Fui convidado pela ESPM para participar da 3a. Noite de Prêmios, que rolou ontem lá no Juvenil. Para quem não conhece, esse evento é uma espécie de Salãozinho da Propaganda, apenas para consumo interno.

Quem lê isso talvez imagine um encontro meio amador, sem muita pompa. Com canapés requentados, champagne quente e discusos intermináveis.

Muito pelo contrário.

Os caras capricharam. Além do visual impecável, estavam presentes vários empresários grandões, além de figuras representativas do mercado publicitário. Não há como negar que foi de encher os olhos. Ao mesmo tempo, não posso negar que tenho uma divergência filosófica por causa do objetivo do evento. Mas outro dia eu falo sobre isso.

***

Antes do evento em si, rolou um coquetel só para os VIPs. Por algum motivo, eu fui convidado para essa boca. E fiquei lá, bebendo ao lado do Jorge Gerdau e do Ricardo Vontobel.

Já tive a oportunidade de participar de encontros desse tipo em vários oportunidades. Mas foi minha estréia como empresário.

É foda. Porque nesse tipo de situação, a gente é forçado a ser um businessman. É isso que as pessoas esperam de você. Cumprimentos, tapinhas nas costas e conversas sobre o mundo dos negócios. Marcar almoços que nunca vão acontecer. Demonstrar interesse por coisas nem tão interessantes assim. Basicamente, exercitar o relacionamento e ampliar a network.

Enfim: trabalho.

Essa é a regra do jogo. E como eu sou novato, não vou ser louco de me aventurar. Sigo o passo da maioria.

Por outro lado, eu sou um cara novo. Recém fiz 29 anos. Falo palavrão pra caralho. Falo gírias pra caralho. Uso jeans e tênis. E faço atrocidades com o meu cabelo. Para piorar a situação, sou diretor de um Centro de Criatividade.

Ou seja: um gurizão.

As pessoas esperaram de mim uma postura inovadora, ousada e criativa. A Perestroika tem uma responsabilidade nesse sentido. Eu, como embaixador do negócio, não posso (e felizmente não posso) usar sapato caramelo, por exemplo.

***

Esse é o tipo de coisa que acontece com todo mundo, na medida em que vai subindo na profissão. É o que eu chamo de Gurizão-tiozinho. Porque a gente não consegue negar a nossa personalidade contestadora. Mas precisa se enquadrar, vez por outra, ao ambiente corporativo.

Se você não quer ser visto simplesmente como um estagiário com potencial, se você quer ganhar respeito dos Diretores da empresa, leve em consideração isso. As pessoas esperam que você seja um Gurizão, mas um Gurizão-tiozinho.

E aí, o que se faz numa hora dessas?

A minha saída foi ir de terno e sapato. Mas, marrentinho, com a gravata pra dentro da camisa, inspirado num trendsetter com que eu conversei esses dias.

Postado em 31 de outubro de 2008 às 12:59
Arquivado na categoria: Criação
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7 Comentários

Gabi

Tava na estilera, Tiago..

fez sucesso! hehe

Mariana C.

mas que tava divertido tava…

Cristiano Meditsch

Ha ha ha. Passo por isso direto. Mas é assim mesmo. Quando ainda estava na faculdade um professor meu que era dono de uma grande agencia, que hoje nao existe mais, me falou um dia, quando perguntei para ele por que andava somente de terno e gravata. “Eramos os guris da agencia, faziamos um bom trabalho, todos nos elogiavam e davam tapinhas em nossas costas, e contas boas? Nenhuma. Quem vai confiar sua empresa a uns guris? Foi quando os sócios resolveram colocar terno e gravata. E passaram de guris a empresarios de sucesso. E as contas comecaram a vir.” E a agencia deles realmente foi um sucesso. Aquilo me marcou, mas no mundo dos negocios a aparencia é tudo. Quer fazer um teste? Contrata um cara que só usa terno e gravata. Em algum tempo voce vai ouvir de alguém que o cara é que é o dono do negócio. Pode ter certeza. Tiro certo.
abracos

Rafa de Paula

Mais uma diferenca entre vc e o Cassiano.
Vc é um empresario de sucesso guri-tio e ele? Um zé ninguem que ganha só um pedaço de pão por cada capitulo.

Ps.: Estamos esperando vc com a camiseta anti-cassiano este sábado.

Marcio Cestari

foda, eu uso sapato caramelo as vezes… prefiro andar de tenis, jeans e camiseta, mas… fazer o q, né… heheheh

Marcio Callage

Na Nike dos USA tem uns caras grandões (mas grandões MESMO) que trabalham de chinelo e bermuda.

Maria Carmencita Job

Tiago, me identifiquei muito com teu post. Já que passo por inúmeras situações como essa, todos os dias… Sou também empresária, e quando saiu de casa para um reunião com algum cliente, sou obrigada a me fantasiar de “gente grande”, ( tenho 29 anos e tbem me sinto uma menina, mas, sou forçada a me contrapor)! Regras do mercado, ou conceitos vislumbrados somente por uma estética rasteira e superficial? Acho que deveríamos tentar mudar essa situação, já que somos “jovens” e podemos adotar uma linguagem mais ousada e atrevida!
O que vce acha?
Beijão e, sorte com os novos looks em festas estranhas com gente (DEFINIDA)!

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