Faz pouco menos de um mês que voltei de uma temporada na Disney World. Fui com a família. Certamente, existem centenas de outros destinos que eu preferiria visitar antes de ir para a Disney. Ainda mais porque já tinha ido duas vezes. Mas o objetivo da viagem era gerar um bonding familiar. E o centro das preocupações era a Nina, minha filha de dois anos e meio.

Levei um caderninho onde eu anotei várias coisas que observei e percebi e que acho que deveria dividir com os leitores do nosso blog. É realmente bastante coisa. Por isso, vou dividir em diversos posts que vou começar a espalhar a partir de hoje, formando o Report Disney Completo. Eles serão todos linkados entre si, para facilitar a vida de todo mundo.

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O primeiro tema que vou abordar é “O poder de um ‘bom dia’”.

Isso sempre acontece quando vou aos Estados Unidos: me impressiono com a delicadeza e simpatia das pessoas, gente estranha, no sentido de eu não conhecer, que sai me cumprimentando na rua.

A gente gosta de alimentar o estereótipo dos americanos como povo frio, sem calor humano, contrapondo a toda a nossa malemolência tropical. Mas a real é que, nesse sentido, acho os americanos muito mais afáveis, cordiais e simpáticos. Uma olhada um pouco mais extensa, de 2 ou 3 segundos, já é rebatida com um sorriso e complementada por um “Hi”, ou um “Good morning” ou um “How are you?”. Às vezes é até uma simples balançada de cabeça. Mas na maioria das vezes se estabelece um contato verbal, que torna aquela relação momentânea mais amistosa. Facilita a conversa e o entendimento.

Nas filas da Disney, era muito fácil estabelecer uma conversação superficial com os vizinhos de fila. E olhem que não estou falando de azaração. Como disse, minha viagem era totalmente de cunho familiar. Então, essa troca de gentilezas sociais acontecia com todo o tipo de gente: crianças, pais de família, velhinhas, negrões de 2 metros de altura com aquele estilo de jogador de basquete mal-encarado, adolescentes. E, claro, meninas bonitas.

Imagino que o clima de férias, de resort onde “wishes come true” favorece tudo isso.

O que eu não consigo entender é por que a gente não consegue estabelecer esse tipo de cordialidade tão superficial e simples no Brasil. Aqui em Porto Alegre, a gente estufa o peito para dizer que somos a Europa brasileira, que somos uma cidade bastante educada, culta, civilizada. Mas a gente não consegue estabelecer o nível mais superficial de educação e civilidade com os desconhecidos nas ruas. E olha que em Porto Alegre todo mundo conhece quase todo mundo.

Já até escrevi isso num outro post, chamado Quebrando o Gelix.

Por que as pessoas desconfiam tanto de quando a gente dá um “oi” sem conhecer?
Por que qualquer sorriso é percebido como malicioso e com segunda intenções?
Por que a gente ainda finge que não vê as pessoas?

Todo mundo quer ser querido pelos amigos.
Então, quem sabe a gente não começa sendo querido pelos desconhecidos?

Eu vou seguir dando bom dia, mesmo sem ser respondido.
É a minha parte que estou fazendo pela sustentabilidade social.

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O Fulano do Ano.

12 de novembro de 2008

Com o final do ano, chegam as principais premiações do nosso mercado.

Primeiro, o Colunistas. Um evento mais tradicional, com a sua relevância, mas que perdeu espaço nos últimos anos.

Em seguida, a Semana da Comunicação (o “Salão da Propaganda”, como eu ainda insisto em chamar). O grande encontro da nossa publicidade.

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Não quero discutir mais uma vez a necessidade ou não de festivais e premiações (esse papo já está mais do que desgastado). Na real, queria apenas tentar dar uma contribuição bem prática, que pode mudar a nossa vida para melhor. Pelo menos, é assim que eu vejo.

