por Gustavo Mini
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Não sei se o Mini ainda precisa de apresentações, mas em todo caso, ele é o responsável pela área Conexões, da Escala, pelo Walverdes e pelo Conector, onde esse texto foi originalmente publicado.
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É isso mesmo. Ao longo das últimas décadas, venderam o negócio da publicidade pra estudantes e novos profissionais como um lugar onde é obrigatório e fundamental ter idéias, boas idéias, muitas idéias. Bem, amigos, acho que é hora de mudar essa diretriz.
Após tanto tempo batendo nessa tecla, o resultado é que agora, efetivamente, os corredores, mesas e salas de reuniões de agências e produtoras das diversas especialidades do marketing estão ABARROTADAS de gente com idéias. Muitas idéias. Inclusive muitas boas idéias.
(Ok, o pessoal sempre também traz a prima das idéias, a “opinião”, mas isso é assunto pra outro post).

Você aí, que trabalha nesse meio: já participou de alguma reunião em que faltassem idéias? Duvido muito. Em toda reunião com mais de dois seres humanos, sempre saltam idéias, especialmente de pessoas pouco envolvidas com a questão. As reuniões são o nascedouro de muitas idéias. Uma pessoa tem uma idéia. As outras ficam em polvorosa e também querem ter as suas. Uma a uma, as idéias vão sendo geradas e preenchem a sala até o teto. Se não há um braço forte, nenhuma delas vê a luz do dia. Porque não existe registro na história da humanidade de qualquer idéia, por mais genial que seja, que tenha sido colocada em prática durante uma reunião. É depois, em outras condições de temperatura e pressão, que as idéias de fato acontecem.
Não bastasse isso, a internet ainda mostrou pro mundo como é comum ter idéias. E boas idéias. É um catatau de gente que hoje escreve, fotografa, desenha, programa e filma suas idéias. E depois posta em algum lugar. E conta para os amigos, e os amigos dos amigos, e os amigos dos amigos dos amigos, que teve essas idéias. Algumas modestas. Outras bacaninhas. Mas umas quantas muito, muito legais. Em uma média que rivaliza com a maior parte das agências de publicidade, que investem milhões de dólares em profissionais e estruturas criadas pra ter… idéias.
Ter idéias, queiramos ou não, já não é mais diferencial pra ninguém. É preciso ser muito cínico ou preso ao passado pra não aceitar essa nova realidade. E, como reza uma antiga regra econômica, a abundância de um elemento gera automaticamente a carência do seu oposto correspondente. No caso das idéias, qual seria o oposto correspondente? Não, não é o pensamento burocrático e clichê, mas a capacidade de botar idéias em prática. A abundância de gente tendo idéias está gerando uma grave carência de gente disposta a ouvir e ajudar a levar adiante a idéia de outras pessoas. Se não na área de software livre e nos coletivos artísticos, ao menos em publicidade, isso parece estar acontecendo.
Tudo bem. Eu sou o primeiro a defender o atual modelo de criador-produtor, do cara que tem idéia e coloca a mão na massa pra vê-la nascer. Mas também faço questão de levantar a voz contra o desequilíbrio ecológico que está acontecendo no famoso “campo das idéias”. Nada me tira da cabeça que, hoje, se dar bem no mundo da comunicação não quer mais dizer ser uma pessoa cheia de boas idéias, mas está mais relacionado a ser capaz de ajudar a botar de pé as idéias dos outros. Ou, para irmos mais longe na hierarquia, construir e gerir estruturas nas quais boas idéias sejam levadas adiante.
Eu não sou nenhum guru do marketing, nem ganho rios de dinheiro ou montei alguma hotshop super cotada de forma que possa comprovar na prática minha tese. Mas mesmo assim, tenho minhas experiências práticas e tambémacho que não custa nada perguntar: você acha mesmo que o Steve Jobs criou e desenhou o iPad?
Gustavo Mini
18 Comentários
24 de maio de 2010 às 13:43
“Vai lá e faz”. Cada vez eu acredito mais nesse mantra.
Parabéns, Mini. Preza afu.
tg
25 de maio de 2010 às 5:15
Concordo em partes.
Já havia lido o texto em outro lugar e fiquei bem motivado a responder, já que o mesmo me deixou desconfortável. Isso por si só já é um elogio. Gosto de me sentir provocado.
Primeiramente, o artigo deixou a impressão (pelo menos em mim) que hoje sobram mentes criativas no mundo, na internet e nas agências. No outro lado faltam realizadores.
