamado Chris Smith, Ministro da Cultura inglês durante o governo Blair. Quando assumiu o cargo, a primeira coisa que Smith pediu foi um relatório sobre o tamanho da indústria criativa no país. Ele tinha a intuição de que aquilo estava ficando grande. E tinha razão: o relatório mostrou que em 1997, a indústria criativa - TV, artes visuais, ilustração, música, publicidade, cinema, arquitetura etc - já representava 7% do PIB.

Com esses números nas mãos, Smith pôde convencer o governo a criar um plano de estímulo para essas empresas, geralmente pequenas em tamanho, mas grandes em influência, e capazes de formar redes de trabalho que envolvem muita gente.

Treze anos depois, o faturamento da indústria criativa está quase ultrapassando o lucro do setor financeiro em Londres. Esse crescimento gerou projetos parecidos em alguns países, virou notícia nos principais jornais do mundo e em alguns do Brasil.

Mas não lembro de ver alguém, político ou não, falando nisso no Rio Grande do Sul. Aqui, se a política não estimula o agronegócio ou as grandes indústrias, é frescura. Somos irritantemente conservadores e pragmáticos. E, mantendo as coisas do mesmo jeito que eram em 1950, não diversificamos a economia, não produzimos mais do que commodities e, quanto mais os produtos e serviços vão se sofisticando mundo afora, menos vale o que temos para vender por aqui.

No Rio Grande do Sul, o sucesso de empresas como a Perestroika, a W3Haus, a Boca, a Aquiris, a Santa, a Maria Cultura e muitas outras é como o nascimento de uma árvore no meio do paralelepípedo. Um milagre. Mais milagre ainda é elas ficarem aqui - Live e CuboCC, só pra citar duas, foram embora. Isso sem falar nos criadores e artistas independentes que também se foram.

Esse post tá ficando com cara de “apelo aos políticos”, mas não é - como se adiantasse alguma coisa apelar aos políticos. É só uma tentativa de que mais pessoas passem a pensar na economia criativa como uma maneira da gente não ficar na mesma lenga-lenga de POA x SP nas próximas décadas.

O Brasil está mais predisposto a investir não só no essencial para sua sobrevivência, como Olimpíadas e Copa do Mundo estão aí para provar. As pessoas estão mais predispostas a buscarem empregos mais criativos e menos corporativos, como milhões de pesquisas sobre a geração Y indicam. Faz todo sentido que a indústria criativa tenha muito futuro no país. Resta saber que cidades vão perceber isso antes.

*Leo Prestes é Diretor de Criação e Planejamento da W3Haus, professor do curso Mthfckr, humorista da Balalaika e amigão da galera.

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Como vocês bem sabem, a Perestroika tem um curso chamado Pokerstars, que ensina estratégias avançadas de Poker Texas Hold’em e traz os melhores jogadores do Brasil para discutir o assunto em altíssimo nível.

O projeto foi um sucesso absoluto. Mas nos causou um problema: diferente de todos os nossos outros cursos, esse precisava de alguns “pré-requisitos”. Um iniciante não entenderia absolutamente nada. (Lembro que, na primeira aula, o Diego falou uma frase cheia de gírias do poker e os monitores que estavam em aula olharam para mim, como se ele estivesse falando japonês.)

Começou aí um pequeno clamor popular para que criássemos um curso introdutório, destinado a quem não sabe jogar, ou a quem ainda está começando a conhecer mais de perto o poker. Um curso mais barato. Um curso mais curto. Um curso mais pá-pum.

Pois decidimos lançar um novo curso atentendo todos esses pedidos. E a partir de hoje, estão abertas as inscrições para o Poker for Dummies.

Se você nunca jogou, e tem interesse em aprender mais, esse curso é para você.

Se você joga há pouco tempo, e quer pular do nível “iniciante” para o nível “iniciante que ganha dos outros iniciantes”, esse curso é para você.