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Há alguns anos, eu resolvi escrever um desabafo. O título era “A competição e a cooperação”. Mandei por e-mail para alguns amigos, meio que para mobilizar a galera. Quando vi, circulou por várias agências. Talvez você tenha lido. (Se não, clique aqui.)

Relendo o texto hoje, eu consigo entender quais eram os meus objetivos. Mas não sei se ficou claro para todo mundo.

Em termos práticos, eu queria questionar a validade os prêmios dos Profissionais do Ano (Atendimento do Ano, RTVC do Ano, Diretor de Cena do Ano, Produtor Gráfico do Ano, Diretor de Arte do Ano, etc). E também os empresariais, como o de Agência do Ano.

Pense comigo: no que isso agrega ao mercado? Quem ganha no final das contas?

Vamos pegar como exemplo os últimos Redatores do Ano. Caras como o Reginaldo Pujol, o Fabiano Goldoni, o Ricardo Soletti e o Juliano Faermann ganharam respeito e admiração do mercado pelos seus trabalhos. Pelas suas campanhas memoráveis. Pelos seus filmes inesquecíveis. Foram anos e anos de peças maduras.

Eles não viraram figurões por causa do título de Redator do Ano. Eles viraram por causa das suas biografias.

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Aí, você pode dizer que o Redator do Ano é uma distinção, um reconhecimento ao trabalho daquela pesso naquele ano.

É um argumento válido.

Mas na prática, esse título é quase sempre decidido em poucos pontos. Às vezes, por causa de um único Bronze.

E se Fulano ficou um Bronze na frente de Ciclano, legal. Mas convenhamos: é só um Bronze.

Só um Bronze. Numa competição onde os critérios de avaliação são subjetivos e mudam radicalmente de agência para agência.

Só um Bronze. Num júri que invariavelmente conta com alguém mais inexperiente, que nem sempre tem biografia para avaliar os trabalhos inscritos.

Só um Bronze. Onde uma peça muito legal, mas mal posicionada no local de julgamento, pode simplesmente não entrar no shortlist.

Só um Bronze. Onde as pessoas não competem em condições iguais, pois alguns trabalham em estruturas mais propícias ao prêmio, enquanto outros não.

Portanto, me parece injusto que se crie um gap tão grande entre um e outro.

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Mas daí, você vai me perguntar: e quando Ciclano ganha com uma boa vantagem do segundo colocado? Não merece um troféu por isso?

Eu, sinceramente, acho que não. Porque no dia da premiação, quando entregam os Bronzes, as Pratas, os Ouros e os Grand Prix, fica bem evidente quando alguém mata a pau.

Esse reconhecimento é mais do que suficiente.

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Já vivi os dois lados da moeda. Portanto, me sinto bem a vontade para falar.

Em 2006, fui eleito Redator do Ano com uma certa vantagem para os outros dois finalistas. E o que isso significa na prática? Que eu era muito melhor que todo mundo? Claro que não. Eu teria que ser muito desconectado da realidade para acreditar nisso. Tive uma boa temporada. Só.

Em 2007, fiquei na segunda posição, três pontos atrás do Soletti. O que isso significa? Nada. Que eu tive novamente uma boa temporada (não tão boa quanto o Soletti, mas boa). Só.

O mais curioso é que se ele não tivesse levado o Grand Prix que levou, ou eu tivesse emplacado um Grand Prix que deixei de ganhar, a premiação mudaria. E talvez, a opinião de alguns deslumbradinhos por prêmio também.

Agora, pense comigo: isso ia mudar alguma coisa nas nossas vidas? Eu me tornaria melhor ganhando o título de novo? O Soletti ficaria pior por causa disso? Aquele Grand Prix (que talvez tenha sido decidido pelo jurado inexperiente citado acima) mudou o quê?

Acredito que nada. Porque a opinião que tinham do Soletti não pode mudar por causa de um troféu. Assim como a opinião que tinham de mim não pode mudar por causa de um troféu perdido.