Discordo completamente da primeira afirmação. Acho que existe uma infinidade de copiadores, multiplicadores e falsos inovadores. Quantidade não é qualidade.
Falando de propaganda.
Costumo acompanhar o trabalho das agências do sul e bem de perto o das principais agências paulistas. Se elas estão tão cheias de mentes brilhantes e criativas gostaria de saber onde elas se escondem. Vejo produções complicadas e custosas chegando na rua com idéias ruins. Não vou entrar em exemplos locais para não criar polêmicas desnecessárias. Na verdade, vou aproveitar o gancho para elogiar uma que considero boa (minoria na humilde opinião desse publicitário) a maravilhosa ação da Olimpikus junto a torcida do flamengo.
No mundo da arte urbana como estencil e graffiti parece ainda pior. A maioria copia artistas como o Banksy ou o Blu. Sendo que esses mesmo já partiram para outro tipo de execuções. Caras como o XOOOX são ótimos multiplicadores de estilo não inovadores. Não vejo um estilo tão fresco como o dos Gêmeos fazem anos. Toy art.? A maioria dos artistas se alimentam de alguns poucos bons coletivos. Character Design? Já fazem 3 anos que não vejo renovação no Petúnia.
Posso até entrar me detalhar mas não quero me alongar. Acho que no fim das contas cada observador vai ter uma opinião diferente. A minha já está bem clara.
Claro que existem caras bons. Só que são poucos. Bons multiplicadores temos sobrando.
Sobre realizar idéias. Aqui eu concordo 100%. Chamo esses realizadores erroneamente de Engenheiros Criativos (digo erroneamente pois é um princípio preconceituoso dizer que engenheiros não são criativos). Pessoas com esse perfil são diamantes. Achar profissionais que se apaixonem pela idéia (com o mesmo entusiasmo do autor) e tenham a capacidade de executá-la são uma minoria.
Aqui gostaria de fazer outra ressalva. Pela forma com que foi colocado, parece que os postos de criação e execução de idéias são preenchidos ou disputados pelas mesmas pessoas. Atrevo-me a dizer que são perfis bem diferentes. Isso eu observo claramente aqui na Alemanha. Tem caras que foram talhados para levantar prédios, estradas e goleiros de 60 metros. Esses conseguem fazer e inspirar outros a trabalharem sobre um esquema organizado para chegarem a um objetivo comum.
Se eu estiver dando a impressão de que realizadores não são criativos vou me corrigir. Acho que eles são dotados de uma criatividade prática. Apenas para exemplificar diria que os executores são capazes de achar atalhos e respostas para problemas estruturais, organizacionais e de logística com velocidade e, porque não dizer, criatividade.
Um pouco diferente da criatividade abstrata, algumas vezes empírica que observamos nos artistas e criativos de agência, por exemplo.
Assim diria que pessoas motivadas pela construção e não pela criação nem tentam profissões cuja base é a inovação. Caso contrário arriscam-se a frustração.
Acho que criativos de agência só viram bons executores por se apaixonarem por suas idéias. Movidos por esse sentimento acabam por se superar. Muitas vezes de uma forma meio atabalhoada. Clássica daqueles que não sabem os atalhos. Vale dizer que raríssimos criativos se realizariam apenas ajudando a executar idéias de outros criativos. Não vou incluir aqui Diretores de Criação que são co-autores.
Talvez você tenha tentado dizer que não valorizamos devidamente os realizadores. Nesse caso sou obrigado a concordar. Mas não acho que tenha ficado muito claro no texto.
Agora a parte que realmente me motivou a responder foi quando escreveste que: “Ter idéias, queiramos ou não, já não é mais diferencial pra ninguém.” Frase seguida de uma outra não menos polêmica: “É preciso ser muito cínico ou preso ao passado pra não aceitar essa nova realidade.”
Caçamba. Estou totalmente preso no passado.
Costumo julgar os criativos pelas suas idéias. A capacidade de colocá-las em prática também é importante. Concordo. Mas o DIFERENCIAL continua sendo a criatividade e a inovação.
Grande abraço aos amigos e me desculpem pela intromissão. Posso até debater mais mas acho que meu texto já está grande d+ para uma resposta. Na verdade já estou até meio arrependido de ter escrito ele. Tenho uma preguiça desgraçada de polêmicas.
