Rafinha Bastos na Balalaika.

1 de dezembro de 2008

Sexta-feira foi mais um dia muito afudê. A Balalaika recebeu ninguém menos que o Rafinha Bastos, o maior nome do stand-up comedy no Brasil.

A noite seguiu o programa normal, com shows do Felipe e do Nando. Em seguida, veio a primeira celebridade da noite. O Fernando Muylaert, que já apresentou alguns programas do Multishow (Nem Big Nem Brother, Vida Loca, etc.) e está começando no stand-up. Pelo nome, você não deve lembrar. Mas vendo a foto, é bem provável.

O Muylaert foi muito bem. Tinha um timing excelente e um material muito bacana. E ainda tinha na manga várias saídas para as (poucas) piadas que não funcionaram.

O grand finale ficou por conta do Rafinha Bastos, que destruiu. E ainda pisou em cima de todos nós, porque subiu no palco sem um set programado. Simplesmente improvisou. Foda.

A presença de ambos era uma surpresa. Mas, sabe como é esse tipo de surpresa: sempre vaza. No meio da tarde, já começaram algumas ligações. “Pô, posso ir no show do Rafinha?”. “Ainda tem vaga para o show do Rafinha?”.

E teve gente que estava com o nome na lista de espera, mas rateou e deixou de vir. Pode?

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No final do show, após intermináveis aplausos, levamos os dois para o churras de final de curso do Design. Trocamos várias idéias sobre humor e recebemos dicas valiosas, que certamente vão melhorar o nosso show daqui para frente. Por sinal, os dois caras são muito gente fina.

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O mais legal é saber que, mesmo sendo recém o nosso quinto show, as coisas estão andando muito bem. Um projeto pioneiro que, de certa forma, já virou referência no nosso estado.

Quem tem interesse, é só escrever para balalaika@perestroika.com.br.

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Balalaika - Amanhã tem

27 de novembro de 2008

Nessa sexta-feira, dia 28, acontece a provavelmente última Balalaika do ano.
Vamos começar a função às 20 horas, com um happy-hour na Perestroika. Os shows começam às 21:30.
E podemos dizer que estamos combinando de trazer open-micers e convidados ilustres.

Show com Felipe Anghinoni e Nando Viana.
Ingresso: R$ 15 com direito a uma cerveja
R$ 10 para membros da Comunidade Perestroika.

Ainda restam poucas vagas.
Quem quiser ir, mande um e-mail para balalaika@perestroika.com.br

Estamos também selecionando open-micers para apresentações de até 7 minutos.
Entrar em contato pelo mesmo e-mail.

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Publicitário pra quê?

26 de novembro de 2008

Muita gente questiona o papel da propaganda. Dizem que só serve para gerar consumo desnecessário, aumentar o desejo por bens fúteis, fazer lavagem cerebral e por aí vai.

Os publicitários, obviamente, retrucam.

E por mais que existam bons argumentos para defender a nossa classe e o nosso mercado, a verdade é que não é tão simples assim responder de bate-pronto ao velho questionamento: “para que servem os publicitários?”

Quem quiser discutir mais sobre o assunto, pode visitar o http://publicitariopraque.wordpress.com/. Tem até vídeo do Rafinha Bastos por lá.

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C’est tout la même chose.

25 de novembro de 2008

Alguém aí já viu o novo 007? O “Quantum of Solaris?”.

Eu também não. Até fui no cinema, mas dormi durante o filme.

É impressionante como eu tenho cochilado no cinema. Sério. Um pouco porque essa rotina de dono tem exigido muitas horas-extras. Um pouco porque os filmes estão cada vez mais chatos e parecidos.

Nada surpreende.

OK, você vai dizer filmes de ação sempre são iguais. Mas pô, não é um filme de ação: é o James Bond. O agente duplo-zero. O cara que tem licença para matar. O neguinho que dirige os melhores carros, tem os melhores relógios e passa a piroca em todas as gostosas.

A projeção do incosciente coletivo masculino mais poderosa que o cinema já conseguiu criar.