Ou até pode. Mas daí o cara é muito babaca.

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Com relação aos prêmios, eu acho que é um pouco diferente. Porque num festival de propaganda, você vê vários trabalhos de outras agências. Trabalhos que você não conheceria se não houvesse o festival.

Então, se alguém passa em branco determinado ano, e ganha muitos prêmios no festival seguinte, não me parece errado mudar a opinião sobre determinada pessoa. Pode ser um indicativo de que essa pessoa evoluiu. Pode ser um indicativo que essa pessoa só precisava de boas oportunidades. Pode ser um indicativo que essa pessoa se encontrou com a nova dupla.

Na minha opinião, um bom ano, com volume de peças, com consistência criativa, pode sim mudar seu status dentro do mercado. Porque criar várias campanhas bacanas não é circunstancial.

Diferente do troféu para este ou para aquele, que pode ser.

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Todo esse raciocínio também serve para os Prêmios Empresariais. E na disputa da Agência do Ano, a distorção fica mais evidente. Quem nunca ouviu alguma história “do jurado que votou mal numa peça concorrente pensando no título de Agência do Ano”?

Eu já ouvi várias. De vários lados diferentes, envolvendo as mais diferentes agências e os mais diferentes profissionais. Onde há fumaça, há fogo.

Em resumo: na minha opinião, Redator do Ano e Diretor de Arte do Ano não deveriam existir. Assim como o título de Agência do Ano só serve para influenciar (e mal influenciar) quem julga.

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Fiz questão de linkar aquele texto antigo (ele é de 2005) para que não me acusem de mudar de interesse ao longo da história. A minha contrariedade aos Prêmios do Ano é bem anterior a 2006 (ano em que me dei bem como Redator) e a 2008 (ano em que a Perestroika é vencedora do Destaque do Ano).

E fiz questão de publicar hoje, dia em que começam as festividades do nosso mercado. Porque com o assunto em pauta, e com todas as atenções voltadas para nós mesmos, talvez seja o melhor momento para discutirmos o assunto.

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EU ACHO HOMEM BONITO

11 de novembro de 2008

Pronto, falei.

Assim ó: vou dizer que desde criança ou adolescente, eu sempre soube reconhecer a beleza masculina. Talvez, essa seja a melhor forma de expressar. Reconhecer a beleza masculina é diferente de achar homem bonito. Achar homem bonito passa a idéia de ficar admirando, curtindo, meio que desejando até aquela beleza. Não que tenha nada de errado com isso. Mas não era bem o que acontecia comigo.

Era bem mais simples: eu via um filme, uma novela, um show ou até mesmo meus novos colegas de turma e sabia dizer “Pô, esse cara é bonito”, “bah, esse cara é muito feio”.

Obviamente, eu não dizia nada disso. Porque é óbvio também que os meus colegas não iam perdoar. Disso para pegar uma fama de viadinho era um toque.

Mas vamos combinar: a gente conhece bem os parâmetros estéticos. Se a gente sabe dizer que uma mina é gostosa, que uma roupa é feia, que um quadro é legal, se uma música é boa, se um penteado é ridículo, a gente sabe, é claro, dizer se um homem é bonito ou não.

Isso fica bem claro, e quero ver quem nunca passou por uma situação dessas, quando a gente tá a fim de uma mina. Pode ser numa festa, pode ser numa viagem de fim de ano com a turma do colégio, pode ser até no intervalo da facul. A gente tá lá, a fim, meio que cortejando, dando uma rasgada (bá, gíria muito velha), usando todos os artifícios que temos no nosso artesanal de ferramentas de sedução. Aí, chega um cara bonitão. Pô, na hora tu te liga que essa é uma ameaça, um concorrente mais forte.

