Esses dias, a Perestroika twitou uma frase tipo: “Eu nunca pegaria a Carrie Bradshaw”. Aí, uma seguidora nossa, perguntou que “a Perestroika não poderia dizer isso, porque era Pessoa Jurídica, e não Pessoa Física”.
Pois eu repliquei dizendo que era exatamente esse o nosso jeito de se comunicar por lá. Nós temos dupla personalidade (às vezes é o Felipe, às vezes sou eu) e não pedimos autorização um para o outro. Simplesmente escrevemos o que julgamos ser legal. Às vezes, falamos como Pessoa Jurídica. Mas muitas vezes - provavelmente a maioria das vezes -, como Pessoas Físicas.
E quer saber? Acho legal pra caralho que a gente tenha essa postura. Porque gente fala como gente, não fala como empresa. Gente prefere pizza de calabresa do que muzarella. Gente odeia passear no Brique. Gente nunca pegaria a Carrie Bradshaw. E gente, muitas vezes, diz que nunca pegaria a Carrie Bradshaw só para implicar com os outros. Ou por ironia. Ou como piada interna.
Gente fala como gente, e isso se torna muito mais interessante do que os discursos manjados das empresas falam. Que sempre “estão pensando no futuro do planeta, com ações de sustentabilidade e presercação da natureza”. Já pensou, como seria um um papo de bar entre várias empresas? Um saco, só com aqueles papinhos politicamente corretos.
Eu acredito que já foi o tempo em que as marcas tinham que se chapa branca. Ou que tinham que se alinhar apenas com causas neutras. Ou ter posições necessariamente boazinhas.
Eu acho que, daqui pra frente, vão se destacar as marcas que não tiverem problemas em posicionar. As marcas que tiverem um discurso de gente, mas gente de verdade. Porque gente de verdade fala mal de pagode pra defender o heavy metal.
Na minha opinião, as empresas deveriam ser mais Ronald Rios. Vão saber dizer mais “eu gosto disso, eu não gosto disso”.
(Atenção: se você não gosta de palavrões, opiniões agressivas e ironia das fortes, melhor não dar play. Não diga que não avisamos.)
Claro que não estou dizendo que as empresas, a partir de agora, devem sair xingando todo mundo e emitindo opiniões racistas, fascistas e Southpárkicas.
Mas chega daquele discursinho morno e bege. Fico pensando se a OI exigisse que a OI FM “contemplasse na sua programação todos os gêneros musicais com o mesmo número de horas, faixas e com a mesma participação no horário nobre”. Já pensou? Terminaria The Killers e começaria Molejo.
17 Comentários
17 de junho de 2010 às 17:55
Pior do que empresa que não se comporta como gente é gente que se comporta como empresa.
17 de junho de 2010 às 19:38
Cara, vou responder com o bom e velho clichê: “depende da empresa”. Nós, jovens, publicitários, que pagam uma de criativos-doidões, que usamos tênis coloridos e cabelos verdes/roxos/laranjas, que somos descolados e usamos óculos escuros em ambientes fechados (fui fundo no estereótipo, haha) talvez gostássemos mesmo que as empresas voltadas a nós fossem mais Ronald Rios.
Mas, cara, é só tu ver como as pessoas xingam comediantes no twitter que fazem piadinhas LEVEMENTE politicamente incorretas, ou ficam indignadas com opiniões normalíssimas de alguma personalidade, que já dá pra ter uma noção de o quão perigoso é isso. Legal, nós somos jovens cabeça-aberta e gostaríamos dessa abordagem. Mas acho que somos meio excessão. Acho que o brasileiro médio quer ouvir o de sempre. O brasileiro médio se revoltaria se o vilão de uma novela se desse bem no fim e o mocinho morresse. Ele quer aquela obviedade engessada.
E vou além: nós mesmos, “descolados” e blábláblá, de repente queremos que alguma empresa que nos presta serviços não seja tão ronald rios. Talvez nosso banco, ou nosso hospital, enfim, pra algum tipo de serviço específico acho que até nós buscamos credibilidade no conservadorismo, na seriedade fria, monótona e insossa.
Ou não. Hehe
17 de junho de 2010 às 20:39
texto mais inteligente - e difícil de ler - no qual já fui citado. tô acostumado com “uahuahuaau esse ronald rios eh phoda”
valeu!