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Eu não sei, mas eu acho que houve uma pasteurização no segmento de ação. Está tudo igual ao seriado 24h. Veja o exemplo do Identidade Bourne. Veja o 007. C’est tout la même chose.

E quanto a TV começa a influenciar o cinema, e não o contrário, eu me assusto. Não porque sou fã da sétima arte (definitivamente, não sou um cinéfilo). Mas porque a televisão tem outro ritmo de produção, outra estética, outra necessidade comercial.

Sinto um pouco o que já aconteceu na propaganda nos últimos anos. A onda do “lavadinho paulista”, que viciou os diretores de propaganda brasileiros, e tornou todos os comerciais com a mesma fotografia alaranjada. Ou a “enceradinha paulista”, que deixou todos os tratamentos de imagem do mesmo jeito, todos com a mesma pele. Seja num anúncio de moda, seja num outdoor de carro, seja num flyer do Gruta.

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Eu aceito que o James Bond seja agora um cara mais humano. Um agente que tropeça durante a perseguição. Um cara que lacrimeja (chorar já seria demais). Tudo bem.

Mas assim, gente. Ele é Bond. Ele é o cara que mergulha, chega na festa, abre o traje de mergulho e está com um black-tie por baixo. Sequinho, impecável. Não dá para misturá-lo com Jack Bouer e Jason Bourne. Que, por melhor que sejam, são apenas Jack Bauer e Jason Bourne.

James Bond é inconfundível. Mas hoje ele se confunde em meio a nuvens passageiras. Aquele sotaque, aquela elegância, até aquele jeito meio machista não podem sucumbir ao tempo.

Ele é Bond, James Bond.

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Balalaika: o melhor de todos.

24 de novembro de 2008

Nenhuma cadeira vaga. Gente de pé. Gente sentada no chão. Gente que não conseguiu entrar. Auditório lotado.

Nessas horas, dá um medinho.

“Será que a gente não deu um passo muito maior que a perna? É recém nossa quarta apresentação. E já num teatro. Para muita gente importante do mercado. Ok, nossos amigos, esses vão dar uma força. Mas tem várias pessoas que não nos conhecem. Será que eles vão rir? Espero que eles tenham tomado bastante chopp. Nós não somos profissionais. O Presidente da ARP chegou. Nossas famílias estão na platéia. Tarde demais. Nos chamaram ao palco. Show must go on.”

Para piorar, o pessoal do apoio nos avisou, 5 minutos antes do evento começar. “Olha, até onde eu vi, é a palestra mais cheia de todas. E a mais aguardada também.”

Alunos. Ex-alunos. Esposas. Famílias. Figurões do mercado, o Chittolina, o Saul, o Mauro, o Axel (e mais alguns que eu devo ter esquecido). Estávamos com um tiro de canhão nas mãos. Um comercial de 2 minutos no horário nobre. Responsa.

Lá nos bastidores, estava um puta ambiente de expectativa. A gente sabia que, por melhor que tivessem sido as apresentações anteriores, essa era a verdadeira prova de fogo. Se o show fosse meia-boca, se as piadas não encaixassem, se rolasse alguma gafe irreversível, o comentário geral seria um só.

“É legal. Mas eu esperava mais”.

Por outro lado, a gente também sabia que, se o evento fosse bom, nós teríamos transformado um projetinho ambicioso num negócio de verdade.

E, pela reação da galera, pelos emails, pelos abraços no fim do evento, eu não tenho dúvida de que foi isso que aconteceu.

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O show foi foda. O Felipe abriu com um set de 30 minutos. Impecável. Arriscou num material novo que matou a galera de tanto rir.

O Nando, recém chegado de apresentações no Rio de Janeiro, estava muito seguro. Não tinha como não ser do caralho.

E o Leo? Bom, o Leo é golpe baixo.

Até eu, que normalmente me preocupo em ser apenas o MC, emplaquei umas piadas novas.

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A idéia de distribuir chopp antes do evento foi 100% acertada. As pessoas nos perguntavam “onde está o chopp?” e a gente respondia “está com o Gasparetto”, responsável pelas fichinhas. Mas como nem todo mundo conhece o Gasparetto, demos uma força.

