Uma das perguntas mais recorrentes dos alunos é sobre o nosso salário. E eu não vejo isso pelo lado bisbilhoteiro. Acho que, de certa forma, eles nos vêem como ponto de referência. Então, quando perguntam quanto ganhamos, acredito que seja mais pra saber quais são as perspectivas salariais no futuro.
Só que tanta gente tem essa dúvida que eu resolvi abrir o jogo. Lendo esse post, vocês vão saber quanto eu ganho. Juro.
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A primeira coisa importante é perceber que grana é só uma parte da nossa remuneração. Além dos benefícios tradicionais, como ticket, vale e plano de saúde, tem muito mais coisa envolvida.
Por exemplo: você tem duas propostas idênticas. Mas numa, você vai trabalhar com um chefe legal pra caralho. Na outra, com um pau no cu. Imagino que, em condições normais de temperatura e pressão, todos fechariam na primeira. Por quê? Ora, porque as CONDIÇÕES DE TRABALHO (no caso, o chefe) também contam como salário.
Assim como as condições de trabalho, existem outras coisas que devem ser vistas como remuneração, e às vezes a gente nem se dá conta. (Não listei todos os itens que compõem um “salário”. Só peguei alguns representativos para ilustrar o raciocínio.)
O neguinho no início da carreira ganha pouca grana, sim. Mas por outro lado, ganha muito conhecimento. Porque o dia-a-dia o faz aprender com os profissionais mais experientes. E isso é uma forma de salário. Lembre-se: se você paga para aprender sobre propaganda numa universidade, é sinal de que esse conhecimento tem um valor. E numa agência, teoricamente você está recebendo de graça.
Dependendo do ponto de vista, o salário de um iniciante na propaganda pode ser considerado uma puta grana. Vejam só.
Muita gente não se dá conta, mas a rede de contatos que você faz quando entra numa empresa é valiosíssima. Se contato não valesse dinheiro, não existiriam palavras como “lobbystas” ou “tráfico de influências”. Ninguém compraria mailings. E por aí vai.
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Com o passar do tempo, você cresce na profissão. Agora, em vez de trabalhar num computador podre, você já tem uma máquina bacana. Agora, você não faz só rodapés: já pega campanhas com rádio e TV. E além disso, você está com carteira assinada, ganhando o dobro do trampo anterior. Ou seja, você está ganhando mais. Certo?
Depende.
A agência que está pagando mais dinheiro para você só está fazendo isso porque, hoje, você tem uma certa experiência. Tem mais critério. Tem mais conhecimento técnico. E, logicamente, isso faz com que você resolva melhor e mais rapidamente os trabalhos.
Mas vejam o outro lado. Como você sabe mais hoje do que sabia ontem, as novidades diminuem. O aprendizado continua, lógico. Mas fica mais lento. Antes, você mal sabia alinhar as coisas. Agora você já entende de combinação de cor, diagramação, escolha de fontes. Os conceitos básicos, que foram úteis para você antes, agora não são mais. Se não são, sinal de que esse conteúdo você já domina. E se você já domina, não vai pagar por ele.
Esse tipo de situação acontece na fase intermediária da carreira. A gente passa a ganhar mais de um lado, mas deixa de ganhar do outro. Veja só.
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Até que um dia você fica grandão, vai para uma puta agência, ganhando uma puta grana, com contas animais. E agora, você está ganhando mais do que antes?
Pode ser que sim, pode ser que não. Tudo depende de como você percebe o valor dessas coisas intangíveis.
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Por esse raciocínio, a grande maioria das pessoas ganha mais ou menos a mesma coisa. De formas totalmente diferentes, mas com valores semelhantes.
Evidente que existem injustiças por aí. Tem cara Tabajara ganhando mais do que deveria, tem neguinho competente ganhando menos do que merece. O mundo não é perfeito.
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Fiquei sabendo que um estagiário da turma 1, depois de ouvir essa minha teoria, fez uma sensacional. Percebeu que o salário dele era uma bosta. Que a agência em que trabalhava só tinha contas fodidas. Mas que ao seu lado, sentava uma estagiária muito gostosa.
