Há um tempo, o Beto Callage me contou um estudo interessante. (Se eu não me engano, está no livro Felicidade, do Eduardo Gianetti, mas eu posso estar completamente errado. Por sinal, eu não também não lembro muito bem do estudo - mas lembro da moral da história.)

As pessoas pesquisadas tinham que escolher entre dois cenários. Você prefere ganhar um salário de R$ 1.000, assim como todos os outros funcionários da empresa? Ou você prefere ganhar um salário de R$ 1.500, enquanto todos os seus colegas de trabalho ganham R$ 2.000?

Para minha surpresa, o estudo apontou que a maioria das pessoas optava pelo cenário um. O que significa dizer que: as pessoas preferem ganhar menos em termos absolutos - desde que, na comparação com colegas de profissão, estejam ganhando mais.

Acho que esse raciocínio pequeno move muita gente. E é o grande motivo pelo qual Colorados e Gremistas estão satisfeitos com o que aconteceu durante a semana.

Pesquisando informalmente, captei o seguinte discurso dos torcedores do Inter: “Entre perder a Copa do Brasil e a Libertadores, prejuízo maior para o Grêmio. Além disso, quem ri por último, ri melhor”.

Já os gremistas estão dizendo: “Eu não levava muita fé no Grêmio. Meu medo era o Inter ser campeão e a gente ficar chupando dedo. O tombo deles foi muito maior.”

Claro, cada torcedor tem a sua visão. Mas dá para perceber que existe um consenso entre as pessoas que gostam de futebol. Está todo mundo feliz. Ou alegre. Ou, no mínimo, aliviado.

Eu aprendi com um grande redator: olhe para frente, não olhe para o lado. Enquanto a gente fica torcendo pelo insucesso alheio, a gente não luta pelo próprio sucesso. E fica todo mundo se nivelando pela mediocridade.

Essa noite não consegui dormir por causa de tanta bomba que estourou na minha janela. A mesma coisa deve ter acontecido na quarta (não ouvi porque estava no jogo). Eu só me pergunto: quanto dos R$ 1.000 esses caras gastaram com foguete?

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Marcio Fritzen, redator da DM9.

3 de julho de 2009

A partir do meu post de ontem, o Márcio Fritzen, parceiro (e se tudo der certo, futuro Czar) da Perestroika, resolveu dar a sua contribuição. O Márcio é um redator do cacete, premiado com Leões em Cannes e que não conseguiu ficar indiferente à situação.

***

Tiago, li o seu texto sobre o brilhante Tomás Lorente.

E comecei a pensar aqui…

Concordo com muita coisa que você escreveu. A vida é sim feita de escolhas, apostas, renúncias, etc.

Inclusive a vida publicitária.

Só não sei se certas escolhas, estão tão atreladas a outras. Explico: você trabalhar em agências
que te exigem muito não é 100% sinônimo de uma vida sem qualidade.

Acho que é igual quando você se casa com uma pessoa ciumenta.

Todo mundo te fala: “Ela é ciumenta”. “Ela é possessiva”.

E você sabe, no fundo, que realmente ela é ciumenta e possessiva.

Você já ganhou e vai ganhar até alguns beliscões dela.

Mas mesmo assim você tenta mudá-la. Ou pelo menos tenta fazê-la ser diferente com você.

Digo tudo isso, porque trabalho em uma agência que exige muito, mas muito mesmo. A Dm9DDB.

Já estamos juntos há quase 4 anos. E hoje ela entende que na minha vida deve existir espaço para tudo e para todos.

Família, amigos, pelada na terça-feira, choppinho na sexta, projetos paralelos, etc.

Assim, vivemos bem, muito bem. Quando ela mais precisa de mim, sou o melhor dos companheiros.

E quando estou muito estressado, eu peço um “tempo”. Não é exatamente um “tempo”, afinal, ela sabe que eu vou voltar.

É quando saio de férias.

Quando volto, estamos em lua de mel. Porque estou com saudades e cheio de tesão.

Enfim, só queria registrar que existe vida dentro e fora de uma agência workaholic. É só você ser também um lifeaholic.

Para fechar, um título memorável do mestre Marcelo Aragão para Citibank:

Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça: vírgulas significam pausas.

Resume tudo, não?

Abraço e saúde para todos nós.

Márcio Fritzen – Criação

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Você é o seu patrão.