Marco Loco Bezerra
25 de maio de 2010 às 10:41
Não sei não se na internet tem tanta ideia genial. Se a gente olhar o volume de coisas publicadas, o percentual de coisas realmente boas e bem executadas deve ser bem baixo (1%, menos até).
Acho que até as agências de propaganda tem um aproveitamento assim, ou, quem sabe, até maior.
26 de maio de 2010 às 12:11
Marco, acho que teu comentário tem várias nuances. Em alguns pontos, estamos falando a mesma coisa. Em outros, discordamos.
Primeiro, eu também acho que quantidade não é qualidade. Mas, como bem sabemos, quantidade, dentro do ambiente certo, geralmente gera qualidade. E isso não é válido só pro processo criativo de um indivíduo, mas também de uma comunidade, uma cidade, um país ou um momento histórico.
Eu acho que estamos vivendo um momento histórico de ebulição. Está se produzindo muito conteúdo em muitas plataformas. Nisso, se gera muita porcaria, mas também acho que se está criando muito coisa realmente boa. E com uma variedade de abordagens nunca vista antes. É esse caldo que vem inclusive inspirando o mercado publicitário. Hoje não tem gente que freqüenta o YouTube como freqüentava cinema e visitava revistas importadas pra se referenciar?
Quanto às inovações em arte urbana ou outras áreas que tu citou, realmente: tem muita cópia, muito arquétipo sendo levado adiante. Mas talvez estejamos olhando pra área errada. A genética está sendo considerada por algumas publicações como uma área criativa, de muito “Do it yourself”, de muito nerd enfurnado em garagem experimentando e estabelecendo novos parâmetros. O The Economist, no fim de 2008, também escreveu que havia uma certa tendência de pequenos laboratórios independentes de física começarem a ser relevantes em pesquisas importantes. Ou seja, só porque o pessoal está se repetindo em algumas áreas da arte, não quer dizer que no geral esteja faltando criatividade. E tem mais: quantas pessoas perdidas fazendo coisas incríveis não estão fora do nosso radar? Eu sempre assumo que tem muito mais coisa interessante do que meu olhar pode alcançar.
Quanto às agências paulista e gaúchas… é um assunto complicado, mas eu conheço mais gente criativa do que trabalhos criativos saindo desses lugares. Você nunca teve essa impressão? Que as estruturas das agências não absorvem e não conseguem utilizar todo o potencial das pessoas? É o que eu tenho visto e ouvido por aí. Não é pra menos que tem gente que sai de agência e começa a fazer coisas MUITO bacanas, ainda que fora do meio ou da linguagem publicitária. Os caras que criaram a escola em cujo blog estamos debatendo são um exemplo: eles tiveram carreiras bem sucedidas por onde passaram e poderiam se dar melhor ainda indo adiante, mas pra mim a Escola é o melhor trabalho deles até o momento.
Também não acho que criadores e executores disputem as mesmas vagas. O que eu quis dizer é que existe uma supervalorização do ato de ter idéias (simplesmente ter idéias, mesmo que elas não sejam boas) em detrimento da construção de estruturas em que BOAS idéias aconteçam e sejam enriquecidas. E que pra essas estruturas funcionarem, é preciso mentes criativas, que valorizem a criatividade, a serviço da execução e enriquecimento de idéias dos outros.
(Acho que isso eu não deixei claro no meu texto também: a diferença entre simplesmente ter idéias e ter boas idéias contextualizadas. Falha minha.)
Acho que os bons diretores de criação são assim, não? Mas falo de ir além do diretor de criação, além do departamento de criação, que nas agências tradicionais se tornou uma célula fechada que agora está sendo obrigada a se abrir.
Nesse ponto eu acredito que estamos falando a mesma coisa e talvez a minha ironia no texto, usada pra sublinhar meu ponto de vista, tenha nublado essa questão.
Pra finalizar, eu já não julgaria um criativo apenas pela capacidade de ter idéia, mas também pelo jogo de cintura de se articular com outras pessoas e outras equipes pra fazê-la ir adiante. Não é algo fácil, é uma habilidade social. Mas acho fundamental pro momento que estamos vivendo.
De qualquer forma, Marco, fiquei feliz que tu escreveu tudo isso!
João: eu discordo. Acho que pelo volume de investimento financeiro e pela tecnologia disponível, as agências como um todo poderiam fazer melhor.
Abração!
