Paulo Autuori na Perestroika.
16 de junho de 2009O novo criador.
16 de junho de 2009Muitos falam que “mudou o perfil do criador publicitário”. Mas eu não sei, não. Eu acho que o que fazia o bom criador de antigamente continua fazendo o bom criador da atualidade.
Características como curiosidade, informação, bom humor, cultura, desapego, dedicação, entre outras, continuam sendo o combustível de boas ideias. Sejam elas na TV, no rádio, na internet, num saco de pão, numa comunidade do Facebook ou dentro de um boeiro.
A maior prova disso, na minha opinião, é que os grandes criadores das “novas mídias” são pessoas que também tinham uma grande capacidade criativa nas “velhas mídias”. Já reparou nisso? Se você olhar para os caras que mais ousavam no offline, hoje muitos deles estão fora das agências tradicionais.
Caras como o Leo Prestes, o Fabiano Goldoni, o Israel Mendes, o Pedro Perurena, o Vinícius Malinoski, o Márcio Callage e o Felipe Anghinoni. Todos eles tinham portfólios sênior ainda bem jovens. E, não por acaso, o Leo Prestes foi parar na W3, o Fabiano na Fox de Buenos Aires, o Pedro se mandou para a Live, o Malinoski virou DC na Cubo, o Israel montou a Aquiris, o Márcio se bandeou para a Olympikus e o Felipe assumiu a Perestroika.
Não por acaso, o Leo criava zines na faculdade. O Fabiano fazia video-flyers muito antes do Youtube se popularizar. O Israel tinha um dos maiores blogs de Winning Eleven do Brasil. O Malinoski e o Perurena tocavam juntos numa banda. O Márcio organizou o maior FICA da história. O Felipe já escrevia textos de comédia antes do Rafinha Bastos aparecer.
Porque pessoas criativas não precisam da propaganda tradicional para mostrar a sua criatividade. Na verdade, elas nem precisam da propaganda para mostrar a sua criatividade. Pessoas criativas são criativas em qualquer plataforma. Na TV, no jornal, no Twitter, numa tela em branco, numa jogada de futebol, na maneira de contar uma piada ou montando um negócio.
Portanto, o que eu defendo é que o “novo criador” não tem nada de novo. O que mudou foi a forma como o consumidor consome as mídias. E, por isso, ele foi forçado a usar novos canais para as suas ideias.
Apenas isso.
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O Young Creative de 2009, na minha opinião, foi uma grande prova desse ponto de vista. Com muita justica, o Patrick Matzembacher, redator da DCS, foi eleito o cara.
E foi eleito o cara não porque ele tem “ideias legais para novas mídias”. Mas porque ele tem boas ideias, independente das mídias.
Ele foi eleito o cara porque é tão curioso, bem informado, engraçado, culto e dedicado quanto eram os grandes criadores da DPZ na década de 80.
Ele foi eleito o cara porque não fez simplesmente um portfólio, mas foi além. Criou uma abertura especial para o seu DVD, com o bom humor típico do Patrick.
Ele foi eleito o cara porque, muito antes de criar propaganda, ele já manifestava a sua criatividade em outras plataformas. Como o curta-metragem Hugo, onde assumia o papel de um zumbi faminto.
Portanto, a minha dica é: não se preocupe em ser “um novo criador”. Se preocupe em ser, apenas, um criador. Um cara do caralho. Um cara interessante.
Suas ideias vão aparecer naturalmente.
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Pedi para que o Patrick me enviasse os seus trabalhos e fiz questão de publicar aqui no blog. Aí está o sarrafo para quem quer disputar em 2010.
Aproveitem.
Assinado (atendendo a pedidos): Tiago.
Intro
Ação Claro que é Rock
Untitled from Jean Philippe Rosier on Vimeo.
Ação Hellbabes
Rotina em chamas
Jingle Claro
Spot STIHL
Finaleira.
Untitled from Jean Philippe Rosier on Vimeo.
Será?
10 de junho de 2009É possível questionar novamente o capitalismo?
Não é estranho ver o maior representante do liberalismo, O Estado Americano, entrar para salvar a GM?
Se meu avô estivesse vivo, estaria dandos gargalhadas altas agora e dizendo: “Colosso! Maravilha!” Sim, vô, o Obama estatizou um dos ícones da América e parece que é sócio da Fiat na Crysler também.
Dizem que o Chaves andou fazendo piada com o Fidel sobre isso.
Mas pensem bem:
No meio disso tudo, ninguém para para questionar o sistema. A língua portuguesa muda de tempo em tempo, mas o sistema permanece.