2 de julho de 2009

Mesmo que não diga em nenhum lugar que “Tomás Lorente teve um ataque do coração por causa do stress”, o evento em si é chocante. E, naturalmente, desencadea uma velha e inevitável discussão*.

Tenho certeza que essa morte fulminante vai repercutir por todas as empresas do mercado publicitário. E vai servir para defender aquela tese de que “temos que trabalhar menos e não se estressar por qualquer coisinha”.

Pode apostar: vai ter agência por aí dando discurso, dizendo que “a partir de agora, a nossa política é outra, queremos que os funcionários tenham mais qualidade de vida”.

Aí passa um, dois, três meses. Entra uma campanhona. Entra uma concorrência. Entra uma prospecção. E, quando o pessoal se dá conta, está tudo igual de novo.

E é natural que isso aconteça. O ritmo do mercado publicitário é um, e ele não vai mudar. Nem com a morte do Tomás Lorente, nem com a morte de ninguém. Eu já vi muitos movimentos (todos eles louváveis, diga-se de passagem) para organizar o mundo da propaganda. Mas todos deram na trave. Já perdi as esperanças.

***

Vou repetir uma coisa que defendo insistentemente:

Vejo muita gente reclamando que “trabalha demais, esse nosso mercado é insano”. E, pensando racionamente, até é.

Mas é uma escolha sua fazer parte desse jogo.

Não conheço ninguém que foi contratado com uma arma na cabeça. Já pensou, o cara do RH apontando um treis-oitão para você? Trabalhe aqui ou eu te mato!

Se você quer fazer parte de uma empresa X, e essa empresa X exige que você trabalhe que nem um cavalo: pense com carinho antes de dizer sim. Ou peça demissão quando encher o saco. Não faça parte do jogo se você não concorda com as regras.

Por outro lado, se você não vê problema nenhum em trabalhar para caralho, e fuder com a sua saúde, ótimo. Se você se realiza morrendo aos 47 anos de ataque do coração, mas com 15 Leões no portfólio: seja feliz, negão.

Eu acho autoritário quem defende que abrir mão do sucesso profissional para ter mais qualidade de vida é a única solução correta. Para uns, é. Para outros, não é. E quem acha que não é, não deve ter vergonha de dizer: “Eu quero morrer com 47 e foda-se o que vão pensar”.

Moral da história: você manda na sua vida. Você é quem decide se vai trabalhar num lugar onde tratam você como escravo ou não. Você é quem decide se vai chegar cedo em casa ou não. Ninguém é obrigado a trabalhar no lugar da modinha, na agência que todo mundo considera legal.

Se você quer qualidade de vida, é só ir para uma agência pequena, onde o ritmo é mais tranquilo. Só não fique lamuriando que “eu não faço nada legal e meus clientes são uns idiotas”.

Se você prefere ter mais visilidade do que saúde, não tenha vergonha de assumir isso. Só não fique reclamando que “esse lugar é foda, fim de semana é dia de semana”.

Você é o seu patrão.

***

Eu, quando assumi a Perestroika ao lado do Felipe, tinha em mente uma empresa que contemplasse o melhor desses dos dois mundos. A gente quer ter alto desempenho, mas quer viver bem. Talvez seja uma filosofia meio utópica. Talvez não dê certo e a gente tenha que optar. Até agora, as coisas estão equilibradas e indo bem.

Agora, não foi fácil. Tive que abrir mão de muita coisa e correr muitos riscos para conseguir jogar o jogo com as regras que eu acreditava.

***

Só pra fechar: vale lembrar que Tomás Lorente era um cara muito, mas muito foda. Como Diretor de Arte, como criador, como Diretor de Criação e como empresário. É uma puta perda para o nosso mercado. Se vocês procurarem na internet, tenho certeza que vão encontrar muitos trabalhos memoráveis do cara.

***

Mas para o post não terminar baixo astral, e já que estamos falando em qualidade de vida, aí vai um vídeo que vai, pelo menos, divertir um pouquinho do seu dia.

*P.S.: Valeu pelo comment, Rech.

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No ano passado, quando o Tiago e eu viemos para a Perestroika, a gente tinha uma meta ambiciosa. Mostrar para as muitas pessoas que acreditavam que a Perestroika é apenas mais uma escola de comunicação que na verdade a gente é muito mais que isso. Que acreditamos que a criatividade pode ampliar muito os horizontes de atuação. E tudo o que se precisa para isso é um pouco de empreendedorismo.

