*Por Leo Prestes.
Adorei aquela discussão de alguns posts atrás sobre São Paulo. Foi bom ouvir os argumentos de quem escolheu outras cidades para viver. Saí dali com opiniões um pouco diferentes sobre esse negócio de ir ou ficar.
Mas os argumentos a favor de Porto Alegre não me fizeram muito bem. Porque ninguém ali parece ter escolhido Porto Alegre para morar por causa do trabalho. Todos falam em amigos, família, time de futebol. Mas, com o mercado, quase ninguém está feliz.
Resumindo: Porto Alegre não é atraente para quem quer ser criativo. Não desenvolve o mercado porque perde as melhores cabeças. E deixa de criar novas cabeças porque o mercado está pouco desenvolvido.
E isso me lembrou uma entrevista que li tempos atrás na FFW Mag com um político chamado Chris Smith, Ministro da Cultura inglês durante o governo Blair. Quando assumiu o cargo, a primeira coisa que Smith pediu foi um relatório sobre o tamanho da indústria criativa no país. Ele tinha a intuição de que aquilo estava ficando grande. E tinha razão: o relatório mostrou que em 1997, a indústria criativa - TV, artes visuais, ilustração, música, publicidade, cinema, arquitetura etc - já representava 7% do PIB.
Com esses números nas mãos, Smith pôde convencer o governo a criar um plano de estímulo para essas empresas, geralmente pequenas em tamanho, mas grandes em influência, e capazes de formar redes de trabalho que envolvem muita gente.
Treze anos depois, o faturamento da indústria criativa está quase ultrapassando o lucro do setor financeiro em Londres. Esse crescimento gerou projetos parecidos em alguns países, virou notícia nos principais jornais do mundo e em alguns do Brasil.
Mas não lembro de ver alguém, político ou não, falando nisso no Rio Grande do Sul. Aqui, se a política não estimula o agronegócio ou as grandes indústrias, é frescura. Somos irritantemente conservadores e pragmáticos. E, mantendo as coisas do mesmo jeito que eram em 1950, não diversificamos a economia, não produzimos mais do que commodities e, quanto mais os produtos e serviços vão se sofisticando mundo afora, menos vale o que temos para vender por aqui.
No Rio Grande do Sul, o sucesso de empresas como a Perestroika, a W3Haus, a Boca, a Aquiris, a Santa, a Maria Cultura e muitas outras é como o nascimento de uma árvore no meio do paralelepípedo. Um milagre. Mais milagre ainda é elas ficarem aqui - Live e CuboCC, só pra citar duas, foram embora. Isso sem falar nos criadores e artistas independentes que também se foram.
Esse post tá ficando com cara de “apelo aos políticos”, mas não é - como se adiantasse alguma coisa apelar aos políticos. É só uma tentativa de que mais pessoas passem a pensar na economia criativa como uma maneira da gente não ficar na mesma lenga-lenga de POA x SP nas próximas décadas.
O Brasil está mais predisposto a investir não só no essencial para sua sobrevivência, como Olimpíadas e Copa do Mundo estão aí para provar. As pessoas estão mais predispostas a buscarem empregos mais criativos e menos corporativos, como milhões de pesquisas sobre a geração Y indicam. Faz todo sentido que a indústria criativa tenha muito futuro no país. Resta saber que cidades vão perceber isso antes.
*Leo Prestes é Diretor de Criação e Planejamento da W3Haus, professor do curso Mthfckr, humorista da Balalaika e amigão da galera.
31 Comentários
1 de fevereiro de 2010 às 8:07
Como mudar?
Valorizando a cultura local, os artistas, os músicos, etc….divulgando da mesma forma como se divulga os trabalhos artísticos que vem de fora.
Concedendo o mesmo espaço nos jornais, blogs e outros.
Se (exemplo) no Porto Alegre em Cena, os grupos gaúchos, tivessem seus espetáculos estampados nas
capas de jornais, entrevistas em várias redes de
comunicação e tudo mais, seria menor a “sensação”
de desvalorização da cultura local. Sem falar da
diferença exorbitante dos cachês.