Puta estratégia. Primeiro, porque atraiu um público que não sairia de casa para ver um show de comédia. Segundo, porque segurou algumas pessoas da palestra anterior, que na saída viram aquela bebedeira e ficaram para a nossa palestra. Terceiro, porque a gente popularizou o Gasparetto, nosso fiel escudeiro, que já pode concorrer a Publicitário do Ano. E quarto, porque ajudou a embebedar o pessoal - o que deixa tudo mais engraçado.

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Fico feliz em ver que esse é mais um negócio da Perestroika que está dando certo. Por sinal, cada vez mais, os nomes Perestroika e Balalaika vão andar lado-a-lado, mas de forma independente. A partir de sexta, vimos o potencial do nosso núcleo de comédia.

Como falei antes, virou um negócio.

E a grande prova de que virou um negócio foi no final do evento, quando uma produtora de elenco da Zeppelin entrou no camarim e pediu os nossos contatos. A partir de agora, os comediantes da Balalaika estão no cadastro de uma das maiores produtoras do Brasil.

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Os shows da Balalaika seguem regularmente. Quem tiver interesse, é só escrever para balalaika@perestroika.com.br, dizendo os nomes das pessoas interessadas. A partir daí, nós colocamos todos mundo na lista de espera e encaixamos assim que abrirem vagas.

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Bom, agora é sentar a bunda na cadeira e escrever mais. Porque essas piadas aí logo, logo vão ficar manjadas.

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Mais uma novidade. Além de ser o primeiro show da Balalaika de graça e aberto ao público (ou seja, sem lista de espera), a gente resolveu apelar.

A Perestroika vai bancar chopp pra galera que aparecer por lá.

Então, se você quiser chegar mais cedo, para tomar uma antes do show, perfeito. Inclusive não é uma má idéia. As piadas costumam ficar melhores.

Se você quiser passar por lá, só para tomar uma, fazer um aquece, e depois desaparecer, beleza. A gente não vai ficar controlando.

A palestra começa às 20h. Mas nós vamos chegar bem antes. Então, saiu do trampo, é só pintar no Instituto Geothe (24 de outubro, 112, na frente do 5a. Avenida).

Ah, e o chopp é Padrão Iogurte. Nada de Nova Schin, Kaiser ou Itaipava.

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Report Disney 2 - Pais Radicais

18 de novembro de 2008

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Leia aqui o Report Disney 1

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A Disney é um lugar de família, certo? Certo.

Trata-se de um grande caldeirão onde se mistura famílias de todo o mundo. Então tu vai lá e passa por famílias brasileiras (bem fácil de indentificar), famílias japonesas, famílias mexicanas, famílias argentinas, famílias australianas, famílias africanas, etc.

Mas vou dizer uma coisa: surpreendentemente o tipo de família que mais me chamou a atenção foram as americanas.

A primeira categoria é a Fat Family.

Pai, mãe, filho, filha, nora e netos obesos, passeando nos seus carrinhos motorizados, enchendo o pandulhão de hot-dog, pizza, smoothies e perna de peru (um negócio nojento). É impressionante como eles não parecem nem ter culpa pelo que fazem ao próprio organismo. São gordos imensos, aqueles de cagar no tanque, de fazer milk-shake na máquina de lavar.

Dá para ter muita certeza que a obesidade, nesses casos, é mais do que geneticamente transmitido, é culturalmente aceito e estimulado por esses clãs.

Segunda categoria: pais jovens
Impressionante como a gente encontra casais jovens, uns 28 anos, com uma penca de filhos em escadinha. Não era raro de ver esses pais com 2 crianças gêmeas no carrinho, uma mais velha caminhando ao lado e um neném de colo, que precisa amamentação.

Os caras são muito corajosos porque, vou te dizer, não é mole ficar caminhando naqueles parques para cima e pra baixo. Com a Nina já foi um sufoco. Com 4 Ninas acho que seria pior do que passar um carnaval em Laguna.

Dá para deduzir que são famílias do interior americano. É uma coisa meio de interior mesmo ter muitos filhos. Ainda mais sendo tão novos. Realmente, até no interior dos Estados Unidos tem quase porra nenhuma para fazer.