Empreendedorismo esse que a gente celebra através do bordão Vai lá e Faz.

Pois então, para alcançar isso, lançamos primeiramente o Kick Off, um curso de Futebol+Business+Jornalismo Esportivo. Logo depois, lançamos o curso PokerStars. Os dois surpreenderam as pessoas e colocaram aquele ponto de interrogação na cara delas: “Como assim, curso de Poker?”.

Buena, era exatamente essa a reação que a gente queria. E com muita determinação e trabalho, fizemos os dois cursos bombarem.

Agora, a gente foi lá e fez de novo. Estamos lançando mais um produto inovador, com boa perspectiva de sucesso de público e crítica: a Vodka Perestroika.

Isso mesmo, estamos diversificando os negócios e entrando forte no mercado de bebidas destiladas. Destilada não, tridestilada. Porque um produto da Perestroika tem que ser inovador. A Vodka Perestroika é a única com processo triplo de destilação, o que garante um produto mais puro, cristalino e de sabor realmente excepcional. Uma vodka Padrão Iogurte. E claro, ainda fazendo aquele link com o Rio Grande do Sul. Porque a melhor vodka só podia ser daqui.

Para lançar a Vodka Perestroika, bolamos a campanha “NO SEU RITMO” que busca associar o nosso produto ao ritmo de vida de cada pessoa. E também tem a brincadeira com o ritmo da noite, de festa e de agito: tudo a ver com a gente. Tudo a ver com os gaúchos.

Você pode ver mais desse nosso novo lançamento no site que criamos. Lá, você vai encontrar várias receitas deliciosas para experimentar a nossa vodka. Além de toda essa ação online, estamos reforçando a divulgação com patrocínio na Rádio Gaúcha. Acompanhe os programas e diga para a gente o que você achou.

A partir de agora, os churras da Perestroika vão ficar ainda mais animados. E o presente para os convidados já está na mão. Vodka Perestroika. A vodka tridestilada que é trilegal.

Beijos felizes, emocionados e um pouco bêbados, mas sempre no meu ritmo,
Felipe

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Se você não tem filhos, nem sobrinhos, nem irmão ou primos temporões (temporãos?), nem afilhados, nem criança pequena na família, é muito provável que você não conheça os Backyardigans.

Backyardigans é um desenho animado para crianças que passa no Discovery Kids, canal 45 da Net. Trata-se de uma turma de 5 animais. Todos eles são vizinhos. O argumento é bem simples: eles se encontram no quintal (Backyard) para brincar. E lá, a imaginação deles transforma o quintal em barco de pirata, deserto, floresta, ilha deserta, antigo Egito, etc. E após cada aventura, eles voltam para casa para lanchar.

Abaixo, a trilha de abertura numa vinheta promocional:

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Mais do que um desenho animado, os Backyardigans são uma franquia de entretenimento infantil. Só a minha filha tem 12 DVD’s, um jogo de memória, 5 quebra-cabeças, a coleção completa dos 5 personagens em pelúcia, adesivos, máscaras e mais algumas coisas que eu não lembro agora.

Além disso, tem muitos brinquedos, jogos, roupas, roupa para cama, kit aniversário (já fui em uns 15 aniversários com o tema Backyardigans).

E, claro, tem a peça de teatro.

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Domingo, levei a minha filha para assistir os Backyardigans no Bourbon Country. Além da minha filha, minha mulher e eu, o meu grupo tinha 9 pessoas. E lá encontrei o Eduardo Santos, diretor da Loop Reclame e diretor de programação da Pop Rock. Fui lá dar um oi para a Manu e pro Gustavo, filhinho dos dois, e aproveitei para trocar uma ideia com ele. E comentamos sobre como o teatro estava cheio.

Lotado, a propósito. Não tinha uma cadeira sobrando. E só no domingo, teve 2 sessões-extras. Cálculo rápido: o Bourbon Country tem, calculando por baixo, 2.000 lugares. O ingresso mais barato era R$ 50. Considerando que todos tenham pago o valor mais barato (não é verdade, tem muitos lugares bem mais caro), temos um total de R$100.000,00 . Vezes 3, dá uma arrecadação total de R$ 300.000,00, só no domingo - sem considerar quinta, sexta e sábado.