Se o cara começa a dar mole pra mina então, xalálá que a gente reconhece, porque, enfim, nosso arsenal de ferramentas de sedução não é tão grande assim, a gente reconhece na hora o que o cara tá fazendo. Tenho certeza que quase todo mundo aí deve ter se dado por vencido. Tirado o timinho de campo. E ter ficado com muita raiva do cara.

E é óbvio que tu não ficou com vontade de dar pro bonitão.

Mas acho que seria bem mais saudável pra todo mundo se os homens pudessem simplesmente assumir: “o cara é bonito. me dei mal.”

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Outra coisa que tinha, muito comum inclusive, era só aparece um cara bonito, aqueles que as minas todas queriam, pra o cara virar viado. O Júnior - da Sandy - coitado, esse sofreu. O Felipe Dylon tb. Só para ficar nuns casos mais contemporâneos. E o pior é que esses dois devem ter pegado várias. E imagino que umas minas muito gostosas. Tipo a Viviane Araújo.

Então, vou aproveitar para dizer que o meu “gosto para homens” é parecido com o das mulheres. Acho que os caras top de Caras e Contigo são realmente bonitos. O Rodrigo Santoro e o Brad Pitt são dois caras muito presas. Realmente muito foda. Invejo a beleza deles.

Teve uma vez que eu fui no aniversário do meu grande amigo Eduardo Boldrini, redator da DCS. Cheguei lá e tava o irmão dele, o Marcelo Boldrini, modelo internacional, namorava a Alessandra Ambrósio e pá. E foi impressionante o magnetismo que o cara tinha. Bonito e estiloso. Também um cara presa e bonito.
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Na categoria, “não sei o que elas vêem nele”, está Du Moskovis.

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Inclusive, meu gosto é mais parecido com o das mulheres para homens do que para mulheres.
Mulher sempre acha bonita umas mulheres magras demais, altas demais. Sempre usam o fator “charme e elegância” como sinônimo de beleza.

Acho que troca tem que ser justa.
Homens: podem achar os homens bonitos. Vocês não vão ser gays por causa disso.
Mulheres: podem achar as gostosas bonitas. O fato dela ser “vulgar” não é relevante.

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BALALAIKA AGRADANDO

10 de novembro de 2008

Acontece nessa sexta, dia 14 de novembro, a terceira apresentação do Balalaika. O show começa às 21 horas. E nesta edição contaremos com a ilustre presença de Daniel Martins, que vem de Floripa especialmente para fazer sua apresentação.

As duas primeiras noites do Balalaika foram sucesso absoluto. Casa cheia e muitas risadas. A gente está tentando dar vazão a quantidade de pessoas que se inscrevem para participar. Mas a lista está aumentando rapidamente. Um sinal de realmente faltava essa opção de entretenimento em Porto Alegre.

Sei que sou suspeitíssimo para falar, mas a Balalaika é um programa realmente muito legal. É cedo e é rápido. Então, dá para encarar como um happy-hour ou como um aquecimento. Um programa bom para casados e solteiros. Depois, ainda rola de ir comer alguma coisa fora, ou ir direto pra balada. E até se for só dar uma chegadinha aqui, assistir e voltar para a casa, já vale a noite. Não fica aquela sensação de “putz, não fiz nada”.

Então, enquanto a gente não se muda para uma casa maior, vai se agilizando: manda um e-mail para balalaika@perestroika.com.br que a gente te coloca na lista e vai avisando dos próximos eventos.

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BALALAIKA
A melhor casa de comédia do RS
Show 3: Sexta-feira, 21:30, na sede da Perestroika
Apresentações de Felipe Anghinoni, Leo Prestes e Nando Viana.
Convidado especial: Daniel Martins.
Ingresso: R$ 15 com direito a uma cerveja.
Para membros da comunidade Perestroika: R$ 10.

