John Kao.

16 de novembro de 2008

Assumir a Perestroika full-time não chegou a ser uma decisão difícil, é verdade. Mas também não foi a decisão mais fácil da minha vida. Sempre rola aquele momento de colocar tudo na balança e ver para que lado pesa.

Uma das coisas que mais me influenciou foi saber que, controlando a minha agenda, eu teria oportunidade de aumentar a minha rede de contatos e conhecer mais pessoas interessantes.

E não há como negar. Nos últimos meses, eu vivi praticamente um intensivo na minha network. Só de quarta para cá, eu tive oportunidade de conversar com três figuras que, trancado dentro de uma agência, eu certamente nunca conheceria.

O primeiro foi o Marcelo Ferla, jornalista de várias revistas fodásticas (como a Rolling Stone e a National Geopraphic) e professor do nosso curso de Som.

Sempre me falaram muito bem do Ferla. Mas os dois encontros que tivemos foram muito acima de qualquer expectativa otimista. O Marcelo tem um papo profundo sem ser boring. Além de uma enciclopédia ambulante, ele tem pontos-de-vista sobre a vida simplesmente geniais.

Ainda na quarta, eu e o Felipe pegamos no hotel o Gabriel Shalom, americano, vivendo atualmente em Berlim. O nosso convidado especial do Consumer Beat.

O Gabriel é designer por formação, artista, cineasta e um mega-cabeção. Demos uma volta pela cidade, conversamos bastante sobre tudo, especialmente sobre a forma como ele vê o mundo daqui pra frente.

Depois da aula, nos cruzamos de novo na festa do curso e falamos um pouco mais. Mas prefiro parar por aqui. O Gabriel merece um post exclusivo. Até porque, gravamos parte da nossa discussão sobre o futuro e queremos dividir com vocês.

Mas, sem dúvida, de todas as pessoas que eu conheci de agosto pra cá, o mais cavalo foi o Mr. John Kao.

Para definir o John Kao, vou repetir aqui um comentário que ouvi direto da boca do cara: “em algumas semanas, estarei palestrando na cerimônia de entrega do Prêmio Nobel”. Sacou? Os vencedores do Nobel estarão sentadinhos, ouvindo esse cara falar.

O John Kao é uma das maiores autoridades do mundo em Inovação. Ele já escreveu dois livros que simplesmente revolucionaram o setor. “Jamming” e “Innovation Nation”. É consultor de boa parte das maiores empresas e celebridades do mundo. Já foi professor em Harvard e no MIT.

O hobby do Mr. Kao é tocar piano. Não sei se ele é bom ou não. O que eu sei é que ele já se apresentou algumas vezes junto com o Frank Zappa. Nada mal para um hobby.

Ele é daquelas figuras que, se fosse inglês, certamente seria condecorado Sir. (Se você quiser ver o perfil do John Kao no Wiki, clique aqui.)

Imaginando que a gente possa se tornar uma referência como centro de Criatividade e Inovação, eu não perdi a chance de entender um pouco mais sobre o assunto. Aproveitei e contei a história da Perestroika. Para minha surpresa, ouvi alguns conselhos valiosos. Todos de graça.

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Mas meu objetivo aqui não é falar sobre essas pessoas. O meu objetivo é só lembrar de um conceito que não tem nada de inédito.

A vida está lá fora. As pessoas interessantes estão lá fora. E você só vai conhecê-las se organizar a sua vida para isso. Do contrário, continuará convivendo com as mesmas pessoas que você vê todos os dias.

Mesmo que sejam caras bacanas, ainda assim é um círculo vicioso. Agora, se você está submerso num ambiente com muita gente medíocre, cuidado. Muito cuidado.

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E aí, você vai me perguntar: Como eu sei se estou cercado de gente interessante ou não?

O critério que eu uso, nesses casos, é a famosa frase do Dick Corrigan.

“Pessoas brilhantes falam sobre idéias.
Pessoas medíocres falam sobre coisas.
Pessoas pequenas falam sobre outras pessoas.”

Não invista o seu tempo convivendo com as pessoas erradas. Com quem não merece o seu tempo. Com quem não tem nada para dizer além de fofocas e comentários sobre o clima.

Se você vai passar 8h por dia, lado-a-lado com alguém durante os próximos meses/anos, é melhor que seja alguém que acrescente alguma coisa. Não acha?