É muita grana!

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Desde que a minha filha nasceu, tenho entrado em contato com a indústria do entretenimento infantil. Livros, jogos, DVD’s, CD’s, personagens, etc. Pais gastam dinheiro com seus filhos. E em muitas ocasiões, como num teatro, por exemplo, nunca é uma venda isolada. É no mínimo, dois ingressos, porque os filhos não vão sozinhos.

E com o olhar crítico, de quem entende de produção criativa, eu noto que a qualidade do que é consumido pelas crianças não está próxima a qualidade produtiva do dia a dia de uma agência de propaganda por exemplo.

Vamos combinar: o Backyardigans que é um dos maiores fenômenos mundiais, que tem uma produção relativamente complexa do desenho animado, teve falhas grotescas na produção do espetáculo. Pô, vamos combinar, até eu consigo desenhar um personagem deles.

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O filtro das crianças é mais baixo. O critério delas é mais baixo. Já tinha conversado com o Tiago que eu tenho a sensação que eu conseguiria escrever um livro infantil da mesma qualidade que a maioria dos que eu já comprei para a Nina, minha filha, em uma tarde.

Para comprovar, clique aqui e veja a transcrição que eu fiz de TODO o texto de um livro que ela tem, chamado Lagarta na Primavera, Borboleta no Verão.

Eu não sei quanto existe de técnica por trás de tudo isso. Talvez tenha uma parte muito complicada, de entender o que gera apelo para as crianças. De ser didático. De ter uma preocupação com a mensagem. Talvez tenha muita ciência por trás. Mas eu confesso que ainda não identifiquei que ciência é essa. Minha percepção é de que existe aí um mercado bem grande, que movimenta muito dinheiro e que poderia remunerar designers, diretores de arte, redatores, produtores gráficos, animadores, produtores de áudio.

Mas precisa, acima de tudo, de um empreendedor a frente de tudo isso. Muitos desenhos animados nacionais estão surgindo. O Peixonauta, As Princesas do Mar e uma série de desenhos e personagens tupiniquins estão surgindo, com espaço no Discovery Kids.

Talvez fazer desenhos animados seja a ponta mais complicada de todas desse universo. Mas livros e personagens está ao alcance de quase qualquer um. Então, pense se você está na profissão para brilhar nos anuário e nas premiações ou para sustentar uma vida digna. Quem sabe, não tem um mercado rico bem aqui, do seu lado, com pouca gente atuando com uma qualidade excepcional.

Talvez tudo o que você precise para entender isso e se arriscar numa nova vida seja conhecer os Backyardigans.

Talvez, tudo o que você precise é ter um filho.

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Criando linguagem.

29 de junho de 2009

Não sei se é por influência da Perestroika, que procura mostrar linguagens diferentes, discutir o analógico x digital, e não se apegar a modismos. Ou se foi o inverso: os alunos que nos procuram já têm uma certa “Video Native Culture”.

Na real, acho que é uma soma dos dois. E essa soma, na última turma de criação, gerou muitos vídeos legais. E quando eu digo legais, são legais MESMO. Repare: vários trabalhos são difíceis de executar, mesmo para um profissional experiente.

Senti, além de orgulho, aquela inevitável inveja branca.

Por isso, resolvi fazer um post para dividir com vocês esses vídeos. São mais três trabalhos, que se somam ao “Pitaco” da Laura krebs, ao “Referências” da Gabi Tarantino, ao “Vai Dar Merda” do Facco e do Pinho, e a muitos outros.

Esses vídeos, quando vistos todos juntos, parecem ter uma certa estética própria. Que, sabe-se lá: um dia pode até virar uma “estética Perestroika”. Mas isso ainda vai demorar a acontecer (se é que um dia vai acontecer).

Por enquanto, vamos curtir os vídeos.

Releitura do comercial Inspire-se. Autor: Tommy Santas.

Releitura do comercial OLK, feito com ketchup. Autor: Paulo Moraes.

Quitanda Perestroika. Autor: Adriano Brodbeck.

QUITANDA PERESTROIKA from Adriano Brodbeck on Vimeo.

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Eu gosto de imaginar que poucas escolas no Brasil ensinam Design, Futebol como Negócio, Comportamento do Consumidor e Arquitetura da Informação. Que raras instituições de ensino teriam peito para lançar um curso chamado Mthfckr. E que nenhuma (pelo menos até hoje) teria farinha no saco para ter no seu portfólio um curso de Poker Texas Hold’em.