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5 de Novembro, dia do designer

6 de novembro de 2008

Ontem foi dia do designer.
Só fui saber disso porque recebi um spam da revista publisher me parabenizando.
Aqui no Gad, silêncio.
Na lista de ex-colegas da Oz, silêncio.
Fiquei muito em dúvida se passava adiante a parabenização. Será que era, mesmo? Meu colega Jonas confirmou, me mandando um cartaz da Icograda - ok, it’s official.

Imediatamente mandei um faceiro “feliz dia do designer” pra todos os gadianos.
E comecei a receber parabéns de volta - de arquitetos. Curioso, eles não se enxergavam como designers. E isso me causou estranheza.

Explico.
Lá pela metade da década de 90 eu saía - fresquinha de tudo - da Fabico e encontrava no Gad a certeza do que eu seria na vida: designer. Nessa empolgação, indo morar do outro lado do mundo e conversando com o querido colega Claudio Strüssmann, aprendia que o design podia ser muito mais que aquelas peças gráficas. Que o design podia ser um jeito de interferir positivamente no jeito como as coisas são feitas no mundo. Um jeito de pensar.
E lá me fui pro Japão me achando uma pessoa muito relevante pro mundo, sendo designer.

Corta pra 2004, dez anos de andanças pelo mundo, de volta ao Gad. Encontro um ambiente em que todos são assumidamente chamados de designers. Todos, o pessoal do administrativo, os atendimentos, os redatores, e eu enxerguei isso como uma tangibilização daquela idéia mais global do design.

O tempo passou, o Gad mudou, não se chama mais Gad Design. Agora o Gad é uma holding de várias empresas focadas em suas áreas de atuação - o que comercialmente pode ser muito acertado, mas do ponto de vista interno, de como os projetos eram desenvolvidos com um espírito de equipe multidisciplinar, acho que houve uma perda grande. O design, que era tanto, agora parece ser o termo mais desgastado e desprovido de valor da face da terra.

Até que nesse ano (2008) é contratado Charles Bezerra pra cuidar da empresa de inovação do Gad, o recém-lançado Gad’Innovation. O Charles é um especialista em inovação que transita entre o mundo das pesquisas e das filosofias e também das grandes corporações. Um pensador do design inserido no mercado. Lançou um livro chamado “o designer humilde”, que fala justamente da missão primeira do design: resolver problemas, sair de uma situação imposta para uma situação escolhida. Opa! Eu também acho isso! Fiquei feliz.

Hoje eu estou aqui, junto com o Gustavo e a Carol, tentando passar um pouco da minha experiência pra vocês, tentando despertar em vocês um profissional empolgado, apaixonado, cheio de boas perspectivas. Um profissional de design - com orgulho.

Como nos velhos tempos.
Ou como nos novos tempos.

Pra concluir, esse dia fez algumas coisas legais virem à tona a respeito do tema. Uma delas foi mandada pela querida Paula Gomes, e outra pelo colega de SP Casemiro Moraes. Paula enviou um texto feito de perguntas criados pelo designer e autor de design alemão Markus Frelzl - e Casemiro repassou um manifesto bem-humorado feito pelos alunos da Univali. Enjoy!
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O IPP acaba de divulgar uma pesquisa com as marcas mais inovadoras do mundo. E dentre todas as brasileiras, a única citada foi a Perestroika, avaliada com conceito 9,985/10.

O estudo leva em conta atributos ligados a Inovação, Criatividade e Geração de Conteúdo. Justamente como a Perestroika se posiciona. O que talvez justifique a eleição.

Nos Estados Unidos, as marcas melhores avaliadas foram Google, Apple, 3M e Virgin. Na Europa, a grande vencedora foi a Nokia. E na Ásia, o grande prêmio foi para a Sony.

O relatório com as 150 marcas premiadas foi divulgado hoje de manhã.

Por uma questão de sigilo profissional, os métodos do IPP (Instituto de Pesquisas Perestroika) não são abertos ao grande público.

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Pronto. Cortei.