1 de fevereiro de 2010 às 8:45
Deixo aqui a dica do livro “Management and Creativity”, de Chris Bilton.
Ele começa justamente falando dessa virada na economia inglesa que o Leo citou. E vai a fundo tanto no gerenciamento da criatividade no dia-a-dia como nas políticas públicas que incentivam essas atividades.
Recomendo.
1 de fevereiro de 2010 às 9:32
Eu estava lá, mas não pude ficar até o final.
Acho que os assuntos são convergentes, sim. Mas achei legal incluir a história do Chris Smith por ser bastante inspiradora.
Sobre o como mudar, acho que teria que ser uma mistura de canetaços (menos impostos, mais facilidade de contratar, aluguel mais barato, escritórios específicos para isso em certas áreas da cidade, estímulo a museus e galerias etc) e atitudes individuais (pessoas e empresas começarem a mirar outros mercados).
Nada fácil, mas melhor começar a discutir isso agora do que deixar passar.
1 de fevereiro de 2010 às 10:04
Léo, muito bom ter trazido esse exemplo da Inglaterra e com números.
Realmente, apelas pros políticos (ao menos num blog) não adianta muita coisa. Mas acho que teu texto contribui pra uma coisa: ao menos as PESSOAS que trabalham na indústria criativa precisam se enxergar como agentes de crescimento financeiro. E isso é difícil, falo por experiência própria. Nós damos dinheiro. Muito dinheiro. Pros outros, mas damos.
O primeiro passo pra qualquer mudança, eu acredito, tem que vir de dentro de quem quer mudar e é muito comum pessoas da indústria criativa não se valorizarem do ponto de vista mais burocrático. Felizmente vejo isso mudando. As empresas que tu citou (e às quais eu adicionaria a Void e a Mazah) não estão acontecendo por acaso.
Outro lugar onde vejo isso acontecendo muito forte é na música independente. Um dos principais argumentos da Abrafin pra levantar verbas com o Governo são os empregos diretos e indiretos que eles geram com os festivais (Um festival que recebe de 3 a 5.000 pessoas gera investimento em seguranças, alimentação, pequeno comércio, empresas de som e luz, estúdio de design, agência digital, etc, é toda uma rede sustentada financeiramente por “alternativos”).
Enfim, tudo isso só pra dizer: “Legal, concordo”.
1 de fevereiro de 2010 às 11:15
Quando falamos em incentivos e políticas culturais, temos que refletir mais profundamente..
Talvez seja um incentivo para alguns produtores e
empresários ou algo que o valha, mas nunca vi na-
da na mão do artista. Incentivo para quem?
Políticas culturais? Para quem?
Vejo um enorme processo de exclusão e censura, que
permeia o mundo das expressões..sim censura, pois
se eu quiser falar de algo hoje, deverei elaborar
um projeto (vários), para ver se me dão o aval,
para que eu possa correr atrás da verba. Se meu projeto for “BOM”, poderei falar do hoje, quem sabe no ano que vem…
1 de fevereiro de 2010 às 11:58
Bom texto pra reflexão, Leo. Realmente, nosso mercado não está nada atraente e TODOS (não dá pra tirar ninguém da conta, creio eu) acabam colaborando pelo menos um pouco pra isso. Aqui, nossa briga é exatamente pra quebrar esse paradigma, pra envolver não só os criativos mas as demais pessoas da agência em um processo criativo diferente. À vezes, a luta é vã; mas a luta continua, companheiro.
1 de fevereiro de 2010 às 13:48
(moderadores, deletem o comentário anterior, pq eu errei a grafia DO MEU PRÓPRIO NOME. Obrigado)
Leo, grande texto. Essa discussão é muito importante.
Tenho a impressão que falta espírito empreendedor aqui no RS. O pessoal gosta de ser empregado. A grande maioria dessas boas cabeças que foram embora deixaram a cidade sem ao menos tentar criar sua própria empresa aqui. Sem essa oxigenação dos negócios, os empregos são sempre os mesmos, os salários ficam baixos porque não há concorrência para absorver talentos, e a indústria criativa não cresce.