17 de junho de 2010 às 23:53
Depende da empresa, mas temos que levar em conta que a maioria dos problemas que acontecem hoje entre empresas e clientes é justamente o fato de tratarmos os clientes como cliente e não como pessoas reais. No twitter isto fica transparente.
17 de junho de 2010 às 23:53
acho que o problema em as empresas serem mais Ronald Rios é que…
as empresas já são “algo mais sério”
e como MUITAS pessoas tem dificuldade em entender ironia/realidade e tomar tudo como opinião/verdade
acho que seria uma “encrenca” pras empresas
18 de junho de 2010 às 12:04
Que comentário genial, Ronald! Hahahahaha! Esse Ronald Rios é phoda!
Tiago.
18 de junho de 2010 às 12:27
Pois é. Isso tem muito a ver com campanhas que a gente vê que falam como se do outro lado não existissem pessoas de carne e osso. ” Não, esta campanha aqui é só para o trade, então a linguagem é mais _______________(preencha com o que quiser aqui)” Ora, então representante não se emociona, não vê novela, não come pizza; diretor de empresa não solta pum e usa meia furada..Nunca entendi isso de anuncio corporativo, linguagem empresarial. Até que vem alguém com uma campanha exatamente ao contrario disso - de fora, de preferencia - e todo mundo Ó-ó-ó-hhh… Nossa carreira é muito injusta e frustrante. Pior só jogo de tênis.
18 de junho de 2010 às 14:18
Se o Fernando Garros falou, tá falado.
E a empresa dele é tri Ronald Rios. Ele é um diretor que peida na frente de todo mundo e rouba o lanche da galera pelas costas (até da tia do cafezinho, porque não discrimina).
É realmente um fanfarrão.
18 de junho de 2010 às 17:49
Trabalhando com pesquisa de mercado eu já entrevistei muita gente…
Diretores, gerentes, operários, de empresas grandes, empresas pequenas.
Enfim, o que eu quero dizer com isso, é que realmente é um saco ouvir um discurso politicamente correto, porque normalmente ele não está alinhado com a realidade.
É a velha diferença do que se fala do que se faz.
Por outro lado, hoje existem empresas que querem ser “Ronald Rios” porque é moderno, descolado ou sei lá o que.
A minha conclusão disso é uma só. Defina como você quer que a sua empresa seja, encontre pessoas que pensam como você (neste fator) e encontre clientes pra isso. Ah, e tenha um discurso coerente a isso, seja politicamente correto, ou “incorreto”.
Fora isso…acho ótimo empresas que parecem que são gente (a sua empresa tem uma apelido?)
Melhor ainda quando elas possuem uma dupla personalidade - para os desavisados pode parecer incongruente, para outros complementar.
Obs1:Odeio gente preconceituosa
Obs2:Gente bege me irrita
Obs3: Dificilmente ouço a OI FM, porque não toca molejo.
19 de junho de 2010 às 1:51
Pessoas Jurídicas são ficções. Não têm vontade. Dessa forma, pessoas jurídicas não teriam sequer vontade de twittar…
Pessoas Jurídicas representam os pensamentos das pessoas físicas. Meio “blaster master”!!!
A pessoas física é o recheio. A cara. A personalidade. A mensagem e o enter.
@felipecmo
21 de junho de 2010 às 17:09
“0 Dado ficou tão feliz que deu um tiro na parede e ficou em silêncio”
huahuauh
esse gordinho é foda.
21 de junho de 2010 às 19:23
Meio premonitório esse post. A empresa menos Ronald Rios de todas se metendo numa situação bem chata.
22 de junho de 2010 às 10:26
Belo texto.
Concordo com tudo, menos com a última frase, porque MOLEJO > KILLERS.
De verdade.

17 de junho de 2010 às 0:08
Concordo plenamente. Mas também acho muitas empresas seriam bem mais Ronald Rios se tantas vezes não tivesse que ser gasto muito tempo e energia para dar satisfação a problemáticos inseguros, que porventura também são clientes. Sempre tem aquele chato de galocha que se “sente ofendido”, um pentelho de marca maior que acha que o que quer que você diga é uma ameaça à sua infeliz pessoa. Uma raça que puxa o freio da humanidade…