4 de novembro de 2008

Todo mundo sabe que eu faço atrocidades com a minha cachopa. O exemplo mais clássico foi o meu cabelo Supla-Bola-Pipiu-Joelma-Chimbinha-Clodovil-Belo.

Mas se você quer boas dicas para o seu cabelo, a gente recomenda o site da Martina Valle, chamado Pronto Cortei.

Além de várias dicas legais, e que podem ser aplicadas no seu próprio cabelo, o site ainda dá boas dicas para criadores.

Sim: porque o cabelo compõe a direção de arte, seja na foto, seja no cinema. E, por isso, é muito mais que referência. É uma área que o criador deve (ou, teoricamente, deveria) dominar. Assim como você lê (ou deveria ler) a Vogue para saber o que é tendência em roupa, assim como você fuxica (ou deveria fuxicar) no MySpace para saber quais são as novidades da música.

Estava há semanas para colocar essa dica no blog. Pronto. Postei.

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Gurizão-tiozinho.

31 de outubro de 2008

Fui convidado pela ESPM para participar da 3a. Noite de Prêmios, que rolou ontem lá no Juvenil. Para quem não conhece, esse evento é uma espécie de Salãozinho da Propaganda, apenas para consumo interno.

Quem lê isso talvez imagine um encontro meio amador, sem muita pompa. Com canapés requentados, champagne quente e discusos intermináveis.

Muito pelo contrário.

Os caras capricharam. Além do visual impecável, estavam presentes vários empresários grandões, além de figuras representativas do mercado publicitário. Não há como negar que foi de encher os olhos. Ao mesmo tempo, não posso negar que tenho uma divergência filosófica por causa do objetivo do evento. Mas outro dia eu falo sobre isso.

***

Antes do evento em si, rolou um coquetel só para os VIPs. Por algum motivo, eu fui convidado para essa boca. E fiquei lá, bebendo ao lado do Jorge Gerdau e do Ricardo Vontobel.

Já tive a oportunidade de participar de encontros desse tipo em vários oportunidades. Mas foi minha estréia como empresário.

É foda. Porque nesse tipo de situação, a gente é forçado a ser um businessman. É isso que as pessoas esperam de você. Cumprimentos, tapinhas nas costas e conversas sobre o mundo dos negócios. Marcar almoços que nunca vão acontecer. Demonstrar interesse por coisas nem tão interessantes assim. Basicamente, exercitar o relacionamento e ampliar a network.

Enfim: trabalho.

Essa é a regra do jogo. E como eu sou novato, não vou ser louco de me aventurar. Sigo o passo da maioria.

Por outro lado, eu sou um cara novo. Recém fiz 29 anos. Falo palavrão pra caralho. Falo gírias pra caralho. Uso jeans e tênis. E faço atrocidades com o meu cabelo. Para piorar a situação, sou diretor de um Centro de Criatividade.

Ou seja: um gurizão.

As pessoas esperaram de mim uma postura inovadora, ousada e criativa. A Perestroika tem uma responsabilidade nesse sentido. Eu, como embaixador do negócio, não posso (e felizmente não posso) usar sapato caramelo, por exemplo.

***

Esse é o tipo de coisa que acontece com todo mundo, na medida em que vai subindo na profissão. É o que eu chamo de Gurizão-tiozinho. Porque a gente não consegue negar a nossa personalidade contestadora. Mas precisa se enquadrar, vez por outra, ao ambiente corporativo.

Se você não quer ser visto simplesmente como um estagiário com potencial, se você quer ganhar respeito dos Diretores da empresa, leve em consideração isso. As pessoas esperam que você seja um Gurizão, mas um Gurizão-tiozinho.

E aí, o que se faz numa hora dessas?

A minha saída foi ir de terno e sapato. Mas, marrentinho, com a gravata pra dentro da camisa, inspirado num trendsetter com que eu conversei esses dias.

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Hoje nós teremos o nosso segundo show da Balalaika. Não se atrasem.