E se você está na dúvida (eu sou um Dummie ou não?), criamos um testezinho. São 14 perguntas bem simples. Ali, você vai ter uma noção dos seus conhecimentos. E descobrir se o curso vai ser interessante para você ou não.

Duas coisas muito legais desse curso. 1) No dia seguinte à última aula, teremos um campeonato e os melhores alunos ganham uma graninha. 2) 50% do valor investido nesse curso pode ser descontado na inscrição do Pokerstars.

Ficou curioso? Então clique aqui e bem-vindo ao melhor jogo do mundo.

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POR QUE EU NÃO ASSINO OS POSTS

26 de janeiro de 2010

“Visito o blog há um tempão e não entendo ainda pq os posts não são assinados. É difícil assumir a opinião ou é modéstia em excesso? ou é pira com o julgamento prévio que pode ser feito com base na assinatura? Ou a opinião expressa no blog é o que a Perestroika pensa? A primeira impressão é essa. Que a opinião da empresa é o que está escrito. Expliquem ae…. Poderia ter um post sobre isso. Aí podem colocar ali do ladinho e todo mundo vai entender sem vocês ter que ficarem repetindo o motivo.

Eu procurei um post explicando mas não achei. Se existe já, me desculpem. E eu sempre me pergunto quem escreveu e nunca sei. Porque eu não conheço vocês.”

O comentário acima foi postado pelo Cristiano Schmitz, mas reflete o pensamento de muita gente. Uma galera, UMA GALERA não entende por que a gente não assina os posts.

Eu confesso para vocês que me surpreendo um pouco com esse mistério. Porque, na verdade, não tem mistério nenhum.

Inicialmente, nos primórdios do Blog, essa foi uma estratégia para criar um certo anonimato. Era a “opinião oficial” da Perestroika. Escrevíamos de um jeito para que ficasse difícil sacar quem era o autor de cada texto.

Mas com o passar do tempo, muita coisa se modificou no Blog e na própria Perestroika. Esse charminho deixou de fazer sentido.

E os leitores mais atentos vão concordar comigo que, na prática, quase não existe mistério. Vejam:

1) Em algumas oportunidades, assinamos de fato os posts. Colocamos lá no final o nome do autor.

2) Muitas vezes, existe alguma referência explícita ao longo do post que indica se fui eu (Tiago) ou o Felipe que escreveu. (Como neste caso.)

3) Em várias oportunidades, a gente faz alguma referência discreta, velada. E aí, quem nos conhece, quem é nosso amigo, quem já foi aluno de algum dos nossos cursos, saca na hora.

4) Se fosse medo do julgamento público, por que a gente teria um blog? E por que nós aceitaríamos QUALQUER comentário de QUALQUER pessoa no blog? Falando bem ou mal? Sem censura nenhuma?

O que realmente me intriga é que, na minha opinião, assinar os posts não faz a menor diferença. Porque não muda nada se fui eu, o Felipe ou a Mãe do Badanha que está opinando ali. O importante é a mensagem.

Reparem: algumas linha acima, eu citei o meu nome. Mas se fosse mentira, e eu estivesse só dando uma pista falsa para vocês? Que diferença faz no final das contas?

Essa curiosidade, até hoje, me espanta. É mais ou menos como o cara que não relaxa enquanto não sabe para que time torce o comentarista esportivo. Se a opinião dele é isenta e lógica, pouco importa. Se não é, por que você continua ouvindo o cara?

Agora, no meu caso específico, eu vou continuar tentando manter essa estratégia da “dica velada”. Acho isso mais legal, mais interessante. Acho que cria uma layer e trata os leitores do Blog com um pouquinho mais inteligência. É bobo, é quase ingênuo, mas é um molhinho a mais.

Assinado: Felipe.

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Vá a SP e não me convide.

19 de janeiro de 2010

Tenho muitos amigos em SP. Muitos mesmo. Amigões do peito, do tempo do colégio. Daqueles que eu nunca precisei anotar o número na agenda do celular, porque sempre soube de cor.