Depois da internet, estar longe de SP deixou de ser desculpa. Não tenho solução pra isso, mas acho que tá faltando incentivo à cultura empreendedora (nem tô falando de inventivos fiscais, mas incentivo à cultura do empreendedorismo).
Abs.
1 de fevereiro de 2010 às 14:03
Olha, eu acho que fiz a minha parte e contribuí para a formatação de um certo “movimento”.
Foi o CJC - que, durante um certo período, preparou toda uma geração de criativos.
Não por acaso o RS se tornou um celeiro de uma “vanguarda criativa publicitária”, com como Cubo e Live liderando esse processo todo.
Não por acaso, várias pessoas ligadas àquele CJC tiveram histórias ligadas com essas duas empresas (como o Felipe, o Malinoski e o Mauro Silva).
Não por acaso, várias pessoas daquela época, que lideravam o CJC, acabaram migrando para “empregos fora da casa”. O Leo, o Goldoni, o Israel, o Márcio Callage, só para citar alguns.
Acho que o post “o novo criador” é interessante nessa discussão toda. Fica a dica.
http://www.perestroika.com.br/2009/06/16/o-novo-criador-2/
tg
1 de fevereiro de 2010 às 16:15
Não é exatamente o que vocês estão falando, mas tem um pouco a ver sim: eu sempre digo que se não tivessem inventado o futebol, o Ronaldinho hoje seria um fodido na vida (ele e tantos outros).
Muitos caras que nasceram em séculos passados podiam ter sido craques se o futebol existisse, mas como não existia, se fuderam fazendo outras merdas.
As vezes eu sinto que sou um Pelé de algo que ainda não inventaram. Sério. Cada vez menos quero ser publicitário, cada vez mais quero fazer um troço que ainda não sei o que é.
Acho que eu realmente nasci pra ganhar na Mega-Sena. Tá aí um troço que é a minha cara. Hehe.
1 de fevereiro de 2010 às 16:37
Um dos problemas no Brasil é o poder econômico estar cada vez mais concentrado em São Paulo. A partir de um certo ponto, toda empresa criativa que pretende crescer precisa ter um braço em São Paulo, nem que seja para mero beija-mão do cliente.
Porto Alegre é uma cidade muito melhor do que a maioria de seus habitantes pensa. Em vez de nos compararmos com Rio e São Paulo, deveríamos nos comparar é com Recife, Salvador, Florianópolis, Manaus, todas longe do eixo RJ-SP. Acho que nos sairíamos bem na comparação.
Temos um setor criativo bem desenvolvido, também. RBS é a melhor empresa de comunicação fora do eixo Rio-São Paulo, a meu ver. Nossas agências conseguem às vezes roubar clientes do Sudeste. Temos uma boa cena artística.
O problema é que, como apontou o De Santi, muita gente boa decide emigrar, em vez de ficar e ajudar a melhorar esse cenário.
Mas é uma questão complexa. Só dá para ir até um certo ponto sem antes ocorrer uma melhor distribuição dos recursos econômicos no Brasil. Como São Paulo parece estar se tornando incapaz de absorver mais empresas - e portanto habitantes - é capaz de haver mudanças nesse problema. Os políticos deviam pensar nisso.
1 de fevereiro de 2010 às 18:24
Leo, realmente interessante o ponto de vista. Como gaúcho expatriado há 10 anos (moro em São Paulo, com 2 filhos gaúchos — e gremistas!), vejao uma cidade bem provinciana, fechada em si, à distância. Por outro lado, quando passo pela Cidade Baixa ou vejo projetos como o da Perestroika ou mesmo o Surfe no Dilúvio (!), fico feliz de perceber que a criatividade ainda pulsa.
Em primeiro lugar, gaúcho tem que parar com a mania de achar que o Guaíba tem o pôr-do-sol mais lindo. Afinal, ele sempre será se você nunca viu algum outro. É bonito, sim, mas nem tudo que é do RS é melhor. O problema é que muitas vezes confundimos orgulho com arrogância. E a arrogância paralisa. Pois se já está bom, para que melhorar. A indústria gaúcha vem minguando desde os nada saudosos tempos do bigode Olívio Dutra, que deu uma bela guinada para trás.