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SER ASSISTENTE DE ARTE É UM SACO

30 de outubro de 2008

*Por Eduardo Petersen.

Antes de mudar para os Estados Unidos, meu último emprego em Porto Alegre foi como assistente de arte na Escala, onde trabalhei por quase 2 anos. Isso já faz um tempo, mas acredito que as reponsabilidades não tenham mudado muito. Na época, todos assistentes estavam na mesma situação que eu. A gente passava o dia procurando imagens, adaptava layout vertical para formato horizontal, cortava os dedos montando material para apresentação de campanha, se intoxicava com cola spray e de noite ia para a faculdade. Eventualmente se perdia uma aula ou outra, mas sabendo administrar o tempo dava pra sobreviver.

Não sei do resto da galera, mas eu curtia muito meu trabalho. Achava a agência do caralho e tive muita sorte de trabalhar com um diretor de arte afú. Ele tinha paciência pra me ensinar as barbadas dos softwares, me motivava o tempo inteiro pra fazer propostas e sempre que eu tava liberado me chamava pra fazer brain junto com a dupla. Claro que nem tudo era uma maravilha. Sempre vai ter aquele sábado que tu planeja ir para um bar com os amigos e tomar cerveja até o sol nascer, mas que vai ser adiado porque o cliente não aprovou a campanha apresentada sexta-feira às 4 da tarde. Levando tudo isso em consideração acho que foi um período super produtivo pra mim pois aprendi muita coisa.

O interessante é que foi só a pouco tempo que me dei conta que não pensava assim na época. Na verdade, eu achava uma merda perder fim de semana, ficar até tarde na agência ou olhar sites de banco de imagem até sair sangue dos olhos. Como que a minha opinião mudou?

Bom, mudou quando comecei a trabalhar aqui. Logo nas primeiras semanas fiquei impressionado como a qualidade dos anúncios apresentados para o cliente é inferior a do Brasil. Aquela coisa de layout caprichado com referências legais não existe aqui. Nego pega imagem do Getty Images e toca um título em cima, sem muita frescura, com marca d’água e tudo. Ficava me perguntando: será que o diretor de arte não tem acesso a imagens em alta resolução? A dupla virou noite e não teve tempo pra caprichar mais? Talvez seja a 5ª apresentação e eles já estejam de saco cheio? Ao contrário, eles tem acesso à várias ferramentas e os prazos são bem maiores que aí. Com o passar do tempo me dei conta que falta técnica mesmo e tentei entender o porquê.

A formação da maioria dos diretores de arte americanos é bem diferente. A faculdade daqui não prepara para o mercado, ela dá uma idéia geral do que é propaganda. Quando o cara sai do colégio aqui ele pode entrar na faculdade sem ter a mínima noção do que quer fazer da vida. Funciona assim: tu faz as matérias básicas para todos cursos e depois tu vai escolhendo as cadeiras que mais te interessam. Na teoria é muito bonito, mas o resultado nem tanto. Nego sai da faculdade perdido e sem saber exatamente o que fazer. É nesse ponto que surge uma luz no fim do túnel e entram em cena as Portfolio Schools (Miami Ad School, VCU Brandcenter, etc.). Lá tu pode realmente te especializar na profissão que escolher dentro do mercado publicitário. Os cursos são muito legais e eu realmente acho que preparam melhores profissionais. O grande problema é que na maioria das agências não existe a etapa do assistente, e aí mais uma vez o coitado cai de pára-quedas e tem que sair fazendo campanha sem supervisão de ninguém.

Ser assistente é cansativo, mas realmente penso que apesar de ser tortura para muitos, essa etapa do aprendizado é extremamente necessária. Acredito que independente de onde o cara for trabalhar, vai chegar uma hora que ele vai mudar de opinião. Assim como eu mudei.

***

*Eduardo Petersen, o Dado, é Diretor de Arte na DDB New York.

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