E também é legal de ver que, pelo menos em alguns lugares, existe sexo depois do casamento.

A terceira categoria, no entanto, é a que mais me interessou.
São os pais radicais.

Toda hora, eu tropeçava numa família que os pais são do heavy metal. Ou então uns avôs negros, enormes, mais de 2m de altura certo, fortes, vestidos como jogadores de basquete. Tinha muito avô harlysta tb, com cabelo branco e comprido, cheio de tatuagens, com casaco de couro, levando a netinha no colo. Pais e mães megatatuados. Pais e mães cultura do skate. Pais chicanos, com aquelas camisetas “wife-beater” e camiseta xadrez.

É engraçado isso, porque a família no Brasil parece ter um visual mais padrão. Chega uma hora em que os adolescentes viram adultos. E parece que deixam para trás uma certa ideologia que costumavam carregar iconograficamente através das roupas, das cores, do cabelo, do visual.

Acho que tem um coisa que pesa que é o seguinte: o rock n’ roll, o rap, a Harley Davidson são totalmente mainstream nos Estados Unidos. Um velho guitarrista americano é o equivalente a um brasileiro que joga futebol. Ou que gosta de samba. Para eles, não faz parte de uma cultura estrangeira. Então, acaba sendo bem normal ter um pai que tinha uma banda. Ou andou de skate. Ou que usa medalhões de prata e ouro enormes no pescoço.

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Foi legal ver essa onde de velhos tatuados. Porque isso é uma coisa que não se vê muito ainda no Brasil. Mas esta geração está certamente se formando. Em 40 anos, teremos uma geração inteira de velhinhos tatuados aqui. Tomara que até lá a nossa visão se acostume. Porque, da amostra que eu tirei, reforcei um dos motivos pelo qual ainda não me risquei: no corpo do velho, a tattoo fica bem feia.

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Atendendo a pedidos, vamos fazer um grande show da Balalaika, de graça e aberto ao público. Portanto, você que está na lista de espera, e nunca consegue vir: chegou a sua vez.

Será na próxima sexta-feira, 20h, no Instituto Geothe. Quem já viu a Balalaika, também está convidado. (Só é importante saber que boa parte do show continua igual. Não espere muitas piadas novas.)

Este post aqui é só um teaser para você se preparar e espalhar a notícia. Em breve, nós damos maiores informações.

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Faz pouco menos de um mês que voltei de uma temporada na Disney World. Fui com a família. Certamente, existem centenas de outros destinos que eu preferiria visitar antes de ir para a Disney. Ainda mais porque já tinha ido duas vezes. Mas o objetivo da viagem era gerar um bonding familiar. E o centro das preocupações era a Nina, minha filha de dois anos e meio.

Levei um caderninho onde eu anotei várias coisas que observei e percebi e que acho que deveria dividir com os leitores do nosso blog. É realmente bastante coisa. Por isso, vou dividir em diversos posts que vou começar a espalhar a partir de hoje, formando o Report Disney Completo. Eles serão todos linkados entre si, para facilitar a vida de todo mundo.

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O primeiro tema que vou abordar é “O poder de um ‘bom dia’”.

Isso sempre acontece quando vou aos Estados Unidos: me impressiono com a delicadeza e simpatia das pessoas, gente estranha, no sentido de eu não conhecer, que sai me cumprimentando na rua.

A gente gosta de alimentar o estereótipo dos americanos como povo frio, sem calor humano, contrapondo a toda a nossa malemolência tropical. Mas a real é que, nesse sentido, acho os americanos muito mais afáveis, cordiais e simpáticos. Uma olhada um pouco mais extensa, de 2 ou 3 segundos, já é rebatida com um sorriso e complementada por um “Hi”, ou um “Good morning” ou um “How are you?”. Às vezes é até uma simples balançada de cabeça. Mas na maioria das vezes se estabelece um contato verbal, que torna aquela relação momentânea mais amistosa. Facilita a conversa e o entendimento.