Projetos como Qualidade RS e Junior Achievement são muito legais e deveriam ser referência.
A gauchada precisa aprender a falar a língua do resto do Brasil e não mais ficar nessas de que aqui é melhor do que aí.
Enfim, aí vai um desabafo de quem gostaria de poder voltar para POA para trabalhar, mas não vê perspectivas. Quem sabe em poucos anos.
Para finalizar, vejam o que Recife fez com o Porto Digital. http://www.portodigital.org/
O Silvio Meira (@srlm), um dos idealizadores do projeto, poderia ajudar a pensar um projeto de cidade para os próximos 20 anos.
1 de fevereiro de 2010 às 22:14
Pois eu acho que há uma mistura das duas coisas..
De um lado, uma babação de ovo para tudo que vem de fora (nada tem a ver com qualidade) e de outro, o pessoal que por defesa acaba ficando arrogante.
Paga-se os tubos para artistas e cenógrafos, que
venham trabalhar com publicidade aqui. Mas é claro
que o pessoal daqui, não recebe nem mesmo perto
da metade.
Não sei se é só nas artes, mas nunca vi ninguem daqui, dizer (a exemplo do por do sol) que nossa
arte também e boa, nossa música tem qualidade e
etc..pelo contrário, só jogam para baixo!!!
2 de fevereiro de 2010 às 1:03
Deixar a cultura de pagação de pau para paulistas e cariocas q os gaúchos tem, adoram falar sobre independência, no entanto a gauchada adora pagar pau para artistas paulistas, ver novelas cariocas etc Não tem minima independencia mental e deliram com indepêndencia fisíca…
Deixar de ser uma bolha fechada q parou no tempo, fechado td e a todos q só conhece o resto do país e do mundo através de estereótipos.
Falar menos e agir mais…
O q mais pesa do orgulho gaúcho é que os gaúchos dificilmente aceitariam a idéia de estarem errados em qlqr coisa q seja, e não aceitando que algo está errado não tem o que mudar ou corrigir, sendo assim sempre seremos o “melhor estado” q nunca precisa mudar nda por ser sempre superior e ficaremos sempre na msm jossa…
É amigos, quem geralmente nota q algo está errado aqui é quem viajou para fora, quem foi catequizado com a superioridade gaúcha dificilmente vai querer q algo mude.
2 de fevereiro de 2010 às 1:06
Parar de pagar pau para a Inglaterra inclusive…
…delirio básico gaúcho em achar q vive em um estado europeu e se vestir como algum dos Beatles…
2 de fevereiro de 2010 às 6:40
Fiz a pergunta lá no início pois eu não sei a resposta.
Acho que o Leo falou certo quando comentou das políticas de apoio ao mercado. Acho que isso seria realmente efetivo.
Eu por outro lado discordo de algumas opiniões que dizem que devemos promover mais oq é nosso. Acho que isso só é válido se o conteúdo for de qualidade. Acho que tudo inicia com a promoção do conteúdo de qualidade independente da fonte. Cultura e criatividade não tem fronteiras. Estimular é mais importante do que promover. Acho que as duas coisas são diferentes.
Na minha cabeça o ideal é promover espaços para fomentar idéias. Como o CJC ou a Perestróika ou ainda galerias independentes de arte.
2 de fevereiro de 2010 às 7:32
Preciso discordar dessa mania de “gaúcho acha Porto Alegre a melhor cidade do mundo”. Moro no Rio, e os cariocas acham o Rio a melhor cidade do mundo, o que não é, apesar de sim, ser linda, e se acham as melhores pessoas do mundo e definitivamente, não são. Sou muito mais orgulhosa pela nossa educação, do que admiro o orgulho carioca de ser malandro. E mau educado. Generalista demais? Talvez. Só acho que bater nesta tecla de gaúcho ser arrogante é ignorar que isto definitivamente não é exclusividade nossa.
Acho também que dizer que ninguém fala ou mesmo reconhece que nossa música tem qualidade é desmerecer por total o trabalho de gente como Vitor Ramil, Nei Lisboa, Yamandu Costa, Luis Fernando Veríssimo, Heloisa Crocco, entre tantos outros.