Lançar um projeto assim demonstra muito mais do que um caráter subversivo. Demonstra uma alta sintonia com o que está hypando no mundo.

Você sabia que poker já é considerado o quarto esporte nos Estados Unidos por muitos especialistas? Pois anote aí: estima-se que cerca de 60 milhões de americanos jogam poker regularmente. O gelo do hockey perdeu o seu posto para o feltro verde das cartas.

***

Eu gosto de imaginar que tudo isso que está orbitando ao redor da Perestroika não é por acaso. É, num micro-cosmo, uma pequena revolução. Uma chacoalhada, que ainda passa desapercebida pela maioria. Mas que já criou identificação com muita, muita gente.

Na quarta-feira, quando lançamos o curso de Poker, deu para perceber direitinho isso. O clima estava fantástico, a integração foi imediata e a galera adorou a aula. Muita gente veio falar comigo para elogiar a nossa sede, mas principalmente para cumprimentar a nossa coragem.

A Comunidade Perestroika ganhou mais 35 adeptos.

***

Eu gosto de imaginar que a Perestroika é uma Escola com “E” maiúsculo. Que está gerando um jeito de pensar, de produzir conteúdo e que tem inovação no seu DNA. Não na sua plaquinha de “Missão, Valores e Visão”.

Falando em inovação, já vou dar o teaser: nosso próximo projeto é justamente um projeto ligado à Inovação. A palavrinha da moda dos engravatados vai virar curso na Perestroika. Com a coordenação de especialistas no assunto e orientação do cara que dá palestras para na Cerimônia de entrega do Prêmio Nobel.

***

E só para fechar: esta foi, sem dúvida, uma semana interessante. Na terça-feira, para o Mthfckr, o Israel, veio falar de Advertainment. Uma aula de videogames, ministrada não por um interessado no assunto. Mas por um cada que está criando jogos para Olympikus, Axe e Gillete (para ver o trabalho dos caras, clique aqui).

Na quarta, o Pokerstars: Pokerstars.net + Perestroika, o primeiro curso de Poker regular do Brasil, patrocinado pela maior empresa de Poker do mundo, começou.

Agora, Diego “vgreen22″ Brunelli e Giovanni “Tr3cool” Davids (que embarcou ontem para Vegas para disputar a WSOP, a Copa do Mundo de poker) estão imortalizados na nossa parede em branco.

Shuffle up and deal!

***

Para os alunos do curso de Poker: aqui vocês conseguem baixar as tabelas e alguns vídeos que falamos na última quarta. E não se esqueçam: nossa próxima aula é sexta-feira, dia 03/07, às 20h.

Clique aqui para baixar o último vídeo da aula, com as mãos 22 e JTs.

Clique aqui para baixar o vídeo do Pokertracker.

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Fábio Haag na Perestroika

23 de junho de 2009

Na quinta-feira passada, a Perestroika teve o grande prazer de receber o Fábio Haag para ministrar uma aula do curso LiveDesign. O Fábio é designer de tipos (fontes) da Dalton Maag, um dos melhores e mais conceituados estúdios de tipografia do mundo, com sede e Londres.

Na aula, Fábio abordou teorias de forma prática quanto à seleção e uso de fontes, além de algumas noções básicas do desenho de letras. Eu já tinha repassado a aula com o Fábio e com a Carol D’ávila - coordenadora do LiveDesign - alguns dias antes e já dava para ver que tinha muito conteúdo interessante e que a aula tinha tudo para ser muito massa.

Mas não foi muito massa. FOI DUCARALHO! E posso dizer isso com bastante convicção, sem medo de parecer discurso pronto, puxando a brasa para a nossa sardinha ou dourando a pílula. As palmas que rolaram no fim da aula não eram protocolares. Os olhos e o sorriso no canto da boca dos alunos não mentiam: aquelas 2 horas e meia de conteúdo tinham sido muito esclarecedoras. Tenho bastante convicção que qualquer aluno que assistiu a aula pode confirmar tudo o que estou dizendo.

Isso tudo já seria o suficiente para escrever esse post.

Porém, tem mais a se falar do Fábio. Ele não é apenas um excelente profissional, um cara com domínio profundo do conteúdo e com alta capacidade de organizar isso didaticamente, o que faz dele um ótimo professor. Acima de tudo isso, é um cara muito gente boa.