Estou longe de pregar a ditadura. Longe de falar de esquerda ou direita. Meu pensamento livre está um layer acima:
Democracia permite que questione o jeito formal de democracia? Não se fala disso.
A política do jeito que é não está radicalmente atrasada? A tecnologia que temos hoje não permitiria um outro tipo de representatividade do povo?
Eu adoraria votar mais, se fosse uma senha por computador ou urnas eletrônicas espalhadas por armazéns: onde tem Coca-Cola ou caixa eletrônico poderia ter uma.
E aí, que me chamassem pra votar mais.
O mundo girou. Não preciso mais de representantes votando todas questões por mim. Algumas mais relevantes, respondo eu, direto. Sem conchavos, esquemas, compra de votos. Nada disso.
Somos sócios do Brasil. 4 meses do meu ano vão para o Estado, em impostos. E tá na cara que não estão usando bem o dinheiro.
Bom, isso aqui não é um blog político então fico por aqui. Mas é um blog de ideias. E hoje pensei nisso e coloquei no papel. Meio ingênuo, sim.
Mas eu reclamava que o modelo das agências de propaganda não mudam desde os anos 50.
Só que tem coisa mais atrasada que impactaria mais do que qualquer campanha no sucesso das empresas e na nossa vida mesmo.
Festworking
8 de junho de 2009Aqui na Perestroika, a gente sempre fala, insiste mesmo, é até chato às vezes, sobre o poder do relacionamento. O que se poderia chamar (e de fato, se chama em muitos lugares) de networking. Networking acaba passando uma percepção muito formal, profissional. Rede de contatos, né?
Quando a gente fala “relacionamento” o negócio ganha um viés mais humano. Mais quente. Mais interessante. Networking gera contatos. Relacionamento gera vínculos.
Na real, no fundo, o que toda marca quer é gerar vínculos com o seu público. Porque o vínculo é o que legitima o consumidor assistir a um comercial de TV, por exemplo, e decidir que vai comprar o produto. A Perestroika não é muito diferente disso. A gente também quer criar vínculo com os nossos clientes. Com os nossos alunos.
Isso não significa que fazemos tudo de caso pensado, estrategicamente pensado, só para colher os frutos disso. O vínculo que sempre tentamos construir com nossos alunos é legítimo. É ser próximo. É ser amigo. É ser íntimo. Por isso, a gente sempre fala da tal da Comunidade Perestroika. Muita gente nos pergunta o que é essa Comunidade Perestroika, se é uma espécie de clube de fidelidade. Do tipo, quantos mais cursos você fizer, mais desconto você tem.
Não é nada disso. Quer dizer, pode até ser que tenha um pouco disso. Mas o princípio é bem maior. E, ao mesmo tempo, bem mais singelo. A Comunidade Perestroika é a rede de vínculos que a gente tenta formar, aproximando as pessoas que a gente conhece, mas que não se conhecem entre si. É como convidar grupos de amigos de diferentes rodas sociais para ir jantar na tua casa.
Toda essa introdução é só para dizer que sábado teve happy-hour de integração das nossas duas turmas do curso de criação, Quenbrando a Matrix. O evento rolou logo depois da aula de sábado, lá no Zelig, com cerveja à vontade. Com conversas à vontade. Com camaradagem à vontade.
Essa não foi somente uma oportunidade para os alunos se conhecerem melhor, mas também da gente estar mais próximo deles. Da gente estar acessível a eles.
Falamos sobre dúvidas profissionais.
Falamos sobre questões existenciais.
Falamos sobre referências.
Falamos merda.
E no final de tudo isso, tenho certeza que foi uma grande noite para todos os que estiveram presentes.O clima estava animal. Superdivertido. Superleve. Foi muito legal conversar com todo mundo que eu conversei lá. Foi ótimo criar esse vínculos com pessoas que até então eram meus alunos, e que hoje já estão bem mais perto de serem meus amigos.
Alguns destaques da noite:
• A transformação do Roberto Bresolin em Beto Prezolin, mandando ver no tiroteio, e quase garantindo o Prêmio Destemido, dando aula de marketing para quem quisesse aprender. E aí, Beto, rolou o chimas no Parção?
• O Romeu totalmente fora de controla e a sua incrível história do roubo do colete salva-vidas do avião.
• O grande encontro do JP, nosso alunos escritor que pensou em cabular a festa para ir escrever, com o Piva, cujo grande amigo é filho do dono de uma das maiores editoras do RS.
• O JP de terno e gravata, ensinando todo mundo como é que se toma uísque.