Lembre-se: você é o dono da sua vida.

O mundo está cheio de caras legais como você. O problema é que, se você continuar preso dentro do escritório, nunca vai saber o que eles têm para dizer.

E aí, vai ser uma perda para os dois lados. Além de você não conhecê-los, eles não vão conhecer você.

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O IPP acaba de divulgar uma pesquisa com as marcas mais inovadoras do mundo. E dentre todas as brasileiras, a única citada foi a Perestroika, avaliada com conceito 9,985/10.

O estudo leva em conta atributos ligados a Inovação, Criatividade e Geração de Conteúdo. Justamente como a Perestroika se posiciona. O que talvez justifique a eleição.

Nos Estados Unidos, as marcas melhores avaliadas foram Google, Apple, 3M e Virgin. Na Europa, a grande vencedora foi a Nokia. E na Ásia, o grande prêmio foi para a Sony.

O relatório com as 150 marcas premiadas foi divulgado hoje de manhã.

Por uma questão de sigilo profissional, os métodos do IPP (Instituto de Pesquisas Perestroika) não são abertos ao grande público.

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Pronto. Cortei.

4 de novembro de 2008

Todo mundo sabe que eu faço atrocidades com a minha cachopa. O exemplo mais clássico foi o meu cabelo Supla-Bola-Pipiu-Joelma-Chimbinha-Clodovil-Belo.

Mas se você quer boas dicas para o seu cabelo, a gente recomenda o site da Martina Valle, chamado Pronto Cortei.

Além de várias dicas legais, e que podem ser aplicadas no seu próprio cabelo, o site ainda dá boas dicas para criadores.

Sim: porque o cabelo compõe a direção de arte, seja na foto, seja no cinema. E, por isso, é muito mais que referência. É uma área que o criador deve (ou, teoricamente, deveria) dominar. Assim como você lê (ou deveria ler) a Vogue para saber o que é tendência em roupa, assim como você fuxica (ou deveria fuxicar) no MySpace para saber quais são as novidades da música.

Estava há semanas para colocar essa dica no blog. Pronto. Postei.

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Gurizão-tiozinho.

31 de outubro de 2008

Fui convidado pela ESPM para participar da 3a. Noite de Prêmios, que rolou ontem lá no Juvenil. Para quem não conhece, esse evento é uma espécie de Salãozinho da Propaganda, apenas para consumo interno.

Quem lê isso talvez imagine um encontro meio amador, sem muita pompa. Com canapés requentados, champagne quente e discusos intermináveis.

Muito pelo contrário.

Os caras capricharam. Além do visual impecável, estavam presentes vários empresários grandões, além de figuras representativas do mercado publicitário. Não há como negar que foi de encher os olhos. Ao mesmo tempo, não posso negar que tenho uma divergência filosófica por causa do objetivo do evento. Mas outro dia eu falo sobre isso.

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Antes do evento em si, rolou um coquetel só para os VIPs. Por algum motivo, eu fui convidado para essa boca. E fiquei lá, bebendo ao lado do Jorge Gerdau e do Ricardo Vontobel.

Já tive a oportunidade de participar de encontros desse tipo em vários oportunidades. Mas foi minha estréia como empresário.

É foda. Porque nesse tipo de situação, a gente é forçado a ser um businessman. É isso que as pessoas esperam de você. Cumprimentos, tapinhas nas costas e conversas sobre o mundo dos negócios. Marcar almoços que nunca vão acontecer. Demonstrar interesse por coisas nem tão interessantes assim. Basicamente, exercitar o relacionamento e ampliar a network.

Enfim: trabalho.

Essa é a regra do jogo. E como eu sou novato, não vou ser louco de me aventurar. Sigo o passo da maioria.

Por outro lado, eu sou um cara novo. Recém fiz 29 anos. Falo palavrão pra caralho. Falo gírias pra caralho. Uso jeans e tênis. E faço atrocidades com o meu cabelo. Para piorar a situação, sou diretor de um Centro de Criatividade.

Ou seja: um gurizão.

As pessoas esperaram de mim uma postura inovadora, ousada e criativa. A Perestroika tem uma responsabilidade nesse sentido. Eu, como embaixador do negócio, não posso (e felizmente não posso) usar sapato caramelo, por exemplo.