Tenho muitos conhecidos em SP também. Alguns por meio profissional, alguns pelas concidências da vida. Diria que, se eu me mudasse para cá, não teria nenhuma problema em arranjar agenda para todos os dias do ano.

Mas aí que está a questão: eu gostaria de morar aqui?

Olha, vou dizer para vocês que hoje eu não tenho o menor interesse me mudar para São Paulo. Talvez a vida me force. Talvez eu tenha que vir pra cá para abrir alguma frente do meu negócio. Talvez eu me apaixone por uma paulista e decida largar tudo.

Mas, olha: vai ser foda.

Toda vez que eu venho pra cá, fico com a mesma sensação. De uma cidade cinza, esfumaçada e sem sal. Sem alma. Sem a personalidade que as maiores cidades do mundo têm.

Para mim, São Paulo é uma boneca inflável. Tem tudo ali, mas falta o principal.

Em determinado período da vida, eu pensei muito em vir para São Paulo. E até recusei propostas bem interessantes em termos de grana. Hoje eu não consigo entender o que se passava pela minha cabeça.

São Paulo não tem horizonte! Como morar numa cidade sem horizonte!

O que sempre dizem é que aqui, com dinheiro, você come bem, vai a shows, vê exposições e faz vários programas que nunca acontecem em Porto Alegre. Pode até ser verdade. Mas acho que esse custo-benefício não compensa.

E quem se acostuma com o padrão de beleza de Porto Alegre, tem dificuldades para aceitar a “beleza paulistana”. Sabe? Aquelas minas que, de longe, parecem bonitas. Mas de perto, você percebe que são apenas bem arrumadas.

Se tiver algum amigo meu paulista que quiser se manifestar, legal. Mas eu realmente não me imagino na Terra da Garoa.

O Casseta&Planeta, nos tempos de Casseta Popular, tinha uma camiseta que era: “Vá ao teatro e não me convide”. Pois eu digo o mesmo: “vá a São Paulo e não me convide”.

E se for para ver uma peça em SP, muito menos.

Atualizado às 9h30 de 21/01: Que fique bem claro: eu também não acho Porto Alegre uma grande maravilha. Acho provinciana ao extremo. Mas, pelo menos, não me sinto tão desconfortável.

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GANHA-GANHA.

15 de janeiro de 2010

Nas minhas vidas passadas, eu devo ter sido um árabe, daqueles que vendem bugigangas no meio de algum feirão de Constantinopla.

Eu adoro vender. E com certeza esse foi um fator que contribuiu muito para que eu tenha caído na publicidade. (Aos que ainda não se deram conta: publicidade é só, e simplesmente só, vender.)

Lembro que quando tinha 15 anos, pedi autorização para o meu pai para trabalhar no McDonald’s. Ele não entendeu muito bem meu pedido. Mas eu queria trabalhar no balcão, conhecendo pessoas. E convencendo pessoas a levar por apenas mais R$ 2,00 uma tortinha de maçã.

Mas não convencer na maldade. Não convencer para forçar um consumismo injustificado. Eu queria tentar, de alguma forma, ajudar na escolha da pessoa. Queria que ela fizesse uma compra melhor a partir da minha indicação.

Meus amigos de Farroupilha achavam muito imbecil tudo isso. Pensavam que eu só poderia estar louco. Qual é a graça de ser um vendedor, Tiago? De tanto ouvir aqui e ali, desisti do meu plano e nunca entrei para a trupe do Ronald e cia.

Mas essa filosofia, de ser um intermediário da boa compra, ficou.

Eu acho que o bom vendedor não é aquele que engana o consumidor. Não é o picareta. Não é o que força a barra. Não é o que joga sujo para ganhar uma comissão no final do mês.

É quem interpreta o problema e encontra uma boa solução. É aquele que convence a pessoa a comprar algo que seja realmente útil. É o cara que consegue abrir os olhos do consumidor para funcionalidades que ele nem sabia que existiam. É quem acredita que, no final, a compra pode ser boa para todas as partes.