A gente já falou algumas vezes aqui no blog que uma das melhores coisas de se trabalhar aqui na Perestroika é que a gente acaba conhecendo muita gente du caralho, que agrega muito não somente profissionalmente, mas pra vida. O Fábio é um desses caras que vale a pena conhecer.

Um cara simples, acessível e descomplicado, apesar de fodalhão. Um cara que quer agregar. Que quer conhecer os alunos, que quer preparar uma aula porque sabe que vai aprender com ela, que gosta de conversar sobre outros assuntos, que quer beber de outras fontes, que está pela experiência, sabendo que “a vida é a melhor referência”. Já na primeira conversa que com o Fábio, o Tiago e eu sentimos aquele “click” que diz “olha a conexão aí. esse cara tem tudo a ver com vocês”.

Tanto que a gente conversou num dia e no outro ele já tinha descolado junto a Dalto Maag uma temporada de 3 meses em Londres para um de nossos alunos. (Para ver quem vai ganhar, acompanhe o blog do projeto)

Então é mais ou menos isso aí. Ganhamos não apenas mais um novo professor, não apenas mais uma aula ducaralho, não apenas mais uma assinatura na nossa Parede em Branco, não apenas mais uma empresa associada para o Projeto GoPro! Ganhamos tudo isso, sim. Mas melhor que tudo isso, ganhamos mais um amigo. E certamente mais coisas legais vão nascer dessa amizade.

Feito Fábio. Seja bem-vindo à Perestroika, Camarada.

Abraços,
Felipe

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Copa Perestroika: clube a clube.

20 de junho de 2009

No blog da Copa Perestroika, você pode ver os vídeos editados com os melhores momentos dos times.

A cada dia, colocamos as fotos e os vídeos de um time, que fica na capa do blog. Para ver quem já apareceu, é só clicar no “old entries”. Quem ainda não apareceu, é só ficar espero: o vídeo do seu time deve ser publicado em breve.

Abaixo, o Clube de Regatas: galerinha que se puxou no campo e no extra-campo.

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Por que não?

18 de junho de 2009

Por J.P. Flores

Por que não? Essa pergunta tem me ocorrido há algum tempo a cada momento em que a idéia de fazer algo é confrontada com um questionamento em relação à sua objetividade, e ela ganha mais importância quando o questionamento contrário vem de outra pessoa. Às vezes chega a ser irritante quando se ouve aquele ‘Por quê?’ ou ‘Para que?’ que soa não curioso, mas crítico e, muitas vezes, burro.

Existem incontáveis razões que nos levam a decidir por determinadas atitudes e experimentalismos, como certamente também há um equivalente em número indefinido de motivos para que não os realizemos; a idéia de rachar o crânio de uma pessoa com uma pedra para testar a dureza da pedra, por exemplo, é facilmente debatida pela noção de respeito à integridade física de outrem. Por outro lado, se eu decidir agora me embrenhar de bermuda e chinelo pelos matagais da serra gaúcha, às vésperas do inverno, apenas para desafiar a e aumentar minha resistência ao frio, não há motivos reais e irreparáveis para não o fazer.

Recentemente percebi que a pergunta se estende além de ímpetos que testemunhei ou executei pessoalmente, servindo também para (tentar) explicar a um ouvinte uma atividade alheia. No caso, um amigo me falava sobre experimentos realizados com macacos para descobrir o alcance de sua capacidade de comunicação. O assunto veio à pauta porque discutíamos linguagem e idiomas. Meu amigo mencionou uma experiência na qual um macaco explicou, por gestos, sua história até o encontro com os que o estudavam; o momento em que estava em seu meio natural, a chegada dos homens que o capturariam, as armas que estes carregavam, a captura em si, etc. Sempre que discutíamos algum exemplo do tipo, o figurante que inconvenientemente sentara ao meu lado àquela mesa de bar perguntava: “E pra que ficar estudando animais, essas criaturas inferiores a nós?”. “E por que não estudá-las?”, eu respondia, “Por que não aprender algo?”.

