O tempo.

Certa vez li que o homem vai ter que voltar ao campo para resgatar a noção de TEMPO. Adorei a teoria e acho mesmo que faz bastante sentido.

Cada vez mais, a angústia por chegar o mais rápido possível ao fim acaba atrapalhando, pra não dizer atropelando, o caminho. O meio. E a gente acaba não admirando a paisagem.

E não percebemos que a vida é feita mais de durantes do que de finais. É o caminho que preenche a vida.

Bom, e eu com isso? – Alguém aí se perguntou.

É que eu tava contando essa história pra um amigo, que anda angustiado com a grana que não vem, com o reconhecimento profissional que não chega, e isso caiu muito bem pra ele.

E agora virou post.

Quando tinha meus 21/22/23 anos (tenho 30 hj), sacrificava um final de semana na praia por qualquer anúncio que pintasse na pauta. Eu e o Perottoni gostavamos pra cacete do que fazíamos, mas carregavamos com a gente também a sensação de que estavamos numa corrida maluca.

Juntando A com B, o resultado era que, no verão, trocavamos quase todos finais de semana na praia pelo ar-condicionado da agência.

Ganhei muito pouco com isso, na real. Troquei um bronze na praia, por um no Salão que, sinceramente, não mudou NADA a minha vida.

Mas o verão passou.

O processo de aprendizado e amadurecimento na propaganda é muito maior do que se pensa. MUITO MAIOR. Tem gente nova DEMAIS nas agências, fazendo MUITA coisa ruim que tá veiculando, cliente aprovando, etc. Então, se você compara, pode até se iludir a achar que já sabe. Mas não se engane: são poucas agências e profissionais no estado que hoje realmente estão CONSTRUINDO MARCA, gerando negócios através de IDÉIAS E SOLUÇÕES RELEVANTES.

Você precisa de vontade, tesão e dedicação. Siiiiiim. Mas você precisa também saber esperar. Fazer e repetir muito, sem achar que o resultado vem logo ali. Comemore as pequenas vitórias. São anos de trabalho pra construir a sua história, formar opinião, testar caminhos. É uma prova de longa distância e não de 100 metros. Moral: não são os finais de semana ou madrugadas desnecessárias que vão fazer a diferença.

Claro que, quanto mais horas em cima de um problema, antes ele vai ser solucionado. Pra ser bom, tem que trabalhar, sim. Ralar, exercitar. Mas existe uma equação. Um fator externo. É o tempo dedicado X o tempo de amadurecimento mesmo. Tem um limite. Mágica não existe.

Se eu tivesse me dado conta disso, talvez não tivesse feito nada muito diferente, na prática. Eu realmente gosto de trabalhar. Mas dentro de mim, ao menos, talvez tivesse carregado menos angústias. Não fui pra forca. Nem teria ido se tivesse deixado a linha um pouco mais solta. Estaria aqui, no mesmo lugar. E talvez tivesse aproveitado um pouco mais o caminho. Alguns churras a mais com os amigos, ao menos.

Precisamos saber andar em outra rotação que não seja a mais alta.

E a história da volta ao campo conta um pouco disso. A teoria diz que o homem só vai voltar a entender que a natureza, a vida, a história, tem um tempo, um ritmo, quando ele voltar a plantar árvores. E perceber que ela não cresce da noite para o dia. Não existe velocidade de conexão mais rápida, adubo, terra, semente que possa fazer uma árvore brotar e se desenvolver em 3 meses. O tempo é rei.

Postado em 4 de fevereiro de 2009 às 7:41
Arquivado na categoria: Perestroika
Você também pode fazer um comentário ou acompanhar pelo seu próprio site.

14 Comentários

Eduardo Escobar

sensacional!
compartilho muito dessa opinião e experiência.
essa “ficha” me caiu esse ano…

bom seria se todos pudessem assimilar isso só lendo ou ouvindo experiências dos outros, mas o bom da vida é que tem que viver pra aprender né!

grande abraço e parabéns!

Rogério Fernandes

Putz… Acertou.
Serve pra mim.
Abraços.

vivian

bah, parada obrigatória para refletir…

e onde foi que tu leu a respeito dessa teoria?
fiquei interessada!

admin

putz, não lembro, vivian… a sequela é forte. :)

GabE

O ESTRANHO CASO DE BENJAMIM BUTTON

Rafael Tronquini

Muito bom o texto. De fato, o tempo é um bem raro. Talvez se o homem conseguisse criar tempo já teria perdido a noção de riqueza.
…] Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento [...]. Abraço,

ju_lubianca

Sempre leio e acabo nunca comentando aqui mas esse post me venceu. Não tinha como não comentar. Venho pensando nisso a algum tempo e tem tudo a ver com o momento as decisões e o rumo que estou tomando agora. Me fez muito bem. Parabéns guris!

Renato Rosa

Excelente Felipe!

admin

Juliana, fiquei feliz de saber!
Bj, Márcio.

William Mallet

É mais ou menos o que eu escrevi nesse post:
http://dedonocuegritaria.blogspot.com/2008/12/por-que-tu-no-arruma-um-emprego-comum.html

Leiam… é útil pra caralho.

Débora

Feliz do que tem PACIÊNCIA para o tempo. É nisso que estou trabalhando….

Katia Viola

Um livro muito bacana e que complementa a sua reflexão é o Reengenharia do Tempo, de Rosiska Darcy de Oliveira. O livro começa justamente dizendo o seguinte: “ganhar a vida” já foi uma expressão que significava garantir a sobrevivência através de trabalho remunerado. Hoje, ganhar a vida é reapropriar-se da sua matéria prima: o tempo. E é isso o que temos que buscar, redesenhando as relações com o cotidiano e com o trabalho. Ainda bem que vc, ainda muito jovem, teve esse insight sobre a velocidade das coisas e o uso equivocado do seu tempo. Tem gente que se enrola tanto e durante tenatos anos que acaba sem tempo para perceber que o sucesso tem mais a ver com o grau de felicidade do que com o salário.

admin

Muito legal mesmo, Katia! Obrigado pelo comentário!

Paulinha

Um pouco de nostalgia e reflexão se encaixam muito bem num final de domingo … Adorei a coincidência de, logo esse post, ter retido a minha atenção antes de eu cair na cama. E não teria momento mais propício.
Vou dormir pensando …

Parabéns e obrigada pelo post !

Abs.

Faça um comentário