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Esse é o tipo de coisa que acontece com todo mundo, na medida em que vai subindo na profissão. É o que eu chamo de Gurizão-tiozinho. Porque a gente não consegue negar a nossa personalidade contestadora. Mas precisa se enquadrar, vez por outra, ao ambiente corporativo.

Se você não quer ser visto simplesmente como um estagiário com potencial, se você quer ganhar respeito dos Diretores da empresa, leve em consideração isso. As pessoas esperam que você seja um Gurizão, mas um Gurizão-tiozinho.

E aí, o que se faz numa hora dessas?

A minha saída foi ir de terno e sapato. Mas, marrentinho, com a gravata pra dentro da camisa, inspirado num trendsetter com que eu conversei esses dias.

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Wasuuuuuup agaaaaaaaaain.

29 de outubro de 2008

Entrou no ar uma nova versão do clássico Wasuuuuuup. Se você ainda não viu, clique aqui.

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Para quem não sabe, Wasuuuuup foi uma lendária campanha da Budweiser, sucesso de crítica, público e vendas.

Vou postar alguns aqui, mas o ideal é entrar no Youtube e procurar todos. São vários comerciais. E várias sátiras.

Dica do Rafael Duarte.

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O golpe baixo da TV.

28 de outubro de 2008

Existem muitos golpes baixos na propaganda. E boa parte deles já está no senso comum dos criativos. Cachorrinho, nenê, paródia, músicas emotivas com crianças cantando, dublagens, velhinhos muito loucos, e por aí vai.

Eu sempre tive como postura fugir dessas fórmulas. E nem o argumento de que “mas isso é adequado ao cliente” servia para me fazer relaxar. Porque eu sempre acreditei que existiam saídas igualmente adequadas, mas um pouco mais criativas.

Claro que, nem sempre a gente ganha. Às vezes a gente se mata fazendo um negócio legal. E, no final das contas, sai no jornal um anúncio com um velhinho muito louco, segurando um nenê nos braços e um cachorrinho na coleira.

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Acredito que em todas as áreas acontece a mesma coisa. Peguemos como exemplo um restaurante. Um buffet pode servir arroz, feijão e carne todos os dias. Não é criativo, mas é adequado. É vendedor. Não podemos condená-lo por essa decisão.

Ao mesmo tempo, é fácil perceber que existem outras alternativas igualmente adequadas. Igualmente vendedoras. E muito mais criativas.

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Na televisão, também acho que a tônica se repete.

Os caras que comandam a grade devem criar os novos programas a partir de um briefing, um público, uma verba e assim por diante. E certo que, de vez em quando, deve rolar um papo meio:

“Tá, quem sabe a gente não monta um programa só com um monte de gostosas? Tipo aquele Fantasia do SBT? Mas nem precisa das brincadeiras. O que a galera quer é ver as gostosas”.

Assim nascem as doenças da TV.

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Eu me prestei a ver um programa inteiro do Studio Pampa. E ainda obriguei a minha mulher a ver junto, para não tirar conclusões sozinho.

Não há como negar que as minas são gostosas. Umas mais charmosas, outras mais barangas, é verdade. Mas o programa não faz sentido nenhum.

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Entendo que alguém que queira simplesmente ver um bando de gostosas. Que não esteja atrás de conteúdo. Entendo perfeitamente e acho justo que exista público para isso.

Agora, o que eu não entendo é: por que essa pessoa não entra num site de putaria? Convenhamos: dá para encontrar coisa bem melhor, em mais quantidade e com muito menos roupa na internet.

Juro que não entendo.

A não ser que a grande diversão aí seja ouvir as pérolas das apresentadoras.

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Balalaika: estréia muito foda.

26 de outubro de 2008

Sempre que a Perestroika estréia algum novo projeto, a história se repete. Invariavelemente, sou bem crítico.

Se é um novo curso, mesmo que os alunos saiam embasbacados, eu me sinto um pouco frustrado. Sempre acho que poderia ter sido melhor.

Se é uma palestra, e o público curte afu, não me consigo abrir aquele sorriso de satisfação. Sempre acontece uma coisinha que me faz pensar “putz, poderia ter sido perfeito”.

Acho esse sentimento bom por um lado, porque não me faz relaxar com os bons resultados. Mas péssimo por outro. Não curto os momentos de sucesso como deveria.