Nas filas da Disney, era muito fácil estabelecer uma conversação superficial com os vizinhos de fila. E olhem que não estou falando de azaração. Como disse, minha viagem era totalmente de cunho familiar. Então, essa troca de gentilezas sociais acontecia com todo o tipo de gente: crianças, pais de família, velhinhas, negrões de 2 metros de altura com aquele estilo de jogador de basquete mal-encarado, adolescentes. E, claro, meninas bonitas.

Imagino que o clima de férias, de resort onde “wishes come true” favorece tudo isso.

O que eu não consigo entender é por que a gente não consegue estabelecer esse tipo de cordialidade tão superficial e simples no Brasil. Aqui em Porto Alegre, a gente estufa o peito para dizer que somos a Europa brasileira, que somos uma cidade bastante educada, culta, civilizada. Mas a gente não consegue estabelecer o nível mais superficial de educação e civilidade com os desconhecidos nas ruas. E olha que em Porto Alegre todo mundo conhece quase todo mundo.

Já até escrevi isso num outro post, chamado Quebrando o Gelix.

Por que as pessoas desconfiam tanto de quando a gente dá um “oi” sem conhecer?
Por que qualquer sorriso é percebido como malicioso e com segunda intenções?
Por que a gente ainda finge que não vê as pessoas?

Todo mundo quer ser querido pelos amigos.
Então, quem sabe a gente não começa sendo querido pelos desconhecidos?

Eu vou seguir dando bom dia, mesmo sem ser respondido.
É a minha parte que estou fazendo pela sustentabilidade social.

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O Fulano do Ano.

12 de novembro de 2008

Com o final do ano, chegam as principais premiações do nosso mercado.

Primeiro, o Colunistas. Um evento mais tradicional, com a sua relevância, mas que perdeu espaço nos últimos anos.

Em seguida, a Semana da Comunicação (o “Salão da Propaganda”, como eu ainda insisto em chamar). O grande encontro da nossa publicidade.

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Não quero discutir mais uma vez a necessidade ou não de festivais e premiações (esse papo já está mais do que desgastado). Na real, queria apenas tentar dar uma contribuição bem prática, que pode mudar a nossa vida para melhor. Pelo menos, é assim que eu vejo.

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Há alguns anos, eu resolvi escrever um desabafo. O título era “A competição e a cooperação”. Mandei por e-mail para alguns amigos, meio que para mobilizar a galera. Quando vi, circulou por várias agências. Talvez você tenha lido. (Se não, clique aqui.)

Relendo o texto hoje, eu consigo entender quais eram os meus objetivos. Mas não sei se ficou claro para todo mundo.

Em termos práticos, eu queria questionar a validade os prêmios dos Profissionais do Ano (Atendimento do Ano, RTVC do Ano, Diretor de Cena do Ano, Produtor Gráfico do Ano, Diretor de Arte do Ano, etc). E também os empresariais, como o de Agência do Ano.

Pense comigo: no que isso agrega ao mercado? Quem ganha no final das contas?

Vamos pegar como exemplo os últimos Redatores do Ano. Caras como o Reginaldo Pujol, o Fabiano Goldoni, o Ricardo Soletti e o Juliano Faermann ganharam respeito e admiração do mercado pelos seus trabalhos. Pelas suas campanhas memoráveis. Pelos seus filmes inesquecíveis. Foram anos e anos de peças maduras.

Eles não viraram figurões por causa do título de Redator do Ano. Eles viraram por causa das suas biografias.

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Aí, você pode dizer que o Redator do Ano é uma distinção, um reconhecimento ao trabalho daquela pesso naquele ano.

É um argumento válido.

Mas na prática, esse título é quase sempre decidido em poucos pontos. Às vezes, por causa de um único Bronze.

E se Fulano ficou um Bronze na frente de Ciclano, legal. Mas convenhamos: é só um Bronze.

Só um Bronze. Numa competição onde os critérios de avaliação são subjetivos e mudam radicalmente de agência para agência.

Só um Bronze. Num júri que invariavelmente conta com alguém mais inexperiente, que nem sempre tem biografia para avaliar os trabalhos inscritos.

