Essa Olimpíada, e toda a repercussão do Blog Bronze Brasil, me estimulou a falar de uma coisa muito séria. São essas frases prontas, bastante usadas em palestras motivacionais e discursos de formatura.
“O céu é o limite”. “Você é do tamanho do seu sonho”. “Querer é poder”.
Querer é poder? Porque eu quero ficar tão bonitão quando o Brad Pitt. Para isso, eu precisaria malhar para caralho, fazer uma cirurgia plástica na cara. E, provalmente, nascer de novo.
O que eu quero dizer é que: não adianta você ter metas ilusórias. As metas na sua vida têm que ser reais e condizentes com a energia que você pretende gastar nelas.
Não fique sonhando acordado. “Quando eu for milionário”. “Quando a minha banda estourar.” Não pense assim, a não ser que você realmente acredite que isso vá acontecer. E só acredite nisso se você realmente estiver trabalhando para isso. De outra forma, você está vivendo um Conto de Fadas.
Planos são fantásticos. Planos são fundamentais para você atingir aquilo que quer. Mas planos só têm sentido se você estipula prazos e condições reais, dentro das limitações que o mundo impõe.
É mais ou menos o caso do esporte brasileiro. Eu fico imaginando como deve ser frustrante para a maioria dos nossos atletas, que sofrem toda essa pressão pelo Ouro. Quando, na verdade, o Ouro deles é o Bronze. Porque tirando algumas raríssimas exceções, o máximo que eles podem alcançar, dentro das condições que o nosso esporte proporciona, é o Bronze.
Esse é o meu conselho. Não mire o Ouro. Mire o Bronze.
Não tente dar um pulo para alcançar o último degrau da escada. Vá aos pouquinhos, baby steps, comendo o mingau pelas beiradas. Suba um por um. É muito mais fácil.
E não tenha vergonha de admitir as suas limitações. Subir uma escada com mil degraus pode ser moleza para um cara bem condicionado. Mas inviável para alguém que está acima do peso.
Se no meio do caminho você sentir que não dá mais, relaxe. O importante é saber qual é o seu teto. É fazer o seu melhor. Pense que, se você fizer o seu melhor, pouco importa a comparação com os outros. Pouco importa se você foi primeiro ou último. Você fez o seu melhor, não fez?
E se as circunstâncias da vida fizerem com que o seu teto seja o Bronze, beleza. Seja pelas decisões que você tomou, seja pelas que você não tomou. A vida é assim mesmo. Não sofra. Não se sinta culpado.
Não pense que você pode comer a Gisele Bündchen. Isso nunca vai acontecer, a não ser que você tenha um planejamento real. É mais fácil imaginar que você vai comer a mina mais gostosa da sua faculdade. Ou até, a mais gostosa da sua turma.
Se um dia você pegar a Luana Piovani, então é justo que você comece a pensar na Gisele Bündchen. Antes disso, você está só se enganando.
Mire no Bronze. E se você conseguir o Bronze, aí sim, tente um lugar mais alto no pódio.
***
Eu acho foda quando usam a exceção como regra. O nome da vez - e não poderia ser outro - é o Michael Phelps.
“Se o Phelps conseguiu atingir o objetivo dele, por que eu não posso atingir os meus?”.
Claro que pode. Desde que eles sejam plausíveis.
O Michael Phelps estipulou, antes de Pequim, um plano para bater o recorde de medalhas olímpicas. O máximo que um atleta pode alcançar. Sabe o que ele fez para chegar nesse nível? Exatamente o máximo que um atleta pode fazer. Segundo uma reportagem que eu vi na ESPN, ele trabalhou todos os 365 dias do ano, em dois turnos (às vezes, três), não fugiu de uma rigorosa dieta (de altíssimo valor energético), não fez festa, não dormiu tarde, não fez porra nenhuma.
Por isso que estava lá, falando na entrevista coletiva, enquanto o Márcio entrava de furão. (Se você não sabe do que eu estou falando, clique aqui.)
Quantos estão dispostos a pagar esse preço? Poucos. Talvez ninguém, além dele.
Se você é um atleta, não adianta pensar que “um dia eu serei o maior medalhista da história”. Bullshit. Mire o Bronze. Depois de ganhar o Bronze, talvez você possa alçar vôos mais altos.
Quando aqui na Perestroika a gente diz que vai dominar o mundo, tem um lado que é brincadeira. Mas também tem um lado sério. Mas que só é sério porque nós estamos nos dedicando pra caralho para atingir o que queremos.
E não pensem que o nosso plano não tem etapas. E não pensem que o nosso plano não tem limites.
Eu só não descobri exatamente quais são.
É que, depois que o Felipe inventou um anão de cueca dentro da sala de aula, ficou foda.
7 Comentários
25 de agosto de 2008 às 10:13
Bah eu penso muito nos pequenos objetivos, começar de baixo é melhor, te dá uma base mais forte no processo evolutivo.
Por exemplo:
Eu ainda quero trabalhar em uma agência grande. Mas passar por algumas agências menores acaba sendo fundamental para chegar mais preparado ao objetivo maior (final).
Motivador!
Abraço!
25 de agosto de 2008 às 13:52
Afudê, afudê.
E o engraçado é que eu acho que a propaganda faz muito pra que todo mundo ache que vai alcançar o ouro.
A gente vende o ideal, quando é só o possível que pode ser comprado.
Mas jurei que o texto era do Felipe.
25 de agosto de 2008 às 15:54
Um trecho do discurso do filósofo Jean Paul Sartre na palestra ‘O Existencialismo é um humanismo’ define perfeitamente o que você colocou: “A partir do momento em que as possibilidades que estou considerando não estão diretamente envolvidas em minha ação, é preferível desinteressar-me delas, pois nenhum Deus, nenhum designo poderá adequar o mundo e seus possíveis à minha vontade”.
25 de agosto de 2008 às 17:42
Ou, dependendo da dimensão da conquista, posso mirar o recorde de ouros pra poder ganhar o bronze que eu sempre sonhei.
Vou me esforçar muito pra comer a Gisele Bündchen. Mas não me esforcei o suficiente. Então só vai dar pra comer a Luana Piovani. Que, na real, era o que eu sempre quis, além de já estar no meu planejamento desde o início.
Não?
…é só um outro lado (não o melhor lado) de se conseguir as coisas.
25 de agosto de 2008 às 18:18
Leandro, é bem por aí.
Só que o Sartre falou de um jeito mais bacana, hehe.
Abraço.
tg

25 de agosto de 2008 às 10:02
ducara…a idéia de chegar ao bronze para pensar ao ouro é a mesma filosofia do cara que pesa 130 kilos e precisa emagrecer 50, pensar nos 50 kilos é foda, mas pensar em um kilo é barbada, depois de chegar neste um kilo, pensar em mais um e assim por diante é muito mais fácil…um abraço a todos e que comecem os jogos… opa.. as aulas