Mini
26 de maio de 2010 às 13:53
Pra complementar: eu sou um exemplo de pessoa que tinha um cargo de denominação criativa e que escolheu parar de “ter idéias” pra focar mais em ajudar a reestruturar a agência (um trampo de longo prazo…) de forma que idéias mais interessantes sejam criadas e viabilizadas.
Pode ter certeza que não foi fácil negociar com meu ego, um processo que ainda está acontecendo. Mas não me arrependo nem um pouco dessa mudança.
26 de maio de 2010 às 17:06
Grande resposta. E quer saber? Achei melhor que o teu texto original. Aos meus olhos, ficou bem mais clara a tua mensagem.
Eu sei que escreveste o texto de uma forma provocativa intencionalmente. Percebi isso na forma com que colocaste algumas das frazes. Obviamente com esse intuito. Não tem nada de errado nisso. Acho que o mercado precisa desse tipo de atitude. Eu também acabo usado disso muitas vezes. O tal do Pendulo de Foucault.
Gostei do exemplo no campo da genética. Não tinha essa referência. Inclusive serviu de estímulo para minha visão periférica. Realmente, percebo que evoluimos de forma criativa em outros campos com velocidade absurda. A física teórica é outro bom exemplo. As novas teorias do universo são verdadeiras obras de arte. Isso sem falar da computação gráfica. Comentei sobre propaganda, design e na arte urbana porque publicidade estava no título do texto. Acabei, realmente, limitando meu julgamento.
Também tenho esse sentimento. As agências não absorvem e não conseguem utilizar todo o potencial das pessoas. E é nesse ponto que eu acho que tu poderia ter desenvolvido mais o teu primeiro texto.
Acho que tu estás muito certo em observar, na estrutura da agência, o grande problema. Concordo muito. E eu queria até escutar mais dessa tua experiência. Acho ela muito ousada e contemporânea. Ainda mais para um mercado tão pequeno e apegado.
Para te ajudar vou falar que hoje em dia, cada vez mais, existem profissionais multi-tarefas: Redatores/Diretores de Cena, Diretores de Arte/Fotógrafos, Redatores/Planejadores/Comediantes (vulgo Leo), Designer/Arquiteto, Diretor de Arte/Redator etc… Vejo isso ainda mais aqui na gringa. Em Sampa a galera geralmente fica pulando de uma carreira para a outra. Justamente porque as agência não conseguem absorver essas pessoas. Convenhamos que isso é um tremendo desperdício de talento. O Dulcídio Caldeira é um exemplo disso.
Eu continuo achando que o diferencial do criativo são suas idéias. Como falei antes, concordo que a capacidade de colocá-las em prática é importante. Tu ainda acrescentou sabiamente o potencial de inspirar outras pessoas. Mesmo assim acho que idéias brilhantes são o metal mais precioso de nossa profissão.
Gostei da tua visão do futuro. Ganhou um fã.
Grande abraço
26 de maio de 2010 às 17:39
Concordo com o texto do Mini, mas também com o Marco Loco.
Concordo que a realização é a chave. Concordo também que o excesso de boas idéias não é bem verdadeiro.
Mas do foco do texto, da idéia do “vai lá e faz”, sou adepto total.
Uma boa idéia sem realização é NADA. O contrário também é verdadeiro, OU NÃO. Aquele cara que esqueci o nome, que fazia dancinhas no mundo inteiro. “Onde diabos está o fulano”. Me esqueci o nome dele. Ele não teve idéia nenhuma. Apenas começava a dançar daquele jeito bizarro no trampo e viu que fazia sucesso. Não teve a idéia “bah, vou fazer essa dancinha agora pro pessoal”. Certo que foi instintivo, algo de dentro pra fora, não planejado.
Aí ele REALIZOU. Transformou isso numa REALIZAÇÃO muito foda. Realização que nem teve uma mega-fodástica-brilhante idéia como alicérce. A grande sacada de rodar o mundo veio ao natural, creio eu.
26 de maio de 2010 às 18:12
Quando eu crescer eu quero ser como o Mini e o Marco, hehe.
Acredito que uma boa idéia sempre vai ser o diferencial. Se pudessemos medir, ao longo do tempo, a porcentagem de boas ideias dentro do universo de todas as idéias, creio que este número seria estável. Esse universo, como um todo, cresce junto.