Só um Bronze. Onde uma peça muito legal, mas mal posicionada no local de julgamento, pode simplesmente não entrar no shortlist.

Só um Bronze. Onde as pessoas não competem em condições iguais, pois alguns trabalham em estruturas mais propícias ao prêmio, enquanto outros não.

Portanto, me parece injusto que se crie um gap tão grande entre um e outro.

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Mas daí, você vai me perguntar: e quando Ciclano ganha com uma boa vantagem do segundo colocado? Não merece um troféu por isso?

Eu, sinceramente, acho que não. Porque no dia da premiação, quando entregam os Bronzes, as Pratas, os Ouros e os Grand Prix, fica bem evidente quando alguém mata a pau.

Esse reconhecimento é mais do que suficiente.

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Já vivi os dois lados da moeda. Portanto, me sinto bem a vontade para falar.

Em 2006, fui eleito Redator do Ano com uma certa vantagem para os outros dois finalistas. E o que isso significa na prática? Que eu era muito melhor que todo mundo? Claro que não. Eu teria que ser muito desconectado da realidade para acreditar nisso. Tive uma boa temporada. Só.

Em 2007, fiquei na segunda posição, três pontos atrás do Soletti. O que isso significa? Nada. Que eu tive novamente uma boa temporada (não tão boa quanto o Soletti, mas boa). Só.

O mais curioso é que se ele não tivesse levado o Grand Prix que levou, ou eu tivesse emplacado um Grand Prix que deixei de ganhar, a premiação mudaria. E talvez, a opinião de alguns deslumbradinhos por prêmio também.

Agora, pense comigo: isso ia mudar alguma coisa nas nossas vidas? Eu me tornaria melhor ganhando o título de novo? O Soletti ficaria pior por causa disso? Aquele Grand Prix (que talvez tenha sido decidido pelo jurado inexperiente citado acima) mudou o quê?

Acredito que nada. Porque a opinião que tinham do Soletti não pode mudar por causa de um troféu. Assim como a opinião que tinham de mim não pode mudar por causa de um troféu perdido.

Ou até pode. Mas daí o cara é muito babaca.

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Com relação aos prêmios, eu acho que é um pouco diferente. Porque num festival de propaganda, você vê vários trabalhos de outras agências. Trabalhos que você não conheceria se não houvesse o festival.

Então, se alguém passa em branco determinado ano, e ganha muitos prêmios no festival seguinte, não me parece errado mudar a opinião sobre determinada pessoa. Pode ser um indicativo de que essa pessoa evoluiu. Pode ser um indicativo que essa pessoa só precisava de boas oportunidades. Pode ser um indicativo que essa pessoa se encontrou com a nova dupla.

Na minha opinião, um bom ano, com volume de peças, com consistência criativa, pode sim mudar seu status dentro do mercado. Porque criar várias campanhas bacanas não é circunstancial.

Diferente do troféu para este ou para aquele, que pode ser.

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Todo esse raciocínio também serve para os Prêmios Empresariais. E na disputa da Agência do Ano, a distorção fica mais evidente. Quem nunca ouviu alguma história “do jurado que votou mal numa peça concorrente pensando no título de Agência do Ano”?

Eu já ouvi várias. De vários lados diferentes, envolvendo as mais diferentes agências e os mais diferentes profissionais. Onde há fumaça, há fogo.

Em resumo: na minha opinião, Redator do Ano e Diretor de Arte do Ano não deveriam existir. Assim como o título de Agência do Ano só serve para influenciar (e mal influenciar) quem julga.

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Fiz questão de linkar aquele texto antigo (ele é de 2005) para que não me acusem de mudar de interesse ao longo da história. A minha contrariedade aos Prêmios do Ano é bem anterior a 2006 (ano em que me dei bem como Redator) e a 2008 (ano em que a Perestroika é vencedora do Destaque do Ano).

E fiz questão de publicar hoje, dia em que começam as festividades do nosso mercado. Porque com o assunto em pauta, e com todas as atenções voltadas para nós mesmos, talvez seja o melhor momento para discutirmos o assunto.

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