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No último sábado, estreiou a Balalaika, o Núcleo de Humor e Comédia da Perestroika. A primeira casa de Stand Up Comedy do Rio Grande do Sul.

E a estréia foi tão boa, tão boa, que até essa minha exigência se rendeu.

Sério, gente. Foi muito foda. Uma hora e meia de comédia de altíssimo nível.

O Felipe, o Leo e o Nando me fizeram perder o fôlego. Arrancaram risadas, gargalhadas e muitas palmas. Nem a minha previsão mais otimista poderia imaginar algo assim.

No final, muita gente veio nos cumprimentar pelo projeto e pela qualidade do show. O que me deixou muito feliz. Mas o que me deixou feliz mesmo foi saber que, dessa vez, até eu, até o chato de plantão, não teve o que falar.

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Sinceramente, não consigo imaginar um programa melhor para um sábado, às 20h, em Porto Alegre. Quem é casado, não tem muitas opções. Só ir no show já é um puta evento. Mas ir no show e depois sair para jantar vira um programaço.

Quem está começando a sair com alguém, tem a oportunidade de impressionar a companhia. Certamente é uma experiência única. O cara já ganha muitos pontos só com o convite. Imagina depois.

Quem é solteiro, se diverte pra caralho. E já começa a beber ali mesmo. Já vai aquecendo pra noite. Bobeia, ainda encontra alguém na platéia pra trocar uma idéia.

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Então: se você quer ir nos shows da Balalaika, mande um email para balalaika@perestroika.com.br. Não precisa ser aluno. Na real, nem precisa nos conhecer. Agora está liberado para todo mundo. :)

Se você quer levar um (ou mais) acompanhante(s), coloque no email. A partir daí, a gente encaixa você na agenda. Só é legal lembrar que nós já temos uma lista bem grande. Então, não rateie.

Em breve, o pessoal que já está na nossa lista será informado sobre os selecionados para o segundo show.

E Balalaika neles.

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A maior frustração da minha vida.

23 de outubro de 2008

Foda, muito foda.

http://televisao.uol.com.br/ultnot/2008/10/23/ult4244u1724.jhtm

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A fila anda.

21 de outubro de 2008

Sempre acreditei que o humor brasileiro (pelo menos, o humor da TV brasileira) é ditado por um ou dois grupos. De tempos em tempos, surge alguém para reinventar o nosso humor, abandonando os rótulos desgastados e trazendo referências fresh para a comédia nacional.

Muitas vezes, esses grupos não são bem compreendidos. Mas olhando para trás, a história não deixa dúvidas sobre a sua importância.

Não é difícil lembrar do Chico Anysio, Os Trapalhões, Viva o Gordo, TV Pirata e Casseta & Planeta. Dinastias bem definidas e significantes. Cada um na sua época.

Nos últimos tempos, o grupo que eu vinha acompanhando de perto era a galera do Hermes e Renato. Na minha opinião, eles, junto com os caras do Pânico, vinham ditando o ritmo da comédia nacional.

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Sempre fui fã do humor do H&R. Eles conseguem pegar espécies desgastadas de humor (como a dublagem) e dar uma nova roupagem. Por sinal, o que eu mais admiro no Hermes e Renato é essa renovação que eles imprimem de temporada para temporada. Sempre vem coisa nova.

O Hermes e Renato surgiu de forma totalmente amadora. Satirizavam as pornochanchadas, misturando piadas inocentes a palavrões de cinco em cinco segundos. Conseguiram, com isso, criar uma personalidade. E cativar um público latente.

Depois, eles migraram para os personagens: Joselito, Boça, Massacration e por aí vai. Figuras que a gente vê no dia-a-dia, e que nunca tinham sido retratadas na TV brasileira.

Mais tarde, foram para a sátira às novelas. Mais um formato velho, mas que ficou legal na visão do Hermes e Renato. O Sinhá Boça é o caso mais emblemático. Rendeu uma temporada inteira.

Quando as piadas começaram a ficar batidas, eles incorporaram o mendigo Gil Brother Awey. Que com as suas improvisações, simplesmente roubava qualquer cena.

E, por fim, o Tela Class, que imortalizou o grupo como fenômeno do Youtube.

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Há menos de um mês, começou a temporada nova do Hermes e Renato. E, pelo menos para mim, ficou bem claro: a fonte secou.

Depois de anos de reinvenção, os caras não encontraram um modelo que os sustente.