É o cara que diz: Realmente, Dona Maria, a senhora não precisa de uma cama King Size. Mas quem sabe nós vemos um colchão novo, para diminuir essa sua dor na coluna?

Talvez, a profissão de vendedor seja a que melhor represente a filosofia Ganha-ganha. Porque, para mim, o bom vendedor é justamente o cara que acredita no ganha-ganha. Que acredita que ninguém precisa perder para que todos saiam ganhando.

***

Por sinal, eu acho que todas as relações entre as pessoas deveriam respeitar esse princípio. Todas as relações deveriam ser (ou tentar ser) ganha-ganha.

Porque quando a gente acha que, para se dar bem em alguma coisa, tem que enrolar o outro: cuidado. Tem coisa errada aí.

Sempre que eu participo de um “momento ganha-ganha”, parece que eu estou contribuindo para o equilíbrio do universo. Para a Corrente do Bem. Para (OK, já que estamos em período de Ano Novo) um mundo mais bonzinho.

Quando isso acontece, eu não me sinto culpado, já que não estou prejudicando ninguém. E também não me sinto mal, porque não deixei que ninguém me sacaneasse. É só o justo, ora.

Mas é complicado. Porque nós fomos educados para levar máxima vantagem em tudo. Quando talvez o raciocínio correto seja simplesmente tentar tirar algo bom para todo mundo em todas as situações.

Naquela cena famosa do Mente Brilhante, o Nash diz: Se todos chegarem na loira, todo mundo sai perdendo. Se todos chegarmos nas amigas, todo mundo se dá bem. Perfeito. Mas será que não existe um jeito de não deixar a loira chupando dedo? Aí sim, todo mundo saiu ganhando. (Para ver a cena, clique aqui)

É curioso, mas as relações ficam mais autênticas, genuínas e humanas. Tanto você com seus amigos. Você com sua família. Você na sua empresa. Você com a sua namorada. Você com você mesmo.

Ou simplesmente você com o vendedor da Magazine Luiza.

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É amanhã! É amanhã!

11 de janeiro de 2010

Post originalmente publicado em 07 de janeiro de 2008 e reeditado hoje

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Começa amanhã um dos meus programas favoritos da TV brasileira: o Big Brother Brasil. Inclusive, amanhã vou dar uma aula num curso de verão da ESPM sobre intervenções e urbanas e já me programei para sair correndo de lá para não perder o início.

E não, eu não tenho vergonha de dizer isso. Porque é meio foda gostar de BBB: sempre tem um grupinho que acha um absurdo, que é um programa sem conteúdo, que é uma exploração, que é uma ignorância, que o Pedro Bial é ridículo, que é tudo armado e mais um monte de coisas.E me falam “Felipe, não acredito que logo tu, um cara brilhante, inteligente, lindo, supertalentoso e batuta (mentira, eles não falam “batuta”) gosta desse tipo de porcaria.”


De certa maneira, eu entendo a posição dessas pessoas. Assim como eu entendo o pessoal que critica o Mc Donald’s. Mas eu gosto. Os que criticam o cinema americano. Mas eu gosto. Os que acham a Ana Maria Braga uma chata. Mas eu gosto.

O grande lance é que o pessoal que detona o Big Brother usa argumentos que eu não acho que desvalorizem o programa. Tipo, tudo bem não gostar. É questão subjetiva. Mas não tentem usar argumentos racionais pra isso. Não precisa.

Vamos analisar com um pouco mais de detalhes alguns desses argumentos:

ARGUMENTO CONTRA O BBB #1 : “É tudo armado: a Globo edita as imagens pra tirar quem eles querem.”