Era inútil tentar explicar as possíveis futuras aplicações que um estudo desse tipo teria para a compreensão de nosso próprio sistema linguístico a alguém que espera que dois amigos sentados em uma mesa de bar interrompam sua conversa para discutir Paulo Coelho. Em nota: não estou sugerindo que ler ou criticar Paulo Coelho seja totalmente inválido, mas a maior parte dos entusiastas de literatura já sabe que ele não é, técnica e criativamente, um grande escritor. A maioria também sabe que nem o pretende ser, tornando qualquer discussão nesse sentido um mero passatempo, se tanto. O que talvez apenas alguns poucos saibam é que quem perde tempo criticando-o apaixonadamente com certeza tem muito menos coisas interessantes a dizer do que o próprio autor. Mas deixemos esse ‘parênteses’ de lado para voltar ao foco.

Sempre fui adepto do conhecimento pelo conhecimento. Acho louvável estudar uma língua estrangeira sem qualquer intenção presente de trabalhar com ela ou visitar uma região em que é idioma comum para ter mais chances de não ser ludibriado por um comerciante qualquer sedento pelo sangue de carniça do turista desavisado, assim como acho válido passar horas lendo artigos de física ou matemática mesmo que só se esteja procurando informações básicas sobre hádrons ou sequência de Finobacci. De fato, às vezes peço para alguns amigos que me enviem seus artigos de Mestrado, independente da área acadêmica deles. Por serem bons amigos, já não molestam minha paciência perguntando o porquê disso.

Tudo leva a algum lugar ou se liga alguma futura criação, de uma forma ou de outra. A experiência que tu tem ao pegar carona com estranhos em uma kombi ou o conhecimento que tu adquire estudando autores famosos da literatura histórico-jornalística, o gosto desagradável na garganta ao tomar uma cerveja logo depois de se entupir de doces, enfim, tudo que vivências ao fazer algo serve, no mínimo, para ser alojado no subconsciente e fazer parte de ti e, portanto, de tudo que vieres a enfrentar ou fazer. Quando olhamos o mundo por fora ou pensamos atemporalmente, nada é realmente desnecessário: tudo resultado em algo mais.

Resultados, portanto, são inerentes a qualquer tipo de atitude, seja ela calculada ou improvisada arbitrariamente, como cutucar um amigo e dizer: “Vamos filmar?”. Aliás, se ele responder “Vamos!” antes de perguntar “Filmar o quê?”, ótimo: tens aí uma ótima dupla de criação. O resultado, no caso, foi uma viagem bate-e-volta a Tapes, algumas cervejas e muitas, muitas risadas; nossas e dos amigos que, ao assistirem, se sentiram também compelidos a fazer passeios do tipo, planejando de última hora e durante o trajeto.

O que quero dizer em exemplos pessoais que aos outros talvez pareçam sem importância é que em tudo que se faz sem questionar tiranamente, isto é, sem que censuremos a nós mesmos, há um produto interessante, seja pro mundo, seja pra quem está realizando uma idéia, ou a quem interessar possa.

Imagine o que tu poderia fazer com um orçamento de milhões para viajar pelo mundo, financiar instituições filantrópicas, filmar um curta, etc. Imagine o que poderia fazer com meia dúzia de pilas no bolso. Garanto que é mais fácil pensar em tudo o que pode fazer com isso do que com o que não pode. Basta ter imaginação e vontade.

Kombis dirigidas por estranhos potencialmente perigosos, moradores de uma pequena cidade te vislumbrando com curiosidade e receio, pessoas assistindo a um vídeo caseiro improvisado achando que foi feito com um roteiro e boa atuação; pequenas diversões em uma sequência que começou com um simples “vamos” e não sofreu o terrível corte do “…mas por quê?”.

Ação e reação, simplesmente. O que quer que alguém faça, pareça bom ou ruim, é no mínimo o precursor de algo. Então se aquela voz na tua cabeça ou o amigo censor te perguntar o motivo de tua idéia inusitada ou apenas inconsequente em primeira instância, corrija com a simples retórica: “Por que não?” e não deixe que a ideia fracasse antes mesmo de começar. Em suma, vai lá e faz.

*****
O texto acima foi escrito por J.P. Flores, aluno da turma de Criação 1: Quebrando a Matrix. O J.P. é um grande cara e tem passado inúmeras noites em claro nos últimos anos, tomando Eisenbahn, fumando Marlboro e, principalmente, escrevendo. Agora, está atrás de alguma editora para apresentar seu trabalho. Quem sabe não sai um livrinho dele em breve?

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