Acho que a publicidade, às vezes, tem um discurso um pouco hipócrita. A gente fica falando “da busca pelo novo” quando, na verdade, nada, ou praticamente nada do que a gente faz, é realmente inédito. E sinceramente, não vejo nenhum problema nisso. A única coisa que me incomoda mesmo é ficarmos fazendo de conta que o nosso negócio é mais inovador do que realmente é.

Explico.

Vejam só esses dois exemplos. O primeiro vídeo foi criado por um fã do Daft Punk, que pegou a música “Harder, Better, Faster, Stronger” e fez um clip caseiro, todo analógico, e muito legal.

Na seqüência, veio um segundo clip, criado por duas meninas, em cima da mesma música, da mesma linguagem, dos mesmos recursos analógicos - mas de uma forma diferente (contribuição do nosso aluno Pinky Demutti).

Mesmo conhecendo a primeira versão, e mesmo percebendo elementos comuns, não há como não gostar do segundo vídeo. E por que isso acontece?

Lá em 1500 e pouco, um tal de Giuseppe Arcimboldo inventou os primeiros princípios do Surrealismo. Eram pinturas muitíssimo estranhas para os padrões estéticos da época. Na verdade, o Surrealismo só foi surgir como movimento muitos anos depois.

Fico pensando se o Salvador Dali, que pegou esses mesmos princípios e potencializou, que levou ao limite mais fantástico da imaginação, ficasse de cu doce. “Ah, isso já foi visto. Temos que pensar em algo totalmente novo”. E nunca materializasse os quadros que todos nós admiramos.

Acho que existe na propaganda um certo purismo exagerado atrás do novo. Pra mim, a questão não é o ponto de partida. É o ponto de chegada. Se você conseguir agregar elementos novos a algo antigo, feito. Como nos clips do Daft Punk acima.

Certa vez li e nunca vou mais esquecer. “Saber copiar também é inovação”.

Mas claro, tudo sempre dentro do bom senso.

Postado em 29 de novembro de 2007 às 12:07
Arquivado na categoria: Perestroika
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4 Comentários

leticia

acho que quando falamos em sempre buscar o “novo”, queremos dizer que não nos apegamos ao antigo… que podemos sair da fôrma e fazer novas formas…

mas, com certeza, pegar algo antigo e renová-lo é sempre um sopro de ar fresco…

M. Morem

tem cópias e cópias.

Esther

e cópias também

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