Em primeiro lugar, eu que assisto bastante e gosto tanto do BBB que uma vez cheguei a assinar o Pay-Per-View, dou o meu relato de que as edições resumem bem a trajetória de cada participante da casa. Claro que não dá para colocar TUDO o que o cara fez nas últimas 7 semanas. Então, é óbvio que eles precisam editar. Mas não acho que seja uma edição tendenciosa. Se o cara foi 50% chato, 25% pau no cu, 15% bêbado e 10% carinhoso, numa edição de 3 minutos, isso dá a ele 18 segundos de carinhoso contra 1 minuto e meio de chato. Aí, as pessoas olham e dizem, “Bá, só mostraram o cara sendo chato”. Natural!

A outra questão é que não nenhuma razão para a Globo ser tendenciosa. Se 80% do público prefere que o carinha saia, isso significa que 80% das pessoas que votam vão continuar assistindo se o carinha sair. Por que a Globo quereria mudar esse panorama?

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ARGUMENTO CONTRA O BBB #2 : “Eles só pegam gente bonita.”

Ótimo. Quem é que quer ficar assistindo umas pessoas feias, usando sunga o dia inteiro, pegando sol e malhando? É isso que acontece no dia dos caras. Melhor que sejam pessoas bonitas.


Por que não ficam reclamando que só escolhem umas gostosas pra madrinha de escola de samba?

Por que não reclamam que todo o ano, a Miss Brasil é uma moça bonita?

Por que não reclamam que só tem mulher bonita na capa da Playboy?

A moral é essa: vamos botar um monte de gente bonita e sarada e vamos ver os bichos querendo se pegar. Quer ver gente feia na TV? Assite o Serginho Groisman e a Marília Gabriela.

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ARGUMENTO CONTRA O BBB #3 : “Eles não escolhem pessoas que representem a realidade do Brasil.”

Ouvi isso num programa de rádio da Ipanema.
E nunca vi a Ipanema pegando um cara qualquer para dar entrevista na rádio e falar sobre como é o processo de fabricação do sabão, quantos litros de soda cáustica vai por dia e qual é o corante que eles usam.

Meus, o nome do programa não é BIG IBGE BROTHER.

E digo mais, a Globo até deu chance de colocar pessoas “normais” no programa quando fizeram aquelas entradas por cartas. Mas a moral é que entrou um monte de gente que não fedia nem cheirava, que não tinha nenhuma participação importante, que ficava de canto, que enfim, não participavam do programa.

E essas pessoas acabavam ainda sendo privilegiadas, porque “precisavam mais”. É o coitadismo brasileiro. Vamos dar então a Copa Libertadores para um time da quarta divisão.

Pra caridade, a Globo já tem o Criança Esperança. A Mara e a Cida não mereciam ter ganho. Pronto, falei.

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ARGUMENTO CONTRA O BBB #4 : “É tudo muito raso, superficial, sem conteúdo.”

Ah, bom. Aí tenho somente 25 palavras para vocês: Zorra Total, Altas Horas, Toma Lá Dá Cá, Saia Justa, Malhação, Edgard no Ar, Domingão do Faustão, TELE domingo, Mob Brasil, Hebe, Show do Leão.

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ARGUMENTO CONTRA O BBB #5 : “Esse programa não contribui para a educação das pessoas.”

Claro, essa é a responsabilidade de um programa de TV.

Fora que essa parte de culto à celebridade, formação de celebridades instantâneas e tal, nem é tão assim. Os caras que não têm talento, não têm conteúdo, não tem serventia, acabam sendo naturalmente expelidos. Tanto que os únicos dois casos de pessoas do BBB que acabaram dando mais certo, foram a Grazi e a Sabrina, que, na real, acabaram desempenhando muito bem as funções que estão ocupando agora.

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ARGUMENTO CONTRA O BBB #6 : “Festinhas, provas, anjo, líderes. É tudo muito fake, pra gerar os conflitos. As pessoas são escolhidas para cumprirem papéis específicos.”

Sim, amigo. Se não, a gente ia ficar vendo as pessoas dormindo e comendo. E o legal é formar a novelinha, com o bandido e o mocinho. O engraçado, o polêmico. A putinha, a certinha.