• O Tomás abordando as diferenças de técnicas na montagem do cubo mágico.
• As novas e obscuras e divertidíssimas histórias de vida do Diegão de São Borja. Obviamente a maioria delas censuradas para a hora da aula.
• O Renato Ortiz e seu incrível truque do palito de dente saltitante.
• JP e Lucas Aita dando seus primeiros passos na comédia Stand Up. Quem sabe não estreiam num open-mic da Balalaika?
• O sangue no olho da galera de Pelotas (Roberta, Maurício, Zeca e Marcus), que mesmo com mais 4 horas de viagem pela frente fizeram questão de prestigiar o evento.
• O Guto de pijama por baixo do moleton (que tava aberto).
• O novo casal que surgiu no cantinho do cigarro. (Lembrem-se, a Perestroika está louca para apadrinhar os gêmeos).
• O episódio do blazer com cueca (mas esse é só para quem ficou até o fim).
• A leva de 100 cevas que sustentou a galera durante toda a noite.
• O filé a parmegiana do Zelig que mata a pau.
Certamente, tem mais que eu não me lembro agora.
Até porque, não deu para lembrar de tudo (hehe).
Enfim, gurizada. Valeu a presença. Foi preza.
Abrass a todos a até a próxima.
Chora, Wii.
4 de junho de 2009Em 2005, voltando da China, fiz uma escala em Chigado. Aproveitei a parada e passei três dias por lá, conhecendo a cidade.
Apesar de ter histórias muito mais interessantes para contar (como o dia em que eu me perdi, caí no Bronx de Chicago e peguei carona num carro de polícia), o que mais me marcou naquela visita foi outra experiência. Muito menos assustadora, mas muito mais intensa.
Durante aqueles três dias, fui visitar o Museu de Ciência e Tecnologia da cidade. Quando cheguei lá, descobri que tinha uma exposição sobre a história dos videogames. Me interessei.
Não sou um doentinho pelo assunto, mas sempre curti jogos interativos. Na minha casa, por exemplo, você encontra duas relíquias: o clássico Atari e o Pong (telejogo), console de 1a. geração.
A feira contava a história do videogame cronologicamente. Passava desde os fliperamas antigões até o Playstation 2 (modelo mais moderno na época). Lá no final, você podia jogar o “videogame do futuro”. Eram experimentos que iam muito além da tecnologia usada hoje pelo Wii. Você era o controle remoto.
(Caso você tenha dificuldade para ver o vídeo aqui, clique duas vezes e abra direto no Youtube. O Embed dos caras anda dando problema.)
Voltei apavorado. Contava para todo mundo a experiência que eu tinha vivido. Empolgadíssimo, emocionadíssimo, tentando explicar com palavras uma sensação indescritível.
Em vão. Ninguém dava muita bola. Achavam que eu estava exagerando. Uns até meio que me tiravam pra Forrest Gump.
Bom: vendo o vídeo abaixo, do lançamento do novo Xbox (dica da minha excelentíssima), talvez você entenda o que eu senti naquele dia.
Se você descobrir onde de compra, encomende um para mim também.
Da série: pessoas que você deveria conhecer.
3 de junho de 2009Atualizado às 11h25 de 04/06: editei os melhores momentos e fiz um vídeo único. Assim, vocês não precisam ficar horas e horas matando a pauta.
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Boa parte do público aqui do Blog está na faixa dos 20 e poucos anos. Isso significa dizer que, em 1997, boa parte dessa galera ainda estava no colégio. Ali pela 5a. série.
Na 5a. série, o cara deixa de chamar a professora de tia. O cara começa a ter aula de Ciências, Matemática e Estudos Sociais. O cara deixa de achar as minas chatas e começa a achar as coleguinhas gostosas.
Apesar de tudo isso, o cara na 5a. série ainda é muito novo para entender certas coisas. Como, por exemplo, a morte de um jornalista da envergadura de Paulo Francis.
Em 1997, Francis deixou um buraco na televisão brasileira que nunca mais foi preenchido. Pela menos, não com o mesmo brilhantismo.
Paulo Francis era muito mais do que uma vozinha engraçada na televisão. Paulo Francis era o que o Paulo Santanna sonha em ser: polêmico, sádico, contraditório e ainda assim, encantador. Com ideias provocantes, raciocínios originais e um carisma implacável.
Abaixo, alguns momentos maravilhosos desse ícone que fez de tudo. Foi crítico de teatro, jornalista, escritor, membro do Pasquim, colunista da Folha e do Estadão, correspondente da Globo em NY e participante do Manhattan Connection.