Acho que vai mudar radicalmente a definição do que é uma boa idéia (diferenciada, criativa, inovadora). Pra uma idéia ser considerada boa, ela precisará trazer consigo um caminho para ser realizada. Não vamos mais ter espaço praquela história de “eu tive a idéia, colocá-la em prática é com vocês”. Essa, não será mais considerada uma boa idéia e esse tipo de profissional irá perder espaço. A execução terá que fazer parte do processo de criação. Terá que nascer junto. É como se até agora, o processo criativo fosse 2D e daqui pra frente terá que ser 3D.
28 de maio de 2010 às 0:04
Já tinha lido o texto no blog do Mini, e confesso que doeu um pouco quando li. Por um tempão, eu achei que ter idéias era o suficiente, porque empresas são formadas para ter os que criam e os que fazem acontecer.
Acontece que raramente a pessoa paga para fazer acontecer vai conduzir o processo com a mesma paixão do dono da ideia. E isso era OK quando a idéia era um filme e um anúncio.
Hoje, qualquer promoçãozinha na internet ou ação na rua exige respostas para um monte de perguntas:
- E se alguém falar mal no Twitter?
- E se não tiver moderação?
- E se o servidor explodir?
- E se alguém passar na rua, ter um treco e nos processar?
- E se o cara pendurado do prédio cair em cima de uma velhinha?
- E se o braço do goleiro voar por cima da roda gigante?
- E se alguém quiser fraudar o game com um bot?
etc, etc, etc
- E se o susto do Ozzy matar uma véia do coração no museu de cera?
Se você mesmo não for atrás disso tudo, se não cuidar da coisa com o detalhe que ela merece, dificilmente ela vai sair.
Não sei que profissional vai sair disso tudo, mas certamente vai ser melhor que os anteriores.
No fim, apesar de sofrido, gostei do texto, Mini. E gostei da discussão que nasceu aqui também.
28 de maio de 2010 às 19:52
Vou expor um pouquinho também de como vejo, porque acho interessante colocar a visão de um “fornecedor”. Tinha lido o texto no blog do Mini e já tinha concordado com a essência, embora tenha entendido com a percepção do Marco.
Quando deixei de ser redator, nunca fiz isso pra pensar ou criar menos. Iria evitar ao máximo isso. Só que é inegável já que virei o tal fornecedor. Imediatamente procurei posicionar a Aquiris como uma empresa que não seria de produção. Seria de produção apenas se alguém desse uma ordem expressa pra que fôssemos. O posicionamento era de co-criação. E eu apresentava assim, usando essa mesma expressão: co-criação.
Eu sabia os códigos envolvidos, eu sabia a linguagem dos criadores e, principalmente, sabia o drama que era entregar uma ideia para um fornecedor sem apego ou sem conhecimento da origem, da essência de onde havia nascido tal ideia. E isso era complicado de colocar dentro da cabeça das produtoras, das gráficas, etc, etc. Mas muito porque eu já achava um drama pessoal. Os caras definitivamente não acertavam “o ponto” que eu queria. Pra mim desapegar da criação para começar a co-criar não foi dolorido em momento algum. Eu estava bastante ajudado pelo que a Aquiris faz, ressalva necessária, pois game ainda não é uma disciplina suficientemente dominada por todos. Mas de qualquer maneira sempre fiz isso e fazia questão de anunciar: isso não é discurso de cartilha de prospecção. Quem me conhece que sou super low profile, prefiro que o trabalho se venda.
Deu super certo. Acredito nessa tendência de co-criação. Trabalhamos com a Cubo nesse regimo e dividimos várias autorias. Com a Gringo, idem. Com a Energy. Com o Cartoon Network, atualmente esse é o nosso grande diferencial. Enfim, só pra citar alguns exemplos.
E um outro ponto.
Eu ainda diferenciaria IDEIA de INSIGHT! Bons, ótimos, brilhantes insights criativos são MATO, com a internet hoje em dia! Digo com a internet, porque usamos ela pra ter acesso a esse mar de criações/produções, ditas, amadoras. Exemplo? Várias paródias mega amadoras tem “brilhantismo” suficiente pra marcar uma percepção tanto quanto um belo anúncio. Claro, geralmente são voláteis. Mas se formos tratar como cases, teremos muitos.
Pra mim a diferença é que a IDEIA significa o processo todo. E assim, a realização é parte tão fundamental quando a criação. A relaização trabalha com etapas com timing, cadência das publicações, a produção, questões técnicas, fôlego do processo, etc.
Isso é pra mim é a parte que concordo com o Mini.