Ele virou para o lado e falou.
“Olha, não me tire pra machista, não me leve a mal. Mas a gente vai ter que negociar umas coisinhas. Você faz parte do meu salário.”
17 Comentários
20 de dezembro de 2007 às 14:17
Bah, matou a pau.
Melhor post do blog até agora, na minha opinião.
Acho até que os futuros alunos que entrarem na Perestroika tinham que ler este post, anexado ao Manual do Estagiário.
20 de dezembro de 2007 às 17:01
Fantastico mesmo, e concordo plenamente, eu sou o exemplo, nao ganho muito, trabalho muito, mas só de estar dentro da agencia que eu queria estar desde que eu entrei na faculdade, já me sinto ganhando milhões (ta sem exageros pq a gente sabe o que são milhões).
Só de poder ser supervisionada pela Titha, ter a Carol como diretora de criação e também os outros designers e até o pessoal da producao e do atendimento, a gente aprende só de ficar pertinho!
Amei o post também e agora vou espalhar pra todo mundo quanto os professores da perestroika ganham!! hahahah
20 de dezembro de 2007 às 22:05
Bahhh perfect mesmo.
Certoo, os que não são alunos tem q ler tbm pra darem valor e não ter tanto ignorante no mundo que só pensa em $ e não dá valor ao q tem \o/
21 de dezembro de 2007 às 13:45
Aí ó, o exemplo vivo, quando chegarem no nível 3 vão poder dar uma bandinha em Portugal que nem o Márcio ![]()
22 de dezembro de 2007 às 20:01
Bah, parabéns pelo post. Concordo com o Marcelo em anexarmos no Manual do Estagiário.
Tronqs
22 de agosto de 2008 às 15:34
É… Tem gente aceitando emprego que não tem nada a ver com publicidade só por que tem um salário bacana.
Cadum cadum.
Sou mais a tua equação.
25 de agosto de 2008 às 14:23
Concordo em partes com o texto. Sim, o clima de trabalho é tudo. Contudo, o post é muito genérico. Conheço pessoas tri talentosas que são empurradas para um trabalho chato porque suas condições financeiras obrigam. Afinal, o indivíduo tem que comer no final do mês. Aliás, esse mesmo indivíduo - se for esperto - pode juntar uma graninha e depois voltar com tudo ao mercado de trabalho. Basta ele não se contentar com sua realidade.
25 de agosto de 2008 às 15:19
Mas Rafael, esse texto não faz esse julgamento. Cada um trabalha onde quer e ganha o “salário” que quiser. O texto não fala isso.
Abraço.
tg
4 de setembro de 2008 às 12:20
Mas, afinal, quanto tu ganhas mesmo??? He, he, he! Muito bom o texto, que diz uma (parte da) verdade que vale pra qualquer trabalho/empresa. Porém existem verdades inconvenientes de que tem gente, acima do mais grandão que se possa ficar e seus Capitães-do-Mato, que usa essa lógica bacana pra fazer seu Engenho de Açúcar, com layout de Agência descolada, funcionar. Aproveite as oportunidades, vista a camiseta, aceite as medalhas, mas observes o tom Pantone da pílula que tomas nesse Matrix.
4 de setembro de 2008 às 13:48
Cara, muito bem escrito e ilustrado. Mas só não concordo com uma visão bastante difundida entre criadores e que, ao meu ver, diminui consideralmente o nosso trabalho: o foco no técnico, digo combinação de cores, alinhamentos, etc. Acho que o exemplo poderia ser melhor escolhido, pois acho que tanto diretores de arte quando redatores têm mais a dar: inteligência criativa, estratégia, conhecimento de linguagem e de mercado, entendimento da cultura vigente, amplitude de visão e capacidade de releitura… Pra mim o domínio das estratégias publicitárias de argumento e de organização da mensagem são mais importantes que o domínio de ferramentas, cada vez mais simples (os softwares não estão longe de fazer isso pela gente). Mas o post tem enorme valor e já esclarece muita coisa.




20 de dezembro de 2007 às 13:37
tem neguinho reclamando de barriga cheia