Um poço de cultura, sabedoria e bom humor.
O Gênio.
29 de maio de 2009Não concordo com o ponto de vista da Elizabeth Gilbert, mas acredito que muita gente vá achar interessante. A dica foi do Rodrigo Pinto. (É em inglês, e o máximo que dá pra colocar são legendas em inglês também.)
Técnica da abordagem honesta.
28 de maio de 2009Essa foto maravilhosa eu tirei na minha última viagem, na Turquia, numa lojinha de souvenirs perto de algum ponto turístico.
Porra: não é genial um cara que se posiciona como uma loja que vende autênticos relógios falsificados?
Eu acho. E acho porque acredito na técnica da abordagem honesta.
A técnica da abordagem honesta é o velho “cara, eu não vou te enrolar”. E não enrolar mesmo. Falar a verdade, dar a real. Porque muitas vezes, é justamente isso que faz o cara respeitar você.
A técnica eu já conhecia, mas a nomenclatura eu aprendi com o Felipe. E incorporei.
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Uma empresa mundialmente conhecida pela sua abordagem honesta é a Apple. Os seus vendedores são instruídos a indicar o modelo mais apropriado ao perfil do consumir. Nada de empurrar computadores caros. O cliente tem que sair da loja com a máquina mais adequada ao seu perfil.
Na última vez que fui na loja da Apple, fiz um teste. Disse para o vendedor que queria uma máquina potente, porque eu editava vídeos. Apontava para o notebook mais caro, com todos os gigas e rams possíveis.
O cara fez perguntas bem específicas do meu dia-a-dia e me indicou um Macbook padrão. “Seus vídeos podem ser resolvidos com o Imovie. Se comprar aquele outro, só vai jogar dinheiro fora.”
Não desisti, falei com o outro vendedor e tentei passar o mesmo papo. Só que ele também não caiu, e me indicou o mesmo Macbook baratinho.
Tentei uma terceira vez, agora com uma vendedora. Mudei a história, disse que era fã de Windows, que amava o Windows, que precisava do melhor computador da loja porque eu precisava rodar o Windows com alta performance, etc, etc, etc. De tanto insistir, ela disse:
“Se você gosta tanto do Windows, deveria comprar um PC.”
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Nem consigo imaginar quantas vezes ligaram para cá:
- Quero fazer o curso de futebol.
- Você trabalha/pretende trabalhar na área? É jornalista? É gestor esportivo?
- Não, sou engenheiro agrônomo. Mas sou gremista fanático.
- Tem certeza que você quer se matricular? O curso não é um papo de bar. O foco é jornalismo esportivo e futebol como negócio.
Sempre que uso a abordagem honesta, percebo uma certa perplexidade de quem está do outro lado. Ao mesmo tempo, vejo que esse tipo de coisa dá mais confiança. A pessoa passa a ouvir com atenção o que você tem para dizer porque sabe que você não está tentando passar um charlate.
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Apesar de receber muitos feedbacks positivos das aulas e dos nossos projetos, é óbvio que a gente dá umas rateadas. E quando dá, eu sempre procuro a abordagem honesta.
Lembro que, na segunda turma de Criação, eu dei uma aula de jingles extremamente polêmica. Defendi meu ponto de vista em cima de uma raciocínio falho, e fui contestado por um aluno formado em Letras.
Na hora, dei uma enrolada, para não perder o controle da turma. Mas depois, com tempo, estudei melhor o assunto e vi que estava errado. Mandei imediatamente um email para a turma pedindo desculpas. E ganhei muito mais respeito assim do que tentando bancar o sabe-tudo.
A técnica da abordagem honesta só não vale quando a sua mulher corta o cabelo bem curtinho.
Aí, brother, se vira.
Perestroika + Ronaldo Fenômeno.
26 de maio de 2009Ontem a Perestroika recebeu duas autoridades do mercado do futebol.
O primeio deles foi Amir Somoggi, responsável pelo Casual Report, dossiê que fez um raio-x na gestão dos grandes clubes brasileiros. Ele deu um show e falou sobre futebol como eu nunca tinha visto na vida. Com dados, estatísticas e pontos de vista absolutamente fundamentados.
Em seguida, o Caio Campos, Gerente de marketing do Corinthians, reponsável pelo case Ronaldo Fenômeno. Foram 75 minutos dos bastidores do maior negócio do futebol brasileiro. Simplesmente imperdíveis.
Fazia tempo, muito tempo, que eu não recebia tantos elogios espontâneos dos alunos ao final da aula. Não tenho dúvida nenhuma que a galera curtiu muito.