Esse tipo de pessoa que realize ideias sem se sentir menos criativo ou menos inteligente é o que os tempos atuais carecem. Mas pra mim é mais do que normal, porque todos dizem que estamos no meio de uma transição na forma de nos comunicar. Esse tipo de reflexão, nesse sentido, acelera o caimento desse tipo de fichas.
Realização criteriosa E somatória.
Caras com esse perfil vão se dar muito bem. Aqueles que ficarem tentando serem mais brilhantes ou tanto quanto os criadores titulares, pra mim, são como cachorros correndo atrás do próprio rabo. Vão estar vivendo ainda os tempos de vaidade dos criativos.
Ah, e falando em criativos, um ponto que sempre me detenho: nomenclaturas.
Criativo.
Sempre que me chamavam e eu me apresentava como criativo, notava que isso soava levemente estranho para os de fora. Digo, os de fora da propaganda ou do setor de criação.
Então eu explicava: gente, criativo em propaganda não é um adjetivo, é um substantivo. Pra mim, diga-se de passagem, cada vez mais.
31 de maio de 2010 às 14:01
Marco: eu também tou mudando a leitura do meu próprio texto à medida em que vamos discutindo. Percebo que não fui claro na minha intenção de jogar uma luz mais sobre as pessoas que querem ter idéia e atrapalham o processo de realizar as idéias. Entende? Acho que todo mundo aqui já frequentou uma reunião na qual todo mundo quer ter idéias mas ninguém quer botar em prática. Fora aquelas idéias que surgem depois que a idéia principal já está bem encaminhada. E aí fica uma masturbação louca e sem finalidade nenhuma. É mais por aí.
Ter idéias é uma forma excelente de fugir da obrigação de realizá-las e acho que todo criativo (seja ele redator, diretor de arte ou dentista) conhece bem esse tradicional subterfúgio de procrastinação.
Enfim, estamos falando mais ou menos das mesmas coisas.
Leo: o que eu mais acho interessante é quando surge alguém que tem paixão por levar adiante a idéia de outra pessoa. Eu acho que grandes empreendedores são assim, especialmente depois que estão estabelecidos.
Isreal: gostei de ver a tua visão de IDÉIA como o processo inteiro.
E acho que existe um exemplo no Brasil hoje de um meio onde os realizadores/produtores estão tendo um papel crucial e extremamente criativo no desenvolvimento de soluções bacanas. É o meio da música independente. Em todo o país está começando a se estabelecer com mais orgulho e mais propriedade a figura do produtor cultural, algo que não existia antes com esse verniz todo. Quando eu comecei a tocar, todo mundo queria ser artista e nos últimos tempos tenho visto uma galera querendo ser produtor. Isso anda gerando até discussões acaloradas sobre o papel secundário a que o artista vem sendo supostamente relegado no festivais independentes. É outro assunto que rende mais uns três textos.
Ah, mais um recado: é legal que essa discussão esteja incluindo um cara que botou na rua o Impossible Goalkeeper, o típico projeto que precisa da atenção de gente que valorize idéias alheias pra não ser estragado por conta do processo complexo de realização.
Abraços a todos…
1 de junho de 2010 às 10:29
[...] replicado no Update or Die e no blog da escola de atividades criativas Perestroika. Nessa última, o Marco Loco, criativo brasileiro morando em Berlim e um dos responsáveis pelo Impossible Goalkeepe…. O Leo, da W3Haus e o Israel da Aquiris entraram na discussão e acaba que tive que estender e [...]
27 de agosto de 2010 às 20:14
Eu queria dar uma ideia sobre faser um filme,eu tava pensando em faser um parque de diversõens com pessoas vistidas de zumbis e acorrentados,mais dai chega um homen estranho todo cortado,mas as pessoas pessam que ele ta fantasiado mais no meio daquele barulho todo,uma criança escuta auguem da um berro pedindo socorro a criança fala pra mãe dela mais a mãe não acredita depois de 1 hora a mãe escuta tambem um berro,ai ela ai la ver quando ela chega la ela ve um homen comendo um brasso,quando ela ve ela não acredita mais quando ele olha pra ela ele comessa a correr atras dela a mulher se asusta e corre quando ve tem um monte de zumbis comendo todo mundo ela grita e pega a filha no colo e corre pro carro,elas percorre pela estrada até o amanhesser ela consegue chegar ate a casa da mãe dela,a enfequisão chegou lá tambem,mais por hoje é só amanha eu falo mais pra vcs xau galera…

24 de maio de 2010 às 11:20
tanto concordo que este é meu wallpaper
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