É assim que funciona em toda dramaturgia: teatro, TV, cinema. Qual é o problema de se proporcionar um script, mesmo que informal, para que os participantes ocupem posições? É a moral do programa.

Além disso, a Globo já tem na sua grade um horário reservado para mostrar coisas desinteressantes, marasmentas e sem nenhuma ação. É chamado Globo Repórter.

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ARGUMENTO CONTRA O BBB #7 : “Estamos acostumando o povo brasileiro com lixo.”

Buenas, vale lembrar que o formato é sucesso em todo o mundo. Inclusive na Inglaterra. E só assiste quem quer. Quem não quer, troca de canal.

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Deve ter mais várias restrições. Muitas outras.
Veja bem: não estou tentando convencer ninguém a gostar do programa. Mas acho que, dentro do contexto de “vamos juntar 12 pessoas que não são conhecidas e deixá-los trancafiados numa casa. Cada semana sai um”, o BBB é um produto muito bem feito, construído e desenvolvido.

Se você quiser, pode tentar me convencer do contrário. Pode dar outros argumentos. Vou ficar trifeliz de ouvir e não vou ter problema nenhum de concordar com você. Me escreva, comente, me ligue

Mas, por favor, só não me liga amanhã depois de Viver a Vida que eu vou estar muito ocupado.

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Algumas coisas que você deve levar em consideração:

• Este livro é para jovens que estão entrando no mundo da propaganda. Se você tem alguma experiência, é bem possível que ele não seja muito útil para você.

• Perceba que o conteúdo começa beeeeem do início, pelas questões mais básicas, mas mais para frente ele chega em discussões interessantes - até para quem já está aí há um tempo.

• O livro é Beta. Terá atualizações constantes. Inclusive essa primeira versão foi ao ar meio que “em fase de testes”. Foi meio “tá, depois a gente muda o que não está legal”. Em breve, vamos colocar para download uma mais caprichadinha.

• Eu não tive a intenção de ser absolutamente original. Pelo contrário: se você ler o início do livro, vai ver que sou bem enfático com relação a isso.

• Na real, chamar de livro talvez dê uma dimensão desproporcional. Considere um guia, um manual. Um conjunto de mortas.

• O layout foi feito em tempo recorde pelo Eduardo Friedrich, que trabalha lá com a gente na Perestroika, e que resolveu o job da melhor forma dentro das condições existentes. Para a versão 2.0, vamos nos puxar e fazer um layout ainda mais bacana. Talvez com o apoio de um DA mais experiente (voluntários, apresentem-se!).

• Como o livro é gratuito, decidimos não contratar revisor. Qualquer errinho, nos perdoe. E nos avise.

• O post “Não olhe para o lado”, tem um erro que deixa o conteúdo totalmente sem sentido. O correto é: “1) Você prefere ganhar um salário de 100, sendo que
todos os seus colegas ganham 50.”

• Dúvidas, sugestões, reclamações: tiago@perestroika.com.br.

Deu, agora pode baixar: clique aqui e faça o download do livro “As Mortas da Perestroika”, de Tiago Mattos. (Para salvar no seu computador, clique com o botão direito no link).

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Livro em primeira mão.

4 de janeiro de 2010

Como muitos de vocês sabem, eu preparei, nos últimos meses, um livro/guia/manual com dicas para jovens profissionais de publicidade.

Ele será distribuído gratuitamente. Qualquer um poderá fazer download pelo nosso site.

Minha intenção é colocá-lo no ar ainda esta semana. Só não botei ainda porque tenho que corrigir umas coisinhas.

Mas como algumas pessoas estão realmente ansiosas, resolvi fazer o seguinte: vou liberar 10 downloads do “copião” (versão ainda não finalizada). Os primeiros 10 que mandarem um email pra mim, tiago@perestroika.com.br, vão ter acesso a esse material em primeira mão.

Não adianta pedir por aqui: tem que ser pelo email, certo?

Abraços e até mais.
Tiago.

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