Quanto ao post propriamente dito e as possibilidades dentro de um campo de trabalho criativo que não envolva artes como música ou literatura, estagnação é o nosso nome, concordo plenamente, tanto que estou fora de Porto Alegre pra crescer, aprender, mas definitivamente querendo voltar e ver meu futuro aí. Mas sim. Com muito medo de não sair do lugar.
2 de fevereiro de 2010 às 9:12
Ninguem fala e reconhece o trabalho de nossos músicos e artistas locais não. Não existem somente os citados, mas muitos outros da mesma qualidade ou ainda melhores, que ficam escondidos em baixo de conceitos de qualidade, criados por uma pequena minoria.
Posso fazer uma lista de artistas fantásticos, que a maioria das pessoas nunca ouviu falar.
E falei exatamente isso, temos que divulgar os trabalhos que tenham qualidade, o que raramente acontece por aqui. Muitos trabalhos que vem de fora ou artistas, nem sempre tem qualidade e sim
visibilidade e talvez só visibilidade.
2 de fevereiro de 2010 às 13:27
Outra coisa teria q mudar é parar é esse negócio de dar desculpas, vejo q as pessoas não estão contentes com a situação no sul no entanto dão mil desculpas do pq as coisas estão nesse pto, nunca é culpa dos gauchos ou responsabilidade em certa parcela da própria pessoa. ñ pe bem assim, pq culpa do governo, e culpa de fulano, não fiz pq ñ deu etc
Vejam bem existe uma grande diferença entre arrogância q dá resultado e a que não dá. Um as pessoas falam mas tbm fazem no outro as pessoas só falam e isso é o que mais tem aqui.
As desculpas gaúchas servem mais uma vez como modo de redimir a situação atual e podermos dizer a nós msms, está tdb e não vai ser dessa vez q eu vou ter q me incomodar em mudar alguma coisa.:
- Não estou fazendo nda de errado é q nesse estado bla bla bla (desculpa favorita) e por isso não da certo, logo não preciso mudar já q a culpa é de outro.
Falta de humildade em admitir q errou durante o percurs.
2 de fevereiro de 2010 às 17:53
Maday: concordo completamente com o que tu falou. Esse lance de desculpa, pra mim, é o que mais fode a indústria criativa.
Criativo, em geral, é mto vaidoso e não aceita a hipótese de estar errado.
tg
2 de fevereiro de 2010 às 20:44
Os artistas e criadores que me referi, não dão desculpas para nada não, apenas apontam o que poderia ser o início da solução de alguns problemas. Mas claro que sempre tem alguem que acha que as pessoas que reivindicam algo, não fizeram o suficiente para obter os resultados desejados.
Infelizmente a falta de reflexão e conhecimento, causa realmente este tipo de pensamento, e é por
isto que continuaremos no mesmo lugar…pensando pequeno, ao invés de cobrar e reivindicar seus direitos.
Tem sim, muita gente por aí, que prefere dizer que está tudo bem e “botar” banca de bacana, mas na verdade está passando fome.
E os artistas e criadores que eu conheço, são grandes batalhadores que continuam a lutar por seus espaços de expressão.
Dizer que as pessoas que batalham por algo, estão dando desculpas…”ME DESCULPE”, mas é alienação total.
Dizer que as pessoas dão desculpas, significa que pensam que ninguem trabalha duro?? Ou que devemos trabalhar que nem cavalos e não podemos reivindicar melhorias??? Me poupem!!! Esta é justamente UMA das funções de um criador sabiam?
Eu estava justamente falando, de pessoas que batalham e se especializam por uma vida inteira e
não de uma criatura que apenas fala, mas não age.
2 de fevereiro de 2010 às 23:12
Léo, achei muito bom o teu texto. Faz a gente pensar, querer discutir e pensar mais um pouco. Prova disso são todos estes comentários com pontos de vistas interessantes. Concordo com alguns, discordo de outros.
Gostaria de fazer um contribuição ao teu texto e à discussão sobre duas coisas que não vi ninguém falar e que acredito ter influência no assunto, pelo que estou vivendo no mercado daqui.