Se antes eles conseguiam pegar tipos de humor desgastados e reinvetá-los, dessa vez eu acho que eles se perderam na curva.

Acompanhando os comments nos vídeos do Youtube, dá para ver que a galera também não gostou. A crítica maior é justamente à produção.

Antes trash, como proposta.

Agora, que grana não parece faltar, faltou sal.

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Também acho que o Pânico acusou o golpe. Sou fã dos caras, mas não consigo perceber nada de novo.

Neste final de semana, por exemplo, eles simplesmente se aproveitaram de um mesmo recurso que já tinham usado há séculos: usar o personagem Silvio Santos (interpretado pelo Ceará) falando com o verdadeiro Silvio.

É engraçado? Claro. Mas é sintomático.

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Fiquei pensando o que pode estar causando essa mudança. E acho que uma das causas prováveis é a ascensão do Stand Up Comedy no Brasil.

Rafinha Bastos e Danilo Gentili já são cerebridades na rede. Não por acaso, migraram para o CQC.

Você consegue ligar os pontos? Eu consigo.

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Mas, afinal: o que a Perestroika tem a ver com isso?

Bom, tem a ver que, no próximo sabado, estréia a Balalaika. A primeira casa de comédia do RS.

Quem tem interesse em ver os nossos shows, seja aluno, ex-aluno ou até pessoas de fora, entre em contato pelo balalaika@perestroika.com.br.

Preparem os carrinhos.

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Pelo fim do Siri-gaúcho.

15 de outubro de 2008

Toda vez que eu vejo uma ação inovadora, com recursos de criação que vão muito além dos tradicionais meios papai-e-mamãe, eu fico muito feliz.

Normalmente até faço vista grossa para o ineditismo, ou a boa execução, ou o uso das ferramentas adequadas, ou o case que conta a história de trás para frente, ou a funcionalidade da ação em si.

Porque eu sempre penso em algo maior, que é: a coragem de experimentar e arriscar.

A Escala é, sem dúvida, a agência gaúcha que tem liderado esse movimento de inovação (pelo menos, entre as agências ditas “tradicionais”). É uma empresa séria, competente, com grandes contas, com grandes profissionais e grandes lideranças. E que não se deixou envelhecer. Que não tem medo de tentar coisas novas.

Se o Mosquitarelli é fantasma*, não sei. Se o outdoor ambulante funcionou, não sei. Se “Desafiando a inércia” é um bom conceito, não sei.

Mas o que eu sei é que a Escala está virando notícia, sendo blogada e reblogada, se familiarizando com as novas possibilidades da comunicação. Errando, sim. Mas acertando bem mais do que errando. E deixando muita gente comendo poeira.

Eu, como Diretor de um centro de inovação (esse é o nome pomposo que a gente gosta de dar para a Perestroika), vou sempre ser um defensor dos que não estão acomodados. Dos que não ficam só assistindo da platéia a propaganda mundial deitar e rolar com a internet, o celular, o Google Earth, o Ning, o Netvibes. Enquanto, aqui, a gente morre de medo de botar no ar um simples Twitter.

Espero que esses exemplos sirvam para levantar o nosso sarrafo. Para mudar a nossa mentalidade aos pouquinhos. E torço para que esses exemplos não despertem o tradicional Pensamento-siri-gaúcho, de ficar procurando defeitos em vez de reconhecer as qualidades.

Se você reparar, tanto no caso do Outdoor ambulante, quanto nos 35 anos, o cliente era a própria Escala. Isso significa que você não precisa, necessariamente, de um cliente para pagar pela sua ousadia. Você só precisa assinar embaixo. Convenhamos: é muito mais fácil correr riscos com a marca e com o dinheiro dos outros.

A Escala está, definitivamente, impondo um desafio. E não apenas à inércia.

A todos que se envolveram na ação, meus parabéns.

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*- Troquei uns emails com o Axel sobre a citação que eu fiz a respeito do Mosquitarelli. E até para não ficar uma impressão errada: eu sempre curti muito a peça. Recebi direto do Malinoski (quando devia ter apenas uns 15 views, hehe) e respondi de bate-pronto: “isso que é propaganda!”. Ele pode confirmar. Sempre elogiei muito a ação. Mas é fato que muita gente critica e usa essa hipótese para questionar a validade da peça.

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