Para fechar com chave de ouro, recebemos um presente e tanto: uma camiseta autografada pelo Ronaldo Fenômeno. Ela vai ficar aqui na nossa sede por alguns dias e, depois, vamos organizar um leilão beneficente, junto com o Instituto da Criança com Diabetes, com participação direta do comentarista Paulo Roberto Falcão.
Ficar com a camiseta aqui, na nossa sede, seria muito legal. Mas arrecadar fundos para quem realmente precisa é muito mais importante.
Valeu Amir, valeu Caio, valeu Nando, valeu Corinthians, valeu Falcão.
E valeu Ronaldo.
Há exatamente um ano.
21 de maio de 2009Há um ano, exatamente um ano, eu decidi que era hora de assumir a Perestroika.
21 de maio de 2008. Quarta-feira. 15h.
Eu ainda era redator de agência. Naquela semana, comecei o dia com uma pauta especialmente lotada.
Segunda, às 9h, a minha mesa já tinha trabalho suficiente para me ocupar até sexta.
Mas eu não arrepiei. E fiz pior: realizei o sonho de todo o coordenador de pauta. Comecei a pedir mais pits. Queria adiantar tudo o que pudesse ser adiantado. Queria que os briefings em cima da mesa formassem uma pilha constrangedora. Expliquei os meus motivos e fui prontamente atendido.
Não fiz alarde. Sentei, coloquei meus fones e trabalhei, quietinho. Nada de e-mail, nada de conversinha de corredor, nada de xixi. Fui derrubando pit a pit, job a job, como um triturador de papel.
Tinha um foco. Queria na quarta-feira, 15h30, estar livre para ver a final da Champions League. Não queria ninguém pedindo refação, alteração, pit de última hora. Eu queria ver o jogo. Eu ia ver o jogo. Tinha me preparado para o pior dos cenários.
Mas numa agência de propangada, o pior sempre pode ficar pior. E dez minutos antes de começar a transmissão, surgiu o maldito trabalho pára-quedas.
E caiu no meu colo.
Não dá para dizer que foi culpa de ninguém. Foi uma daquelas situações extraordinárias. Uma bronca improrrogável, que, naquele momento, só eu poderia matar.
Apesar de entender a urgência, eu fiquei muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito de cara.
Matei o pit, e tive vontade de matar uns três ou quatro.
Só que antes de cometer um homicídio - ou um suicídio -, naquele momento, eu respirei fundo. E vi que ficar irritado não ia mudar nada.
Iam aparecer outros trabalhos furando a pauta. Não ia ser o primeiro nem o último. Eu estava fadado a perder outras Champions League, outros aniversários de amigos, outras jantas de Dia dos Namorados.
Naquela quarta-feira, às 15h, eu prometi para mim mesmo:
“Eu preciso de um emprego onde eu tenha controle da minha vida. Onde eu tenha controle da minha pauta. Onde eu possa parar tudo para ver a final da Champions League. Eu preciso ir para a Perestroika.”
E foi ali que eu comecei a organizar a minha transição.
Claro que eu já tinha o plano em mente. Não foi uma porra-louquice da minha parte, uma atitude de guri.
Mas a gente sabe que o Homem é um animal ritualístico e que precisa símbolos para as passagens da vida. Neste caso, foi a Champions League.
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Por toda essa simbologia, eu conversei com o Felipe e, a partir de agora, a Perestroika instituiu no seu calendário oficial o DIA MUNDIAL DA PERESTROIKA PARAR DE TRABALHAR E VER A FINAL DA CHAMPIONS.
Significa dizer que na próxima quarta de tarde, eu, o Felipe, o Gasparetto, o Jean, a Marina e o Nando Viana não vamos trabalhar. Vamos para a minha casa, comer um churrasco, tomar um trago e ver a final dos sonhos dos amantes do futebol.
A nossa pauta é uma só: Manchester x Barcelona.
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Se você nos segue no Twitter, já deve ter visto que nós vamos cobrir o jogo (e deve ter visto mais umas coisinhas por lá). Então, se você estiver no trampo e pintar um pit pára-quedas, a gente faz a mão e conta para você o que está acontecendo. É só nos seguir nesse perfil do Twitter.
Isso se nós não estivermos muito bêbados.
(P.S.: Para quem não gosta de futebol, a Champions é a Libertadores da América da Europa. Alguns consideram o jogo mais importante do ano. Mais importante que o Mundial Interclubes. Mais importante que final de Copa do Mundo.)