Primeiro, queria falar do lado do anunciante. Trabalhei contigo tempos atrás e me lembro de conversarmos justamente sobre a necessidade de os clientes abrirem mais a cabeça, serem menos conservadores e entenderem a necessidade de marketing, branding, publicidade, conteúdo e por aí vai. Sinto que esse mercado tem se mexido bastante, prova disso são as criativas empresas já citadas aqui. Mas não vejo os anunciantes (salvo raros casos) na mesma batida. E nem falo de verba, falo de profissionalismo e busca de inovação. Acredito que nosso trabalho é cada vez mais abrir a cabeça do cliente, mas temos que reconhecer que às vezes somos vencidos pelo cansaço. Em 2009 me vi no meio de um mercado pouco explorado, com muita necessidade de criatividade e comunicação (entre outras coisas), com muita verba, mas com um conservadorismo devastador. É uma cultura que leva um tempo para mudar, dizem. Mas espero que consigamos acelerar esse processo.
Outro ponto que tem me assustado são as faculdades. Obsoletas demais pelas conversas que tenho tido com universitários. Na verdade, já achava obsoleta quando fiz. Acho que a Perestroika é um belo sinal de avanço de ensino mais voltado para o mercado e formatos alternativos. Mas precisamos de mais e mais dessas iniciativas. Vejo muita gurizada criativa, querendo inovar, mas sem saber por onde e sem achar nessas instituições conselhos valiosos.
Enfim, mais uma vez, parabéns pelo post inspirador.
Um abraço
Diego
3 de fevereiro de 2010 às 12:38
No Rio Grande do Sul somos meros reprodutores de cultura, somos o estado do retrô, nunca vi uma capital com tantos brechos como POA, bandas q se limitam a tentar emular bandas de rock dos anos 60/70 com sotaque inglês (algo que na minha opinião é mto podre e tosco)…
O que basicamente quero dizer é q aqui nda q não foi convencionado la fora como o canône da existência humana faz sucesso ou tem chance de vingar, a banda mais copiada: Os Beatles, mto mais facil copiar algo já grantido do q se arriscar em um caminho diferente, isso se reflete em diferentes áreas, aí se vê msm q gaúcho tem cabeça fechada msm, apedreja logo alguém q tenta fazer algo diferente e q não seja calcado em algo da epóca da ditadura.
Porto Alegre capital do Brecho Social Mundial
3 de fevereiro de 2010 às 12:53
“E os artistas e criadores que eu conheço, são grandes batalhadores que continuam a lutar por seus espaços de expressão.
Dizer que as pessoas que batalham por algo, estão dando desculpas…”ME DESCULPE”, mas é alienação total.”
Debóra em nenhum momento no meu post eu disse: artistas e criadores dão desculpas… Apenas falei a respeito da cultura da desculpa.
Leia melhor os posts dos outros antes de pensar q foi dirigido unicamente a vc.
3 de fevereiro de 2010 às 18:43
Sugestão para a Perestroika:
Vcs podiam fazer um Top 5 do Vai lá e faz mensal (em um post) mas com um foco diferentes, colocar qlqr coisa na área da criação q esteja sendo feita aqui no sul q possa quebrar com o Modus Operandi gaúcho de não inovar, top 5 vai lá e faz Out of the Box - RS
Promovam tais coisas em um post diznedo o pq chamou a atenção do cara e tal dando feedback ao trab dele.
PS: Top 5, cinco coisas q chamaram a atenção no mês não necessáriamente uma melhor q a outra
3 de fevereiro de 2010 às 19:04
Maday
Você é que falou de forma generalizada. E se estamos falando de criadores, suponho que sejam
também artistas.
Tudo bem….mas mesmo assim, alguns brasileiros tem mania de falar que brasileiro não gosta de trabalhar e tal. Então falo também destes casos.
Enfim…
Abraços

1 de fevereiro de 2010 às 0:20
Leo, isso tem muito a ver com o “Wi Orgs”, que falamos na palestra da Semana da Comunicação. Acredito que tu não deva ter visto. Mas é bem por aí.
tg